Tecnologia apresenta ao público o caminho da fruta e o trabalho sanitário realizado pelo Estado; citricultura chega ao evento com o menor avanço do greening dos últimos nove anos
Quem visitar a 16ª edição do Citros de Mesa, em Cordeirópolis, poderá colocar óculos de realidade virtual e acompanhar, em poucos minutos, o caminho percorrido por uma fruta cítrica, da formação do pomar até sua chegada aos mercados nacional e internacional.
A experiência imersiva em 3D, apresentada pelo Governo de São Paulo, funciona como uma vitrine de um trabalho que, na prática, acompanha toda a cadeia de laranjas, limões, tangerinas e outros citros. Começa antes mesmo do plantio, com a fiscalização da produção e do comércio de mudas, passa pelo acompanhamento sanitário dos pomares e pelo beneficiamento das frutas e chega à certificação necessária para sua comercialização, inclusive para mercados internacionais.
Por trás da experiência virtual está um trabalho permanente de defesa sanitária. Somente em 2025, 4,4 milhões de plantas doentes foram eliminadas em São Paulo. No mesmo período, a Defesa Agropecuária fiscalizou 17.549 propriedades no enfrentamento ao greening e retirou de circulação 60.316 mudas. O Estado também reforçou as equipes dedicadas ao combate à doença com 28 profissionais, em investimento anual estimado em R$ 3,6 milhões.
Durante a abertura do evento, realizada nesta quarta-feira (2), o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, destacou que a atuação da Defesa faz parte de uma estrutura integrada de pesquisa, assistência técnica e suporte ao produtor.
“O Centro de Citricultura Sylvio Moreira é a casa do citricultor. E uma das maiores forças do agro paulista é justamente essa integração entre pesquisa, conhecimento, extensão rural, defesa agropecuária e o produtor na ponta. Aqui temos uma estrutura que conversa, que ouve as necessidades de quem produz e transforma pesquisa e tecnologia em resultado no campo. É esse conjunto que dá força e competitividade à citricultura de São Paulo.”
Sede do encontro, o Centro de Citricultura “Sylvio Moreira”, do Instituto Agronômico (IAC), é uma das principais referências de pesquisa do setor. A unidade mantém 1.745 acessos em seu banco de germoplasma, realiza mais de 15 mil diagnósticos fitossanitários por ano e transfere anualmente ao setor produtivo cerca de 150 mil borbulhas e até mil quilos de sementes.
O trabalho também envolve a CATI, que participa do evento com atendimento e orientação aos produtores sobre políticas públicas, além da venda de sementes e mudas cerificadas. Na citricultura, a Diretoria realiza capacitações junto às equipes de colheita, em parceria com a Defesa Agropecuária, a Câmara Setorial e a Associação Brasileira de Citros de Mesa (ABCM).
Greening tem menor avanço em nove anos
O encontro ocorre poucos dias após a divulgação de um novo levantamento do Fundecitrus sobre o greening, principal desafio sanitário da citricultura. Em 2026, a incidência da doença no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais passou de 47,63% para 48,08%.
O crescimento de apenas 0,45 ponto percentual foi o menor dos últimos nove anos e ficou bastante abaixo dos 3,28 pontos percentuais registrados no levantamento anterior. Em 2025, houve ainda redução de 45% na captura de psilídeos, insetos transmissores da doença. Entre plantas de três a cinco anos, a incidência caiu de 39,18% para 29,50%.
O resultado indica uma desaceleração importante, mas não significa que o greening esteja controlado. A doença ainda está presente em 48,08% das plantas avaliadas no cinturão citrícola, o que mantém o manejo dentro das propriedades e a atuação da defesa sanitária como pontos centrais para o setor.
Além das ações de fiscalização e orientação, São Paulo atualizou em 2026 sua estratégia de enfrentamento ao greening. Os municípios passaram a ser classificados conforme a incidência da doença, permitindo que a Defesa Agropecuária direcione a fiscalização de acordo com o risco e a realidade sanitária de cada região. Também foi estabelecido o monitoramento quinzenal obrigatório do psilídeo nos pomares.
Nas regiões de baixa incidência, permanece obrigatória a erradicação das plantas contaminadas de qualquer idade. Em municípios de alta incidência, plantas adultas podem permanecer no pomar quando submetidas ao manejo adequado, enquanto o arranquio continua obrigatório para plantas de até três anos. A atualização busca tornar a atuação sanitária mais direcionada, mantendo o rigor no controle da doença e considerando as diferentes realidades da citricultura paulista.
16ª edição do Citros de Mesa
Realizado nos dias 2 e 3 de setembro, o 16º Citros de Mesa é promovido pela ABCM em parceria com o Centro de Citricultura “Sylvio Moreira”/IAC e reúne produtores, pesquisadores, técnicos, compradores e empresas para discutir manejo, variedades, qualidade, certificação, pós-colheita e mercado da fruta fresca.