Com dieta de “puro grão”, experimento da CATI Regional Jales demonstra como transformar o bezerro leiteiro em um produto de alto valor agregado e rentabilidade
Um desafio histórico para o produtor de leite é o baixo valor de mercado dos bezerros machos de origem europeia, muitas vezes desvalorizados no momento da venda. Para mudar esse cenário, a CATI Regional Jales, em parceria com a Prefeitura de Urânia e a iniciativa privada, realizou um Dia de Campo focado na terminação desses animais utilizando a dieta de “puro grão”. O evento reuniu técnicos e produtores de 18 municípios da região.
A técnica apresentada foca na intensificação do ganho de peso, permitindo que o bezerro leiteiro atinja precocemente o padrão de “Boi China” (animal jovem, com excelente acabamento de gordura e dente de leite), alcançando preços competitivos no mercado de carne.
Os resultados apresentados foram colhidos em uma vitrine tecnológica conduzida pelo médico-veterinário Ivan Soubhia Garcia, chefe da Casa da Agricultura de Urânia, no Sítio São Paulo. O lote experimental passou por um período de adaptação de 16 dias e, em seguida, recebeu uma dieta composta exclusivamente por 85% de milho grão inteiro e 15% de núcleo peletizado.

Os números da vitrine tecnológica, realizada entre setembro de 2025 e abril de 2026, impressionaram pela eficiência em ganho de peso, conversão alimentar e qualidade da carcaça. Os animais entraram no sistema com 120,6kg e, após 216 dias, atingiram a média de 421,8kg. O ganho médio diário foi de quase 1,4kg por animal. Foram necessários apenas 4,79kg de ração para produzir 1kg de peso vivo. No abate, o rendimento médio foi de 51%, com acabamento de gordura considerado ideal para a exportação.
A viabilidade econômica foi o ponto alto do debate. O experimento demonstrou um lucro bruto expressivo, que variou entre R$ 982,52 e R$ 1.444,95 por animal, dependendo das oscilações do preço da arroba no período.
Segundo Ivan Soubhia Garcia, o sucesso da atividade depende de um tripé fundamental com atenção total ao protocolo sanitário, à adaptação rigorosa dos animais e ao bem-estar. “Além disso, o produtor precisa de planejamento estratégico para a compra do milho no momento certo”, pontuou. Para a CATI Regional Jales, a técnica é uma ferramenta de fortalecimento para as famílias atendidas, especialmente pelo Projeto CATI Leite. Luciano Martines, chefe de divisão da Regional, reforçou que o objetivo é levar essa assistência técnica a mais propriedades. “A terminação em ‘puro grão’ não é apenas uma técnica de manejo, é uma alternativa real para agregar valor ao que antes era um subproduto, garantindo mais dinheiro no bolso do produtor”, finalizou.








