Nesta sexta-feira, dia 20 de março, é celebrado o Dia Nacional da Aquicultura, data que destaca a importância da produção de organismos aquáticos para a segurança alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento regional. A atividade está diretamente ligada à disponibilidade e à qualidade da água, recurso essencial para a produção aquícola e a vida. Diante dessa relação, o Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março e instituído pela Organização das Nações Unidas em 1992, reforça a importância da conservação e do uso sustentável dos recursos hídricos.
A água é um dos principais pilares da aquicultura, atividade que consiste no cultivo de organismos aquáticos, como peixes, crustáceos, moluscos, algas, répteis e outras formas de vida aquática. Durante muito tempo, esse recurso natural foi considerado infinito e inesgotável. Atualmente, porém, especialistas do Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, alertam que a água pode se tornar indisponível ou escassa em determinadas regiões devido a fatores como poluição, mudanças climáticas e má gestão dos recursos hídricos.
De acordo com a pesquisadora do IP, Cacilda Thais Janson Mercante, “a aquicultura continental depende diretamente da disponibilidade e da qualidade da água doce. A boa qualidade da água é essencial para evitar prejuízos à produção de organismos aquáticos, como, por exemplo, a mortandade de peixes devido à poluição, que pode ocasionar a redução de oxigênio na água”.
Mudanças climáticas e impactos na aquicultura
As mudanças climáticas representam um dos principais desafios para a produção aquícola. Alterações na temperatura da água e no regime de chuvas influenciam diretamente rios, lagos e reservatórios, afetando tanto a disponibilidade quanto a qualidade da água.
Essas mudanças podem comprometer a saúde dos peixes e impactar a produtividade da aquicultura, tornando ainda mais importante o desenvolvimento de pesquisas e tecnologias que auxiliem na adaptação da atividade a novos cenários ambientais.
Aquicultura sustentável e ações do IP
O Instituto desenvolve pesquisas, tecnologias e ações de transferência de conhecimento voltadas ao fortalecimento da aquicultura sustentável no Brasil. Entre as iniciativas está o CCD-AQUAINTEGRA, um Centro de Ciência financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), dedicado ao desenvolvimento e à validação de sistemas integrados e circulares de aquicultura.
O projeto reúne diversas instituições de pesquisa no Brasil e conta com colaboração internacional da University of Melbourne, na Austrália. A iniciativa busca gerar evidências científicas sobre o desempenho ambiental, econômico e de sustentabilidade de tecnologias de aquicultura integrada, contribuindo para a redução de efluentes e para a valorização de resíduos da aquicultura como bioinsumos para a agricultura e a produção animal.
Outro projeto de relevância é o Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Sanidade em Piscicultura (CCD-SP), aprovado também por edital da FAPESP e coordenado pelo IP. O Centro atua para melhorar a sanidade em piscicultura, visando à obtenção de uma produção de tilápia de qualidade, tanto para o produtor quanto para o consumidor.
Entre os projetos de destaque da instituição também está o Programa Integração Piscicultura-Agricultura-Pecuária (IPAP), que busca propor soluções para o problema do descarte de efluentes da piscicultura. Por meio da integração, desenvolvem-se tecnologias para transformar resíduos com potencial poluidor em biofertilizantes para a pecuária e a agricultura. O objetivo é criar soluções de ciclagem de nutrientes em sistemas integrados de produção de alimentos, seguindo os conceitos da economia circular.
Já o Programa Algicultura SP promove o desenvolvimento sustentável e ordenado do cultivo de macroalgas. O programa, com diversas ações, incentiva o desenvolvimento da cadeia de valor das macroalgas no estado de São Paulo, fomentando pesquisa, inovação e integração entre os diferentes setores envolvidos, incluindo produtores, indústria e órgãos reguladores.
O IP desempenha um papel de destaque nos estudos sobre a macroalga Kappaphycus alvarezii, amplamente utilizada na produção de gelatina (carragenana), biofertilizantes, biocombustíveis, bioplásticos, cosméticos, rações e fármacos.
Diante desse cenário, a instituição reforça seu papel estratégico ao integrar inovação, sustentabilidade e uso responsável dos recursos hídricos, contribuindo para o desenvolvimento da aquicultura.
Instituto de Pesca
O Instituto de Pesca é uma instituição de pesquisa científica e tecnológica, vinculada à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que tem a missão de promover soluções científicas, tecnológicas e inovadora para o desenvolvimento sustentável da cadeia de valor da Pesca e da Aquicultura.
Assessoria de imprensa IP
Seção de Comunicação Científica
Gabriela Souza /Andressa Claudino
Cel.: (11) 94147-8525
ipcomunica@sp.gov.br