O mês que engloba o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5/6, ganhou uma semana inteira de programação com ações integradas em prol da conservação ambiental, da agricultura sustentável e da educação ambiental
Em uma programação que reuniu pesquisadores, produtores rurais, estudantes, instituições públicas e privadas, a CATI Regional Botucatu promoveu uma série de atividades voltadas à conservação do meio ambiente, ao fortalecimento da agricultura sustentável e à conscientização das novas gerações. Realizadas entre os dias 22 e 26 de junho, as ações marcaram as comemorações do Mês do Meio Ambiente, intitulado “Junho Verde” e reforçaram o compromisso da CATI, que completou 59 anos no último dia 20 de junho, com o desenvolvimento rural sustentável, o fortalecimento da agricultura paulista, o estímulo à inovação, a conservação os recursos naturais e transformação de vidas, por meio da assistência técnica e da extensão rural.
A semana foi construída por meio de uma ampla articulação institucional, envolvendo a CATI, a Prefeitura Municipal de Botucatu, a Unesp Botucatu, a Câmara Setorial e Temática (CPL) de Apicultura do Polo Cuesta, as empresas GeoApis e Telegramma – Agentes Biológicos, além de unidades da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, representadas pelo Instituto Agronômico (IAC) de Jundiaí, pela APTA Regional de Pindamonhangaba e pelo Instituto Biológico.
Para o chefe da CATI Regional Botucatu, Ricardo Chiarelli, a iniciativa demonstra que os desafios ambientais exigem atuação integrada entre diferentes setores da sociedade. “A conservação ambiental e o desenvolvimento rural caminham juntos. Reunimos instituições de pesquisa, poder público, produtores, empresas, educadores e estudantes porque acreditamos que as soluções para os desafios atuais passam pelo conhecimento, pela cooperação e pela construção coletiva. Esta semana simboliza exatamente o papel da CATI: levar tecnologia, assistência técnica e promover o desenvolvimento sustentável dos territórios, bem como conscientização sobre o tema para toda a sociedade”.
Programação contou com atividades teóricas e práticas
A programação foi aberta com palestras e uma roda de estudos sobre plantas medicinais e fitoterápicos, conduzidas pela pesquisadora da APTA Regional Pindamonhangaba, Sandra Maria Pereira da Silva, com a participação de autoridades, médicos e representantes da comunidade. “O encontro discutiu a construção de uma Política Municipal de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, fundamentada nas políticas públicas já existentes e voltada à promoção da saúde e da valorização da biodiversidade regional”, informa Luciana Calore, engenheira agrônoma da CATI Regional Botucatu, uma das organizadoras do evento.




Na sequência, especialistas promoveram debates sobre alimentação saudável, agricultura familiar e meio ambiente. Os engenheiros agrônomos Paulo Croisfelts, instrutor do Senar/SP, e Rafael S. Capra, da CATI Regional Jaú, abordaram a importância da saúde do solo, destacando práticas de manejo baseadas em sistemas agrícolas equilibrados, na remineralização e nos circuitos curtos de comercialização, fortalecendo a agricultura familiar.
Segundo Flávio Chueire, engenheiro agrônomo da CATI Regional Botucatu e um dos organizadores do evento, a importância do tema no evento se deve ao fato de que, conservar o solo é investir diretamente no futuro da produção agrícola. “O solo é um organismo vivo e representa o principal patrimônio do produtor rural. Quando adotamos práticas conservacionistas, promovemos maior equilíbrio ecológico, aumentamos a resiliência dos sistemas produtivos e garantimos alimentos de qualidade para as próximas gerações. Produzir e conservar deixaram de ser objetivos distintos; hoje são condições inseparáveis para uma agricultura sustentável”.


Dia de Campo trouxe o planejamento da propriedade para o debate
Um dos destaques da programação foi o Dia de Campo realizado no Sítio Unieco, em Botucatu, sobre Planejamento Funcional da Propriedade Rural e suas inter-relações com os polinizadores. A atividade contou com a participação do pesquisador Afonso Peche Filho, do Instituto Agronômico (IAC), referência nacional em conservação do solo e planejamento conservacionista da propriedade rural.
Durante o encontro, produtores rurais e técnicos puderam compreender a propriedade como um mosaico de paisagens, em que áreas produtivas, fragmentos florestais, recursos hídricos e ambientes destinados aos polinizadores desempenham funções ecológicas complementares.
De acordo com Peche, o planejamento funcional representa uma mudança de paradigma na forma de enxergar o espaço rural. “A propriedade rural precisa ser compreendida como um sistema integrado. Cada ambiente possui uma função ecológica e produtiva que contribui para o equilíbrio do conjunto. Quando planejamos respeitando essas interações, fortalecemos a conservação do solo, protegemos os recursos naturais, favorecemos os polinizadores e tornamos a produção agrícola mais eficiente, resiliente e sustentável”.

Programação contou um espaço dedicado às abelhas
As atividades foram encerradas com uma intensa programação dedicada às abelhas, reconhecidas como importantes bioindicadores da qualidade ambiental. Durante os dias 25 e 26 de junho foram realizadas palestras em escolas municipais e encontros técnicos abordando a identificação das abelhas nativas presentes nas praças centrais de Botucatu, sua importância para os ecossistemas e os desafios relacionados à mortalidade desses insetos.
As discussões também trataram das alternativas para harmonizar as atividades agropecuárias com a conservação dos polinizadores, demonstrando que é possível construir sistemas produtivos que conciliem produção, biodiversidade e sustentabilidade.
A educação ambiental teve papel central na programação. O engenheiro agrônomo Osmar Mosca Diz, responsável pelo Centro de Educação Ambiental Fazendinha Feliz, da CATI (que completou 15 anos no dia 15/6), conduziu atividades voltadas aos estudantes do município, despertando o interesse das crianças e dos jovens pela conservação da natureza, pelo papel das abelhas e pela importância da agricultura sustentável. Além disso, ele também participou de reuniões com criadores de abelhas, pesquisadores e extensionistas, destacando que o encontro foi produtivo. Para Osmar, formar cidadãos conscientes é um dos caminhos mais eficazes para promover mudanças duradouras. “A educação ambiental reaproxima os estudantes da natureza, da qual fazemos parte imanente e mostra que cada pessoa pode e deve contribuir para a conservação dos bens naturais e para uma sociedade mais sustentável, mais feliz e saudável para todos”, destaca,

Segundo os organizadores do evento, Flávio Chueire e Luciana Calore, mais do que uma programação comemorativa, o “Junho Verde” consolidou uma rede de cooperação entre pesquisa, extensão, poder público, iniciativa privada e comunidade, demonstrando que a construção de um futuro mais sustentável depende da atuação conjunta de todos os setores da sociedade.