Evento é oportunidade para estudantes comunicarem resultados e discutirem trabalhos com a comunidade científica
Finalizado na última sexta, 28, em Campinas, o XX Congresso Interinstitucional de Iniciação Científica – CIIC 2026 segue mantendo seu papel como espaço de comunicação e debate sobre a pesquisa no agro a partir dos trabalhos desenvolvidos por bolsistas dos institutos da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e da Embrapa. Vinculados aos Programas Institucionais de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) e em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti), ambos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), mais de 150 estudantes de graduação apresentaram seus trabalhos nas modalidades oral e pôster, em uma oportunidade de compartilhar resultados originais de pesquisa e fomentar a integração entre as diferentes instituições.
Como comentado pelo assessor técnico do Instituto Agronômico (IAC-APTA), Márcio Chiba, durante a mesa de abertura, todas as instituições participantes têm clareza da importância dos programas de Iniciação Científica (IC), assim como do evento, na formação de novos pesquisadores. “Conduzir pesquisas na prática foi uma das atividades que mais contribuíram para o meu crescimento profissional e pessoal”, relembrou o representante da instituição sede sobre sua própria experiência como bolsista.
Se dirigindo aos estudantes presentes, a presidente do XX CIIC, Giane Serafim, ressaltou que, apesar de parecer curto, o período da bolsa traz ensinamentos para a vida toda. “A experiência que vocês tiveram esse ano será significativamente importante para o futuro de vocês”, disse Giane, que é pesquisadora do Instituto Biológico (IB-APTA), instituição responsável pela coordenação do evento em 2026. Também pesquisador do IB, Mário Sato concordou com a análise. “Vemos que os melhores alunos da nossa pós-graduação foram aqueles que passaram pelo Pibic.”

Falando pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA), a assessora Claire Sarantópoulos pontuou que, muitas vezes, o primeiro contato do estudante com a pesquisa de forma estruturada vem da iniciação científica. Segundo ela, é nesse momento que o aluno entra em contato com um problema, o transforma em uma pergunta científica e, a partir daí, traz todo seu esforço para contribuir com o conhecimento e para o bem-estar da sociedade. “Essa experiência desenvolve pensamento crítico, autonomia, capacidade de resolver problemas e disposição para aprender continuamente”, defendeu Claire, enfatizando ainda o papel de eventos como o CIIC nesse contexto. “Essa é uma etapa fundamental: a comunicação do resultado do trabalho.”
Já para Enilson Ribeiro, coordenador do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), a experiência faz o estudante passar a “enxergar” o mundo científico, o que serve não só para quem vai seguir a carreira acadêmica. “Na iniciativa privada, você também tem que entender de ciência. Saber como um produto foi elaborado, como são feitos os testes”, afirmou. Ribeiro elogiou os estudantes que decidem ir além das aulas da graduação, saindo em busca dos desafios da iniciação científica, muitas vezes em lugares e com orientadores que não conheciam.
Além dos Institutos da APTA, o evento contou com realização conjunta da Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Agricultura Digital e Embrapa Territorial.
Premiação dos trabalhos
Como é tradição no Congresso, todas as apresentações, tanto orais quanto em pôster, foram julgadas por uma comissão de especialistas que avaliou a contribuição de cada trabalho para o campo de pesquisa, assim como o desempenho dos autores na exposição de seus métodos e resultados. De cada Instituição participante, foram escolhidos os 3 melhores trabalhos por modalidade.
Com trabalho na área de melhoramento genético bovino, a estudante de zootecnia Gabriela Gomes Silva foi uma das escolhidas na modalidade apresentação oral. Atuando na unidade do IZ em Sertãozinho, Gabriela analisou a relação entre resiliência e endogamia em machos nelore, o que tem reflexos na área de cruzamentos. “Conforme animais que possuem parentesco são cruzados entre si, isso pode trazer características que a gente não quer para o nosso rebanho, afetado ganho de peso e podendo influenciar características físicas também”, explica a bolsista. Ela conta que os resultados indicaram que o grau de endogamia está controlado no rebanho observado. “O trabalho é muito importante para podermos ter um rebanho do jeito que a gente quer”, resume.
Já Yuri Limeira Freire, estudante de Química no Instituto Federal de São Paulo, foi condecorado entre os melhores paineis do IB. Orientado pelo pesquisador Sergio Monteiro, Freire abordou o impacto do manejo do greening na quantidade de resíduos de agrotóxicos em laranja, tema de grande relevância global, sendo o Brasil o maior produtor mundial da fruta. “O greening é atualmente a principal causa de redução na produção, por isso viu-se a necessidade de avaliar como o manejo da doença está impactando na quantidade dos resíduos de pesticidas nas laranjas que consumimos em nossas casas”, destrincha o bolsista. A pesquisa buscou mensurar resíduos encontrados em amostras de laranjas e correlacioná-los com os pesticidas utilizados no controle do vetor da doença.
Sobre a importância da iniciação científica para sua formação, o futuro químico diz que a experiência o faz querer seguir em frente na carreira de pesquisador. “Fazer um mestrado, um doutorado e continuar na área”, projeta.
Gabriela, que foi orientada no IZ pela pesquisadora Joslaine Cyrillo, também avalia o período como bolsista de forma positiva, citando o aprendizado de novos softwares e outros recursos que não dominava. “Foram várias noites sem dormir, mas valeu a pena!”, brinca.