Ricardo Jordão representou o Brasil no 33º World Buiatrics Congress, em Istambul, e passa a liderar entidade internacional dedicada à saúde e ao desenvolvimento da cadeia de bovinos e ruminantes
O Assistente Técnico de Pesquisa e Responsável Técnico pelo Laboratório de Inovação em Produtos Imunobiológicos do Instituto Biológico (IB-APTA), Ricardo Jordão, representou o Brasil no 33º World Buiatrics Congress (WBC 2026), realizado em Istambul, na Turquia. Durante o evento, considerado um dos principais encontros internacionais dedicados à saúde, produção e manejo de bovinos e outros ruminantes, Jordão assumiu efetivamente a presidência da Associação Mundial de Buiatria.
A nomeação marca um momento histórico para a representação brasileira na entidade. Jordão passa a ocupar o cargo como o único presidente da associação fora do eixo Estados Unidos-Europa e inicia um mandato de oito anos. O Assistente Técnico de Pesquisa do Instituto Biológico é integrante da Associação Mundial de Buiatria há mais de 16 anos. “Eu fui ao congresso para representar o Brasil e assumir efetivamente a presidência da Associação Mundial de Buiatria. A partir de agora, começa uma nova etapa, com a formação da comissão que vai trabalhar comigo e com discussões importantes envolvendo a associação mundial e, especialmente, a América Latina”, afirma Jordão.
A Associação Mundial de Buiatria adota um sistema de sucessão presidencial que prevê a convivência de três posições: presidente eleito, presidente efetivo e presidente passado. O modelo busca garantir a continuidade dos trabalhos e evitar rupturas na condução da entidade. Eleito no congresso anterior, Jordão permaneceu como presidente eleito até o encontro na Turquia, quando o italiano Arcangelo Gentile assumiu a condição de presidente passado e ele passou a exercer efetivamente a presidência. A partir de agora, Jordão inicia seu mandato de quatro anos à frente da associação, após um período de dois anos como presidente eleito. Ao final desse ciclo, permanecerá por mais dois anos como presidente passado, contribuindo como consultor da gestão. Dessa forma, o sistema prevê uma transição gradual e mantém a participação do presidente nas atividades da entidade por um período total de oito anos.
Realizado entre os dias 6 e 10 de setembro, o congresso reuniu pesquisadores, médicos-veterinários, estudantes, representantes da indústria e profissionais de diferentes países. A programação abordou temas relacionados à saúde animal, manejo, nutrição, reprodução, doenças e sustentabilidade na produção de bovinos e outros ruminantes.
A buiatria é a área da medicina veterinária voltada aos bovinos e ruminantes. No entanto, seu campo de atuação vai muito além do diagnóstico e tratamento de doenças. “Tudo o que está relacionado a bovinos, búfalos e ruminantes entra dentro da buiatria. Quem trabalha com reprodução, nutrição, manejo, ensino ou sanidade, por exemplo, está inserido nesse universo”, explica Jordão.
Além da posse da nova diretoria, o congresso foi palco de discussões sobre desafios sanitários enfrentados em diferentes partes do mundo. Entre os temas debatidos estiveram enfermidades de impacto internacional, como febre aftosa e encefalopatia espongiforme bovina, conhecida popularmente como doença da vaca louca.
Para Jordão, um dos principais benefícios da participação brasileira em espaços internacionais como esse está no acesso direto às informações e experiências de outros países. “O mais importante é o contato direto. Muitas vezes, você está conversando com a pessoa responsável pela defesa agropecuária de um país ou com quem está enfrentando determinado problema sanitário. É uma informação sem filtro, direto da fonte. Isso ajuda a entender o que está acontecendo no mundo e também pode balizar pesquisas, produtos e soluções que precisamos desenvolver no Brasil”, destaca.
Durante o congresso, também foram discutidas estratégias para ampliar a presença da Associação Mundial de Buiatria em diferentes países. Uma das propostas da nova gestão é selecionar pesquisadores de destaque para atuarem como representantes da entidade em seus territórios, formando uma rede internacional de “embaixadores da buiatria”. A iniciativa deverá reconhecer trabalhos científicos apresentados no congresso e aproximar ainda mais a associação de pesquisadores e instituições de diferentes regiões do mundo.
A participação de Ricardo Jordão no congresso também reforça a presença do Instituto Biológico no debate internacional sobre saúde animal. Com mais de 80 anos de atuação na produção de imunobiológicos veterinários, a instituição é referência no desenvolvimento de soluções para a sanidade dos rebanhos brasileiros.
Recentemente, o Instituto Biológico ampliou e modernizou o Laboratório de Inovação em Produtos Imunobiológicos, em São Paulo, quadruplicando sua capacidade produtiva. A estrutura produz insumos utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose bovina e atende demandas relacionadas aos programas nacionais de sanidade animal.
Atualmente, o Instituto Biológico é o único fabricante público brasileiro de tuberculina e de antígeno de Brucella, materiais utilizados na identificação dessas enfermidades em bovinos. “A gente tem uma experiência muito grande e produtos reconhecidos há décadas. A ideia é entender os problemas de outros países e mostrar que algumas soluções que já funcionam no Brasil podem ser adaptadas e utilizadas em outros lugares. Às vezes, não é preciso começar uma pesquisa do zero. Existe um modelo que funciona, uma experiência consolidada, e isso pode ajudar outros países a resolverem problemas sanitários”, afirma.
Segundo o Assistente Técnico de Pesquisa, essa troca internacional também pode abrir caminhos para novas pesquisas e para a internacionalização das soluções desenvolvidas no Instituto Biológico. “Quando você participa desses encontros, percebe demandas que muitas vezes ainda não chegaram ao Brasil ou identifica soluções práticas que podem ser aplicadas aqui. Isso ajuda a enxergar o mercado e as necessidades de uma forma muito mais ampla”, completa.
SOBRE A APTA
A Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) é o órgão responsável por coordenar as atividades de pesquisa científica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Em sua estrutura estão presentes sete Instituições de Ciência e Tecnologia, com unidades distribuídas por todas as regiões do estado: Instituto Agronômico (IAC), Instituto Biológico (IB), Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca (IP), Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), Instituto de Zootecnia (IZ) e APTA Regional.