Secretaria de
Agricultura e Abastecimento

Inteligência Artificial impulsiona inovação tecnológica na agricultura paulista

Inteligência Artificial impulsiona inovação tecnológica na agricultura paulista

Stand do Centro de Engenharia do IAC na Agrishow em 2024

Com práticas que promovem a instalação de ambientes de inovação, monitoramento agrícola e regularização ambiental, ferramenta promove o desenvolvimento dos programas com o uso de IA

A inteligência artificial aplicada no agronegócio tornou-se uma realidade que vem contribuindo para uma eficiência comprovada nas atividades no campo. A tecnologia pode ser utilizada como estratégia para reduzir, por exemplo, perdas pós-colheita em até 30%. Segundo levantamento realizado pela 29ª Global CEO Survey, conduzida pela PwC com mais de 4,4 mil líderes, cerca de 33% das empresas do agro relataram um aumento significativo da receita atribuída, diretamente, por conta do uso de IA. 

O estado de São Paulo se destaca como um dos líderes no país no uso da ferramenta, impulsionado pela alta concentração de startups (AgTechs). Dados da Radar Agtech Brasil registraram 845 empresas do segmento instaladas no estado, com uma participação de 43,2% do total existente no país.

“São Paulo tem colocado a tecnologia no centro do desenvolvimento produtivo do agro. A inteligência artificial já está sendo aplicada em escala nas mais variadas cadeias produtivas. No setor público, tem se mostrado efetiva para decisões mais rápidas e mais assertivas na elaboração de políticas públicas”, afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.

Com práticas que vão desde a instalação de ambientes de inovação para desenvolver as AgTechs até o processo de monitoramento agrícola, a  Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA), por meio dos Institutos da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), promove o desenvolvimento dos programas e ações da Pasta com o uso da tecnologia.

Projeto de ensino com metodologia interativa através da IA

O Centro de Engenharia e Automação (CEA) do Instituto Agronômico (IAC-APTA) é uma unidade de referência em pesquisa focada na modernização da agricultura. O CEA possui em seu escopo diversos estudos com a prática de IA. Um projeto inovador de ensino que está em andamento tem o objetivo de tornar as aulas ainda mais dinâmicas. “Nós estamos treinando um avatar com o uso de inteligência artificial, para que ele possa ser um instrutor do curso. A ideia é que ele possa se desenvolver, constantemente, e fazer as respostas de forma interativa com os alunos”, explicou o pesquisador do IAC, Hamilton Humberto Ramos. 

Outros trabalhos realizados no CEA são o uso de drones em pulverização, equipamentos de proteção individual (EPI) para aplicadores de defensivos agrícolas. Este recurso estará disponível nos próximos módulos de treinamentos da Unidade de Referência em Produtos Químicos e Biológicos, que passará a atender também empregadores do agronegócio, além de aplicadores de produtos.

“Nosso modelo de IA está sendo treinado para atender a demandas de diferentes públicos frequentadores dos treinamentos, do agrônomo-instrutor até o trabalhador rural, com linguagem direcionada a cada um deles. A ideia é oferecer ao aluno um rendimento mais interativo”, destaca Hamilton Ramos.

Ambientes de inovação conectam 

Outra frente estratégica para impulsionar a inovação tecnológica no agro paulista é o APTAHub, ambiente de inovação criado pela Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) para aproximar centros de pesquisa, startups, empresas e produtores rurais. A iniciativa busca acelerar o desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas ao campo, conectando ciência, empreendedorismo e demandas reais do setor produtivo, por meio de iniciativas como pitch days, programas de aceleração e conexões com institutos de pesquisa, o APTAHub permite que novas soluções tecnológicas sejam testadas e apresentadas ao ecossistema do agronegócio.

Para o líder de inovação da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios, Sérgio Tututi, a aproximação da secretaria de AgTechs com foco em IA é a estruturação de mais um pilar essencial ao produtor rural e às cadeias produtivas. “Durante décadas, a vantagem no agronegócio veio de terra, máquinas e genética. A próxima fronteira é cognitiva. A IA deixará de ser uma ferramenta de diferenciação para se tornar a infraestrutura invisível que sustenta as decisões no campo”, acrescenta.

Entre as startups que vêm participando desse ambiente está a Agscore, plataforma de inteligência artificial voltada à análise preditiva de produtividade e risco agrícola. A solução integra dados de clima, solo, genótipos, manejo e variáveis financeiras para gerar previsões com até 12 meses de antecedência, auxiliando produtores na tomada de decisão e instituições financeiras na análise de crédito e risco no setor agropecuário.

Segundo Kallil Sobhi, sócio administrador da Agscore, a iniciativa nasceu da necessidade de oferecer ao produtor uma visão mais precisa e antecipada dos riscos da produção. “A Agscore nasceu da convicção de que o agronegócio brasileiro merecia previsão de risco real, por talhão, com antecedência e com explicação técnica de cada resultado”, afirma.

A plataforma já foi validada em mais de 20 mil hectares, com até 92% de acurácia na previsão de produtividade de culturas como soja e milho, contribuindo para tornar a produção agrícola mais previsível e eficiente. Ao todo, mais de 6 mil áreas agrícolas já foram analisadas pela ferramenta.

Para Sobhi, o ambiente promovido pela APTA fortalece a conexão entre inovação tecnológica e o setor produtivo. “O AptaHub nos deu um espaço valioso. O pitch day foi uma oportunidade importante para apresentar a solução. Em uma jornada onde cada conversa conta, esse tipo de exposição faz diferença”, destaca.

Inteligência Artificial para identificação e geolocalização

O programa Rotas Rurais do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da SAA utiliza-se de recursos de Inteligência Artificial para identificação e geolocalização mais precisa. Esta tecnologia por trás do mapeamento digital (georreferenciamento) avalia e identifica entradas de propriedades que antes não tinham numeração, facilitando a logística, o acesso a serviços de segurança (Polícia Rural) e a entrega de produtos. “O uso da ferramenta tecnológica contribuiu, significativamente, para o desenvolvimento constante do programa. Através do recurso, nós otimizamos os trabalhos de nossa equipe e expandimos ainda mais os resultados obtidos do projeto”, detalhou a coordenadora do IEA, Priscilla Fagundes. 

O Instituto de Economia Agrícola também desenvolve o programa Brotar, que realiza um censo rural com um levantamento de campo em 371 municípios do Estado de São Paulo, abrangendo mais de 820 mil domicílios. A iniciativa usa o Chat GPT avançado para a  geração de relatórios e análise de dados.  

Uso de IA para a regularização ambiental

O Estado de São Paulo alcançou, ao final de 2025, a marca de 200 mil Cadastros Ambientais Rurais (CARs) validados, consolidando-se como líder nacional na regularização ambiental das propriedades rurais. O avanço é resultado de investimentos do Governo de São Paulo em tecnologia, com destaque para o uso de Inteligência Artificial (IA) para acelerar e aprimorar a análise dos cadastros.

Atualmente, o estado possui cerca de 432 mil CARs ativos, e a adoção de ferramentas tecnológicas tem permitido ampliar significativamente a capacidade de validação, tornando o processo mais ágil e eficiente. A análise dinamizada por inteligência artificial, aliada ao trabalho técnico das equipes da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, tem impulsionado os resultados.

“Com análise dinamizada por inteligência artificial e o trabalho técnico das nossas equipes, São Paulo avança na regularização ambiental e se consolida como referência nacional na implementação do Código Florestal”, afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.

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