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Agricultura e Abastecimento

Pesca artesanal na Baixada Santista: ciência e inovação buscam valorizar o pescado local 

Pesca artesanal na Baixada Santista: ciência e inovação buscam valorizar o pescado local 

Pesquisa do Instituto de Pesca sobre o aproveitamento de partes pouco valorizadas do pescado integrou a discussão sobre oportunidades de inovação na cadeia produtiva regional.

Espinhaços e aparas resultantes da filetagem de peixes podem ter um destino além do descarte ou da comercialização por um valor menor. A Carne Mecanicamente Separada (CMS), obtida por meio de um processo que recupera a carne remanescente nessas partes, é uma alternativa para ampliar o aproveitamento do pescado e utilizá-lo como matéria-prima na elaboração de produtos alimentícios.

O tema está relacionado às pesquisas desenvolvidas no Instituto de Pesca e foi abordado durante o Meetup AptaHub Santos – “A Cadeia Produtiva da Pesca Artesanal como Ativo de Inovação na Baixada Santista”, que reuniu especialistas e profissionais do setor para discutir oportunidades de agregação de valor à atividade pesqueira.

A pesquisadora científica Thaís Moron Machado, do Instituto de Pesca, participou do encontro com uma apresentação sobre tecnologias tradicionais e inovações no processamento do pescado. A discussão evidencia como o conhecimento científico pode contribuir para identificar novas possibilidades de aproveitamento dos recursos pesqueiros e aproximar a pesquisa das demandas do setor produtivo.

Do processamento à gastronomia

Realizado no AptaHub Santos, nas instalações do Instituto de Pesca, o encontro abordou diferentes aspectos da cadeia produtiva, incluindo conservação dos recursos pesqueiros, qualidade nutricional, comercialização e agregação de valor.

A conexão entre produção e mercado também ganhou espaço na prática. Profissionais do Restaurante Paru e do Açougue do Mar, em Santos, prepararam sushi ao vivo com pescado regional, demonstrando como a gastronomia pode contribuir para valorizar a produção local e ampliar as possibilidades de consumo.

A programação incluiu ainda discussões sobre cadeias de valor da sociobioeconomia circular e um ideathon dedicado à identificação de desafios e oportunidades para a pesca artesanal.

Para Carol Ferreira, analista de Comunidades do AptaHub Santos, valorizar o pescado regional significa reconhecer tanto sua importância para a segurança alimentar quanto seu potencial para gerar novas oportunidades de desenvolvimento.

“O pescado da nossa costa é uma proteína sustentável e de alta qualidade nutricional, que garante a segurança alimentar de muitas famílias. A Baixada Santista precisa olhar para esse produto como um grande potencial de inovação dentro da Economia Azul. O Meetup do AptaHub, que contemplou também um ideathon da pesca artesanal, foi um passo importante”, afirma.

A aproximação entre pesquisa e setor produtivo também foi destacada por Rafaela Sabatine, coordenadora de Comunidades do AptaHub, que ressaltou a importância de conhecer o trabalho científico desenvolvido na região e identificar formas de apoiar o setor.

“A cadeia produtiva do pescado traz diversas oportunidades de inovação e tem desafios muito claros e específicos. Foi muito importante acompanhar parte do conhecimento que o Instituto de Pesca está produzindo sobre isso e como nós podemos apoiar”, afirma.

Encontros que aproximam ciência e mercado

Promovidos em diferentes unidades, os Meetups AptaHub são encontros gratuitos e abertos ao público que reúnem pesquisadores, empreendedores, produtores, empresas e instituições para debater desafios e oportunidades do agronegócio. Em Santos, a iniciativa colocou em pauta como a articulação entre ciência, processamento e mercado pode contribuir para valorizar o pescado e fortalecer a atividade pesqueira regional.

Sobre o AptaHub

O AptaHub é uma rede de ambientes de inovação agroalimentar vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e à Apta (Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios), a segunda maior organização de pesquisa científica e tecnológica focada no agro do hemisfério Sul, composta por sete Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs).

Com presença em Campinas, Ribeirão Preto, São Paulo e Santos, o AptaHub conecta institutos de pesquisa, pesquisadores, empreendedores, startups, empresas, investidores e produtores rurais para impulsionar a inovação no setor agroalimentar.

Por meio da articulação entre diferentes atores do ecossistema, o hub amplia o acesso ao conhecimento e às tecnologias geradas pelos institutos de pesquisa da Apta, fomentando educação continuada, aceleração de negócios, parcerias estratégicas e acesso a investimentos.

O AptaHub nasceu de um edital liderado pelo Governo do Estado de São Paulo e é gerenciado por três organizações: Cietec, Impact Hub e Wylinka.

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