Secretaria de
Agricultura e Abastecimento

Educação Sanitária – Capacitação de professores e alunos do Centro Paula Souza dá início a termo de cooperação entre instituições

O  Polo de Andradina do Centro Paula Souza sediou uma atividade de educação sanitária que teve como objetivo, capacitar os professores dos cursos das áreas agropecuárias acerca de assuntos como notificação obrigatória de doenças como Brucelose, Tuberculose, Febre Aftosa e Raiva, além das atividades de vigilância integrada para a sanidade dos suídeos. 

A atividade, que aconteceu na última sexta-feira (6), foi o início de um termo de cooperação entre o Centro e a Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) que visa o aperfeiçoamento contínuo de professores da rede de ensino para a disseminação de conhecimento na área de sanidade animal, uma das metas do Departamento de Educação em Uma Só Saúde (DEUSSA).

A primeira atividade contou com a participação de 30 professores e cerca de 15 alunos e foi dividida entre os módulos teórico e prático com palestras e ações de campo no próprio Polo.

legenda: Atividade aconteceu no Polo do Centro Paula Souza em Andradina e contou com participação de alunos e professores

“É uma oportunidade ímpar de poder replicar os conhecimentos em Defesa Agropecuária para os facilitadores de uma instituição de ensino tão prestigiada quanto o Centro Paula Souza. É a certeza que as informações necessárias para evitarmos emergências sanitárias estarão e chegarão aos locais de destino que são entre os profissionais e àqueles que em breve assumirão os postos de trabalho”, comenta Maria Carolina Guido, chefe do DEUSSA.

No decorrer do projeto desenvolvido entre as instituições, está programada a disponibilização de videoaulas em ambiente virtual de aprendizagem (AVA) acerca de demais atividades desenvolvidas no âmbito da área animal para a contínua capacitação dos professores. “A ação além de ser uma medida de propagação de informação, está alinhada às diretrizes do Programa de Educação Sanitária, o PROESA”, acrescenta Maria Carolina.

Representaram a Defesa Agropecuária na primeira parte do projeto, os médicos-veterinários Artur Felicio, diretor do Departamento de Defesa Sanitária Animal, Breno Welter, chefe do Programa Estadual de Vigilância para Febre Aftosa e as médicas-veterinárias Marília Junqueira, chefe do Programa Estadual de Educação em Defesa Sanitária Animal e Rosa Odorizzi, chefe da Divisão Regional de Andradina.

legenda: Capacitação contou com palestras em sala de aula e atividade prática no próprio Polo

“Foi uma atividade extremamente gratificante, o público estava atento, participativo, tivemos palestras e atividades práticas onde o interesse dos participantes permaneceu presente, então foi uma experiência de crescimento mútuo”, destacou Marília.

A próxima atividade, já em formato online, está prevista para acontecer dia 18 de março e vai abordar a questão do Javali e seus riscos sanitários.

Para saber mais sobre as ações de Educação Sanitária, acesse https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/educacao-sanitaria/ 

Por Felipe Nunes

Legenda: Coletores Heliotérmicos, solução da start-up Mondi Energy, membro do APTAHub

Projetos da comunidade representam 23,5% das empresas brasileiras classificadas em uma das principais competições globais de deep tech

O ecossistema de inovação do agro paulista continua ganhando destaque no cenário internacional. Oito deep techs da comunidade APTAHub foram selecionadas entre mais de 4.800 startups de todo o mundo inscritas em uma das principais competições globais de inovação científica, o Hello Tomorrow Global Challenge.

As empresas representam 23,5% das startups brasileiras classificadas, reforçando o papel do APTAHub como um importante articulador entre ciência, tecnologia e empreendedorismo no desenvolvimento de soluções de alto impacto.

As deep techs selecionadas atuam em áreas estratégicas da nova economia tecnológica, como biotecnologia industrial, inteligência artificial, robótica, energia e tecnologias para agricultura e alimentação, evidenciando o potencial do Brasil na geração de soluções científicas capazes de enfrentar desafios globais.

Entre as startups da comunidade AptaHub selecionadas estão:

Pix Force – desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial e visão computacional capazes de interpretar automaticamente imagens e vídeos para apoiar inspeções industriais, monitoramento de operações e prevenção de riscos em ambientes complexos.

Mondi Energy – desenvolve tecnologias voltadas à geração e gestão inteligente de energia, com foco em soluções sustentáveis para aumentar a eficiência energética e apoiar a transição para matrizes mais limpas.

PROMEAT LTDA – atua no desenvolvimento de tecnologias para a cadeia de proteínas e produção de alimentos, com foco em inovação na indústria de carnes e alimentos de alto valor agregado.

Sante Science – desenvolve soluções científicas para alimentos e nutrição, aplicando biotecnologia e pesquisa avançada para criar ingredientes e produtos alimentares mais sustentáveis e funcionais.

BSV Robotics – cria soluções de robótica e inteligência artificial industrial voltadas à automação de processos complexos, ampliando eficiência, segurança e produtividade em operações industriais.

BioLinker – desenvolve tecnologias de biotecnologia industrial e novos materiais, utilizando engenharia molecular e biológica para criar soluções inovadoras para diferentes aplicações industriais.

MABE Bio – atua no desenvolvimento de biotecnologias e biomateriais avançados, com foco em aplicações industriais sustentáveis baseadas em processos biológicos.

BVS Green LTDA – desenvolve tecnologias para construção sustentável e infraestrutura verde, com soluções voltadas à redução de impactos ambientais e à melhoria da eficiência de materiais e processos construtivos.

A participação dessas empresas reforça a capacidade do ecossistema brasileiro de transformar pesquisa científica em soluções tecnológicas com potencial de mercado global, especialmente em áreas estratégicas como segurança alimentar, sustentabilidade e transição energética.

Deep tech: tendência global

O avanço das deep techs acompanha uma tendência global de valorização da inovação baseada em ciência. Segundo relatório da Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a Hello Tomorrow, startups desse segmento receberam cerca de US$ 79 bilhões em investimentos no mundo.

Na Europa, essas empresas já representam aproximadamente 28% do capital de risco destinado a startups, de acordo com levantamento da plataforma Dealroom.

Esse movimento sinaliza uma mudança estrutural no ecossistema global de inovação, com investidores e governos direcionando cada vez mais recursos para tecnologias baseadas em pesquisa científica, engenharia avançada e inovação de longo prazo.

O potencial das deep techs brasileiras

De acordo com o relatório Deep Tech Radar Latam 2025, o Brasil concentra cerca de 72% das deep techs da América Latina, consolidando-se como o principal ecossistema da região para inovação tecnológica baseada em ciência.

Nesse contexto, o estado de São Paulo se destaca como um dos principais polos científicos da América Latina. A força do estado está diretamente ligada à presença de universidades de excelência, institutos de pesquisa, centros tecnológicos e programas de fomento que impulsionam a transformação de ciência em inovação.

Inserido nesse ambiente, o AptaHub atua como um hub estratégico de inovação no agro, conectando institutos de pesquisa, startups, empresas e investidores para transformar conhecimento científico em soluções tecnológicas capazes de ampliar a competitividade, sustentabilidade e produtividade do setor.

Sobre o AptaHub

O AptaHub é uma rede de ambientes de inovação no agro vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), uma das maiores organizações de pesquisa científica e tecnológica voltadas ao agro no hemisfério Sul.

Composta por sete Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs), a rede atua na conexão entre ciência, tecnologia e mercado, apoiando o desenvolvimento de startups, soluções inovadoras e novos negócios para o setor.

Com presença em Campinas, Ribeirão Preto, São Paulo e Santos, o AptaHub conecta institutos de pesquisa, startups, investidores, empresas, produtores rurais e empreendedores, promovendo soluções que tornam o agro mais competitivo, sustentável e tecnologicamente avançado.

A iniciativa tem execução do Cietec e coexecução da Impact Hub e da Wylinka.

Mais informações:
https://inovacao.agricultura.sp.gov.br/aptahub/

Contato de Imprensa: Deborah Rebello | deborah@cietec.org.br | (11) 98640-0509

Legenda: Hortaliças frescas embaladas na feira Bom Preço do Agricultor, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, no bairro do Jabaquara, São Paulo (SP)

Novo serviço cria regras para fiscalização sanitária da agroindústria vegetal e amplia oportunidades de comercialização para produtores paulistas

O Governo do Estado de São Paulo regulamentou a Lei nº 18.154, de 5 de junho de 2025, que institui o sistema estadual de inspeção, fiscalização e auditoria sanitária de produtos de origem vegetal. A medida foi formalizada por decreto publicado no Diário Oficial nesta quarta-feira (11) e estabelece as bases operacionais do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (SISP-POV).

Leia o decreto: https://doe.sp.gov.br/executivo/decretos/decreto-n-70447-de-10-de-marco-de-2026-202603101182021696082

Criado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio da Diretoria de Defesa Agropecuária, o novo serviço será responsável pela fiscalização, inspeção e auditoria sanitária de produtos de origem vegetal e seus derivados, abrangendo também produtos oriundos da algicultura e da fungicultura.

O novo sistema representa um avanço nas iniciativas de segurança alimentar e fortalecimento da agroindústria paulista, ao estabelecer regras claras para registro de estabelecimentos, fiscalização sanitária, auditoria de processos produtivos e identificação oficial dos produtos por meio da inspeção estadual.

Legenda: Novo sistema irá fortalecer a inspeção e garantir mais transparência e segurança sanitária na cadeia de produtos de origem vegetal.

Com a regulamentação, o SISP-POV passa a organizar as atividades de controle sanitário sobre estabelecimentos que manipulam, beneficiam, industrializam, armazenam, transportam ou comercializam produtos de origem vegetal, garantindo que todas as etapas da cadeia produtiva atendam aos padrões de qualidade exigidos pela legislação. O sistema abrange alimentos presentes no dia a dia da população, como polpas e sucos de frutas, saladas e vegetais higienizados, conservas vegetais, cogumelos comestíveis, algas alimentícias, farinhas vegetais, temperos e produtos desidratados, que passam a contar com inspeção sanitária estadual e identificação oficial.

Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, o novo sistema amplia a capacidade do Estado de acompanhar a produção agroindustrial e assegurar padrões sanitários compatíveis com os mercados mais exigentes. “Estamos estruturando um sistema moderno de inspeção de produtos de origem vegetal que fortalece a agroindústria, garante segurança ao consumidor e amplia as oportunidades de comercialização dos produtos paulistas”, completa.

Estrutura e implementação do sistema

O SISP-POV será coordenado pela Coordenadoria de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal e Animal (CIPOAV) da Defesa Agropecuária e contará com suporte operacional do Sistema de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (GEDAVE), por meio do qual os estabelecimentos poderão realizar seu registro e acompanhamento sanitário.

A implementação ocorrerá de forma gradual, com a elaboração de normas específicas para cada cadeia produtiva, respeitando as particularidades técnicas de cada setor da agroindústria vegetal. Entre as primeiras cadeias a serem contempladas estão os estabelecimentos que trabalham com vegetais frescos higienizados, segmento já em processo de regulamentação.

De acordo com o engenheiro agrônomo Eduardo Prada, chefe da Divisão de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal da Defesa Agropecuária, a medida contribui para ampliar a segurança sanitária dos alimentos produzidos no estado. “Trata-se de mais um passo em busca da segurança e da inocuidade dos produtos de origem vegetal, fungos e algas produzidos em São Paulo e que chegam à mesa dos cidadãos”, destacou.

Integração com o sistema nacional

A regulamentação também permite a integração do Estado de São Paulo ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (SISBI-POV), componente do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

Essa integração amplia a possibilidade de comercialização de produtos inspecionados para além do território estadual, fortalecendo o acesso aos mercados nacionais e contribuindo para a competitividade da agroindústria vegetal paulista.

Defesa Agropecuária do campo ao alimento

O novo serviço passa a integrar o conjunto de ações da Defesa Agropecuária paulista, que atua desde a sanidade da produção no campo até a garantia da qualidade dos alimentos destinados ao consumo.

A atuação da Defesa Agropecuária abrange um conjunto amplo de ações voltadas à proteção da produção agrícola e da saúde da população. Entre as frentes estão o monitoramento fitossanitário das lavouras, o enfrentamento de pragas e doenças que impactam cadeias produtivas relevantes, além de ações de fiscalização que garantem a qualidade e a segurança dos alimentos produzidos no Estado.

Aconteceu de 3 a 5 de março, na sede da Defesa Agropecuária em Campinas, treinamento realizado pela Coordenadoria de Inteligência e Trânsito (COINT) com o objetivo de capacitar cerca de 50 servidores que contarão com o auxílio de drones para a realização das atividades de fiscalização nas áreas animal e vegetal. A atividade foi conduzida pelas médicas-veterinárias Erika Mello e Sabrina Latorre, coordenadora da COINT e chefe da Divisão de Inteligência, respectivamente.

“O uso dos drones passa a ser mais uma ferramenta para auxiliar as ações de fiscalização tanto na área animal, como na vegetal. A atuação dos drones podem surtir resultados que não alcançaríamos sem eles, seja pela dificuldade de acesso ao local fiscalizado ou ainda por incapacidade de cobrir uma área mais extensa ou de posicionamento mais adequado para a produção de provas de fiscalização. Essas dificuldades podem ser contornadas com essa nova aquisição, que aumentará a precisão e a segurança de nossos servidores durante as atividades”, destacou a coordenadora da COINT.

A atividade abordou a legislação vigente para os voos de drones, o cadastro dos servidores no sistema SARPAS do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, responsável por aprovar as solicitações de voo das aeronaves remotamente pilotadas, boas práticas e prevenção de acidentes, dentre outros temas. Na parte prática, os servidores dividiram-se em duplas para realizarem voos coletivos seguindo as orientações repassadas durante o módulo teórico.

Inicialmente, os servidores contarão com 15 aparelhos que serão distribuídos dentre os 16 Departamentos Regionais e a sede, conforme a demanda.

Cerca de 50 servidores foram capacitados para as atividades com drones

Na área da Defesa Agropecuária, o uso desta tecnologia auxilia os fiscais nas ações envolvendo fertilizantes (inspeção de plantas industriais, amostragem de fertilizantes a granel); agrotóxicos (auxílio nas buscas por agrotóxicos ilegais em grandes propriedades ou empresas); sementes e mudas (fiscalização em campos de sementes, localização de áreas de plantios e de viveiros); área animal (levantamentos de rebanhos, identificação de locais com rebanhos ou áreas com criatórios de animais, como, por exemplo, criadores de frangos); orgânicos (inspeção em propriedades, levantamento de insumos proibidos, auditoria em propriedades certificadas); aviação agrícola (inspeção em pátios de descontaminação, verificação de ação da deriva em denúncias); sanidade vegetal (utilização em levantamentos e monitoramentos de pragas dos vegetais), trânsito (monitoramento aéreo da região próxima ao local da fiscalização volante) e inteligência (levantamento de dados sobre movimentação animal), entre outras.

“O treinamento foi muito proveitoso e nossos fiscais se dedicaram muito a aprender o conteúdo ensinado. Foi motivo de orgulho vê-los já pilotando após a parte teórica do treinamento e participando ativamente, trazendo suas dúvidas e experiências. Estamos otimistas com o início da utilização desta inovação na Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo e acreditamos que, em breve, já poderemos começar a ver os frutos dos primeiros voos de nossos drones. O agronegócio paulista só tem a ganhar com um trabalho mais moderno da Defesa”, destaca Erika.

Por Felipe Nunes

Carnes e Produtos Florestais seguem puxando o saldo positivo das exportações

Nos dois primeiros meses de 2026, o agronegócio paulista registrou um bom desempenho no comércio exterior, alcançando um superávit de US$2,79 bilhões. O saldo positivo decorre de exportações que somaram US$3,76 bilhões e de importações que totalizaram US$0,97 bilhão. A participação das exportações do agronegócio paulista no total exportado pelo estado no primeiro bimestre de 2026 foi de 40,2%, enquanto as importações do setor corresponderam a 7,5% do total no estado.

“O resultado do primeiro bimestre confirma a força e a diversidade do agro paulista no comércio internacional. São Paulo reúne produção, indústria e tecnologia, o que permite ao estado manter um desempenho sólido nas exportações mesmo em um cenário global desafiador. Carnes, produtos florestais e o complexo sucroenergético seguem mostrando a competitividade do nosso setor produtivo”, destaca o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho.

PRINCIPAIS PRODUTOS EXPORTADOS

O complexo sucroalcooleiro foi responsável por 28% do total exportado pelo agro paulista, totalizando US$1,05 bilhão. Deste total, o açúcar representou 94,7% e o álcool etílico, etanol, 5,3%. O setor de carnes veio logo em seguida com 16,6% das vendas externas do setor, totalizando US$623 milhões, com a carne bovina respondendo por 82,1%. Produtos florestais representaram 15,3% do volume exportado, com US$576,34 milhões, com 67,8% de celulose e 26,9% de papel. Sucos responderam por 9% de participação, somando US$337,70 milhões, dos quais 96,8% são referentes ao suco de laranja, e o café, com 7,4% de participação na pauta de exportações, somando US$279,17 milhões, 72,9% referentes ao café verde e 24,0% de café solúvel. Esses cinco grupos representaram, em conjunto, 76,3% das exportações do agronegócio paulista. E na oitava posição, o complexo soja, que teve participação de 3,2% do total exportado, registrando US$120,48 milhões, 57,9% referentes à soja em grão e 24,1% de farelo de soja.

Vale dizer que as variações de valores, em comparação com o mesmo período do ano passado, apontaram aumentos das vendas para os grupos de produtos florestais (+16,5%), carnes (+9,8%) e quedas nos grupos de sucos (-44,3%), complexo soja (-39,4%), sucroalcooleiro (-8%), café (-5,9%). Essas variações nas receitas do comércio exterior são derivadas da composição das oscilações tanto de preços como de volumes exportados.

PRINCIPAIS DESTINOS DAS EXPORTAÇÕES DO AGRO PAULISTA

A China segue sendo o principal destino das exportações, com 20,5% de participação, adquirindo principalmente produtos florestais, carnes, fibras têxteis e itens do complexo soja. A União Europeia vem em seguida com 16,9% de participação, e os Estados Unidos somaram 9,7% de participação.

PARTICIPAÇÃO PAULISTA NO AGRO NACIONAL 

No cenário nacional, o agronegócio paulista ocupa o 2º lugar no ranking de exportações, com 16,6% de participação, logo atrás de Mato Grosso (20,5%).

Figura 1: Participações das exportações do agro por UF, primeiro bimestre de 2026.

Fonte: elaborado pelo IEA-APTA a partir dos dados do COMEXSTAT do MDIC.

A análise da balança comercial do agronegócio paulista é elaborada mensalmente pelo diretor da Apta, Carlos Nabil Ghobril, e os pesquisadores José Alberto Ângelo e Marli Dias Mascarenhas Oliveira, do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

SOBRE A APTA

A Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) é o órgão responsável por coordenar as atividades de pesquisa científica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Em sua estrutura estão presentes sete Instituições de Ciência e Tecnologia, com unidades distribuídas por todas as regiões do estado: Instituto Agronômico (IAC), Instituto Biológico (IB), Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca (IP), Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), Instituto de Zootecnia (IZ) e Apta Regional.

Levantamento da Secretaria Estadual de Agricultura considera o total de pessoas físicas beneficiadas pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista entre 2023 e 2025; dados incluem linha exclusiva de crédito voltada às produtoras rurais do governo paulista.

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo confirmam o avanço da participação feminina nas políticas públicas de crédito rural. Entre 2023 e 2025, as mulheres representaram 43,2% das pessoas físicas que acessaram financiamento por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), fundo vinculado à secretaria estadual, voltado à modernização das propriedades, ao aumento da qualidade produtiva e da renda no campo.

Tal resultado adquire ainda mais relevância no atual contexto global, em que o acesso ao crédito e à infraestrutura produtiva figuram entre os principais desafios enfrentados pelas mulheres do campo. Em 2026, a Organização das Nações Unidas, por meio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), declarou o Ano Internacional da Mulher Agricultora. A iniciativa busca ampliar o reconhecimento das mulheres na produção de alimentos e estimular políticas públicas voltadas à igualdade de oportunidades no meio rural.

Em São Paulo, além do acesso ao crédito, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento atua junto às produtoras por meio da assistência técnica e extensão rural, da pesquisa científica e da defesa agropecuária, oferecendo suporte para aumento da produtividade, melhoria da gestão das propriedades e geração de renda no campo.

“O fortalecimento da presença feminina no agro passa por instrumentos concretos de apoio às produtoras rurais. Em São Paulo, o crédito rural tem sido uma ferramenta importante para ampliar oportunidades, incentivar investimentos nas propriedades e estimular o desenvolvimento econômico das famílias rurais”, destaca o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.

FEAP Mulher: inclusão produtiva no campo

Entre as iniciativas voltadas exclusivamente às produtoras está o FEAP Mulher Agro SP, linha de crédito destinada a apoiar investimentos nas propriedades rurais lideradas por mulheres. O objetivo é disponibilizar recursos financeiros para atender às necessidades das atividades agropecuárias desenvolvidas pelas produtoras e incentivar a formalização da atividade rural com o apoio técnico da Secretaria de Agricultura.

Desde 2023, a linha já disponibilizou R$ 27 milhões em financiamentos, beneficiando mais de mil produtoras rurais em diferentes regiões do estado. Os recursos podem ser utilizados para investimentos voltados à melhoria da infraestrutura produtiva e tecnológica das propriedades, além de ações de custeio associadas definidas em projeto técnico.

A linha permite financiamentos de até R$ 30 mil por produtora, com prazo de pagamento de até 84 meses, incluindo carência de até 12 meses, e taxa efetiva de juros de 2% ao ano. Os projetos são elaborados por técnicos da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) ou da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP), que também acompanham a execução das atividades nas propriedades.

Para o secretário executivo do FEAP, Felipe Alves, o crédito rural também representa um importante ponto de partida para ampliar o acesso das produtoras a outros serviços do governo de São Paulo. “O crédito muitas vezes representa o primeiro contato mais estruturado entre o produtor e a assistência técnica. A partir da elaboração do projeto e do acompanhamento da aplicação dos recursos, os técnicos passam a atuar de forma mais próxima nas propriedades, orientando melhorias na produção, na gestão e na adoção de boas práticas. Isso gera mais produtividade, mais renda e contribui para o desenvolvimento regional”, afirma.

Impacto na vida das produtoras rurais

É o caso da produtora Fernanda Torres da Silva, do município de Cerqueira César. Ela atua há cerca de dez anos na bovinocultura leiteira, no Sítio São Pedro, propriedade de 18 hectares, onde conduz a produção com sua família.

Em 2024, Fernanda acessou a linha do FEAP Mulher Agro SP para investir na modernização da atividade leiteira. Com um financiamento de R$ 25 mil, ela adquiriu uma ordenha mecânica, o que transformou significamente a rotina de trabalho na propriedade. “Quando dei entrada na documentação para o crédito do FEAP Mulher e deu certo, me ajudou muito. Me ajudou bastante. Antes de adquirir essa ordenha, eu tinha um transferidor pequeno que era uma vaca por vez. Eu gastava quase três horas para tirar o leite de 20 vacas. Agora, com esse modelo de ordenha, a gente não gasta uma hora. Tem mais tempo para fazer outras coisas na propriedade”, relata a produtora.

Fernanda em sua rotina na produção de leite, em Cerqueira César (SP) / Foto por Sergio Andrade

A operação de crédito foi estruturada com o apoio da engenheira agrônoma Naiara Aparecida da Luz, chefe da Casa da Agricultura de Cerqueira César, da CATI, responsável pelo atendimento técnico à produtora. “O FEAP Mulher é uma política pública que a gente consegue ver na prática. Consegue ver que aumenta a produção, melhora a qualidade de vida, melhora o trabalho da mulher no campo. E quando a mulher é valorizada e se sente segura no que ela trabalha, com certeza vai trazer sustentabilidade e maior desempenho econômico para toda a família”, afirma.

A chefe da Casa da Agricultura de Cerqueira César, Naiara Aparecida, acompanhada pelo secretário de Agricultura, Geraldo Melo Filho, e o chefe da CATI Regional de Avaré, Euvaldo Neves. Foto por Sérgio Andrade.

Para Fernanda, o incentivo também representa um estímulo para que outras mulheres invistam em suas atividades e ampliem sua participação no agro.“Elas têm que, sim, entrar na frente, investir e falar: ‘não, eu vou fazer, eu posso fazer e eu consigo fazer’. O FEAP Mulher está aí para isso. Dá para você ir lá, adquirir e realizar o sonho que você tem vontade de fazer”, diz.

Como acessar

As produtoras interessadas em acessar a linha de financiamento podem procurar a Casa da Agricultura do seu município ou uma unidade do ITESP, onde contam com orientação técnica para elaboração do projeto e encaminhamento da proposta de crédito.

CONHEÇA MAIS DETALHES:

legenda: Publicação dá sequência aos trabalhos realizados desde a confirmação do foco em 3 de fevereiro (Créditos: Gilberto Marques)

Normativa detalha a execução do Plano Estadual de Prevenção, Controle e Erradicação do caruru-gigante, instituído pela Resolução SAA nº 07, de 19 de fevereiro de 2026

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Diretoria de Defesa Agropecuária (Defesa), publicou a Portaria Defesa Agropecuária nº 06, de 04 de março de 2026, que institui o Plano Operacional do Plano Estadual de Prevenção, Controle e Erradicação do Amaranthus palmeri, conhecido como caruru-gigante. A normativa estabelece protocolos técnicos padronizados para monitoramento, contenção e eliminação da planta invasora, considerada uma das principais ameaças fitossanitárias para lavouras de grãos.

“O plano é estratégico para proteger a produção de soja, milho e algodão no Estado, evitando perdas que podem chegar a até R$ 13 bilhões com a quebra de produtividade que essa erva daninha pode causar”, comenta Luiz Henrique Barrochelo, diretor da Defesa Agropecuária

O plano operacional detalha a forma de atuação da Defesa Agropecuária em todo o território paulista, organizando os procedimentos de identificação de suspeitas, confirmação laboratorial, delimitação de áreas afetadas, interdição quando necessária e execução de medidas obrigatórias de erradicação da praga. A coordenação das ações ficará a cargo do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal, com execução descentralizada pelos Departamentos Regionais de Defesa Agropecuária no Estado.

Entre as medidas previstas estão a definição técnica de áreas de contenção no entorno de focos identificados, restrições ao trânsito de máquinas e materiais com potencial de disseminação, limpeza técnica de equipamentos agrícolas e acompanhamento periódico das áreas sob monitoramento. O plano também estabelece protocolos de fiscalização, rastreabilidade das ocorrências e registro georreferenciado das áreas afetadas, permitindo maior controle das ações em campo.

“Vamos capacitar as equipes da Defesa Agropecuária em todo o Estado para que a operacionalização do plano comece de forma rápida e padronizada, garantindo resposta ágil e eficiente no combate ao caruru-gigante”, destaca Alexandre Paloschi, engenheiro agrônomo e diretor do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal.

A normativa também reforça a obrigatoriedade de comunicação imediata à Defesa Agropecuária em caso de suspeita ou identificação da planta. A comunicação pode ser feita pelo produtor rural, ocupante da área ou profissional das Ciências Agrárias que identifique a ocorrência, permitindo que as equipes técnicas realizem vistoria e adotem as medidas cabíveis.

Praga quarentenária

O caruru-gigante é uma espécie invasora com elevado potencial de competição com culturas agrícolas, podendo causar perdas expressivas de produtividade quando não controlada de forma adequada. Por isso, o plano estadual estabelece medidas de prevenção e mitigação relacionadas às principais vias de disseminação, como contaminação de sementes, trânsito de máquinas e implementos agrícolas e movimentação de solo ou cargas.

A íntegra da portaria pode ser consultada no Diário Oficial do Estado:

https://doe.sp.gov.br/executivo/secretaria-de-agricultura-e-abastecimento/portaria-defesa-agropecuaria-06-de-04-de-marco-de-2026-202603051115312141681929

Evento apresentou tecnologias para o campo em meio ao crescimento de 26% do Valor de Produção Agrícola do milho e ao avanço da integração lavoura-pecuária para recuperação de pastagens

Produtores rurais, técnicos e pesquisadores participaram nesta quinta-feira (5) do Dia de Campo realizado na Divisão de Produção Ataliba Leonel, em Manduri, unidade da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Promovido pela CATI (Diretoria de Assistência Técnica Integral, o evento apresentou tecnologias voltadas ao aumento da produtividade, sustentabilidade e redução de custos na produção agropecuária.

Durante a abertura do evento, o secretário de Agricultura e Abastecimento de SP, Geraldo Melo Filho, destacou o papel da Secretaria na aproximação entre tecnologia e produtor rural.

“O grande desafio da Secretaria é fazer as coisas continuarem funcionando e, cada vez mais, melhorar aquilo que já vem sendo construído. Temos uma estrutura muito diversa, com pesquisa, assistência técnica, defesa agropecuária e políticas de crédito. Tudo isso precisa trabalhar junto para que as soluções cheguem ao produtor.”

Ele ressaltou ainda que o foco das ações da Secretaria é apoiar diretamente quem está na ponta da produção.

“Nosso trabalho é para que o produtor tenha condições de produzir melhor, gerar renda e garantir qualidade de vida para sua família. Quando o Estado consegue levar tecnologia e assistência técnica, o resultado aparece no campo.”

Com cerca de 3.400 hectares, a Fazenda Ataliba Leonel é uma das principais unidades produtivas do Governo do Estado, sendo aproximadamente 1.400 hectares destinados à produção agrícola e difusão tecnológica para produtores e técnicos.

Culturas de verão: soja, milho e manejo integrado de pragas

Uma das estações foi dedicada às culturas de verão, com destaque para soja e milho, duas importantes culturas agrícolas do Estado.

Técnicos da CATI apresentaram práticas de Manejo Integrado de Pragas (MIP) na soja, estratégia baseada no monitoramento das lavouras e na utilização combinada de diferentes métodos de controle, incluindo técnicas biológicas, culturais e químicas.

O sistema permite reduzir aplicações desnecessárias de defensivos agrícolas, diminuir custos de produção e preservar organismos benéficos que contribuem para o equilíbrio biológico das lavouras.

Também foram apresentados os trabalhos da Secretaria na produção de sementes públicas, por meio do Programa Sementes e Mudas.

A Fazenda Ataliba Leonel é uma das principais unidades responsáveis pela produção de variedades adaptadas às condições do Estado, como os milhos AL Avaré e AL Piratininga, além de milho orgânico.

Essas variedades são desenvolvidas para oferecer rusticidade e alto desempenho agronômico, permitindo que produtores tenham acesso a sementes de qualidade a custo acessível.

O milho tem ganhado importância crescente na agricultura paulista. Segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), o Valor da Produção Agropecuária (VPA) da cultura registrou crescimento de cerca de 26% no Estado, superando R$ 4 bilhões.

Melhoramento genético fortalece pecuária de corte

Outra estação técnica apresentou o trabalho de melhoramento genético do Nelore Mocho, desenvolvido em parceria entre CATI e Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA).

O programa busca selecionar animais com maior desempenho produtivo, priorizando características como ganho de peso, fertilidade e qualidade de carcaça. A linhagem Nelore Mocho se destaca pela ausência natural de chifres, característica que facilita o manejo e reduz riscos de ferimentos no rebanho.

Além de manter a rusticidade e a adaptação ao clima tropical, características tradicionais da raça Nelore, o programa busca ampliar o acesso dos produtores a genética de qualidade para sistemas de produção mais eficientes.

Sistemas integrados ampliam competitividade e sustentabilidade

A última estação apresentou sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), modelo produtivo que combina diferentes atividades agrícolas em uma mesma área.

O sistema permite integrar lavouras, pastagens e árvores de forma consorciada ou em rotação, promovendo maior eficiência no uso do solo e diversificação da renda na propriedade.

Entre os principais benefícios estão o aumento da produtividade por hectare, a recuperação de áreas degradadas, melhoria da fertilidade do solo, maior resiliência climática das propriedades e redução de impactos ambientais.

A difusão desses sistemas faz parte de iniciativas da Secretaria como o programa Integra SP, voltado à capacitação de técnicos e produtores para adoção de sistemas integrados de produção.

Outro exige apresentado foi o fortalecimento da irrigação no Estado por meio do Irriga+SP, programa que busca ampliar áreas irrigadas e aumentar a estabilidade produtiva das lavouras e garantindo segurança no abastecimento e segurança alimentar no estado.

Plantio do ipê-verde

Após a solenidade de abertura, o secretário realizou o plantio simbólico de um ipê-verde na área destinada ao registro das visitas institucionais à unidade. O local reúne árvores plantadas por secretários de Agricultura que já passaram pela Divisão de Produção Ataliba Leonel, formando um espaço que simboliza a continuidade das políticas públicas e o compromisso da Secretaria com o desenvolvimento do agro paulista.

O Instituto Biológico (IB-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, concluiu uma nova etapa de renovação do maior cafezal urbano do mundo, localizado na sede da instituição, na capital paulista. O espaço recebeu cerca de 900 novas mudas das variedades Obatã Amarela, IAC RN 125 e IAC SH3, desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC).

Com a ampliação, o cafezal passa a reunir cerca de 3 mil plantas de diferentes variedades utilizadas em pesquisas voltadas à agricultura regenerativa, manejo sustentável do solo e controle biológico de pragas.

De acordo com a pesquisadora responsável pelo projeto, Harumi Hojo, a renovação marca a etapa final da modernização do plantio e amplia as possibilidades de estudo na área. “Estamos concluindo a última etapa da renovação do cafezal do Instituto, com novas variedades que permitem avaliar como diferentes cultivares se comportam em manejo sustentável e nas condições ambientais da capital”, explica.

Entre as características das novas cultivares, a IAC RN 125 é resistente a nematoides e à ferrugem do cafeeiro, sendo indicada para sistemas de agricultura orgânica, enquanto a IAC SH3 apresenta tolerância ao déficit hídrico.

O cafezal também funciona como área de estudo sobre biodiversidade e controle natural de pragas. As pesquisas acompanham, por exemplo, o aumento da diversidade de abelhas e abelhas sem ferrão na área, além da presença de inimigos naturais do bicho-mineiro, uma das principais pragas do cafeeiro.

Criado em 1927 após a crise provocada pela broca-do-café, o Instituto Biológico mantém uma tradição de pesquisas voltadas ao controle biológico e à sanidade agrícola. O cafezal histórico da instituição, implantado na década de 1950, hoje funciona como um modelo experimental de produção com práticas regenerativas, incluindo uso de matéria orgânica no solo, adubação verde e incentivo à biodiversidade.

Como visitar

O Instituto Biológico fica localizado na Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, na Vila Mariana – São Paulo/SP.

As visitas ao cafezal são gratuitas e devem ser agendadas via formulário disponível no Instagram @cafezalurbanoib.

CONFIRA MAIS DETALHES

No Centro-Sul, essa diretriz busca elevar para patamares entre 140 e 150 toneladas, por hectare, no primeiro corte, e aumentar a produção de etanol.

Por Carla Gomes (MTB 28156), jornalista científica e assessora de comunicação IAC

No Centro-Sul do Brasil, os dois primeiros meses deste ano tiveram melhor distribuição de chuvas, proporcionando bom vigor vegetativo aos canaviais, após o último trimestre de 2025 com baixa precipitação, de acordo com a análise feita por Marcos Landell, diretor do Instituto Agronômico (IAC-APTA) e líder do Programa Cana IAC. Nessas condições, o pesquisador recomenda ajustes no modelo produtivo a fim de sustentar ganhos estruturais no setor. Para ele, a janela de plantio é um dos pilares nessa estratégia. A orientação é priorizar os plantios no período de março a maio nesse contexto da região. Essa diretriz busca elevar o desempenho do primeiro corte para patamares entre 130 e 145 toneladas por hectare. Nesta mesma medida podem ocorrer perdas de até 40 toneladas como impacto do plantio fora do calendário adequado.

Outro objetivo é reduzir a queda de produtividade entre cortes para 10%, adotando a Tecnologia do Terceiro Eixo, que diminui a exposição da cana-de-açúcar ao déficit hídrico, ampliando a sua produtividade.  De acordo com essa tecnologia do Programa IAC, a recomendação é colher os canaviais de primeiro e segundo cortes de maneira antecipada, nos meses de primeiro trimestre de safra, já que o sistema radicular da planta se aprofunda ao longo dos cortes. Assim, a colheita desses primeiros ciclos nos meses de abril a junho proporciona maior conforto aos canaviais por submetê-los a uma menor deficiência hídrica.

Atualmente, do primeiro para o segundo a perda varia de 16% a 18%. “Em um cenário de 140 toneladas no primeiro corte, o segundo poderia ficar em torno de 126 toneladas e o terceiro permanecer acima de 110 toneladas, alterando o padrão histórico da lavoura”, explica.

A manutenção da estabilidade ao longo dos ciclos pode reduzir a necessidade de reforma anual do canavial para cerca de 10% da área total. Atualmente, esse índice varia de 15% a 18%. Esse ajuste reduziria a pressão sobre o plantio e viabilizaria melhor organização operacional nas unidades de produção.

A importância da escolha de variedades

Fazer a correta escolha das variedades a serem plantadas de acordo com o ambiente de produção, considerando as condições de solo e clima da região é fundamental, segundo Marcos Landell. O acerto nessa escolha impacta diretamente o aumento da população de colmos e da produtividade. “O padrão histórico de 60 mil a 70 mil colmos por hectare precisa evoluir para 90 mil a 130 mil”, assegura. Com esse avanço, a média dos cinco cortes deve superar 100 toneladas por hectare.  “A expectativa é que em 2026 a produtividade na canavicultura seja semelhante à obtida no ano passado ou até um pouco superior”, comenta.

A qualidade da muda, somada ao potencial biológico da variedade e ao manejo que potencializa o ambiente, é determinante para alcançar elevadas produtividades.  

A adoção dessas recomendações impacta diretamente a eficiência agroindustrial ao proporcionar ganhos consistentes de toneladas de cana por hectare (TCH). Atualmente, cada hectare no estado de São Paulo produz em torno de 6.800 litros de etanol por hectare. A meta é, em médio prazo, elevar esse resultado para 9 mil litros. “Para alcançar essa marca, recomendamos os manejos de época de planto, de nutrição e de proteção com variedades de elevadas populações de colmo, associando ainda a utilização de irrigação em 15% das áreas de produção”, orienta Landell.

Essas e outras recomendações do Programa Cana IAC são divulgadas junto ao setor durante as diversas participações da equipe do IAC em eventos realizados em 11 estados do Brasil.

“O objetivo central do Programa Cana IAC é desenvolver pacotes tecnológicos que vão muito além da criação de novas variedades. Eles englobam estratégias integradas capazes de elevar a produtividade para patamares de três dígitos e mantê-la nesse nível”, comenta o pesquisador do IAC, da APTA e Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

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