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Agricultura e Abastecimento

Viaduto do Chá: as transformações da capital paulista e a ascensão do café

Viaduto do Chá: as transformações da capital paulista e a ascensão do café

No aniversário de 472 anos de São Paulo, relembre um capítulo da história da cidade e de um dos maiores símbolos urbanísticos da capital

O Viaduto do Chá é um marco histórico no coração de São Paulo, conhecido por conectar o Centro velho ao Centro novo da cidade, sobre o Vale do Anhangabaú. Atualmente, a estrutura é também por onde passam milhares de pessoas. O Viaduto do Chá segue como cartão postal da cidade que comemora 472 anos neste domingo (25). Tombada em 2015, a construção é rodeada por edifícios emblemáticos, como as sedes da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado e da Prefeitura, o Theatro Municipal, além de sediar importantes atividades artístico-culturais. O local tem relação direta com as transformações econômicas e urbanísticas do século XIX na cidade de São Paulo.

Até 1822, havia na região uma chácara de propriedade de Joaquim José dos Santos Silva, conhecido como Barão de Itapetininga (1799-1876), onde eram vendidos produtos como chá e agrião. O Morro do Chá tinha uma plantação de milhares de pés de chá preto (ou chá da Índia), numa área que se estendia do Vale do Anhangabaú até a Avenida São João. O cenário muda, no entanto, a partir da ascensão da cultura do café, plantado em vales e montanhas do Estado de São Paulo. O grão acelerou o surgimento de novas cidades e a transformação da capital. 

Com a riqueza do café chegando em São Paulo, a cidade entra em um processo de urbanização. As plantações de chás saem de cena, para a inauguração, em 1892, do primeiro viaduto da capital: o Viaduto do Chá. No subsolo do Vale do Anhangabaú, passa um rio, chamado de Rio Anhangabaú, que deu nome ao local. Naquela época, o curso de água corria a céu aberto, tornando o terreno fértil mas também impossibilitando o fluxo de pedestres. O coordenador de governo local da Prefeitura de São Paulo, Coronel Arruda, resgata um pouco dessa memória paulistana: “Aquele local em específico era um charco, cuja travessia era muito difícil. Então ficou inviável andar no meio de charcos, sapos. Neste contexto foi construído o primeiro projeto do viaduto em ferro na Alemanha”, destaca. Além da desapropriação das chácaras que ficavam ali, o lugar foi posteriormente jardinado e o rio canalizado.

De acordo com dados da Biblioteca IBGE, uma parcela da população era contrária à construção do viaduto e, em 1888, conseguiram impedir a continuação das obras, situação que foi contornada posteriormente. O viaduto possui 204 metros de extensão e liga a Rua Barão de Itapetininga, antiga Rua do Chá, à Rua Direita. Para fazer o trajeto, até 1897 era preciso pagar 60 réis, ou três vinténs, o que fez com que o viaduto ficasse conhecido naquele período como o Viaduto dos Três Vinténs. De acordo com o Coronel Arruda, nos anos 30, a estrutura se torna insuficiente para a demanda de veículos e é substituída por uma nova, em concreto armado. 

Frequentado pela alta sociedade paulistana, as pessoas usavam o viaduto para chegar aos cinemas, lojas da região e, a partir de 1911, ao Theatro Municipal. A riqueza que fluía pelos cafezais acelerou o desenvolvimento do país e se evidenciava nas elegantes mansões dos barões fazendeiros, nas grandes construções urbanas de São Paulo, como o viaduto, e na importação da cultura europeia, como o próprio hábito de tomar um chá. Neste sentido, o viaduto torna-se também um marco da expansão da cidade, que passa de colonial a potência industrial. Conforme lembra o pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) Celso Vegro, especialista no setor cafeeiro, até meados dos anos 1800 a capital paulista era apenas uma vila sem qualquer interesse econômico por parte do governo imperial. “Tendo a cafeicultura entrado em declínio em terras fluminenses, a lavoura  adentrou pelo Vale do Paraíba e posteriormente, expandindo-se para o Planalto (interior), tornou-se a principal fonte de riqueza da economia brasileira”, destaca Vegro. Questões logísticas e a proximidade da zona portuária tornaram São Paulo um hub para a exportação do produto. “Para a cidade começaram a afluir a elite cafeicultora, gerando um processo virtuoso de acumulação de capital e avanços na infraestrutura (ferrovias) e na industrialização (tecidos, alimentos). Os encadeamentos desses movimentos ganharam ritmo exponencial, consolidando São Paulo como o centro econômico-financeiro do Brasil”, finaliza.

Por

Andressa Pesce

Comunicação Instituto de Economia Agrícola

andressa.pesce@fundepag.br

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