Secretaria de
Agricultura e Abastecimento

Do quintal ao referencial tecnológico: biólogo transformou 1.200 colmeias em modelo de negócio sustentável

Do quintal ao referencial tecnológico: biólogo transformou 1.200 colmeias em modelo de negócio sustentável

Com passagem pelos institutos de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, apicultor integrou ciência e prática no campo

Em um cenário onde a apicultura paulista floresce com um crescimento de 22% em 2024, alcançando a marca de 6.772 toneladas de mel, histórias como a de Celso Ribeiro Cavalcanti de Souza explicam por que o setor se tornou estratégico para o desenvolvimento rural de São Paulo. Proprietário da Estação do Mel, em Pindamonhangaba, Celso é exemplo da união entre o conhecimento na prática e a alta tecnologia.

A força do setor é celebrada anualmente em 17 de março, o Dia do Mel. A data não é apenas uma homenagem ao produto, mas um momento de conscientização sobre o papel vital das abelhas na segurança alimentar e na manutenção dos ecossistemas. Para produtores como Celso, a data reforça a importância de profissionalizar a cadeia produtiva para garantir que o mel brasileiro continue sendo reconhecido por sua pureza e propriedades medicinais.

A ciência a serviço do campo

A trajetória de Celso com as abelhas começou cedo, aos 10 anos, manejando uma pequena colmeia de abelhas sem ferrão no quintal de casa. Criado em uma região de forte vocação apícola, vizinha ao hoje Instituto Biológico (antigo Centro de Apicultura Tropical), ele viu o interesse de infância virar profissão. Formou-se técnico em agropecuária pelo Colégio Agrícola de Jacareí e, mais tarde, graduou-se em Biologia e Farmácia.

O grande diferencial de Celso foi a capacidade de transitar entre dois mundos que nem sempre se comunicam: a pesquisa acadêmica e a lida pesada no campo. Durante 14 anos, ele atuou na Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), cuidando do plantel de seleção genética de abelhas rainhas.

“Eu tive um diferencial importante: trabalhei na prática como produtor e, simultaneamente, dentro do maior centro de pesquisa de abelhas africanizadas do mundo”, revela Celso. Enquanto contribuía para a ciência do estado, ele estruturava seus próprios apiários, chegando a manejar 1.200 colmeias com tecnologia de ponta.

Estação do Mel: inovação e valor agregado

Hoje, a Estação do Mel é um modelo de verticalização. Localizada estrategicamente próxima ao eixo turístico de Santo Antônio do Pinhal e Campos do Jordão, a empresa não apenas produz mel, pólen e própolis, mas também aposta no turismo de experiência. Visitantes podem vivenciar “um dia de apicultor”, participando de cafés da manhã temáticos e dias de campo.

Mas Celso, com sua formação farmacêutica, foi além. Ele desenvolveu linhas exclusivas de:

  • Bebidas: Vinho, cachaça e vinagre de mel;
  • Cosméticos: Shampoos, cremes e sabonetes à base de produtos da colmeia;
  • Apiterapia: Tratamentos de saúde que utilizam desde a ingestão de própolis até a inalação do ar da colmeia e massagens detox com mel.

Futuro sustentável

Dados do Instituto de Economia Agrícola e da Defesa Agropecuária, da Secretaria de Agricultura, indicam a existência de mais de 235 mil colmeias de abelhas africanizadas (com ferrão) e 1.926 apiários, com produção anual de 5,15 mil toneladas. Já as abelhas nativas (sem ferrão) são mais de 30 mil colmeias, distribuídas em mais de 3 mil meliponários. 

Existem 240 mil colmeias de abelhas africanizadas e mais de 30 mil de abelhas nativas no estado. Como destaca Carolina Matos, especialista da CATI, o setor gera emprego no campo enquanto preserva a biodiversidade por meio da polinização.

“São Paulo vem mostrando que é possível crescer com responsabilidade ambiental. O avanço da apicultura e da meliponicultura no Estado gera emprego no campo, fortalece a economia local e, ao mesmo tempo, contribui diretamente para a conservação ambiental, por meio da polinização e da preservação da biodiversidade”, afirma Carolina Matos, especialista ambiental da CATI.

Para Celso, entusiasta de uma vida natural, o objetivo é continuar expandindo. “O futuro é transformar isso em uma grande empresa em nível mundial”, projeta. Com 56 anos e uma vida dedicada ao zumbido das abelhas, ele prova que o agronegócio paulista ganha força quando a ciência de laboratório encontra o suor do produtor rural.

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