Encontro promovido pela CATI, em Peruíbe (SP), reuniu 25 participantes para conhecer técnicas de manejo, produção agroflorestal e formas de agregar valor ao cacau da agricultura familiar
Como forma de diversificar a produção e aliar geração de renda à conservação ambiental, o cultivo do cacau em consórcio com bananeiras, juçara, abacateiros e goiabeiras foi um dos destaques do Encontro sobre a Cultura do Cacau em Peruíbe (SP), realizado em 15 de outubro pela Casa da Agricultura de Peruíbe e pela CATI Regional Santos. A atividade reuniu 25 participantes, entre produtores rurais, representantes de comunidades tradicionais, técnicos, produtores de chocolate artesanal e instituições ligadas aos setores agropecuário e ambiental. Realizado no Sítio do Costinha, propriedade familiar que também desenvolve atividades de turismo rural, o encontro contou com palestras, exposição de produtos, demonstração da fabricação de chocolate e visita técnica à área de cultivo.
Os participantes conheceram aspectos do manejo da cultura, como o controle do sombreamento, a conservação do solo e a influência do clima na produção. Também discutiram os custos de implantação do cacau e as possibilidades econômicas do cultivo consorciado com outras espécies.
A produtora de chocolate Lourdes Carvalho, proprietária da marca Cacaubahia e compradora de cacau de agricultores agroecológicos de Peruíbe, apresentou aspectos da produção de chocolate de qualidade. Em seguida, uma demonstração em pequena agroindústria regional mostrou como a transformação do cacau em chocolate pode agregar valor à produção local.
Na visita técnica, o grupo conheceu um Sistema Agroflorestal (SAF) que integra o cacau a bananeiras, juçara, abacateiros e goiabeiras. A propriedade também cria galinhas caipiras para a produção de ovos, combinando diferentes atividades rurais na mesma área.

A programação terminou com o plantio de mudas de cacau, orientado pelo técnico agrícola Osmani de Freitas, da Casa da Agricultura de Peruíbe. Os participantes acompanharam a seleção e o preparo das mudas, a adubação e o tutoramento.
Para o engenheiro agrônomo Luiz Gustavo Valério Villela, responsável pela Casa da Agricultura de Peruíbe, o encontro integra as ações de fortalecimento da cadeia produtiva do cacau no município. Entre as propostas, estão organizar compras conjuntas de mudas e insumos, ampliar a troca de conhecimentos entre produtores e técnicos e incentivar a transição agroecológica.
A produtora rural e agricultora familiar Linda Giovanna Francesconi participou com a filha, de 17 anos. Ela já comercializa cacau em feiras e vê novas possibilidades para a atividade.
“Gostei muito das apresentações. O cacau é muito adaptativo à nossa região e eu já vendo cacau na feira a um preço baixo. Agora sabemos que existem outros mercados e possibilidades”, contou.
Já a produtora de chocolate artesanal Natalia de Carvalho Rodrigues destacou a importância de aproximar agricultores e fabricantes. O contato ajuda a criar parcerias comerciais e a orientar os produtores sobre os cuidados com a colheita, a fermentação e a secagem das amêndoas, etapas importantes para a qualidade do chocolate. “Assim todos saem ganhando”, resumiu.
Segundo Leandro Biral, responsável pela cadeia produtiva do cacau na CATI Regional Santos, a cultura tem potencial para ampliar a renda da agricultura familiar no Litoral Sul, além de conciliar produção e conservação ambiental. As ações do projeto Cacau SP terão continuidade na região, com uma nova atividade prevista para Mongaguá (SP).
