Ao promover o diálogo entre extensão rural, pesquisa, Defesa Agropecuária e segurança pública, a iniciativa reforçou o conceito de que não há desenvolvimento sustentável sem conservação; e nem conservação eficaz sem cooperação
Em um momento marcado por desafios crescentes na preservação ambiental e no uso sustentável do território rural, uma parceria entre a CATI (Diretoria de Assistência Técnica Integral), o Instituto Agronômico (IAC), a Defesa Agropecuária e o 5.º Batalhão da Polícia Militar Ambiental ganhou um novo e significativo capítulo. Nos dias 24 e 27 de março, cerca de 100 policiais participaram do treinamento técnico “Visão Sistêmica do Ambiente Natural e Rural de Produção”, uma iniciativa que uniu teoria e prática, em uma formação que integrou conhecimento técnico, gestão territorial e proteção dos recursos naturais, com incentivo para aprimoramento de instrumentos que visam coibir crimes e infrações ambientais.
A formação aconteceu em Campinas, em dois ambientes complementares, sendo a parte teórica realizada no Anfiteatro do 5.º Batalhão da Polícia Militar Ambiental, enquanto as atividades práticas ocorreram na Fazenda Santa Elisa, área vinculada ao IAC. O curso teve como foco a padronização de operações ambientais, o planejamento de missões em campo e a aplicação de metodologias de leitura da paisagem, “ferramentas essenciais para uma atuação mais estratégica e eficiente no território rural”, segundo Antoniane Arantes, especialista agropecuário da CATI, responsável pela palestra sobre Webmapas (mapas interativos disponíveis na internet, que permitem aos usuários visualizarem, explorarem e, muitas vezes, manipularem dados geográficos diretamente no navegador, sem precisar de softwares complexos de GIS (Sistemas de Informação Geográfica).
Mais do que capacitação técnica, o encontro simbolizou a retomada de uma aproximação institucional fundamental, pois a integração entre os órgãos reforça a importância do alinhamento de práticas agronômicas à conservação ambiental, criando uma base sólida para o desenvolvimento rural sustentável.
Para o diretor da CATI, Ricardo Pereira, a iniciativa representa um avanço significativo na construção de políticas públicas integradas. “Essa parceria mostra que é possível unir conhecimento técnico, gestão territorial e ação em campo para promover um modelo de desenvolvimento rural mais equilibrado. A conservação do solo e dos recursos naturais precisa estar no centro das estratégias; e isso só se fortalece com instituições trabalhando juntas, com objetivos comuns”.
Durante a programação, Arantes conduziu a referida palestra sobre o uso de webmapas aplicados à gestão ambiental, destacando o papel da tecnologia no apoio às ações de fiscalização e planejamento. “As ferramentas de geotecnologia permitem uma leitura mais precisa do território, ajudando a identificar alterações na paisagem, padrões de uso do solo e possíveis irregularidades. Isso amplia a capacidade de resposta das equipes em campo e contribui para decisões mais assertivas na proteção dos recursos naturais”, explicou.




A formação teve como objetivo atender às diretrizes do Comando de Policiamento Ambiental, especialmente no fortalecimento do policiamento rural e das ações de fiscalização. A proposta foi oferecer aos participantes uma visão sistêmica do ambiente natural e produtivo, capacitando-os a identificar perturbações antrópicas e naturais, muitas vezes associadas a infrações ambientais.

Para o capitão da Polícia Militar Ambiental, André Manoel, o impacto da capacitação vai além da sala de aula. “Essa formação técnica amplia nossa capacidade de atuar na preservação da ordem pública, assim como na fiscalização de infrações contra o meio ambiente em áreas especialmente protegidas, contra a flora e fauna, assim como pesca, o combate às queimadas, ao tráfico de animais, dentre outras”, destacou, frisando que “trabalhar de forma integrada com a área agrícola é essencial para resultados mais efetivos”.