Simplificação das regras de registro ampliou o acesso dos pequenos produtores ao serviço de inspeção estadual
A Região Metropolitana de São Paulo reúne 52 estabelecimentos artesanais regularizados no Serviço de Inspeção de São Paulo (SISP), o que representa cerca de 16% dos 317 registros dessa modalidade em todo o estado. O número chama a atenção por se tratar da área mais urbanizada do território paulista, formada pela capital e por outros 38 municípios, onde a produção de alimentos convive lado a lado com a maior área urbana do país.
Entre os 52 artesanais da região, a distribuição por cadeia produtiva é a seguinte: 42 de carne, 4 de leite, 3 de pescado e 3 de mel. A carne concentra a maior parte dos registros, perfil que ajuda a explicar a força da charcutaria artesanal na região e reflete uma produção voltada ao consumidor final. Somados aos 137 estabelecimentos industriais, a Região Metropolitana chega a 189 registros no serviço de inspeção estadual.
O SISP Artesanal, coordenado pela Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), contempla produtores de diferentes cadeias produtivas, como carne, leite, ovos, mel e pescados. O registro certifica que os estabelecimentos atendem aos requisitos higiênico-sanitários previstos na legislação e permite a comercialização dos produtos em todo o território paulista, com garantia de que a produção segue boas práticas de fabricação e passa por controles oficiais que reduzem os riscos de contaminação e de doenças transmitidas por alimentos.
Um dos exemplos dessa produção na capital é a Il Cacciatore Salumeria, instalada no Jaraguá, na zona oeste, a poucos metros da estrada turística que leva ao Pico do Jaraguá. À frente do negócio está Ricardo Silva da Costa, que trabalhou 18 anos com pesquisa de mercado antes de fazer um curso de linguiça artesanal em 2016 e começar a produzir para clientes da região. A fábrica foi montada há dois anos e hoje abastece a loja própria da marca, nos Jardins, além de bares, pizzarias e restaurantes.
“Muita gente que chega aqui acha que está no interior de São Paulo, mas a gente está a 10, 12 quilômetros do centro, entre o começo da Rodovia dos Bandeirantes e a Anhanguera”, conta o produtor.
Ricardo lembra que, antes da criação da modalidade artesanal, a exigência de estrutura equivalente à da grande indústria inviabilizava a regularização de quem produzia em pequena escala. “Se enquadrar nas regras de uma grande indústria é quase impossível para o pequeno. Não tem verba para isso, nem estrutura. O SISP Artesanal veio com regras certinhas para tirar da ilegalidade o pequeno que quer sair dela”, afirma.

Legenda: Ricardo Silva da Costa ajudou a fundar uma associação de charcutaria artesanal em São Paulo, criada para dar voz aos pequenos produtores na construção das regras de regularização.
O crescimento na região acompanha o movimento observado em todo o estado desde a redução das etapas administrativas para regularização. Em 2023, após a publicação da resolução que simplificou os procedimentos, foram registrados 47 estabelecimentos artesanais em São Paulo. Em 2024, esse número mais que dobrou, alcançando 106 registros. Em 2025, outros 115 estabelecimentos obtiveram registro e, em 2026, o estado chegou à marca de 317 estabelecimentos artesanais regularizados. Antes da atualização da regulamentação, a média era de 2,2 estabelecimentos artesanais por ano.
O peso da produção artesanal na Grande São Paulo reforça um dado que costuma passar despercebido, o de que a Região Metropolitana registrou Valor de Produção Agropecuária de R$937,43 milhões em 2025, com destaque para alface, caqui e ovo de galinha. Segundo o Censo Agropecuário 2016/2017, são 5.700 unidades de produção agropecuária espalhadas por municípios como Mogi das Cruzes, Salesópolis e Guararema, que ajudam a abastecer a capital e o litoral.
Além do registro sanitário obrigatório, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento mantém o Selo Agro SP Artesanal, uma certificação voltada ao reconhecimento e à valorização comercial dos produtos de origem artesanal. Na Região Metropolitana, 24 estabelecimentos já contam com o selo, em municípios como Mogi das Cruzes, Salesópolis, Santa Isabel, São Lourenço da Serra e a capital. Enquanto o registro no serviço de inspeção é a condição legal para produzir e vender, o selo funciona como uma chancela adicional, que sinaliza ao consumidor a origem e o caráter artesanal do produto.