O uso de metodologias alternativas in vitro e in vivo tem ampliado as possibilidades de pesquisa sobre fitoterápicos na aquicultura. No Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, esses métodos são utilizados para investigar o potencial de extratos vegetais no combate a organismos causadores de doenças em peixes e avaliar a segurança dessas substâncias.
Desde 2011, a pesquisadora científica Cíntia Badaró Pedroso, da Divisão de Pesquisa e Desenvolvimento de Aquicultura do IP, desenvolve estudos com embriões do peixe-zebra (Danio rerio), também conhecido como paulistinha. A metodologia integra pesquisas sobre quimioterápicos, medicamentos utilizados no combate a doenças, e fitoterápicos, produtos obtidos de plantas com finalidade terapêutica, voltados ao tratamento de enfermidades que afetam peixes de cultivo e ornamentais.
Avaliação de extratos vegetais
O ensaio in vivo com embriões de peixe-zebra é reconhecido no Brasil como método alternativo ao uso de mamíferos em determinadas atividades de pesquisa. O reconhecimento foi estabelecido pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio das Resoluções Normativas nº 54, de janeiro de 2022, e nº 56, de outubro do mesmo ano. Entre os métodos reconhecidos está o OECD 236, que avalia a toxicidade aguda em embriões de peixes.
A pesquisa também utiliza ensaios in vitro, realizados em laboratório com oomicetos, organismos semelhantes a fungos, utilizados tanto como organismos–teste indicadores como também, dependendo da espécie, para causar infecções nos peixes. Nesses testes, são avaliados extratos vegetais de espécies nativas e exóticas para investigar seu potencial no combate a microrganismos patogênicos.
A combinação das duas metodologias permite investigar tanto a eficácia quanto a segurança dos extratos vegetais. Enquanto os ensaios com oomicetos avaliam a ação das substâncias contra os agentes causadores de doenças, os testes com embriões de peixe-zebra contribuem para identificar possíveis efeitos adversos. Os estudos buscam ampliar o conhecimento sobre alternativas de origem vegetal que possam contribuir para o desenvolvimento de práticas mais sustentáveis na aquicultura.
De acordo com Cíntia, “estarmos alinhados às diretrizes e recomendações do CONCEA, assim como ao uso e à aplicação da grande diversidade florística presente no Brasil, nos permite contribuir e avançar no estabelecimento de práticas aquícolas mais éticas e sustentáveis”.
Assessoria de imprensa IP
Seção de Comunicação Científica
Gabriela Souza /Andressa Claudino
Cel.: (11) 94147-8525
ipcomunica@sp.gov.br
Política de uso
A reprodução de matérias e imagens é livre, mediante citação do Instituto de Pesca, autor e fotógrafo (este quando citado).