Arranjo inédito entre Governo de SP, Cietec, Wylinka e Impact Hub celebra três anos conectando o patrimônio dos institutos de pesquisa diretamente ao mercado, com 35 deep techs aceleradas e mais de 200 conexões comerciais.
A ciência brasileira sempre foi o motor silencioso que transformou o agronegócio nacional em uma potência global. No entanto, um desafio histórico persistia: como pegar o patrimônio científico acumulado por décadas nos laboratórios e conectá-lo diretamente com a energia ágil do ecossistema de startups e do mercado? A resposta para essa pergunta consolidou-se nos últimos três anos através do AptaHub, que acaba de lançar seu Relatório de Impacto, reunindo dados de dezembro de 2022 a novembro de 2025.
Idealizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) e pela Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), o AptaHub nasceu de um arranjo inédito de governança colaborativa. A iniciativa une as forças públicas à expertise de três das principais Organizações da Sociedade Civil (OSCs) de inovação do país: Cietec, Wylinka e Impact Hub São Paulo. O resultado é uma plataforma viva desenhada para fazer a pesquisa saltar das bancadas direto para as mãos do produtor rural e para as prateleiras do varejo.
“O AptaHub cria pontes entre ciência e mercado, e isso abre portas para projetos super relevantes. É um espaço que incentiva que a pesquisa ganhe vida e se transforme em soluções reais”, destaca Izabela Alvim, pesquisadora do Centro de Tecnologia de Cereais e Chocolate do ITAL (Instituto de Tecnologia de Alimentos).
A Força da rede em números
Em três anos de atuação, o AptaHub provou que a inovação cresce de verdade quando é cultivada intencionalmente. Aprovado pela capilaridade institucional de sete institutos de pesquisa icônicos do estado — IAC, IB, IEA, IP, ITAL, IZ e APTA Regional —, o hub consolidou uma comunidade robusta:
288 membros ativos: Uma engrenagem única formada por pesquisadores, empreendedores e mentores.
Capilaridade no solo paulista: 6 ambientes de inovação e 1 escritório estratégico operando em polos fundamentais. A comunidade divide-se entre o AptaHub Campinas Itapura/IAC (64 membros), Campinas Taquaral/ITAL (57), São Paulo/IB (56), Ribeirão Preto/IZ (48), Santos/IP (47) e Campinas Gramado/IB (16).
Uma Jornada Contínua: formação, aceleração e conexão Comercial
Para solucionar gargalos históricos do setor, como o gap entre pesquisa e mercado, programas genéricos e a falta de rastreabilidade de conexões, o AptaHub estruturou metodologias e programas específicos que acompanham toda a jornada da inovação:
Ciência empreendedora: Através do AptaHub Impulsiona, 83 pesquisadores foram capacitados e transformados em cientistas empreendedores orientados ao impacto real. O ecossistema conta ainda com o programa Multiplicadores, voltado para os Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) e ICTs.
Impulso deeptech: O programa AptaHub Acelera impulsionou 35 startups científicas e tecnológicas, divididas em verticais estratégicas para o futuro do planeta: 18 soluções biotecnológicas, 10 agrodigitais e 7 voltadas ao clima (climatechs). Para isso, foram injetadas mais de 90 horas de mentorias individuais, conectando mais de 60 startups a cientistas da APTA.
Maturidade comercial: O AptaHub Conecta aproximou o ecossistema das grandes corporações, gerando 211 conexões qualificadas, com a participação de 121 startups e 34 pesquisadores em 39 desafios de inovação abertos pelo mercado.
Impacto na prática: Histórias de sucesso
Para além das estatísticas, o relatório traduz como o ecossistema ganha vida por meio da sustentabilidade, economia circular e resiliência climática:
Economia circular em Ribeirão Preto: A sinergia entre a startup AQUi9 e cientistas do Instituto de Zootecnia (IZ) resultou na aprovação de um projeto PIPE/FAPESP (julho de 2025) para transformar efluentes de piscicultura em fertilizantes líquidos de alta eficiência.
Soluções para grandes cadeias: A conexão de comunidade levou a startup Quality in Lab a firmar um contrato (agosto de 2025) com a Italac, prestando consultoria especializada em normas internacionais (ISO 17025) para os laboratórios de qualidade de uma das maiores indústrias de laticínios do país.
Resiliência climática via consórcio: As startups Agropixel, IDEGeo, Prometeus e Sea Carbon uniram-se a pesquisadores do IZ e do IAC. A união viabilizou um projeto robusto do CCD/FAPESP (setembro de 2025) focado em monitorar e recuperar pastagens degradadas em São Paulo utilizando Inteligência Artificial e drones.
O AptaHub consolida-se, assim, como uma vitrine de credibilidade científica sem paralelos no ecossistema brasileiro. Para startups, encurta o caminho jurídico e operacional até o capital intelectual de ponta. Para corporações, garante acesso antecipado a tecnologias validadas em laboratórios de referência. E para a sociedade, firma-se como a prova viva de que a ciência pública, quando orquestrada com eficiência e colaboração, gera riqueza sustentável, emprego e inovação soberana para o Brasil.
Confira o Relatório de Impacto do AptaHub na íntegra.
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