Secretaria de
Agricultura e Abastecimento

Feijão “carioca”, um legado da ciência paulista que completa 60 anos

Neste 10 de fevereiro, Dia Mundial do Feijão, conheça a pesquisa iniciada em 1966 pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo que deu origem à leguminosa que hoje responde por cerca de 60% do consumo nacional

Presente diariamente no prato dos brasileiros, o feijão carioca completa, em 2026, 60 anos desde o início de seu desenvolvimento científico pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de SP. Responsável por cerca de 60% do consumo nacional, o grão nasceu de uma observação de campo, evoluiu graças à ciência pública e transformou definitivamente a cultura do feijão no Brasil.

A história começa no início da década de 1960, em Ibirarema, no Oeste Paulista. Em uma lavoura de feijão do tipo chumbinho, tradicional à época, o engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa da Agricultura da CATI, identificou plantas com grãos visualmente diferentes. Rajados, com manchas marrons e pretas sobre fundo claro. A partir da observação, separou aquele material e iniciou uma seleção, acreditando tratar-se de uma mutação genética natural.

Legenda: Engenheiro Agrônomo Waldimir Coronado Antunes, ex-extensionista rural da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) 2010.

O desempenho surpreendeu. As plantas eram mais vigorosas, produtivas, menos suscetíveis a doenças e apresentavam excelente qualidade culinária, com cozimento rápido, caldo consistente e sabor marcante. 

1966: o descobrimento da variedade

O marco histórico que completa 60 anos em 2026, oficialmente em 1º de agosto de 1966, quando um lote de 30 quilos de sementes foi oficialmente enviado ao Instituto Agronômico (IAC), em Campinas, após encaminhamento da CATI. Recebido pelo pesquisador Shiro Miyasaka, o material foi catalogado como I-38700, passando a integrar a coleção de germoplasma do Instituto.

A partir desse momento, a curiosidade de campo transformou-se em objeto científico. Coube aos pesquisadores Luiz D’Artagnan de Almeida, Shiro Miyasaka e Hermógenes Freitas Leitão Filho conduzir as avaliações agronômicas que dariam base ao futuro lançamento da cultivar.

Os primeiros resultados confirmaram o potencial do novo feijão. Ensaios regionais realizados entre 1967 e 1969 demonstraram produtividade média de 1.670 quilos por hectare, superior às variedades tradicionais da época, como bico-de-ouro e rosinha, que produziam cerca de 1.280 quilos por hectare. Além disso, o grão apresentava resistência às principais doenças, boa adaptação aos solos paulistas e alta aceitação após o preparo.

Por que feijão “carioca”?

Lançado oficialmente em 1969, o feijão recebeu o nome “carioca”, uma denominação que por décadas gerou confusão. O nome não tem relação com o estado ou a cidade do Rio de Janeiro. Surgiu de maneira simples e estritamente ligada à produção agropecuária, um trabalhador da fazenda de Antunes comparou o padrão rajado dos grãos à pelagem de porcos crioulos conhecidos como “cariocas”, termo usado à época para animais manchados. A origem do nome só foi oficialmente registrada no ano 2000, em publicação comemorativa da CATI.

Da resistência à consolidação nacional

A aceitação do feijão carioca não foi imediata. Consumidores estavam habituados a grãos de coloração uniforme e viam com desconfiança o aspecto “manchadinho” do novo produto. Diante disso, os pesquisadores do IAC e técnicos da CATI protagonizaram uma das mais bem-sucedidas ações de difusão científica e tecnológica da agricultura brasileira.


Legenda: Folheto de divulgação das qualidades culinárias e receitas do feijão ‘Carioca’, 1969.

Campanhas de esclarecimento, palestras técnicas, distribuição de sementes, campos de demonstração, materiais educativos e até receitas culinárias ajudaram a romper o preconceito estético e a conquistar produtores e consumidores. Em poucos anos, o feijão carioca se espalhou pelas lavouras paulistas e, na década seguinte, por praticamente todo o território nacional.


Legenda: Engenheiro-agrônomo Luiz D’Artagnan de Almeida apresentando o primeiro relato sobre o feijão ‘Carioca’, no 3º Encontro de Técnicos em Agricultura, em agosto de 1968, em Serra Negra, SP.

Já em 1976, menos de uma década após seu lançamento, o feijão carioca era a variedade mais cultivada e comercializada no Estado de São Paulo, tornando-se referência nacional e base para a modernização da cultura do feijão.

Um divisor de águas para o cultivo do feijão

Considerado o “pai do carioquinha”, Luiz D’Artagnan de Almeida, falecido no início de 2026, deixou um legado que ultrapassa a criação de uma cultivar. Seu trabalho estruturou o programa de melhoramento genético do feijão no Brasil, inaugurando uma nova fase da cultura, com ganhos contínuos de produtividade, qualidade e adaptação aos sistemas modernos de produção.

Legenda: Engenheiro Agrônomo e pesquisador-científico Luiz D’Artagnan de Almeida, do Instituto Agronômico – IAC, trabalhando com feijão em Casa de Vegetação nos anos 1960.

Ao longo das últimas seis décadas, o feijão carioca evoluiu continuamente. O Brasil já alcançou mais de uma dezena de gerações do material original, com melhorias em porte, precocidade, resistência a doenças, tolerância ao escurecimento dos grãos e qualidade culinária. Estima-se que mais de 60 variedades do tipo carioca tenham sido desenvolvidas a partir do material original, tanto no Brasil quanto no exterior, inclusive em programas internacionais de melhoramento.

Programa de melhoramento do feijão do Instituto Agronômico

Sessenta anos após o início do desenvolvimento do feijão carioca, o Estado de São Paulo mantém em operação um programa permanente de melhoramento genético do feijoeiro, conduzido pelo Instituto Agronômico (IAC), referência nacional desde 1932. O programa segue responsável pela criação de cultivares produtivas, resistentes a doenças como a antracnose, com grãos claros, rápido cozimento e menor dependência de agroquímicos. Essas cultivares apresentam maior teor de proteína e são mais precoces, o que representa menor tempo no campo, aspecto que favorece o plantio frente ao estresse climático e biológico.

Atualmente, cultivares de feijão desenvolvidas pelo IAC estão presentes em mais de treze estados brasileiros. Dados de estudos realizados pelo Instituto indicam que os materiais do IAC ocupam cerca de 60% das lavouras de feijão do país, com destaque para o tipo carioca, que responde pela maior parte das áreas multiplicadas e licenciadas. O carioca representa aproximadamente 66% das sementes autorizadas, refletindo o padrão de consumo nacional. Outros 14% referem-se ao feijão preto. 

Ciência pública no prato do brasileiro

Embora não seja hegemônico em todos os paladares regionais, com o feijão preto predominando no Sul e o mulatinho no Nordeste, o carioca tornou-se o principal feijão do mercado interno brasileiro, desempenhando papel central na segurança alimentar do país.

Rico em proteínas, fibras e minerais, é base da alimentação cotidiana, matéria-prima da indústria e aliado das dietas contemporâneas, incluindo vegetarianas e veganas. Mais do que um alimento, representa uma cadeia produtiva estratégica, geradora de renda, emprego e desenvolvimento tecnológico.

Sessenta anos após o início de seu desenvolvimento científico, o feijão carioca segue como prova concreta de que o investimento contínuo em pesquisa pública transforma a realidade do campo e da mesa. O grão que acompanha o arroz de milhões de brasileiros não nasceu em laboratório de alta tecnologia nem de engenharia genética moderna. Nasceu da observação, da persistência e da ciência paulista, um legado que atravessa gerações.

Consumo no Brasil

Segundo a Embrapa, o consumo per capita de feijão no Brasil atingiu seu pico entre 1961 e 1970, com média de quase 23 kg por pessoa ao ano, e caiu continuamente até atingir em 2024 o menor índice da série histórica. A queda no consumo de feijão no Brasil está associada principalmente às mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida da população, com famílias menores, rotina urbana mais acelerada e redução do hábito de cozinhar em casa. 

Para o pesquisador Alisson Fernando Chiorato, do IAC, esse cenário representa hoje um dos principais desafios do programa de melhoramento. “A redução no consumo do feijão carioca é preocupante porque toda a produção precisa ser absorvida internamente. Com mais tecnologia e área irrigada, a oferta cresce, e isso pode pressionar os preços pagos ao agricultor”, afirma.

Diante desse contexto, o programa passou a atuar também na diversificação de tipos de feijão. “Nosso foco é gerar diversidade, com feijões vermelhos, brancos, rajados e materiais voltados ao mercado externo, permitindo alternativas de comercialização e reduzindo a dependência exclusiva do carioca”, explica Chiorato.

Além da diversificação, os pesquisadores investem em características que dialogam com o consumidor moderno. “Os feijões atuais cozinham em menos tempo, consomem menos água no campo, têm ciclos mais curtos e exigem menos insumos, resultando em um alimento mais saudável e sustentável”, destaca o pesquisador Sérgio Augusto Morais Carbonell, do IAC.

Segundo Carbonell, a pesquisa também busca reforçar o papel nutricional do grão. “O feijão é uma das proteínas vegetais mais completas e acessíveis. Mostrar sua qualidade, segurança e versatilidade é fundamental para estimular o consumo e enfrentar um problema que já se reflete em saúde pública”, ressalta.

Projeto Orion avalia “know-how” do IB-APTA para a construção do 1º laboratório de biossegurança nível 4 no Brasil

Na última semana, o Laboratório de Inovação em Produtos Imunobiológicos, do Instituto Biológico (IB-APTA), recebeu a visita técnica da equipe do Projeto Orion (NB4), iniciativa do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), uma organização social supervisionada pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A agenda promoveu uma troca qualificada de experiências, com apresentação das instalações, das linhas de atuação e dos projetos desenvolvidos no laboratório.

O Projeto Orion está associado à implantação do primeiro laboratório de biossegurança nível 4 (NB4) do Brasil, estrutura destinada ao estudo de agentes biológicos de altíssimo risco, como vírus altamente patogênicos e sem tratamento ou vacina amplamente disponíveis. Laboratórios NB4 representam o nível máximo de contenção biológica, exigindo sistemas extremamente rigorosos de segurança, controle ambiental, operação e manutenção.

Durante a visita, a equipe do CNPEM demonstrou especial interesse no modelo de gestão e sustentabilidade operacional adotado pelo IB. Segundo o responsável técnico do laboratório, Ricardo Spacagna Jordão, a experiência do Instituto é referência justamente por unir rigor técnico e viabilidade a longo prazo: “Aqui a gente não pensa apenas em montar o laboratório, mas em garantir que ele seja sustentável e continue funcionando com eficiência ao longo dos anos”, destacou.

O laboratório do IB é reconhecido por integrar pesquisa científica, inovação tecnológica e produção pública, com foco sanitário. Atualmente, produz cerca de 10 milhões de doses anuais de kits diagnósticos para brucelose e tuberculose, atendendo ao Plano Nacional de Controle e Erradicação dessas doenças. Com a recente modernização da planta, a capacidade produtiva será ampliada em pelo menos cinco vezes, permitindo a retomada das exportações.

Outro aspecto que chamou a atenção da equipe visitante foi a inovação em processos, com soluções que reduzem custos e aumentam a eficiência produtiva sem comprometer a qualidade ou a biossegurança. “A inovação em processos é essencial para fortalecer a produção nacional e torná-la mais acessível”, ressaltou Ricardo.

Além da sanidade animal, o laboratório desempenha papel fundamental na proteção da saúde pública, especialmente no controle de zoonoses e na preparação para o enfrentamento de doenças emergentes, inclusive aquelas ainda inexistentes no Brasil. A atuação pública permite atender demandas estratégicas que nem sempre são absorvidas pela iniciativa privada, mas que são essenciais para a segurança alimentar, a saúde da população e o desenvolvimento do agronegócio.

A visita do CNPEM evidencia a contribuição do IB para projetos estruturantes da ciência brasileira. A aproximação entre as equipes contribui diretamente para o avanço científico, tecnológico e institucional, consolidando o papel do Brasil na pesquisa de alta complexidade em biossegurança.

SOBRE A APTA

A Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) é o órgão responsável por coordenar as atividades de pesquisa científica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Em sua estrutura estão presentes sete Instituições de Ciência e Tecnologia, com unidades distribuídas por todas as regiões do estado: Instituto Agronômico (IAC), Instituto Biológico (IB), Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca (IP), Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), Instituto de Zootecnia (IZ) e APTA Regional.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA – SEÇÃO DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA DA APTA/SAA

Luíza Cardoso Costa – luiza.costa@sp.gov.br

Gustavo Steffen de Almeida – gsalmeida@sp.gov.br

Maria Rita Conde Simone desenvolvendo sua pesquisa

A preocupação com os impactos dos defensivos agrícolas sintéticos na saúde humana e no meio ambiente tem impulsionado a busca por alternativas mais sustentáveis. Entre elas estão os bioherbicidas, produtos de origem natural desenvolvidos para o controle de plantas daninhas. Nesse contexto, uma pesquisa de mestrado que está sendo desenvolvida no Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, avalia a segurança ambiental de um bioherbicida microbiano, investigando seus possíveis efeitos sobre organismos aquáticos.

O estudo é conduzido pela aluna do Programa de Pós-Graduação em Aquicultura e Pesca do IP (PPGIP) Maria Rita Conde Simone, no laboratório de Virologia, Biotecnologia e Cultivo Celular (LaViBaC) do Instituto, localizado na capital paulista, e avalia um herbicida natural desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), de Santa Catarina, à base do fungo Trichoderma koningiopsis. O projeto de pesquisa tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e a UFFS atua como instituição parceira do IP. O objetivo da pesquisa é identificar níveis seguros de uso do produto para sua futura comercialização, contribuindo para práticas agrícolas alinhadas aos princípios da economia circular.

Como a pesquisa está sendo realizada

Embora os herbicidas sejam aplicados diretamente nas lavouras, parte dessas substâncias pode alcançar rios, lagos e outros ambientes aquáticos por meio da chuva, da irrigação ou do escoamento do solo. Para verificar se o bioherbicida pode causar efeitos nesses ambientes, a pesquisa utiliza girinos de rã-touro (Lithobates catesbeianus), um organismo amplamente empregado em estudos de ecotoxicologia por responder de forma sensível a alterações na qualidade da água.

Os girinos são expostos a diferentes concentrações do produto diluído na água, simulando situações que podem ocorrer no ambiente natural após seu uso. Em seguida, são realizadas análises para verificar se o bioherbicida provoca alterações no metabolismo e na fisiologia dos animais.

Entre as avaliações realizadas estão a análise do fígado, órgão responsável por funções vitais, como a metabolização de substâncias, além de exames de sangue para verificar possíveis danos ao material genético. Também são observados indicadores do funcionamento do organismo, que ajudam a identificar possíveis alterações e sinais de estresse nos animais expostos. A pesquisa, que ainda está em desenvolvimento, contribui para avaliar a segurança do uso do bioherbicida, garantindo que alternativas de base natural possam ser utilizadas sem causar impactos negativos aos ecossistemas.

Vivência acadêmica no IP

De acordo com a mestranda do IP, a experiência acadêmica na instituição tem sido marcante. “Fazer a pós-graduação aqui no Instituto de Pesca está sendo maravilhoso. Eu tive muitas oportunidades, conheci diversos pesquisadores, fiz muitos amigos e aprendo sempre muito. E, claro, trabalhar com a minha orientadora, Cláudia Maris, é muito bom, nós nos apoiamos e estamos sempre evoluindo juntas na pesquisa. Então, o IP, para mim, se tornou uma segunda casa.”

Segundo a pesquisadora do Instituto e orientadora de Maria Rita, Cláudia Maris, “realizar este tipo de pesquisa é nossa contribuição para o desenvolvimento de bioinsumos microbianos seguros e um caminho para a Agricultura Limpa. Esta é uma das recomendações da Toxicologia do Século XXI. Ter a mestranda Maria Rita como discente e parceira neste trabalho é gratificante, pois enxergo nesta pós-graduanda maturidade, dedicação e um promissor futuro na pesquisa científica.”

Por Andressa Claudino

Instituto de Pesca

O Instituto de Pesca é uma instituição de pesquisa científica e tecnológica, vinculada à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que tem a missão de promover soluções científicas, tecnológicas e inovadora para o desenvolvimento sustentável da cadeia de valor da Pesca e da Aquicultura.

Assessoria de imprensa IP

Seção de Comunicação Científica 

Gabriela Souza /Andressa Claudino

Cel.: (11) 94147-8525

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Um grupo formado por representantes de uma empresa francesa do setor agroindustrial realizou, nesta semana, uma série de visitas técnicas às unidades da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), com foco em pesquisa, inovação e nos desafios fitossanitários da agricultura brasileira. A missão contou com o apoio da Business France, braço comercial da Embaixada da França no Brasil, e articulação com o Consulado da França.

A agenda teve caráter técnico e exploratório e reuniu executivas da empresa francesa Incérès, especializada no desenvolvimento de bioinseticidas à base de óleos essenciais. O objetivo foi aprofundar o conhecimento sobre as principais culturas e pragas de interesse no Brasil, além de promover conexões com pesquisadores, instituições de pesquisa e atores do ecossistema de inovação do agro.

Segundo Inès Taurou, fundadora e diretora-presidente (CEO) da Incérès, o interesse da empresa pelo Brasil surgiu a partir de uma análise comparativa entre diferentes mercados. “Realizamos um estudo comparando tamanho de mercado e caminhos regulatórios em diferentes países. Após essa análise, ficou claro que o Brasil se destaca como um dos países mais rápidos e com melhor custo-benefício para o registro de biopesticidas”, afirma.

Ela explica que, embora a Europa seja o mercado mais conhecido pela empresa, o ambiente regulatório é bastante desafiador. “Na Europa, o processo de registro de um produto de biocontrole pode levar de cinco a oito anos. Para uma empresa jovem, isso é muito longo. Precisamos acessar mercados de forma mais ágil para garantir sustentabilidade no médio e longo prazo, e o Brasil aparece como um mercado estratégico”, destaca Inès.

Durante as visitas, o grupo esteve no Centro de Fruticultura do Instituto Agronômico (IAC), em Jundiaí, para discutir o contexto produtivo e os programas de melhoramento genético em culturas como maracujá e uva; na APTA Regional de Piracicaba, com foco em cana-de-açúcar e soja; e participou de um encontro no Instituto Biológico (IB) e no espaço Planeta Inseto, reunindo pesquisadores da APTA e representantes do setor privado.

Para Judie Henry, diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Assuntos Regulatórios da Incérès, a receptividade das instituições brasileiras chamou a atenção do grupo. “Ao visitarmos os institutos de pesquisa no Brasil, percebemos uma grande abertura à inovação. Fomos muito bem recebidas e encontramos pesquisadores dispostos a compartilhar experiências e a discutir novas soluções. Existe um interesse real em testar inovação, não apenas no biocontrole, mas de forma mais ampla”, avalia.

A missão da empresa tem como principal objetivo compreender os problemas reais enfrentados no campo, identificar as principais pragas e avaliar oportunidades para o desenvolvimento futuro de soluções adaptadas à realidade da agricultura brasileira, sempre em parceria com instituições de pesquisa e atores locais.

Para Ana Eugênia de Carvalho Campos, coordenadora do Instituto Biológico, a visita reforça a relevância da cooperação internacional. “Para a APTA, é muito importante receber empresas brasileiras e estrangeiras com uma visão alinhada à nossa. Essa cooperação fortalece as pesquisas. Quando recebemos uma startup jovem, com apenas quatro anos, que já está próxima de registrar um produto na França e com um foco muito semelhante ao do Instituto Biológico, a troca de conhecimento é extremamente rica”, afirma.

A iniciativa reforça a importância da cooperação internacional em ciência, tecnologia e inovação no agro, aproximando pesquisadores brasileiros e empresas estrangeiras em torno de soluções sustentáveis para a produção agrícola.

SOBRE A APTA

A Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) é o órgão responsável por coordenar as atividades de pesquisa científica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Em sua estrutura estão presentes sete Instituições de Ciência e Tecnologia, com unidades distribuídas por todas as regiões do estado: Instituto Agronômico (IAC), Instituto Biológico (IB), Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca (IP), Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), Instituto de Zootecnia (IZ) e APTA Regional.

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Legenda – Testes com consumidores são feitos em cabines com condições ambientais controladas (crédito: Antonio Carriero/Ital)

Pesquisas exploram percepções dos sentidos humanos para assegurar a aceitação de alimentos, bebidas, ingredientes e suplementos alimentares saudáveis e economicamente viáveis

Cupulate, farinha de cacto substituindo parte da farinha de trigo em cookie, panetone mais duradouro, nutritivo e sem conservantes e suplemento de ferro em pó solúvel em água saborosos para os consumidores. Esses são alguns exemplos de produtos bem sucedidos que passaram por testes sensoriais avançados no Centro de Ciência e Qualidade de Alimentos (CCQA) do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-APTA), sediado em Campinas e vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Aliás, produtos saudáveis, sustentáveis e inovadores são constantemente demandados pelas indústrias de alimentos, bebidas, ingredientes e embalagens preocupadas em suprir necessidades e desejos dos consumidores e da sociedade de forma economicamente viável. Além de contribuir para o avanço de desafios específicos do setor produtivo, a equipe do Laboratório de Referência em Análises Físicas e Sensoriais (Lafise) do CCQA possibilita maior independência e variedade da agroindústria brasileira ao atuar em projetos de pesquisa interinstitucionais focados em enriquecimento e suplementação nutricional, clean label e novos ingredientes a partir de matérias-primas nacionais.

“Empresas do setor têm direcionado seus esforços para tornar acessível à população, mais atenta e consciente, produtos diferenciados que agreguem nutrição, experiências sensoriais marcantes e práticas de produção transparentes. Temos atuado como um eixo de inovação ao oferecer análises sensoriais e estatísticas essenciais que permitem transformar tendências de consumo em soluções viáveis, além de conduzido projetos multidisciplinares que favorecem a diversidade e competitividade da produção brasileira”, ressalta a pesquisadora Rita de Cássia Ormenese, diretora do Lafise.

Em 18 cabines com condições ambientais controladas, sistema computadorizado e software específico de última geração para coleta e análise estatística de dados, pesquisadores, analistas e técnicos realizam estudos para investigar as percepções e preferências dos consumidores, tendo mais de duas mil pessoas cadastradas em seu Banco de Dados de Consumidores e um painel de avaliadores selecionados e treinados para testes discriminativos e descritivos. Os métodos de análise sensorial atendem diferentes áreas como desenvolvimento de produtos, marketing, controle de qualidade e em estudos de vida útil.

A equipe do Lafise atua ainda em planejamento experimental, análises estatísticas (cluster, mapa de preferência interno e componentes principais, entre outras) e capacitação do setor, como o curso presencial Técnicas de Análise Sensorial em Alimentos, que será oferecido em 4 e 5 de março, e o inédito workshop on-line Análise Sensorial na Prática: Histórias e Estratégias que Inspiram, programado para 9 de outubro – acompanhe a abertura de inscrições desse e outros eventos no site do Ital.

Mais nutrientes e melhor aceitação do consumidor

Se fermentado com microrganismos selecionados, o panetone pode ter maior tempo de vida útil, mantendo a maciez e com sabor e aroma mais atraentes, segundo pesquisa desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), envolvendo as pesquisadoras Aline Garcia, do CCQA, e Elizabeth Nabeshima, do Centro de Tecnologia de Cereais e Chocolate (Cereal Chocotec) do Ital.

Junto às pesquisadoras Maria Teresa Bertoldo Pacheco e Rita Ormenese, do CCQA, Aline e Elizabeth também contribuíram com o desenvolvimento de outro produto de panificação com formulação diferenciada em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a Universidade Católica do Porto, de Portugal: cookie funcional enriquecido com farinha de xique-xique, espécie de cacto do semiárido considerada uma Planta Alimentícia Não Convencional (Panc). Os cookies desenvolvidos com 50% de farinha de xique-xique foram bem aceitos pelos consumidores e apresentaram mais minerais, proteínas, fibras e amido resistente em relação aos que contêm somente farinha de trigo.

A pesquisadora Aline Garcia participou ainda da busca por uma maior aceitação dos consumidores ao “chocolate” obtido a partir do cupuaçu, produto agrícola atraente para o mercado externo. Na pesquisa feita em conjunto com a Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foram constatadas mais características sensoriais positivas em barras de cupulate com maior porcentagem de polpa, fator importante para a formação de compostos aromáticos.

Outro empenho do corpo técnico do Ital levou ao desenvolvimento de suplemento de ferro em pó saborizado solúvel em água como alternativa a pílulas, gotas e xaropes, visando o bom funcionamento do organismo de mulheres com deficiência desse mineral. Esse novo produto, mais aceito pelas consumidoras no sabor tangerina, foi fruto da dissertação de mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos do Ital de autoria da bioquímica Heidy Lorena Ferrari Audiverth, com orientação e co-orientação das pesquisadoras Maria Teresa e Rita, respectivamente. O bem-sucedido trabalho foi publicado no renomado Journal of Sensory Studies.

Sobre o Ital

O Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), vinculado à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, é uma instituição líder em ciência aplicada na América Latina. Desde 1963, desempenha um papel central na inovação das áreas de ingredientes, alimentos, bebidas e embalagens.

Com sede em Campinas/SP, o Ital oferece suporte ao setor produtivo por meio de pesquisa, desenvolvimento de novos produtos e processos, análises laboratoriais, assistência técnica especializada, capacitação profissional e difusão do conhecimento.

Certificado na ISO 9001 com parte dos ensaios acreditados na ISO/IEC 17025, o Instituto é credenciado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e congrega dezenas de laboratórios e plantas-piloto distribuídos em centros especializados em carnes, laticínios, bactérias lácticas, cereais, confeitos, chocolates, frutas, hortaliças, ciência e qualidade de alimentos, além de sistemas de embalagem.

Para mais informações, visite o site oficial: www.ital.agricultura.sp.gov.br

ASSESSORIA DE IMPRENSA

Jaqueline Harumi – MTb 59.960/SP

Núcleo de Comunicação Científica do Ital

(19) 3743-1757 | jaqueline.harumi@sp.gov.br

Em um cenário de estiagens cada vez mais intensas e frequentes, o solo assume papel estratégico na sustentabilidade da cultura da soja. Para aprofundar esse debate, a APTA Regional de Piracicaba, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, realiza o Dia de Campo da Cultura da Soja, voltado a produtores, pesquisadores e profissionais da cadeia produtiva. O evento técnico-científico ocorrerá no dia 6 de fevereiro, das 08h às 12h, na sede da instituição, localizada na Rua Alberto Coral, 1500 – Vila Fátima, Piracicaba/SP.

O pesquisador científico André César Vitti, da APTA Regional de Piracicaba, apresentará resultados do projeto de pesquisa em andamento “Diferentes tipos de solos e seus efeitos comparativos na produtividade de grãos da cultura da soja”, desenvolvido por Leonardo José Vitti durante sua iniciação científica na unidade. Será mostrado como tipos de solos podem influenciar na produtividade da soja devido às suas características químicas e físicas, propiciando um manejo adequado para a cultura da soja. Com isso, obtém-se um maior aprofundamento do sistema radicular da soja, contribuindo para mitigar os efeitos da deficiência hídrica. Uma oportunidade estratégica para quem busca inovação, sustentabilidade e eficiência no manejo da soja.

A programação do evento inclui palestra técnica e atividade de campo e será coordenado por André César e organizado pela diretora da APTA Regional de Piracicaba, Mônica Sartori de Camargo, e por Leonardo, hoje mestrando do Instituto Agronômico (IAC-APTA).

Mônica explica que o dia de campo irá contribuir para que o produtor conheça melhor os diferentes tipos de solo e as propriedades físico-químicas que afetam o sistema solo-planta. “Principalmente, em relação à formação do sistema radicular da soja e à capacidade de mitigação da deficiência hídrica climática”, destaca.

“Ainda mostraremos outros fatores extremamente importantes e influentes no potencial produtivo da cultura da soja, que devem ser levados em conta nos planejamentos agronômicos e manejo da cultura. Já que em sua maioria são fundamentados no potencial produtivo do solo, exclusivamente do teor da argila do solo”, ressalta Mônica.

O Dia de Campo está vinculado ao projeto “Manejo da cultura da soja em áreas de rotação da cana”, desenvolvido desde 2022 em parceria com a Coplacana, e ao projeto de iniciação científica de Leonardo, orientado pelo pesquisador André César.

O evento conta com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag).

APTA Regional

A APTA Regional é uma Instituição de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (ICTESP), vinculada à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA). Com 18 Unidades Regionais de Pesquisa e Desenvolvimento, atua em áreas como agronomia, zootecnia, pesca continental, sanidade vegetal e animal, agregação de valor em produtos agropecuários, sistemas integrados de produção e segurança alimentar. Considerada o maior hub descentralizado de pesquisa agropecuária do Estado, a APTA Regional oferece soluções tecnológicas aplicadas, adaptadas às realidades locais e regionais, contribuindo para o fortalecimento das cadeias produtivas e para uma agricultura mais sustentável e competitiva.

Por

Lisley Silvério (MTb. 26.194)

lsilverio@sp.gov.br

Apta Regional /Apta/ SAA

Seção de Comunicação Científica

Assessora de Imprensa e Comunicação Institucional

A Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) participa, nos Estados Unidos, da etapa de St. Louis do “ARISE: Agri-Tech for Resilience, Innovation & Sustainable Ecosystems”, um programa internacional estruturado em três fases: Brasil, Estados Unidos e Reino Unido. O objetivo é promover a cooperação entre ecossistemas de inovação e construir, de forma conjunta, um programa internacional de desenvolvimento tecnológico e fomento a startups no setor agroalimentar.

A iniciativa reúne representantes de instituições de pesquisa, governos, hubs de inovação, empresas, investidores e organizações de apoio ao empreendedorismo de países da América Latina, Estados Unidos e Reino Unido. O foco está na articulação entre ciência, inovação, políticas públicas e mercado, com ênfase em temas como inteligência artificial, biotecnologia, dados, sensores, sustentabilidade e sistemas alimentares resilientes.

A primeira etapa do programa foi realizada no Brasil, em São Paulo, e teve como objetivo inicial mapear competências, desafios e oportunidades nos diferentes países participantes. A etapa atual, em St. Louis, aprofunda essas discussões, promovendo encontros técnicos, visitas a ecossistemas de inovação e articulações institucionais. A etapa final ocorrerá em Cambridge, no Reino Unido, onde será consolidado o desenho do programa, com definição de modelos de cooperação, governança e ações concretas.

A APTA está representada no programa pelo diretor da instituição, Carlos Nabil, e pelo head de inovação, Sérgio Tutui. A participação da entidade ocorre tanto no âmbito da construção de um arranjo multilateral, envolvendo diferentes países e organizações, quanto no fortalecimento de relações bilaterais, com foco na criação de oportunidades específicas de cooperação entre institutos de pesquisa, startups e ambientes de inovação.

Além da articulação institucional, o programa abre espaço para a identificação de ações concretas, como intercâmbio de pesquisadores e startups, desenvolvimento de projetos conjuntos, acesso a infraestruturas de pesquisa e aproximação com investidores e empresas de base tecnológica. Essas conexões ampliam as possibilidades de inserção dos institutos paulistas em iniciativas internacionais e fortalecem a atuação da pesquisa pública em agendas globais estratégicas.

A participação da APTA no ARISE reforça o papel da pesquisa agropecuária paulista na construção de soluções colaborativas para os desafios da agricultura contemporânea, é o que afirma Tutui. “Essa é uma contribuição ativa para o desenvolvimento de parcerias internacionais, para a inovação tecnológica e para a consolidação de São Paulo como um polo relevante nos debates globais sobre ciência, tecnologia e sustentabilidade no agro”.

SOBRE A APTA

A Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (Apta) é o órgão responsável por coordenar as atividades de pesquisa científica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Em sua estrutura estão presentes sete Instituições de Ciência e Tecnologia, com unidades distribuídas por todas as regiões do estado: Instituto Agronômico (IAC), Instituto Biológico (IB), Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca (IP), Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), Instituto de Zootecnia (IZ) e Apta Regional.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA – SEÇÃO DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA DA APTA/SAA:

Luíza Cardoso Costa – luiza.costa@sp.gov.br

Gustavo Steffen de Almeida – gsalmeida@sp.gov.br  

Com foco na aptidão para corte, os primeiros animais do novo rebanho já estão sendo integrados à Fazenda Ataliba Leonel, unidade da CATI Sementes e Mudas

            A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA) paulista lançou, recentemente, um programa que visa disponibilizar genética de ponta aos criadores de bovinos da raça Guzerá. Os primeiros animais serão selecionados em uma unidade da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) localizada no município de Manduri, a Fazenda do Estado Ataliba Leonel.

            “O Guzerá é uma raça que fala por números. Mesmo com um efetivo menor que outras raças zebuínas, apresenta desempenho destacado em provas de ganho de peso, eficiência produtiva e consistência genética ao longo das gerações. Quando a SAA estrutura um programa como esse, ela transforma resultados técnicos em política pública, fazendo com que a genética comprovada chegue efetivamente à ponta, viabilizando que os produtores paulistas ganhem mais uma opção consistente para o melhoramento genético de seus rebanhos”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.

            Em parceria com a Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil (ACGB), os primeiros bovinos da raça chegaram à divisão produtiva da CATI Sementes e Mudas no final do ano de 2025. “Assim como acontece no trabalho com o Nelore Mocho, a demanda pelo melhoramento do Guzerá veio de criadores. Nosso foco será as características morfológicas e de rendimento para corte, sem perder a essência no leite, por ser uma raça com boa habilidade materna. O produtor merece um animal de qualidade”, explica o chefe da Divisão de Produção Ataliba Leonel, Braz Costa de Oliveira Junior.

            O diretor da CATI, Ricardo Pereira, ressalta a importância estratégica dessa escolha para a pecuária estadual: “Optamos pelo Nelore e pelo Guzerá por serem zebuínos com presença expressiva no território paulista. Nosso objetivo é melhorar esse rebanho como um todo, democratizando e popularizando o uso de touros puros de origem. Queremos que os pequenos e médios produtores tenham acesso à mesma excelência genética dos grandes criadores”.

            Ainda de acordo com Pereira, toda a rede da CATI está à disposição para orientar o setor. “Os produtores interessados podem procurar as Casas da Agricultura e nossos técnicos regionais. Estamos prontos para orientar sobre como escolher a melhor genética e como acessar esses materiais que a Secretaria disponibiliza”, destaca o diretor.

            “Nosso propósito também é o de levar esse animal para uma pecuária sustentável, ser criado em ambientes com pastagens recuperadas, e em sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP)”, complementa Oliveira Junior.

            O Programa Guzerá SP se encontra em fase de arrebanhamento, para ampliação do pool genético e formação de uma base sólida de matrizes e reprodutores, antes de dar início à seleção propriamente dita.

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Sobre a raça Guzerá

            Um dos primeiros zebuínos a ter entrado no Brasil, seu nome se deve ao porto indiano de Guzerat, localizado na região oeste da Índia, de onde eram inicialmente embarcados.

            Em seu país de origem é chamado de Kankrej e apresenta aptidão para leite e tração, já que, por ser um animal sagrado na cultura hindu, o consumo de sua carne é vetado. No Brasil, a raça seguiu um caminho diferente e é criada mais com finalidade de corte.

Com mais de 13 mil academias, Estado concentra 25% do mercado fitness nacional e se destaca como um dos maiores produtores de alimentos estratégicos para a nutrição esportiva

São Paulo é reconhecida como a capital brasileira do fitness, com a maior concentração de academias do País. O que muitos praticantes de atividade física nem sempre percebem é que, por trás de treinos intensos e dietas rigorosas, está um dos principais sistemas de produção agropecuária do Brasil. É no campo paulista, que grande parte dos alimentos que sustentam a rotina de quem busca desempenho, saúde e qualidade de vida são produzidos.

A força do mercado fitness no Estado acompanha esse cenário. São mais de 13 mil academias em funcionamento, cerca de 25% do total nacional, que atendem um público cada vez mais exigente. “São diversos os modelos de negócios de academias paulistanas, que acompanham as demandas de um dos mercados mais exigentes de todo o país”, destacou o presidente da Associação Brasileira de Academias  Brasil, Ailton Mendes.

Nesse contexto, o agronegócio paulista se consolida como protagonista ao liderar a produção de diversos alimentos essenciais à prática esportiva. Itens como carne de frango (1,9 milhão de toneladas), ovos (16,7 bilhões de unidades), amendoim (628 mil t) batata-doce (140 mil t), banana (970 mil t) e alface (220 mil t), por exemplo, estão entre as principais culturas do estado, segundo balanço do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA).

Para que os alunos possam chegar ao resultado esperado, seja no ganho de massa muscular ou na perda de peso, a ingestão de macronutrientes é tão essencial quanto os trabalhos de força. “Alimentos de fontes proteicas, como frango, ovos, leite e seus derivados devem estar sempre presentes na dieta de praticantes de atividade física, principalmente nas refeições pós-treino. Enquanto, os carboidratos, como arroz, batata-doce e mandioca, por exemplo, fornecem energia durante o exercício e ajudam na reposição energética no pós-treino. Portanto, devem ser consumidos antes e depois das atividades”, explicou a nutricionista da Diretoria de Segurança Alimentar da SAA, Sizele Rodrigues. 

Apesar de serem necessários em doses mínimas, os micronutrientes não podem ficar de fora. “Não menos importantes, as vitaminas e minerais encontrados em grandes quantidades nas frutas, verduras e legumes, devem estar presentes na dieta de qualquer indivíduo, especialmente dos praticantes de atividade física, pois participam de diversas etapas metabólicas, favorecendo assim o bom funcionamento do organismo”, comenta Sizele.

O crescimento do consumo de alimentos high protein amplia a demanda por produtos com qualidade e segurança. Diante desse cenário, o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-APTA), um dos sete institutos de pesquisa da Secretaria, atua, por exemplo, na aplicação de proteína do soro do leite (whey protein) em formulações que asseguram textura, sabor e aparência adequados.

São Paulo também é um dos principais produtores de café do País e o pesquisador do IEA, Celso Vegro, menciona os benefícios do uso na prática esportiva. “São largamente conhecidos os efeitos estimulantes da cafeína, por sua capacidade tanto de manter o estado de alerta como de reduzir a fadiga. Sua ação se dá a partir do bloqueio de neurotransmissores responsáveis pela sensação de sono. Recentemente, a cafeína passou a ser sistematicamente empregada também na melhora do desempenho físico humano em atividades aeróbicas”, reforçou o pesquisador.

Alimentos Fitness nas redes supermercadistas

O consumo de amendoim em pasta, muito popular, principalmente, nos Estados Unidos, vem ganhando cada vez mais espaço no mercado brasileiro. O produto se expandiu nas lojas especializadas, tornando-se facilmente encontrado nas gôndolas das redes supermercadistas.

“O amendoim tem aumentado a participação no contexto fitness, pois é reconhecido como um aliado de alto valor nutricional, rico em proteínas, gorduras boas e energia, ideal para quem busca ganho de massa muscular e melhor desempenho nos treinos. O setor entrega esse amendoim de alta qualidade ao consumidor”, destacou o presidente da Câmara Setorial do Amendoim, José Rossato.

Durante a 3ª Semana Brasileira do Amendoim, realizada em setembro do ano passado, foram promovidas ações em estúdios de academia de Brasília e São Paulo para mostrar os benefícios nutricionais e evidenciar a qualidade certificada por meio do programa Pró-Amendoim, que conta com a parceria do Ital. Criado pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), há 25 anos, o selo Pró-Amendoim é a garantia da qualidade do produto oferecido ao consumidor. 

“O amendoim, em suas várias formas (pasta, torrado, natural), pode ser um excelente parceiro na hora do seu exercício. Ele é versátil, energético e tem excelente custo-benefício. Consumindo esse produto tão conhecido da cultura alimentar brasileira, você une satisfação do paladar a bem estar físico”, destacou o presidente-executivo da Abicab, Jaime Recena.

Legenda: Curso Métodos de Análise Microbiológica de Alimentos está entre os mais bem avaliados em 2025 (crédito: Antonio Carriero/Ital)

Índices de 96,6% e 96,9% foram obtidos a partir da avaliação de 439 clientes e 686 profissionais capacitados durante o ano

O Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, disponibilizou nesta quinta-feira (29) o resultado de sua Pesquisa de Satisfação de Cliente Externo 2025, que atingiu o índice de 96,6%, o maior registrado desde o início desse levantamento anual realizado desde 2014. A satisfação entre participantes dos 38 eventos do calendário 2025 também foi recorde, com índice de 96,9%.

A satisfação de clientes levou em consideração 439 formulários respondidos entre 15 de outubro e 23 de janeiro por representantes de empresas de diferentes portes que contrataram análises, ensaios, cursos e treinamentos fechados, serviços em planta-piloto e projetos, receberam consultoria e informação tecnológica ou adquiriram publicações. Já a satisfação com eventos levou em consideração a opinião de 686 participantes.

Dos clientes entrevistados, 69% mantêm relacionamento com o Ital há mais de três anos. Além disso, o Instituto foi contratado mais de cinco vezes em 2025 por 24,6% dos respondentes e entre duas e quatro vezes por outros 46,8%, demonstrando a confiança no trabalho realizado. Não à toa, credibilidade, segurança e prestígio público foram os principais destaques dentre os 19 itens avaliados. Entre os 13 itens que atingiram percentuais melhores do que os registrados na pesquisa de 2024, destacaram-se a predisposição ao atendimento e a disponibilidade para informações.

“Esses resultados são frutos da dedicação da equipe que compreende cada vez mais a importância do trabalho do Ital para sociedade e está em constante desenvolvimento para atendimento das demandas”, ressalta Cinthia Ronchesel Leite, responsável pela Gestão da Qualidade do Ital. “Por sermos instituição pública de pesquisa, estamos orgulhosos de oferecer soluções de alto impacto para o setor produtivo, o governo e a sociedade. Mais do que buscar a excelência, temos apostado cada vez mais no trabalho colaborativo e na criatividade para não deixarmos de inovar em nossos serviços e eventos”, complementa a coordenadora do Ital, Eloísa Garcia, lembrando que já está disponível o calendário de eventos 2026.

Sobre o Ital

O Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), vinculado à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, é uma instituição líder em ciência aplicada na América Latina. Desde 1963, desempenha um papel central na inovação das áreas de alimentos, bebidas, ingredientes e embalagem.

Com sede em Campinas/SP, o Ital oferece suporte ao setor produtivo por meio de pesquisa, desenvolvimento de novos produtos e processos, análises laboratoriais, assistência técnica especializada, capacitação profissional e difusão do conhecimento.

Certificado na ISO 9001 com parte dos ensaios acreditados na ISO/IEC 17025, o Instituto é credenciado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e congrega dezenas de laboratórios e plantas-piloto distribuídos em centros especializados em carnes, laticínios, bactérias lácticas, cereais, confeitos, chocolates, frutas, hortaliças, ciência e qualidade de alimentos, além de embalagens.

Para mais informações, visite o site oficial: www.ital.agricultura.sp.gov.br

ASSESSORIA DE IMPRENSA

Jaqueline Harumi – MTb 59.960/SP

Núcleo de Comunicação Científica do Ital

(19) 3743-1757 | jaqueline.harumi@sp.gov.br

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