Mais do que uma capacitação, o encontro promovido em Santo Antônio da Alegria, no âmbito do Programa Ali Rural do Sebrae-SP (que oferece orientação técnica e metas personalizadas para impulsionar o desenvolvimento sustentável), revelou a força da construção coletiva no campo, unindo conhecimento técnico, prática e a parceria entre instituições para transformar a realidade de produtores rumo à adoção da Agroecologia
A transição para uma agricultura mais sustentável ganha força quando conhecimento, prática e parceria caminham juntos. Foi com esse espírito que produtores rurais de diferentes municípios da região participaram de um encontro promovido em Santo Antônio da Alegria, com foco no Protocolo de Transição Agroecológica, uma das principais ferramentas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) pública e gratuita da CATI (Diretoria de Assistência Técnica Integral) no segmento.
Realizado na Casa da Agricultura do município, ligado à área de atuação da CATI Regional Franca, o evento reuniu agricultores de cidades como Altinópolis, Brodowski, Cássia dos Coqueiros, Guatapará, Ribeirão Preto e Santo Antônio da Alegria, em uma imersão que combinou teoria e prática para fortalecer a adoção de técnicas sustentáveis no campo.
A iniciativa evidencia o papel estratégico da parceria entre instituições e o trabalho coletivo do Grupo Técnico (GT) de Agroecologia e Produção Orgânica da CATI, que atua diretamente na promoção de práticas sustentáveis e no apoio à transição de modelos produtivos convencionais para sistemas agroecológicos.
Durante o encontro, os participantes tiveram acesso às oficinas práticas sobre produção de caldas protetivas, biofertilizantes e bioinsumos – alternativas que contribuem para o fortalecimento das plantas, melhoria da fertilidade do solo e redução da dependência de insumos químicos.




Mais do que aprender técnicas, os produtores vivenciaram um espaço de troca de saberes, onde experiências do campo se somam ao conhecimento técnico. Essa construção coletiva permite transformar conceitos em práticas aplicáveis no dia a dia, fortalecendo a autonomia dos agricultores.
Responsável pela condução das oficinas, o engenheiro agrônomo Idelberto Miranda, da CATI Regional Franca e integrante do Grupo Técnico de Agroecologia, destacou a importância desse modelo de extensão rural participativa. “Esses encontros vão além da transmissão de conhecimento. Eles criam um ambiente de aprendizado coletivo, conectando produtores, técnicos, pesquisadores e comunidades, bem como criando um ambiente onde teoria e prática se encontram. Nestes espaços, podemos demonstrar algumas técnicas, mas também temos os relatos de experiências dos agricultores, transformando conhecimento teórico em aprendizado prático, permitindo a experimentação direta, ao realizarmos práticas como compostagem, biofertilizantes, produção de bioinsumos, controle natural de pragas e doenças, somando conhecimento tradicional com o técnico, onde todos aprendem, principalmente quem lida com as atividades diárias.
Idelberto também ressaltou o impacto direto das práticas demonstradas. “Neste contexto, o Protocolo de Transição Agroecológica da CATI é uma ferramenta fundamental, pois orienta o produtor de forma prática e progressiva, respeitando a realidade de cada propriedade”, afirmando que, ao aprender a fazer seu próprio biofertilizante ou a manejar melhor o solo com compostagem, o produtor reduz custos, melhora a qualidade da produção e ganha mais independência. Isso é transformação real no campo”, completou.
O Protocolo de Transição Agroecológica da CATI funciona como um guia estruturado para os produtores, avaliando a adoção de práticas como cobertura do solo, adubação orgânica e uso de insumos naturais. A cada etapa cumprida, o agricultor acumula pontos e, ao atingir a pontuação mínima, conquista o Certificado de Transição Agroecológica – um reconhecimento importante no caminho rumo à produção sustentável.
