Equipes da Defesa Agropecuária realizam coleta de planta daninha na região de São José do Rio Preto. Foto: Felipe Nunes/Defesa
Praga identificada em território paulista no início de fevereiro agora conta com plano que organiza ações de prevenção, controle e erradicação no Estado
O Governo de São Paulo instituiu nesta sexta-feira (20) o Plano Estadual de Prevenção, Controle e Erradicação do caruru-gigante (Amaranthus palmeri), planta daninha invasora de alto potencial de disseminação e impacto econômico. Conforme estabelece a Resolução nº 7/2026, publicada hoje no Diário Oficial do Estado, o plano define diretrizes técnicas e operacionais para a prevenção, contenção e eliminação da praga no território paulista, com o objetivo de proteger as cadeias produtivas agrícolas e preservar a competitividade do agro no Estado.
Coordenado pela Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o plano organiza as ações de vigilância, fiscalização e erradicação em todo o território paulista, com apoio das áreas de pesquisa, extensão rural, setor produtivo e prefeituras.
A medida foi adotada após a confirmação de foco da planta daninha em 3 de fevereiro de 2026, em uma propriedade no município de Mirassol, na região de São José do Rio Preto. A partir da detecção, a Defesa Agropecuária iniciou imediatamente as ações de interdição da área, eliminação do foco e monitoramento ampliado, integrando esforços para conter a disseminação e erradicar a ocorrência no Estado.
O plano estabelece protocolos padronizados de atuação, incluindo vigilância fitossanitária contínua, fiscalização, rastreabilidade, manejo integrado, interdição de áreas infestadas, eliminação imediata de focos e controle do trânsito de máquinas e implementos agrícolas. Também prevê a articulação entre os órgãos da Secretaria e instituições parceiras para monitoramento permanente e resposta técnica rápida.
Segundo o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, a formalização do plano consolida a resposta rápida do Estado diante de uma praga com elevado potencial de impacto econômico e produtivo. “O enfrentamento ao caruru-gigante exige atuação coordenada e permanente. Estamos mobilizando toda a estrutura da Secretaria, em parceria com produtores, prefeituras, instituições de pesquisa e o setor produtivo, para evitar a disseminação da praga no território paulista, preservando a competitividade da nossa agricultura”, ressalta.

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Com alto potencial de impacto sobre culturas como soja, milho e algodão, além de elevar significativamente os custos de produção agrícola, o caruru-gigante demanda a adoção imediata de medidas técnicas coordenadas para contenção e erradicação da praga no Estado. Somadas, essas culturas representam R$13 bilhões do Valor da Produção Agropecuária paulista. A soja movimenta cerca de R$ 8,9 bilhões por ano no Estado, o milho mais de R$ 4 bilhões e o algodão R$ 181 milhões, o que evidencia o potencial de prejuízo econômico caso a praga se dissemine e justifica a adoção imediata de medidas coordenadas de contenção e erradicação.
“São ações que compreendem vigilâncias ativas e passivas, controle do trânsito de máquinas, manejos integrados, aplicação de medidas químicas, mecânicas e culturais, a eliminação imediata de focos, interdição de áreas, entre outras medidas que devem ser levadas em consideração por todo o setor produtivo para que consigamos extinguir essa praga do território paulista com a maior eficiência possível”, destaca Alexandre Paloschi, engenheiro agrônomo e diretor do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal.
Entre os próximos passos previstos estão a ampliação do monitoramento regional, o fortalecimento das ações de fiscalização coordenadas pela Defesa Agropecuária, a publicação de protocolos operacionais específicos, a capacitação técnica de equipes e a intensificação da comunicação com produtores e municípios.
Acesse o plano no Diário Oficial pelo link: https://doe.sp.gov.br/executivo/secretaria-de-agricultura-e-abastecimento/resolucao-saa-n-07-de-19-de-fevereiro-de-2026-20260219111512201643417
Amaranthus palmeri
O Amaranthus palmeri é uma planta daninha exótica, de crescimento rápido e elevada agressividade. Apresenta resistência a herbicidas e alta capacidade de dispersão, com plantas fêmeas capazes de produzir de 200 mil a 500 mil sementes por planta, dependendo das condições ambientais.
As plantas fêmeas podem produzir sementes viáveis mesmo na ausência de polinização por plantas machos, o que amplia o potencial de disseminação e exige monitoramento contínuo das áreas agrícolas.
Diante de qualquer suspeita de ocorrência, especialmente em áreas com indícios de resistência a herbicidas, a orientação é que produtores e técnicos entrem em contato com a unidade da Defesa Agropecuária mais próxima:
https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/enderecos/
Materiais educativos e orientações técnicas estão disponíveis em:
https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/arquivos/educacao-sanitaria/material/folder_praga_amaranthus.pdf