Evento em Campinas destacou a trajetória da instituição fundada em 1887, por D. Pedro II.
Nesta terça-feira (30), o Instituto Agronômico (IAC-APTA) completa 139 anos da sua fundação, em 1887, por D. Pedro II. A data foi marcado por evento realizado na sede do instituto em Campinas. Na ocasião, foi anunciado o lançamento do feijão cranberry IAC 2662 Borlotti, inédito no mercado, além de homenagens com a entrega do Prêmio IAC, e da medalha do mérito Medalha Mérito Científico D. Pedro II a profissionais internos e externos que se destacam na agricultura.
“São Paulo é um estado de grandes produtores, mas eles só são grandes porque contam com o conhecimento gerado por instituições como o IAC e por toda a rede de pesquisa paulista. Há 139 anos, o Instituto transforma ciência em inovação para o campo, fortalecendo a agricultura e contribuindo para o desenvolvimento do nosso Estado. Meu reconhecimento a todos que fazem parte dessa história.”, destacou Geraldo Melo Filho, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Novas cultivares de Feijão e Mandioca no mercado
Com o lançamento da IAC 2662 Borlotti, o Instituto amplia sua linha de feijões especiais, mirando prioritariamente o comércio exterior, dado o forte apelo do grão no mercado europeu. Paralelamente, a nova cultivar surge como uma alternativa para o mercado interno. Ao diversificar a oferta nacional, ela atende a um nicho em crescimento e cria novos canais de negócios para o setor agrícola.
“A IAC 2662 Borlotti traz ao mercado a novidade da tolerância ao escurecimento do grão, permitindo maior tempo de armazenamento sem perda de coloração, aparência ou qualidade. Essa característica favorece diretamente a exportação, já que o produto chega ao destino internacional com a mesma qualidade com que saiu do Brasil — um ganho significativo para o produtor brasileiro”, destaca Alisson Chiorato, responsável pela nova cultivar juntamente com Sérgio Carbonell, ambos pesquisadores do IAC, vinculado à APTA (Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios) e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
O feijão consolida-se como o carro-chefe do IAC na transferência de sementes genéticas para o setor produtivo — liderança que se mantém firme em 2026. Entre 2016 e 2025, o Instituto comercializou 645 mil quilos de sementes, abrangendo 92 cultivares dos tipos carioca, preto e especiais. A cultura também lidera a diversidade genética da instituição com 25 cultivares desenvolvidas no período. Além disso, entre janeiro e maio, o grão representou 62,3% do volume de grãos comercializados pelo IAC, totalizando. 72.850 quilos.
Também foi realizada no evento, o lançamento da cultivar de mandioca de indústria IAC 139 que é indicada para produção de farinha, fécula e polvilho. A IAC 139 apresenta alto rendimento industrial, elevada produtividade com alto teor de matéria seca e suas raízes têm casca clara e polpa branca, com pouca presença de fibras.
Homenagens
Durante a solenidade, também foram anunciados os homenageados pelo Prêmio IAC, que destaca a excelência na agricultura paulista e nacional. Na Categoria Interna, os homenageados foram o pesquisador sênior Afonso Peche Filho (Divisão de Engenharia), referência em agricultura regenerativa e gestão agroambiental, e o servidor Edvaldo Novelli Gomes, fundamental para as pesquisas em heveicultura e sistemas florestais da instituição. Já na Categoria Externa, o prêmio de Personalidade do Agronegócio foi concedido a Marcelo Eduardo Lüders, presidente do IBRAFE, reconhecido por sua liderança global e conexão do mercado brasileiro de feijão e pulses.
Também foi concedida a medalha “Mérito Científico D. Pedro II” ao engenheiro agrônomo Dr. Ignácio José de Godoy. Pesquisador do IAC desde 1975 é uma das maiores referências em melhoramento genético de amendoim no Brasil, o cientista foi homenageado por sua contribuição histórica ao setor.
Fundado por D. Pedro II em 1887, o Instituto Agronômico (IAC) chega a 2026 como protagonista de uma revolução agrícola com mais de mil cultivares e pacotes tecnológicos que transformam lavouras em todo o Brasil.
Até junho de 2026, o instituto desenvolveu 1.205 cultivares de 112 diferentes espécies vegetais, muitas delas presentes em campos agrícolas em quase todas as regiões brasileiras. O Instituto atua também na geração de pacotes tecnológicos que contribuem para elevar a produtividade e a sustentabilidade das lavouras e a qualidade dos produtos que chegam aos consumidores.