Legenda: O engenheiro agrônomo e extensionista rural da CATI, Osmar Mosca Diz, durante atividades na unidade Fazendinha Feliz, em Campinas.
Espécies alimentícias não convencionais ganham espaço em ações de agroecologia, segurança alimentar e formação ambiental desenvolvidas pela Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI)
Alimentos costumam ser associados às feiras e mercados, mas muitos deles já estão presentes no cotidiano das pessoas, nos quintais, canteiros e hortas urbanas, sem serem reconhecidos como tal. Em Campinas, esse olhar começa a mudar a partir do trabalho desenvolvido pela Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) com as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC).
Na sede da CATI, o Centro de Educação Ambiental Fazendinha Feliz integra a rede municipal de educação ambiental e atua como espaço permanente de formação, vivência e difusão de conhecimentos ligados à agroecologia, à alimentação saudável e à valorização da biodiversidade alimentar. O local desenvolve atividades educativas com diferentes públicos, aproximando crianças, jovens, educadores e comunidades de espécies pouco conhecidas, mas com alto potencial alimentar e agronômico.
O trabalho com as PANC parte da identificação correta das espécies, do cultivo orientado e do uso culinário adequado. Muitas dessas plantas, embora comestíveis e nutritivas, são tradicionalmente confundidas com ervas daninhas ou plantas sem valor alimentar. “O que ainda pouca gente conhece são aquelas hortaliças ditas ‘não convencionais’, tais como beldroega, bertalha, ora-pro-nóbis, capuchinha, mangarito, taioba, caruru, vinagreira, peixinho, almeirão-de-árvore, entre outras tantas, muitas delas tidas como ‘mato’ ou até mesmo ‘plantas daninhas’”, comenta Osmar Mosca Diz, engenheiro agrônomo e extensionista rural da CATI.

Legenda: Unidade cultiva Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC)
Alimentos esquecidos, saberes resgatados
Espécies como ora-pro-nóbis, taioba, capuchinha, mangarito, bertalha e peixinho-da-horta fazem parte do conjunto de PANC trabalhadas na Fazendinha Feliz. Apesar de integrarem a cultura alimentar de comunidades tradicionais e da agricultura familiar, essas plantas foram sendo progressivamente excluídas do consumo cotidiano, em razão da padronização da produção agrícola e da baixa divulgação dos benefícios do consumo dos produtos.
“Todas são muito valiosas, nutritivas e podem contribuir no combate à desnutrição, bem como enriquecer a alimentação, especialmente das crianças, nas escolas, na alimentação das famílias e das comunidades”, comenta Osmar Mosca Diz.
A atuação da CATI com as PANC está baseada em estudos agronômicos e nutricionais, além da valorização de saberes populares. “No que se refere ao cultivo, na maioria dos casos, essas plantas são consideradas rústicas, de fácil manejo, dispersão e propagação, requerendo poucos cuidados quando comparadas às hortaliças convencionalmente cultivadas”, comenta Osmar Mosca Diz.
O trabalho desenvolvido no espaço envolve oficinas de cultivo, preparo culinário, educação ambiental com crianças, capacitação de educadores, atividades ligadas à meliponicultura com abelhas nativas sem ferrão, além de feiras agroecológicas e ações junto a escolas, universidades e comunidades.
Ao promover o contato direto com essas espécies, o Centro de Educação Ambiental contribui para ampliar o repertório alimentar, estimular hábitos mais saudáveis e fortalecer a relação entre alimentação, meio ambiente e sustentabilidade. “Enriquecer os roçados com essas plantas é contribuir para a sustentabilidade dos agroecossistemas”, comenta Osmar Mosca Diz.
Educação ambiental que nasce da terra
As ações desenvolvidas na Fazendinha Feliz conectam produção de alimentos, saúde, educação ambiental e cultura alimentar. O contato direto com o cultivo permite que os participantes compreendam a origem dos alimentos e reconheçam a biodiversidade presente no próprio território urbano e rural.
Como parte desse trabalho de difusão de conhecimento técnico e educação alimentar, a CATI disponibiliza gratuitamente o e-book “PANC – Plantas Alimentícias Não Convencionais: identificação, cultivo e uso culinário”, de autoria do engenheiro agrônomo e extensionista rural Osmar Mosca Diz. A publicação reúne orientações técnicas, fichas agronômicas, informações nutricionais e sugestões de uso culinário de diversas espécies, servindo como material de apoio para educadores, agricultores, técnicos e interessados em ampliar a diversidade alimentar de forma segura e sustentável. O acesso pode ser feito pelo link: https://www.cati.sp.gov.br/portal/themes/unify/arquivos/produtos-e-servicos/acervo-tecnico/DT_136_PANC_2025.pdf