Com aula dirigida de análise sensorial e visita técnica à destilaria, treinamento capacita e fortalece o quadro de servidores da Secretaria de Agricultura e Abastecimento para o Concurso Estadual da Cachaça
No Mosteiro do Paraíso, em Torrinha (SP), um encontro estratégico para o fortalecimento da agroindústria paulista reuniu técnicos e pesquisadores da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), Defesa Agropecuária e APTA REGIONAL, vinculadas à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, para uma imersão intensiva no universo do destilado.
Com o objetivo claro de capacitar o corpo técnico da instituição no suporte e na orientação aos produtores rurais para o Concurso Estadual da Cachaça, o evento, iniciado no dia 13 de agosto, abordou desde a gestão da propriedade até a avaliação sensorial do produto, unindo teoria e prática.
A iniciativa visa padronizar o atendimento, garantir a qualidade das orientações no campo e impulsionar a participação dos produtores paulistas na competição. Durante toda a programação do encontro, esteve em destaque o valor cultural e econômico da bebida, que é legitimamente brasileira: desde 2001, o termo “cachaça” é exclusivo para a aguardente de cana produzida no Brasil, de acordo com o Decreto nº 4.062, que estabelece a Indicação Geográfica do produto.
Logo na abertura, as Boas Práticas de Produção foram temas centrais na palestra conduzida pela Dra. Elisângela Torres, pesquisadora científica da APTA REGIONAL Bauru e coordenadora do Grupo de Estudos da Cadeia da Cachaça (GECCA). “A cachaça é um patrimônio nosso, um produto 100% nacional que carrega história, valor agregado e enorme potencial de mercado”, celebrou a palestrante.
Em seguida, o passo a passo para a legalização e regularização dos empreendimentos foi abordado por Izaías de Carvalho Filho, auditor fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Irineu Bessi Junior, engenheiro-agrônomo da CATI, detalhou os critérios da terceira edição da competição, assim como as regras para o recebimento e o correto direcionamento das amostras que disputarão o prêmio estadual.
“A nossa meta é garantir um fluxo alinhado e transparente em todas as etapas de coleta e envio do material. Quando o técnico domina o regulamento, ele dá total segurança ao produtor para que a amostra chegue ao concurso dentro das exigências. Isso valoriza o trabalho de quem está no campo”, pontuou o agrônomo.
Antes do encerramento, os servidores colocaram a mão na massa — ou melhor, a cachaça na taça. Foi o momento do treinamento focado no reconhecimento dos atributos de qualidade da bebida, a Análise Sensorial, conduzida pela Dra. Elisângela e pela Dra. Raquel Nakazato Pinotti, também da APTA REGIONAL Bauru.
No dia 14, uma visita técnica à Destilaria Octaviano Della Coletta, na Fazenda Basalto, em Torrinha, permitiu que os técnicos vivenciassem na prática os processos produtivos de excelência.
Durante o evento, a relevância do alinhamento da equipe e o papel transformador da cachaça para a agroeconomia de São Paulo ganharam destaque. “O nosso papel, enquanto extensão rural, é desmistificar caminhos e abrir portas. Temos confiança de que o investimento no qualificação da nossa equipe em temas como regularização e análise sensorial refletirá na qualidade das amostras recebidas. A CATI está pronta para ser a grande parceira do produtor paulista no Concurso, impulsionando a qualidade da nossa cachaça”, comenta Fabiana Gouvêa, diretora da CATI.
Com o treinamento concluído, as Casas da Agricultura de todo o estado passam a contar com extensionistas ainda mais aptos a orientar os produtores locais, fortalecer a cadeia produtiva e elevar a cachaça paulista aos patamares mais altos do mercado.