No Dia Mundial do Café, relembre o papel deste ponto histórico no Centro da capital São Paulo
A economia agrícola ajudou a construir cidades brasileiras. O café foi o maior responsável pela urbanização do Sudeste do país a partir do final do século XIX. O lucro dos cafeicultores financiou a construção de ferrovias, que, por sua vez, fizeram surgir cidades ao longo dos trilhos no interior de São Paulo e Minas Gerais. Quem passeia pelo coração da capital paulista pode relembrar os tempos áureos de quando a riqueza do café teve impacto direto na aceleração da urbanização da cidade. No Dia Mundial do Café, comemorado neste 14 de abril, relembre o papel de um ponto importante das negociações do grão no estado: o Largo do Café.
O café se consolidou como base da economia do país entre meados do século XIX e primeiras décadas do século XX. Neste período, uma bolsa informal para negociação do grão foi instalada no famoso triângulo histórico do centro de São Paulo. O Largo do Café ficava entre as ruas São Bento, Álvares Penteado e Rua do Comércio. Na época, corretores, comissários e representantes de exportadores ali se reuniam para negociar cargas que seguiam para países como Itália, França e Estados Unidos, conforme lembra o pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) e especialista no mercado de café, Celso Vegro. “No Largo do Café, estes atores negociavam os lotes que vinham do interior do estado com destino à Baixada Santista, de onde eram exportados. Além da Baixada Santista, o Largo do Café também foi uma praça de corretagem e comercialização do café paulista”, complementa.

Atualmente, quem passa pelo Centro Histórico revive esta memória ao observar os prédios antigos que ali se instalaram em uma das áreas mais valorizadas à época. Próximo do Largo do Café, outros pontos também fazem parte desse roteiro urbano do café e rememoram o período histórico, entre eles, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), antiga sede do Banco do Brasil, a Estação da Luz e o Theatro Municipal de São Paulo, por exemplo. Tais construções urbanas se somaram à difusão das artes e desenvolvimento de novas cidades do interior paulista. Conforme o pesquisador Celso Vegro, cabe ressaltar ainda que a cultura do café no Brasil foi estruturada sobre os pilares da escravidão e de uma oligarquia agrária. “Essa riqueza advinda dos cafezais criou o imaginário social dos ‘Barões do Café’, que amealharam fortunas incomensuráveis. Ao reunir tamanha riqueza congregaram, também, poder político de natureza oligárquica, exibindo sua melhor expressão na arquitetura dos palacetes paulistas, refletindo o esforço de reproduzir as alamedas parisienses nos trópicos da cidade de São Paulo. Para tanto, importaram profissionais europeus como arquitetos para conduzir os projetos. Outros elementos da paisagem citadina se juntaram às mansões, como teatros, hospedaria, infraestrutura ferroviária e de eletrificação urbana. Enfim, a virada do século retrasado foi um período de formação do patrimônio histórico urbanístico da cidade de São Paulo”, enfatiza Vegro.
Ao longo dos anos, o setor produtivo do café passou por altos e baixos. No entanto, a relevância do produto para a economia paulista se mantém atualmente. São Paulo é um dos principais estados produtores do país. A cadeia produtiva do café beneficiado figura entre as dez principais do estado no que se refere a valor de produção, alcançando R$ 6,504 milhões em 2024, segundo dados do Valor de Produção Agropecuária (VPA) calculado pelo IEA, instituto de pesquisa vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA).
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Andressa Pesce (jornalista)
Assessoria de comunicação do Instituto de Economia Agrícola (IEA)
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