Evento, que foi realizado na sede da CATI, celebrou os 20 anos da PNPMF em sua 23.ª edição
A 23.ª Semana de Fitoterapia Prof. Walter Radamés Accorsi foi encerrada, na última quinta-feira (16), com participação de aproximadamente 1.250 pessoas. Realizado na sede da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), em Campinas (SP), o evento reuniu profissionais da área da saúde, extensionistas rurais, agricultores, professores, estudantes e cidadãos interessados em buscar conhecimentos sobre o cultivo e o uso de plantas medicinais.
A edição de 2026 celebrou os 20 anos da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) e contou com a reabertura do Horto Didático de Plantas Medicinais da CATI. “Neste ano, a Semana de Fitoterapia de Campinas recebeu um público bastante atuante, que interagiu nas palestras e oficinas com muitas perguntas, compartilhando experiências e colaborando com as exposições de trabalhos. O evento superou expectativas ao receber mais de 130 pessoas em nossa sede desde o dia 14 de abril”, afirmou o engenheiro agrônomo da CATI, Osmar Mosca Diz, integrante a comissão organizadora, que contabilizou mais 1.113 participantes on-line, de diversas regiões do Brasil.
Além da Diretoria de Assistência Técnica Integral, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a Semana de Fitoterapia é promovida pela Prefeitura de Campinas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, e pelo grupo Saberes à Luz do Sol. Durante a mesa-redonda “Experiências da Agricultura Urbana e Periurbana (AUP) nos serviços de saúde e assistência social”, a técnica do Núcleo de Saúde Integrativo de Campinas, Tatiana Cargnelutti, apresentou o hotsite – lançado pela prefeitura no evento – que segue diretrizes da PNPMF para valorizar a utilização segura, racional e sustentável das plantas medicinais e dos medicamentos fitoterápicos.
A mesa de abertura da 23.ª Semana de Fitoterapia contou com as presenças de Osmar; do diretor substituto da CATI, Jairo Tcatchenco; do neto do patrono do evento, Walter Radamés Accorsi de Souza Sobrinho; da diretora do Departamento de Saúde campineiro, Mônica Prado de Toledo; da pesquisadora da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) Regional de Pindamonhangaba, Sandra Maria Pereira; e da ex-delegada Teresinha de Carvalho, que foi vereadora por dois mandatos em Campinas e é autora da Lei Municipal n.º 11.385, que instituiu a Semana de Fitoterapia.
Palestras
A primeira palestra foi do professor e presidente da Sustentec Produtores Associados, Euclides Lara Cardozo Junior, sobre os “Caminhos e atalhos percorridos nestes 20 anos da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos”. Segundo o palestrante, é preciso refletir sobre estas duas décadas de PNPMF, identificando os atores sociais (agricultores familiares, profissionais da saúde, indústria e universidade), em que cada um execute a sua especialidade e seja organizada uma cadeia produtiva sustentável, usando o poder de compra do Estado e o Sistema Único de Saúde (SUS) como motor para desenvolvimento dessa política pública.
No segundo dia, o engenheiro agrônomo Ilio Montanari Junior, do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), palestrou sobre a “Importância do horto medicinal para a saúde, educação e meio ambiente”. De acordo com Ilio, fazer um fitoterápico de uma planta brasileira é mais difícil por sua característica selvagem, embora ela seja mais agriculturável. “A variação genética mais importante está na natureza, daí a necessidade de mantermos coleções de plantas medicinais, como o Horto da CATI”, disse o representante do CPQBA.
Na sequência, o professor Nelson Filici de Barros, coordenador do Laboratório de Práticas Alternativas, Complementares e Integrativas em Saúde (Lapacis) da Unicamp, conduziu a palestra: 20 anos da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) em Saúde e sua Importância para o SUS. Para Nelson, se houvesse mais incentivo à promoção de PNPIC na rede de saúde pública, profissionais do setor adoeceriam menos e, consequentemente, poderiam prestar melhores serviços à população. “É preciso criar um movimento social pela expansão das PNPIC no SUS”, enfatizou o coordenador do Lapacis.
Ainda em 15 de abril, a professora Regina Camargo Vieira abordou a “Técnica de Alexander – como se movimentar no dia a dia sem stress e sem dor”. Durante sua palestra, ela não só apresentou esse método de reeducação psicofísica, como ensinou alguns participantes a sentar e levantar de modo correto, destacando como movimentos errados nesses atos podem ocasionar lesões.
No último dia de evento, o “Estilo de vida e saúde, segundo Hildegarda de Bingen” foi tema de palestra de integrantes do Grupo Viriditas: a terapeuta Eloísa Pimentel de Magalhães, a farmacêutica Juliana Raymundo e a engenheira agrônoma Maria Cláudia Blanco. Eloísa falou sobre o uso de pedras medicinais no corpo para alívio de dores, Juliana informou os principais alimentos indicados por Hildegarda no sentido da saúde preventiva e Maria Cláudia apresentou temperos naturais recomendados pela Santa, além de receitas.
Atividades em grupo
Ao longo do evento, também foram realizadas oficinas e prática de vivência. Osmar, Sandra e Maria Cláudia conduziram a “Oficina de identificação, cultivo e uso das plantas medicinais e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no horto”. As integrantes da Cozinha Medicinal, de Santa Bárbara d’Oeste (SP), promoveram a “Oficina de cultivo, uso medicinal e culinária dos hibiscos”. E voluntárias do grupo Saberes à Luz do Sol executaram a “Vivência com Práticas Integrativas e Complementares em Saúde”, que contou com as seguintes atividades: Reiki, auriculoterapia e ensinamento de automassagem nas mãos.
A mesa-redonda sobre Agricultura Urbana e Periurbana foi conduzida por Kelliane Fuscaldi, coordenadora-geral de Agricultura Urbana e Periurbana do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS); Mariana Souza Maia, do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional (DSAN) de Campinas; Agnaldo Bartho, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social; e dos servidores do Departamento de Saúde da prefeitura: Idilio Candido Neto, Rafael Souza Santos e Tatiana. Em sua fala, Kelliane revelou que 87,7% da população brasileira vivem em áreas urbanas, por isso que a AUP deve ser tratada como uma política pública para oferta de alimentos mais saudáveis, especialmente em regiões periféricas.
A coordenadora-geral do MDS destacou Campinas por trabalhos desenvolvidos nesse sentido e abriu espaço para as apresentações envolvendo a Nossa Horta Comunitária/Farmácia Viva Tancredão, a Horta Piloto Cultivando no Florence e a Horta Comunitária Bem-Viver, situada no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Adriana Schwarz. Esses três projetos foram expostos, respectivamente, por Idilio, Mariana e Agnaldo. Na sequência, Tatiana informou os medicamentos fitoterápicos ofertados na rede pública de saúde municipal e Rafael fez uma dinâmica com o público presente, mostrando e doando algumas plantas medicinais.
“Além das palestras e atividades em grupo, gostaria de destacar os 23 expositores que estiveram na feira da 23.ª Semana de Fitoterapia. Esse espaço foi importante nos momentos de pausa, assim como a oportunidade de visita ao Horto Didático de Plantas Medicinais e PANC da CATI”, ressaltou Osmar.
Opinião dos participantes
A antropóloga e educadora social, Janaína Alves da Silva Hallais, saiu de Paulínia (SP) para prestigiar o evento. “A Semana demonstrou a importância da integração das políticas, de pensarmos no cuidado não como uma prática restrita à saúde, mas, também, como uma ação cultural cotidiana”, resumiu Janaína. No evento, a paulinense ainda apresentou seu trabalho de “Oficinas de farmácia viva no CRAS: cuidado, cultura e convivência na proteção social básica”.
O agricultor Thiago Tenório veio de longe buscar conhecimentos sobre o cultivo e o uso de plantas medicinais. “Sou de Juquitiba – município paulista que fica a 152km da sede da CATI – e aprendi muito aqui. No horto, conheci vários tipos de boldo e as propriedades de cada um. Por meio da Técnica de Alexander, foi demonstrada a postura ideal da nossa coluna. A representante da APTA também ensinou muitas coisas interessantes envolvendo farmácia viva. Na oficina de hibiscos, provamos suco, chá, geleia, vinho e até niguiri feito com esse vegetal. Como tenho mais familiaridade com o ato de plantar, foi importante adquirir novos conhecimentos – vou tentar replicá-los em minha cidade”, comentou Thiago.
Confira as transmissões ao vivo da 23.ª Semana de Fitoterapia Prof. Walter Radamés Accorsi nos links abaixo:
- 14 de abril – https://www.youtube.com/watch?v=vFA8uoCJg9w
- 15 de abril – https://www.youtube.com/watch?v=FOOty2XTU-8
- 16 de abril – https://www.youtube.com/watch?v=Irq0j2zjGyc
A seguir, a galeria de imagens do evento:
































