CATI recebeu 395 amostras produzidas por cafeicultores de 80 municípios paulistas
A Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) recebeu 395 amostras de cafés, em cinco categorias, para o 25.º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo, promovido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O número de inscritos é recorde nos últimos cinco anos. Depois de classificadas, as amostras de grãos de arábica e canephora foram encaminhadas ao Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-APTA), em Campinas (SP), onde já estão sendo avaliadas pela Comissão Classificadora e Julgadora do certame.
De 5 a 9 de outubro, as 387 amostras classificadas passam pela torra com seis mestres e, na sequência, seguem para a etapa de provas, quando 10 provadores profissionais as avaliam sensorialmente.
O concurso elegerá os melhores cafés nas categorias natural, cereja descascado, fermentado e orgânico, para cafés arábica, e na categoria natural, para cafés canephora. Estão concorrendo cafeicultores de 80 municípios paulistas. As provas estão sendo realizadas no Ital e a cerimônia de premiação está prevista para novembro.
Números impressionam
“Neste ano, produtores de todo o estado enfrentaram muitas adversidades climáticas. Mesmo assim, superamos os números de inscritos e municípios participantes em 2026. Isso demonstra a força da cafeicultura paulista, que, cada vez mais, produz cafés de excelente qualidade”, afirma a diretora da CATI, Fabiana Gouvêa.
Participam da organização do certame, além da CATI, a Câmara Setorial de Café; a Diretoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro); a Defesa Agropecuária; a Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), por meio de seus institutos APTA REGIONAL, Ital e Instituto Agronômico (IAC-APTA); a Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag); além de sindicatos e associações do setor.
Em 2025, a Comissão Classificadora e Julgadora contabilizou 391 amostras recebidas; dessas, 376 foram selecionadas para provas. Naquele ano, o número de municípios participantes foi 77.

Cultivada principalmente no outono e inverno, a aveia-preta é uma alternativa para formação de palhada, cobertura do solo e alimentação animal
Cultura de ciclo relativamente curto, que vai muito além da produção de grãos, a aveia-preta é utilizada, na agricultura, como planta de cobertura, na formação de palhada e também como opção de forragem para os animais, especialmente durante o período de outono e inverno, quando outras pastagens apresentam menor desenvolvimento.
A CATI Sementes e Mudas, da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, produz e comercializa sementes de aveia-preta da cultivar Embrapa 29 (Garoa), oferecendo aos produtores uma alternativa adaptada às condições de cultivo do estado de São Paulo. A cultura pode integrar sistemas de produção que buscam proteger o solo, melhorar suas condições físicas e contribuir para o manejo das áreas agrícolas.
“Entre os principais objetivos do cultivo está a formação de cobertura vegetal sobre o solo. A palhada deixada pela aveia ajuda a protegê-lo contra o impacto direto das chuvas e a erosão, além de contribuir para a conservação da umidade. Quando utilizada em sistemas de plantio direto ou em rotação de culturas, também participa da ciclagem de nutrientes e da melhoria da qualidade do solo, além de controlar plantas invasoras e aumentar a produtividade das culturas subsequentes como milho e soja”, explica o engenheiro agrônomo Ricardo Manfredini Requejo, chefe da Divisão de Sementes de Taubaté.
Para o produtor que utiliza a aveia como forragem, a cultura representa ainda uma alternativa para ampliar a oferta de alimento aos animais durante o inverno. Seu desenvolvimento vegetativo permite o aproveitamento da massa produzida antes da formação das sementes, conforme o sistema de produção e o manejo adotado na propriedade.
No estado de São Paulo, a aveia-preta é tradicionalmente cultivada durante o período mais frio e seco do ano. A época de semeadura varia de acordo com a região, condições de solo, disponibilidade de água e objetivo do cultivo, mas, de maneira geral, o plantio ocorre no outono, aproveitando as condições de umidade do solo após o início das chuvas, de acordo com Ricardo.
O agrônomo recomenda ao produtor que, antes da implantação da cultura, considere as características da área, faça o preparo ou manejo adequado do solo e utilize sementes de boa qualidade e procedência. A definição da quantidade de sementes e do manejo deve levar em conta a finalidade da lavoura e as recomendações técnicas para a cultivar e a região. Mais orientações podem ser obtidas com os técnicos da CATI nas Casas da Agricultura, unidades regionais ou unidades da CATI Sementes e Mudas.
“A aveia-preta é uma cultura muito interessante para o produtor porque pode cumprir diferentes funções dentro da propriedade. Ela pode ser utilizada para cobertura e proteção do solo, produção de palhada e também como forragem. O importante é que o agricultor defina previamente qual é o objetivo do cultivo e faça o planejamento da implantação e do manejo de acordo com as condições da sua propriedade e da região”, enfatiza.
No município de Socorro, no interior paulista, o produtor Adriano Mossoró, do Sítio Mosso, no bairro Jaboticabal, cultiva quatro hectares de aveia-preta, com sementes adquiridas da CATI Sementes e Mudas. O desenvolvimento da lavoura tem chamado atenção do agricultor.

Adriano compartilha a evolução das plantas e comemora o resultado com o técnico da CATI, Rodrigo Binotti, chefe da Casa da Agricultura de Socorro, que acompanha a propriedade. “Que coisa linda! Está dando as flores dela agora, na altura do meu peito”, orgulha-se o agricultor.

A qualidade da aveia também agradou aos produtores Luiz Batista Bustos e Antônio Carlos Neli, do Sítio Ouro Verde, em Tremembé (SP). Assentados, eles cultivaram aveia-branca e aveia-preta para produção de silagem e obtiveram resultados considerados muito positivos, uma alternativa para a produção de volumoso de qualidade para a alimentação dos animais.

Os relatos mostram, na prática, o potencial de desenvolvimento da cultura quando implantada e manejada de acordo com as condições da propriedade.
Para o agricultor paulista, a aveia-preta, mais do que uma cultura de inverno, é uma ferramenta de manejo e conservação do solo, produção de biomassa e diversificação do sistema produtivo. Com planejamento e orientação técnica, pode integrar diferentes estratégias de produção e contribuir para o aproveitamento das áreas agrícolas ao longo do ano.
Serviço
A CATI Sementes e Mudas produz e comercializa sementes de aveia-preta Embrapa 29 (Garoa). Produtores interessados podem buscar informações sobre disponibilidade, aquisição e recomendações de cultivo junto às unidades da CATI.
A Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) sediou, na última terça-feira (30), uma reunião ordinária da Câmara Setorial do Café de São Paulo. O encontro foi acompanhado por 63 pessoas, sendo 42 de modo presencial. “É uma alegria estar com vocês e que consigamos materializar tudo o que o Estado projeta para a cafeicultura paulista”, afirmou o presidente da Câmara, Ademar Pereira, em seu discurso de boas-vindas aos participantes.
As pautas da reunião foram: 25º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo; produção e disponibilidade de mudas em viveiros; projeto QualiCaféSP; programa Canephora.SP; Rotas do Café; linhas de financiamento disponíveis por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap); certificações e Indicações Geográficas (IGs) de regiões cafeeiras.
Gestor do QualiCaféSP, Osmar de Almeida Júnior explicou que esse projeto incentiva as Regionais da CATI a promoverem unidades demonstrativas como exemplos de boas práticas de produção cafeeira. Segundo ele, o estado contabiliza 210 mil hectares de cafés, cultivados por cerca de 12.700 unidades produtivas. “Das nossas 40 regionais, 35 contam com cafeicultura. Agora, vamos trabalhar para promovê-las como unidades demonstrativas de produção”, disse.
A apresentação sobre o concurso ficou a cargo do chefe de divisão da Regional de Franca, Geraldo Nascimento Junior. Como o lançamento da 25ª edição do certame também foi realizado ontem, coube ao engenheiro agrônomo da CATI salientar os critérios de eliminação e que os competidores poderão concorrer com apenas uma amostra em cada categoria.
O chefe de serviço da Defesa Agropecuária, Danilo Romão, falou sobre a importância da certificação de mudas de café no estado. Responsável pelo Programa Estadual de Sanidade na Produção de Materiais de Propagação, Romão informou que é proibida a venda ambulante de mudas de café no território paulista e que, atualmente, há 178 viveiros cadastrados pela Defesa. Na reunião, os participantes reconheceram que é necessária a manutenção do programa de sanidade no setor.
O pesquisador da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), Fernando Nakayama, conduziu a apresentação sobre o Canephora.SP, que incentiva à produção das espécies conilon e robusta no estado. O pesquisar destacou que os clones selecionados pelo programa já estão sendo indicados a produtores por técnicos da CATI.
Também da APTA, a pesquisadora Raquel Nakazato Pinotti apresentou as Rotas do Café e as IGs de regiões cafeeiras, que estão colaborando o desenvolvimento do turismo rural no Estado de São Paulo. “Para a Câmara, certificações como essas são essenciais ao setor”, ressaltou Osmar.
O secretário-executivo do Feap, Felipe Alves, mostrou as sete linhas de crédito disponíveis aos produtores rurais, destacando a de incentivo à Produção Vegetal e a de fomento ao Desenvolvimento Rural Sustentável. Essas duas linhas são voltadas aos cafeicultores, que podem procurar as unidades da CATI para obter mais informações a respeito do acesso ao crédito rural. Por meio do Feap, já foram disponibilizados aproximadamente 20 milhões de reais em financiamentos envolvendo produções de café.



Projeto Fazendinha Feliz, que completou 15 anos no dia 15/6, fortalece a conexão entre escola, natureza e sustentabilidade, ampliando o alcance da educação ambiental para novas gerações
Mais de 50 educadores da rede municipal de ensino de Campinas participaram de mais um ciclo de formação promovido pelo Centro de Educação Ambiental – Fazendinha Feliz, projeto desenvolvido na CATI que vem cultivando conhecimento, consciência ambiental e cidadania por meio de experiências práticas em contato com a natureza.
A programação proporcionou uma imersão em diferentes espaços educativos do projeto, incluindo a horta, o Parque das Abelhas e o Horto de Plantas Medicinais e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC). As atividades foram conduzidas pelo engenheiro agrônomo Osmar Mosca Diz.
Em visita ao projeto, a diretora da CATI Fabiana Gouvea, participou da recepção dos educadores e em sua fala de boas-vindas, ela destacou a relevância do projeto e anunciou boas notícias, com o desejo de ampliação das ações para além do município de Campinas. “O trabalho da extensão rural tem um caráter educacional muito forte. Ao conhecermos mais de perto os frutos que estão sendo colhidos na Fazendinha Feliz, semeamos aqui a ideia de levar este projeto para outros municípios, como uma vitrine e exemplo de educação ambiental, educação para a alimentação saudável e do trabalho do agricultor familiar. Estou muito feliz pelo trabalho desenvolvido aqui e como filha de professora, por ver tantos professores aqui”, frisou, agradecendo a cada educador presente e enaltecendo seu papel como multiplicadores do saberes e conhecimento que promove a conscientização de crianças e jovens.
Na ocasião, a diretora da CATI também fez outro anúncio relevante para o fortalecimento do projeto, que foi o apoio à retomada da realização da Feira Agroecológica e Educativa da CATI (atividade que nasceu no âmbito da Fazendinha Feliz) quinzenalmente na sede. “Essa foi uma excelente notícia para todos aqueles que poderão consumir produtos de qualidade e para os nossos feirantes, que foram aqui representados pela especialista em fitoterápicos, Vilene Braga, que entregou uma amostra dos diversos produtos para a diretora, que se mostrou entusiasmada com a diversidade e qualidade”, comenta Osmar, reforçando que a Feira terá a sua próxima edição no dia 10/8.
Para Osmar, a formação vai além da transmissão de conteúdos, promovendo experiências capazes de inspirar novas práticas pedagógicas. “Quando os educadores vivenciam a natureza de forma prática, observando os ciclos da vida, a importância dos polinizadores, o cultivo de alimentos e a biodiversidade presente em cada espaço, eles levam para a sala de aula muito mais do que informação. Levam vivência para as crianças e os jovens e experiências práticas para despertar nos alunos, amor e respeito pela terra, pela alimentação saudável e a compreensão de que todos somos responsáveis pelo meio ambiente”.
Os professores participantes foram unânimes em destacar o impacto da experiência para o trabalho desenvolvido nas escolas. “Essa vivência nos aproxima de temas que muitas vezes abordamos apenas na teoria. Estar em contato direto com a horta, conhecer as PANCs, entender a importância das abelhas e das práticas sustentáveis amplia nosso repertório e nos ajuda a tornar as aulas mais significativas. Voltamos para a escola com novas ideias, mais conhecimento e motivação para trabalhar a educação ambiental de forma integrada ao cotidiano dos alunos”.
Ao longo do encontro, os participantes puderam conhecer práticas de cultivo sustentável, manejo agroecológico, plantas medicinais, alimentação saudável e conservação da biodiversidade, reforçando o papel da educação ambiental como ferramenta essencial para a construção de uma sociedade mais consciente e comprometida com o futuro do planeta. A iniciativa reafirma o compromisso da CATI, que completou 59 anos no último dia 20/6, com a extensão rural, a educação e a sustentabilidade, fortalecendo parcerias com os municípios e contribuindo para a formação de educadores que são agentes de transformação junto às novas gerações.



Evento reuniu produtores, pesquisadores, extensionistas, empresas e investidores em São José do Rio Preto para discutir tecnologia, inovação e oportunidades de mercado, reforçando o papel estratégico do Projeto Cacau SP na expansão da cultura no estado
O Seminário Cacau Paulista 2026 reuniu, no dia 25 de junho, no Auditório Acirp “Anatol Konarski”, em São José do Rio Preto, os principais agentes da cadeia produtiva do cacau em um encontro voltado ao fortalecimento e à expansão da cultura no estado de São Paulo. Organizado pela Associação Comercial e Empresarial de São José do Rio Preto (Acirp), com correalização da CATI e de parceiros, a primeira edição do evento se mostrou um importante espaço para a difusão de conhecimento técnico, integração entre instituições e construção de novas oportunidades para o setor.
Produtores rurais, extensionistas, pesquisadores, empresas, representantes da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), investidores e lideranças do agronegócio participaram de uma programação dedicada aos desafios e às perspectivas da cacauicultura paulista, reforçando o potencial de São Paulo — especialmente da região Noroeste Paulista — como uma das novas fronteiras da produção nacional de cacau.
Ao longo do seminário, especialistas de diversas regiões do país, como os pesquisadores da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac/Mapa), George Sodré e Adonias Castro Filho, apresentaram conteúdos sobre implantação de lavouras, manejo, irrigação, nutrição, pós-colheita, industrialização e comercialização. As palestras evidenciaram que a adoção de tecnologias e Boas Práticas Agrícolas é determinante para elevar a produtividade, melhorar a qualidade das amêndoas e ampliar a rentabilidade dos produtores.
Além da atualização técnica, o encontro promoveu a aproximação entre pesquisa, extensão rural, setor produtivo e iniciativa privada, estimulando novos negócios e fortalecendo a integração entre todos os elos da cadeia produtiva. A cultura do cacau foi apresentada como uma alternativa estratégica para diversificação das propriedades rurais, agregação de valor, geração de renda, empregos e desenvolvimento regional.
A realização do seminário também evidenciou o papel da CATI – como executora do Projeto Cacau SP da Secretaria de Agricultura e Abastecimento – na promoção da inovação e da assistência técnica aos produtores, contribuindo para a implantação e consolidação da cacauicultura paulista por meio da transferência de tecnologias, da capacitação e da articulação entre instituições públicas e privadas.



Balanço positivo e perspectivas para o setor
Para os organizadores, o Seminário Cacau Paulista 2026 atingiu plenamente seus objetivos ao reunir os principais atores envolvidos no desenvolvimento da atividade. “Pode-se dizer, que o Seminário Cacau Paulista 2026 se consolidou como um importante fórum para o planejamento do crescimento da cadeia produtiva, demonstrando que o cacau representa uma atividade tecnicamente viável, economicamente promissora e alinhada às demandas de um agronegócio cada vez mais inovador e sustentável”, destacou André Seixas, vice-presidente da Acirp, acrescentando que a realização do evento reforça que o fortalecimento da cacauicultura depende da cooperação entre instituições, produtores, empresas e investidores. “Com essa união de esforços, São Paulo avança de forma consistente para se consolidar como um dos principais polos emergentes da produção de cacau de qualidade no Brasil”.
Para Fernando Miqueletti, chefe da CATI Regional São José do Rio Preto e integrante do Grupo Técnico de Cacau da CATI, o sucesso do seminário demonstra a força da integração entre as instituições comprometidas com o desenvolvimento sustentável do agronegócio paulista. “A parceria entre a CATI e a Acirp foi fundamental para reunir produtores, pesquisadores, empresas, investidores e lideranças em torno de um objetivo comum: fortalecer a cacauicultura paulista. A Acirp proporcionou uma excelente estrutura e contribuiu decisivamente para que o evento alcançasse um elevado nível de organização, enquanto a CATI reafirmou seu compromisso de levar conhecimento, assistência técnica e inovação aos produtores rurais. Essa integração entre extensão rural, setor produtivo e iniciativa privada é o caminho para transformar oportunidades em resultados concretos”.
Miqueletti destacou ainda que, o grande interesse do público e a qualidade dos debates demonstram que São Paulo reúne todos os fatores necessários para assumir posição de destaque na produção nacional de cacau. “Temos condições técnicas, climáticas e profissionais para consolidar o estado como referência nacional na produção de cacau de alta qualidade. O seminário deixa um legado importante de conhecimento, novas parcerias e perspectivas de investimentos, fortalecendo o trabalho que a CATI vem desenvolvendo junto aos produtores”.
Sobre o momento vivido pela cacauicultura paulista, Miqueletti destaca a importância do Projeto Cacau SP da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e executado pela CATI, que tem se firmado como uma estratégia de longo prazo que impulsiona essa transformação e contribui para que o estado de São Paulo venha a ocupar um espaço cada vez mais relevante na cacauicultura brasileira, sempre com foco em inovação, sustentabilidade, diversificação de atividades e geração de oportunidades no campo. “O Cacau SP tem sido uma mola propulsora nesse cenário promissor. Por meio dele, a CATI atua na implantação de vitrines tecnológicas, na capacitação de técnicos e produtores, na difusão de tecnologias adaptadas às diferentes regiões paulistas e na articulação com instituições de pesquisa e parceiros estratégicos. Esse trabalho tem proporcionado mais segurança aos agricultores que desejam investir na cultura, reduzindo riscos, aumentando a eficiência produtiva e criando uma base sólida para o crescimento sustentável da cadeia”.

Criada em 20 de junho de 1967, a Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA-SP), comemorou seu 59º aniversário ontem (30), em cerimônia realizada em Campinas. Durante o evento, também foram lançados o 25º Concurso Estadual Qualidade do Café e uma publicação técnica focada em boas práticas na colheita e pós-colheita do café.
Em mesa composta pelo secretário da SAA-SP, Geraldo Melo Filho; pelo secretário-executivo da pasta, Diógenes Kassaoka; pelo subsecretário de Agricultura, Luiz Henrique Barrochelo; pelo subsecretário de Abastecimento, Sergio Augusto Peres Duailibe; pela diretora da CATI, Fabiana Gouvêa; e pelo presidente da Câmara Setorial do Café, Ademar Pereira; as lideranças da SAA lembraram da história consolidada ao longo dos 59 anos da Diretoria.
Na abertura da cerimônia, Fabiana externou sua felicidade pela data e destacou os servidores do órgão. “É uma enorme alegria celebrar, ao lado de vocês, os 59 anos da CATI. Mais de 5 mil funcionários já se dedicaram à nossa instituição. Hoje, somos aproximadamente 900 colaboradores – presentes na sede, aqui em Campinas, nas 40 Regionais, nas mais de 500 Casas da Agricultura e na coordenadoria de Sementes e Mudas. Juntos, seguimos levando assistência técnica, inovação e desenvolvimento para praticamente todos os municípios paulistas, mantendo a CATI como referência em extensão rural no Brasil”, afirmou a diretora.
Barrochelo parabenizou a CATI pelo seu 59º aniversário e pontuou os caminhos para o apoio contínuo ao produtor rural. Já o secretário da SAA lembrou a importância dos municípios para a realização do trabalho da Diretoria. “A agricultura acontece dentro das propriedades e, nessa ponta, estão os municípios. É neles que a CATI atua e onde os produtores vivem. Neste momento, aproveito para agradecê-los pela parceria com o agro paulista. Que os municípios saibam do nosso reconhecimento e da importância que nós damos para essa relação”, enfatizou Melo Filho.
“O Produto Interno Bruto [PIB] do agronegócio do Estado de São Paulo é de 657 bilhões de reais. Isso representa quase ¼ do PIB do agronegócio do Brasil. Quase 1/3 das agroindústrias do país estão instaladas aqui. Enxergo como grande diferencial do agro de São Paulo a qualidade do seu produtor, por ser capaz de absorver o conhecimento. Nesse sentido, a CATI tem um papel essencial, com seu trabalho de assistência e extensão. Agradeço a cada técnico pelos serviços prestados em favor do agro paulista”, concluiu o secretário.

A cerimônia na íntegra foi transmitida ao vivo, e pode ser assistida aqui.
O mês que engloba o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5/6, ganhou uma semana inteira de programação com ações integradas em prol da conservação ambiental, da agricultura sustentável e da educação ambiental
Em uma programação que reuniu pesquisadores, produtores rurais, estudantes, instituições públicas e privadas, a CATI Regional Botucatu promoveu uma série de atividades voltadas à conservação do meio ambiente, ao fortalecimento da agricultura sustentável e à conscientização das novas gerações. Realizadas entre os dias 22 e 26 de junho, as ações marcaram as comemorações do Mês do Meio Ambiente, intitulado “Junho Verde” e reforçaram o compromisso da CATI, que completou 59 anos no último dia 20 de junho, com o desenvolvimento rural sustentável, o fortalecimento da agricultura paulista, o estímulo à inovação, a conservação os recursos naturais e transformação de vidas, por meio da assistência técnica e da extensão rural.
A semana foi construída por meio de uma ampla articulação institucional, envolvendo a CATI, a Prefeitura Municipal de Botucatu, a Unesp Botucatu, a Câmara Setorial e Temática (CPL) de Apicultura do Polo Cuesta, as empresas GeoApis e Telegramma – Agentes Biológicos, além de unidades da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, representadas pelo Instituto Agronômico (IAC) de Jundiaí, pela APTA Regional de Pindamonhangaba e pelo Instituto Biológico.
Para o chefe da CATI Regional Botucatu, Ricardo Chiarelli, a iniciativa demonstra que os desafios ambientais exigem atuação integrada entre diferentes setores da sociedade. “A conservação ambiental e o desenvolvimento rural caminham juntos. Reunimos instituições de pesquisa, poder público, produtores, empresas, educadores e estudantes porque acreditamos que as soluções para os desafios atuais passam pelo conhecimento, pela cooperação e pela construção coletiva. Esta semana simboliza exatamente o papel da CATI: levar tecnologia, assistência técnica e promover o desenvolvimento sustentável dos territórios, bem como conscientização sobre o tema para toda a sociedade”.
Programação contou com atividades teóricas e práticas
A programação foi aberta com palestras e uma roda de estudos sobre plantas medicinais e fitoterápicos, conduzidas pela pesquisadora da APTA Regional Pindamonhangaba, Sandra Maria Pereira da Silva, com a participação de autoridades, médicos e representantes da comunidade. “O encontro discutiu a construção de uma Política Municipal de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, fundamentada nas políticas públicas já existentes e voltada à promoção da saúde e da valorização da biodiversidade regional”, informa Luciana Calore, engenheira agrônoma da CATI Regional Botucatu, uma das organizadoras do evento.




Na sequência, especialistas promoveram debates sobre alimentação saudável, agricultura familiar e meio ambiente. Os engenheiros agrônomos Paulo Croisfelts, instrutor do Senar/SP, e Rafael S. Capra, da CATI Regional Jaú, abordaram a importância da saúde do solo, destacando práticas de manejo baseadas em sistemas agrícolas equilibrados, na remineralização e nos circuitos curtos de comercialização, fortalecendo a agricultura familiar.
Segundo Flávio Chueire, engenheiro agrônomo da CATI Regional Botucatu e um dos organizadores do evento, a importância do tema no evento se deve ao fato de que, conservar o solo é investir diretamente no futuro da produção agrícola. “O solo é um organismo vivo e representa o principal patrimônio do produtor rural. Quando adotamos práticas conservacionistas, promovemos maior equilíbrio ecológico, aumentamos a resiliência dos sistemas produtivos e garantimos alimentos de qualidade para as próximas gerações. Produzir e conservar deixaram de ser objetivos distintos; hoje são condições inseparáveis para uma agricultura sustentável”.


Dia de Campo trouxe o planejamento da propriedade para o debate
Um dos destaques da programação foi o Dia de Campo realizado no Sítio Unieco, em Botucatu, sobre Planejamento Funcional da Propriedade Rural e suas inter-relações com os polinizadores. A atividade contou com a participação do pesquisador Afonso Peche Filho, do Instituto Agronômico (IAC), referência nacional em conservação do solo e planejamento conservacionista da propriedade rural.
Durante o encontro, produtores rurais e técnicos puderam compreender a propriedade como um mosaico de paisagens, em que áreas produtivas, fragmentos florestais, recursos hídricos e ambientes destinados aos polinizadores desempenham funções ecológicas complementares.
De acordo com Peche, o planejamento funcional representa uma mudança de paradigma na forma de enxergar o espaço rural. “A propriedade rural precisa ser compreendida como um sistema integrado. Cada ambiente possui uma função ecológica e produtiva que contribui para o equilíbrio do conjunto. Quando planejamos respeitando essas interações, fortalecemos a conservação do solo, protegemos os recursos naturais, favorecemos os polinizadores e tornamos a produção agrícola mais eficiente, resiliente e sustentável”.

Programação contou um espaço dedicado às abelhas
As atividades foram encerradas com uma intensa programação dedicada às abelhas, reconhecidas como importantes bioindicadores da qualidade ambiental. Durante os dias 25 e 26 de junho foram realizadas palestras em escolas municipais e encontros técnicos abordando a identificação das abelhas nativas presentes nas praças centrais de Botucatu, sua importância para os ecossistemas e os desafios relacionados à mortalidade desses insetos.
As discussões também trataram das alternativas para harmonizar as atividades agropecuárias com a conservação dos polinizadores, demonstrando que é possível construir sistemas produtivos que conciliem produção, biodiversidade e sustentabilidade.
A educação ambiental teve papel central na programação. O engenheiro agrônomo Osmar Mosca Diz, responsável pelo Centro de Educação Ambiental Fazendinha Feliz, da CATI (que completou 15 anos no dia 15/6), conduziu atividades voltadas aos estudantes do município, despertando o interesse das crianças e dos jovens pela conservação da natureza, pelo papel das abelhas e pela importância da agricultura sustentável. Além disso, ele também participou de reuniões com criadores de abelhas, pesquisadores e extensionistas, destacando que o encontro foi produtivo. Para Osmar, formar cidadãos conscientes é um dos caminhos mais eficazes para promover mudanças duradouras. “A educação ambiental reaproxima os estudantes da natureza, da qual fazemos parte imanente e mostra que cada pessoa pode e deve contribuir para a conservação dos bens naturais e para uma sociedade mais sustentável, mais feliz e saudável para todos”, destaca,

Segundo os organizadores do evento, Flávio Chueire e Luciana Calore, mais do que uma programação comemorativa, o “Junho Verde” consolidou uma rede de cooperação entre pesquisa, extensão, poder público, iniciativa privada e comunidade, demonstrando que a construção de um futuro mais sustentável depende da atuação conjunta de todos os setores da sociedade.
Estudo une ciência, experiência de campo e políticas públicas para identificar áreas prioritárias de conservação, fortalecer a produção sustentável e proteger os mananciais que abastecem milhões de paulistas
A erosão do solo é um dos principais desafios para a conservação dos recursos naturais e para a segurança hídrica no Vale do Paraíba paulista. Preocupados com os impactos da erosão do solo sobre a disponibilidade e a qualidade da água no Vale do Paraíba paulista, pesquisadores do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), técnicos da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), por meio de seu Grupo Técnico de Conservação do Solo e da Água, apoio de pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente e Embrapa Territorial, bem como do Instituto Agronômico (IAC) estão unindo esforços para desenvolver um amplo estudo que permitirá dimensionar os impactos ambientais, sociais e econômicos da erosão na região e subsidiar políticas públicas mais eficientes para a segurança hídrica da região.
A iniciativa reúne o conhecimento científico das instituições de pesquisa com a experiência acumulada pelos extensionistas da CATI, que há décadas atuam junto aos produtores rurais do Vale do Paraíba promovendo a implantação de práticas conservacionistas, recuperação de áreas degradadas, adequação ambiental das propriedades e planejamento do uso sustentável das terras. Com mais de 1,38 milhão de hectares, a porção paulista da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul abriga uma das regiões urbano-industriais mais importantes do Brasil, onde vivem mais de 2,4 milhões de pessoas. Além da relevância econômica, a Bacia desempenha papel estratégico no abastecimento de água, alimentando os reservatórios de Paraibuna/Paraitinga, Santa Branca e Jaguari, que abastecem os municípios do Vale do Paraíba e contribuem para o Sistema Cantareira.

O Vale do Paraíba paulista possui extensas áreas urbanizadas e áreas rurais sensíveis, importantes para o abastecimento de água urbano
Um desafio histórico que exige soluções integradas
A configuração do território, marcada por relevo acidentado e extensas áreas ocupadas por pastagens degradadas, favorece processos erosivos que comprometem a infiltração da água no solo, aceleram o assoreamento dos rios e elevam os custos do tratamento da água destinada ao abastecimento público.


Topografia que favorece processos erosivos e ocupação agrícola de baixa cobertura do solo, problemas recorrentes no Vale do Paraíba paulista
Segundo Antoniane Arantes, líder do Grupo Técnico de Conservação do Solo e da Água da CATI, a degradação atual é resultado de um processo histórico de ocupação do território que precisa ser enfrentado por meio da integração entre assistência técnica, pesquisa e políticas públicas. “O Vale do Paraíba possui características naturais que exigem um planejamento criterioso do uso das terras. Ao longo de seus 59 anos (completados no último dia 20/6), a CATI vem trabalhando diretamente com os produtores rurais na implantação de práticas conservacionistas, recuperação de áreas degradadas, adequação ambiental das propriedades e incentivo à adoção de sistemas produtivos mais sustentáveis. Essa parceria amplia nossa capacidade de gerar conhecimento técnico para orientar investimentos públicos e privados, onde eles realmente são mais necessários”.

Uso de sensoriamento remoto e ferramentas de geoprocessamento para estudo do território do Vale do Paraíba paulista e impactos da perda de solo
Ciência e extensão rural trabalhando juntas
Neste contexto, pesquisadores do Núcleo de Economia Agrícola, Aplicada e Ambiental do Instituto de Economia da Unicamp e integrantes da equipe de Socioeconomia do Projeto Temático Fapesp 2021/10195-0 — “A Multi-Dimensional Assessment of the Contribution of Payment for Ecosystem Services to the Sustainability of Socio-ecological Systems” — estão trabalhando em parceria com a CATI para analisar os custos sociais da erosão dos solos na porção paulista da Bacia do Rio Paraíba do Sul. A pesquisa está sendo coordenada pelos professores Ademar Ribeiro Romeiro e Oscar Sarcinelli e tem como objetivo gerar informações que subsidiem políticas públicas e ações estratégicas mais custo-efetivas para a conservação dos recursos naturais da região.
Em colaboração com pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), da Embrapa Meio Ambiente e da Embrapa Territorial, a equipe está avaliando as taxas de perda de solo em diferentes usos da terra e estimando os custos sociais da erosão a partir dos impactos causados sobre o tratamento da água destinada ao abastecimento público. Os resultados permitirão identificar áreas prioritárias para ações conservacionistas e apoiar a formulação de políticas públicas voltadas à redução da erosão, à proteção dos recursos hídricos e ao fortalecimento da segurança hídrica no Vale do Paraíba paulista.
Para o professor Ademar Romeiro, ao transformar os impactos ambientais da erosão em indicadores econômicos capazes de apoiar a tomada de decisão, o estudo busca contribuir para a construção de estratégias mais eficientes de gestão territorial, beneficiando produtores rurais, gestores públicos e toda a população que depende dos recursos hídricos gerados pela bacia. “O objetivo principal do trabalho é oferecer subsídios para políticas públicas destinadas a promover o uso sustentável dos solos na região, de acordo com suas capacidades de uso”, explica Romeiro.
O trabalho se divide em duas partes. Na primeira, trata-se de avaliar as consequências, em termos de erosão, dos usos atuais do solo. Metodologicamente, as ferramentas da geomática para estudo do território disponíveis, associadas aos conhecimentos e experiência de campo dos profissionais da conservação do solo do IAC, CATI e Embrapa, permitem utilizar a Equação Universal de Perdas de Solo (EUPS) para estimar com precisão a degradação por erosão na região.
“A partir daí, é possível estimar alguns de seus impactos econômicos e sociais”, informa o professor, destacando que, na segunda parte do trabalho, o objetivo é avaliar, com base em um método multicritério, as dificuldades de tomada de decisão dos produtores da região quanto às alternativas de uso sustentável do solo. “Desse modo, espera-se melhor avaliar o custo de oportunidade de cada tipo de produtor na aceitação de compensações por meio do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que é um instrumento econômico de política ambiental, integrado ao Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista e executado pela CATI, que tem sido adotado juntamente com instrumentos de comando e controle”.
Para o professor Oscar Sarcinelli, a parceria demonstra como a produção científica pode contribuir diretamente para o planejamento territorial. “Nosso objetivo é transformar informações ambientais em indicadores capazes de apoiar decisões mais eficientes. Ao integrar os dados científicos com o conhecimento prático da CATI e das demais instituições parceiras, conseguiremos identificar onde os investimentos em conservação geram maior retorno para a sociedade, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico”.


Erosão do solo e assoreamento dos corpos hídricos no Vale do Paraíba, problemática que afeta toda a sociedade
A experiência da CATI no território faz a diferença
A participação da CATI é considerada estratégica justamente pelo conhecimento acumulado por seus técnicos sobre as características produtivas e ambientais da região.
Por meio de suas Regionais Pindamonhangaba e Guaratinguetá, a instituição desenvolve continuamente ações de assistência técnica na região, voltadas à conservação do solo e da água, planejamento conservacionista das propriedades rurais, adequação ambiental, recuperação de áreas degradadas, proteção de nascentes, terraceamento, construção de práticas mecânicas de conservação e incentivo à adoção de sistemas produtivos sustentáveis.
Essas iniciativas se somam às experiências adquiridas em programas como o Microbacias I e II, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, executados pela CATI, e o Projeto Conexão Mata Atlântica, da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, fortalecendo uma trajetória consolidada na promoção do desenvolvimento rural sustentável.
Pesquisa ajudará a direcionar políticas públicas
Além de identificar as áreas mais críticas quanto à erosão, o estudo também avaliará os custos de oportunidade enfrentados pelos produtores rurais para adoção de práticas conservacionistas.
Essa etapa permitirá aperfeiçoar instrumentos econômicos, como o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais – PSA, do Fundo de Expansão do Agronegócio (FEAP) -, executado pela CATI, tornando-os mais eficientes e aderentes à realidade dos diferentes perfis de produtores.
Outros trabalhos que a equipe do estudo está envolvida são o PSA no Brasil; a capacidade de uso do solo agrícola em São Paulo, entre vários outros.
Conservação do solo é investimento em segurança hídrica
Para a CATI, a parceria reafirma que a conservação do solo é uma das principais estratégias para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e garantir água em quantidade e qualidade para as futuras gerações. “Os resultados da pesquisa deverão orientar novas ações de planejamento territorial e apoiar políticas públicas voltadas à recuperação ambiental, ao fortalecimento da produção rural e à proteção dos recursos hídricos no Vale do Paraíba paulista. Mais do que um estudo científico, a iniciativa representa a união entre pesquisa, extensão rural e gestão pública em favor de um mesmo objetivo: promover um desenvolvimento rural cada vez mais sustentável, resiliente e capaz de conciliar produção, conservação ambiental e segurança hídrica para toda a sociedade”, avalia Antoniane Arantes.

Com foco em agregar valor à produção e impulsionar negócios, edição de 2026 do certame é lançada oficialmente durante celebração do 59º aniversário da CATI, em Campinas
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA-SP) lançou oficialmente a 25.ª edição do “Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo” e já está recebendo amostras de produtores. O anúncio ocorreu hoje (30), durante a cerimônia de comemoração pelos 59 anos da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), na sede da instituição, em Campinas (SP).
Marcando os 25 anos do certame, a CATI também apresentou uma nova publicação, o Documento Técnico 139, intitulado “Coffea arabica: boas práticas de colheita e pós-colheita para cafés especiais”. O material técnico foi desenvolvido para orientar cafeicultores na busca por maior valor agregado e já está disponível para download gratuito no site do órgão da SAA-SP.
Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, o concurso atesta a qualidade dos serviços prestados pelo Estado ao cafeicultor paulista. “O café representa a história de São Paulo e, hoje, consolida nossa posição como um dos maiores produtores do país. Entender esse cenário e trabalhar para o constante crescimento da nossa cafeicultura é fundamental para seguirmos como referência”, afirmou ele.

Secretário lançou oficialmente a edição de 2026 do Concurso do Café de São Paulo
A diretora da CATI, Fabiana Gouvêa, reforça a capilaridade do concurso na transformação e valorização do campo, atestando o impacto da assistência técnica e das políticas públicas rurais diretamente na vida dos cafeicultores. “Nossos técnicos acompanham o produtor durante todo o ano para que, neste momento, ele possa apresentar suas amostras, que são joias sensoriais. A premiação é uma vitrine que une os pequenos agricultores aos compradores mais exigentes”, comenta ela.

Fabiana discursando na cerimônia de comemoração pelos 59 anos da CATI
Estímulo à excelência
A competição visa identificar, premiar e promover os melhores cafés produzidos no território paulista. Ela busca, ainda, fortalecer as regiões produtoras nos mercados interno e internacional, incentivando o cafeicultor à adoção de melhores práticas agrícolas e de pós-colheita.
Sua relevância ficou evidente na edição do ano passado, que contou com cerca de 400 amostras inscritas, vindas de 77 municípios paulistas. Entre os destaques de 2025, estiveram produtores de regiões tradicionais, como a Alta Mogiana, Mantiqueira Vulcânica, Circuito das Águas e o Centro-Oeste Paulista, além de uma grata surpresa: o grande vencedor, com a bebida que recebeu 91.10 pontos, foi produzido por um casal de agricultores familiares em uma comunidade quilombola de Barra do Turvo, município localizado no Vale do Ribeira.
A avaliação do certame segue metodologias internacionais consolidadas e reconhece os dez melhores cafés em cinco categorias distintas: natural, cereja descascado, fermentado e orgânico, todos da modalidade arábica, além de canephora (conilon/robusta).
Como participar
Cafeicultores paulistas interessados em competir já podem enviar suas amostras para as Casas da Agricultura e Regionais da CATI. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site do órgão estadual. A cerimônia de premiação está prevista para novembro deste ano.
A organização do Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo é uma iniciativa da SAA-SP/CATI, em conjunto com a Câmara Setorial de Café, Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag), Defesa Agropecuária, Diretoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro), Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), por meio da APTA REGIONAL, do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA) e do Instituto Agronômico (IAC-APTA), além de sindicatos e associações do setor.
Serviço
25.º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo
Modalidades: natural, cereja descascado, fermentado, orgânico e canephora
Entrega das amostras: até 25/09 das modalidades arábica e até 02/10 da categoria canephora
Conferência das amostras: de 30/09 a 02/10, nas Casas da Agricultura ou Regionais da CATI
Prova dos cafés: de 05/10 a 09/10
Premiação: novembro de 2026 (data a definir)
Link: https://agricultura.sp.gov.br/cati/concurso-estadual-qualidade-do-cafe-de-sao-paulo
Público participante do evento do PTA – Foto: AraciK.
A Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) esteve presente na maior feira da América Latina dedicada aos produtos orgânicos, agroecologia, sustentabilidade e consumo consciente: a Bio Brazil Fair/Biofach.
Na feira, realizada de 10 a 13 de junho, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP), aconteceu o encontro que celebrou os 10 anos do Protocolo de Transição Agroecológica (PTA) e uma roda de conversa sobre os resultados do PTA e a perspectiva de sua ampliação para todo o Brasil.
O evento de celebração dos 10 anos do PTA foi realizado em de junho, na arena da Bio Brazil Fair, e foi conduzido pela engenheira agrônoma da Casa da Agricultura (CA) de Nazaré Paulista, Araci Kamiyama; pela tecnóloga ambiental da CA de São Paulo, Aline Bernardes Candido e pelo chefe de Divisão de Cadeias Produtivas, Vinicius Sampaio do Nascimento. Nesse encontro, foram apresentados o histórico, resultados do Protocolo, além de homenagens aos destaques e entrega de Certificados de Transição Agroecológica. Ao longo dessa década, por meio dos esforços de técnicos, extensionistas, pesquisadores, organizações da sociedade civil e instituições públicas, foram incentivadas práticas agrícolas mais sustentáveis pelos produtores rurais, atingindo mais de 600 agricultores no Estado de São Paulo e alcançando mais de 10 mil hectares. “Fizemos questão de destacar alguns depoimentos de agricultores(as) que foram beneficiados(as) pelo PTA e parceiros que apoiaram essa iniciativa”, afirmou Araci.


Evento “10 anos do PTA” – palco com a equipe do Protocolo, parceiros e apoiadores – Claudete Hahn (Projeto Conexão Mata Atlântica) e Isabel Barcellos (Grupo Executivo PTA); – Instituto Chão (Fábio Mendes e André Rocha) – FRANCAL (Valeska Oliveira Ciré – diretora executiva)
Fotos: APTA REGIONAL
“Nós, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA-SP), celebramos os 10 anos do PTA numa perspectiva de construção da soberania alimentar, que é a pauta central da nossa luta. Que possamos atuar em parceria, na formação técnica e popular, para ampliar o alcance dessa política em nosso estado”, disse a responsável pela coordenação estadual do MPA-SP, Vivian Catenacci.
O diretor de Agricultura e Abastecimento de Assis, Julio Rosa, destacou a importância do PTA para sua região. “A gente saiu do encontro fortalecido e cheio de energias pelas experiências compartilhadas em continuar a implantar o Protocolo de Transição Agroecológica. E, sobre a reunião em nível nacional, foi importante para mostrar aquilo que está dando certo, ouvir as dificuldades de outros estados e alinhar a regulamentação de tudo isso. Espero que essa discussão não fique só nesse grupo, que possamos ampliar o debate e ter uma política nacional”, complementou Rosa, que também é membro da Associação dos Produtores Orgânicos de Assis e Região (Aproa).
No mesmo dia (11/06), no período da tarde, foi realizada a “Roda de conversa sobre os resultados e perspectivas do Protocolo de Transição Agroecológica e de sua ampliação para todo o Brasil”, no Meetting Point 2, com a presença de representantes de instituições e agricultores paulistas e de outros estados do país.
A CATI também marcou presença com estande institucional, junto com a APTA Regional, durante todos os dias da feira. Membros do Grupo Técnico de Agroecologia e Produção Orgânica estiveram nesse espaço, onde foram apresentadas cestas com legumes, verduras e ervas da transição agroecológica, que foram muito elogiadas pelos visitantes.
“A CATI Sementes e Mudas expôs uma importante a amostra de sementes, onde foi possível falar da diferença entre sementes transgênicas, híbridas e cultivares de forma didática”, comentou Sergio Guto Faria, da CATI Sementes e Mudas de Avaré, destacando as mudas em eco pote e a versatilidade dessa tecnologia.
Os produtos sociobiodiversidade, como o cupuaçu, o cacau e o coité, foram os que mais chamaram a atenção do público, sendo chamarizes para o estande. “Muitas pessoas ficavam curiosas sobre o cacau, a maioria delas nunca havia visto um fruto de cupuaçu e não imaginava o que era o coité (cabaça). A cesta de produtos da sociobiodiversidade – representando as CATI Regionais de Registro e Santos – chamou muita atenção pelo fato de muitos viverem na região de mata atlântica e não conhecerem frutas da floresta, como cambuci, cambucá, uvaia e suas deliciosas geleias. Também foi positiva experiência de prova de chocolate com juçara, produzido em Ubatuba”, ressaltou a especialista ambiental da CA de São Paulo, Aline B. Candido.


No estande da CATI, Idelberto Esch Miranda Jr – CATI Regional Santos e Rafael Scarpim Capra – CA de Bocaina
Sementes/mudas, produtos da transição agroecológica e as sociobiobiversidade presentes no estande da CATI
A APTA REGIONAL também esteve presente nos dias de evento apresentando estudos e inovações desenvolvidas em algumas de suas unidades de pesquisa espalhadas pelo território paulista, como os estudos sobre conversão de sistemas agrícolas convencionais para orgânicos conduzidos em São Roque; e os projetos de validação de óleos essenciais e manutenção do banco de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) de Pindamonhangaba, visando fortalecer a agricultura familiar e a geração de renda. Adicionalmente, a instituição divulgará os trabalhos da Rede de Agroecologia Regional (RAR), que articula pesquisadores em prol de sistemas produtivos mais resilientes diante das mudanças climáticas.