Valor de importação é divulgado mensalmente pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA)
O mercado de borracha natural inicia o mês de setembro de 2026 com novos patamares de preço para as mesas de negociação. O preço de referência de importação da borracha natural fechou agosto de 2026 cotado a R$16,37 por quilograma, alta de 5,4% em comparação ao mês anterior. O preço referência de importação do produto baliza as negociações de compra e venda de borracha no país para o mês subsequente. O indicador é elaborado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
O avanço reflete a pressão de custos em três pilares centrais da cadeia: a matéria-prima no mercado asiático, o câmbio e a logística global. No cenário internacional, as cotações dos contratos da borracha natural na Bolsa de Singapura, principal termômetro global do setor, fecharam o mês de agosto cotadas a US$ 2,24 por quilo, o que representa um aumento de 4%. A pressão externa foi amplificada pelo comportamento do câmbio no cenário doméstico. O valor médio do dólar comercial subiu 0,8% em agosto na comparação com julho, passando de R$ 5,11 para R$ 5,15. Além do produto e da moeda mais caros, a logística de transporte internacional foi o fator de maior volatilidade no período. O frete marítimo internacional registrou um impacto de 12,9% de variação no preço final de importação.
O aumento do preço de referência da borracha natural em setembro evidencia uma pressão simultânea sobre os principais componentes do custo de importação. De acordo com a pesquisadora colaboradora do Instituto de Economia Agrícola e responsável pelo levantamento, Marli Dias Mascarenhas Oliveira, essa alta da matéria-prima foi sustentada por preocupações com a oferta nos países produtores asiáticos, pela manutenção da demanda, somada à valorização do dólar e ao avanço e à volatilidade dos fretes marítimos. “Isso elevou o custo de reposição do produto importado e reforçou a importância do indicador como parâmetro para as negociações no mercado interno”, afirma.
Safra paulista da seringueira se mantém praticamente na estabilidade
No campo, a safra paulista da seringueira encerrou com 263,6 mil toneladas de coágulo de látex, leve recuo de 1%. A regional de São José do Rio Preto detém 31,7% do mercado do estado. O estado de São Paulo é responsável por 60% da produção nacional de borracha natural. O levantamento de safra é realizado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) e pela Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI). “O desempenho confirma um quadro de estabilidade em um setor que vem enfrentando, nos últimos anos, dificuldades de rentabilidade e redução dos estímulos à renovação e à expansão dos seringais”, aponta Marli Dias Mascarenhas Oliveira.
Para a próxima safra, a pesquisadora sugere atenção. “A manutenção de custos internacionais elevados pode continuar sustentando o preço de referência de importação, criando condições mais favoráveis para a valorização da produção nacional”, complementa. A pesquisadora do IEA acredita que a recuperação e o crescimento da oferta paulista dependerão da capacidade de o produtor obter remuneração suficiente para manter os seringais em produção, investir na renovação das áreas e assegurar a sustentabilidade econômica de uma cultura cujo retorno exige longo prazo de investimento. Neste sentido, o comportamento dos preços nos próximos meses será decisivo, não apenas para a renda imediata do produtor, mas também para definir a capacidade de recuperação e expansão da produção de borracha natural nas próximas safras. “A situação exige que nesse momento, todos os elos da cadeia produtiva dialoguem para fortalecer a organização da cadeia, ampliar a transparência das informações de mercado e defender mecanismos que reduzam as distorções competitivas com a borracha importada”, finaliza.
Índice de preços de importação da borracha
O chamado Índice de Preços de Importação da Borracha é executado pelo Instituto de Economia Agrícola, em conjunto com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O indicador permite que se estabeleça uma política de preços pagos aos produtores mais justa e remuneradora. Anteriormente, o valor a ser pago pela matéria-prima era estipulado por associações de compradores do setor. Em São Paulo, maior produtor nacional, os valores pagos não agradavam muito aos produtores, que vinham se sentindo insatisfeitos com a rentabilidade muito baixa apresentada nos últimos anos, implicando prejuízos à cadeia produtiva.
O índice busca evitar concorrência desleal com os principais fornecedores internacionais, já que, se utilizassem apenas os preços de cotação internacional e não incluíssem todas as outras despesas de importação, aqui no Brasil se pagaria o mesmo preço que em alguns países da Ásia, onde por vezes o produtor é subsidiado e onde pode haver problemas como condições inadequadas de trabalho, degradação do meio ambiente etc. No Brasil, por outro lado, os produtores têm preocupação com todos estes aspectos em sua produção, com sangradores bem remunerados e com condições de trabalho adequadas e atendimento à legislação ambiental. O indicador também possibilita a manutenção da sustentabilidade econômica do negócio no longo prazo, já que a produção dessa cultura só surge a partir do 7º ano, sendo esse período inicial apenas de investimento.
Acesse o índice de preços deste mês e anteriores: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/termoborracha.php