Em Santos, lançamento da Campanha da Fraternidade 2026 celebra três anos de trabalho conjunto entre a CATI Regional e a Diocese, que apoia projetos comunitários e consolidou uma rede sociotécnica a serviço da vida e da emancipação social
O lançamento da Campanha da Fraternidade, que em 2026 tem como tema “Fraternidade e Moradia”, foi realizado em Santos e reuniu cerca de 250 pessoas no auditório do Liceu Santista em evento organizado pela Diocese de Santos. Mais do que um ato simbólico, o encontro foi a celebração de uma parceria que vem transformando realidades: a atuação conjunta entre a entidade e a CATI no fortalecimento da Economia Solidária – economia centrada na valorização do ser humano – na Baixada Santista.

Durante o evento, a Diocese fez um reconhecimento público à CATI em um vídeo institucional apresentado aos participantes. “O gesto simbolizou a importância da parceria técnica para que os recursos da Campanha da Fraternidade se transformem em resultados concretos”, explica Newton José Rodrigues da Silva, extensionista rural da CATI Regional Santos, que atua há mais de três décadas com as comunidades e também no desenvolvimento de ações de Economia Solidária em modelo de parceria em Redes Sociotécnicas.
Nos últimos três anos, essa parceria fortaleceu comunidades, gerou renda e promoveu dignidade por meio de 19 projetos apoiados pelo Fundo Diocesano de Solidariedade, totalizando R$ 169.377,34 investidos em iniciativas que envolvem aldeias indígenas, hortas comunitárias, grupos de mulheres, produção de bioinsumos, criação de peixes, captação de água de chuva, energia solar e ações voltadas à segurança alimentar e ao Turismo de Base Comunitária. “Além disso, foram adquiridas roupas de trabalho para jovens que se dedicam à coleta de óleo de cozinha para reciclagem; implantados sistemas de coleta de água de chuva e de energia solar; impulsionada a criação de galinhas e peixes em viveiros escavados; adquiridos equipamentos de audiovisual e formação de indígenas para produção de vídeos e outras peças de comunicação, bem como equipamentos para uma cozinha sob a gestão de mulheres que preparam alimentos com a utilização de plantas da Mata Atlântica”, informa Rodrigues.
No que se refere aos projetos desenvolvidos em parceria com a Diocese, Rodrigues destaca que a essência está na emancipação das comunidades envolvidas. “Os recursos da Campanha ganham potência quando encontram organização comunitária e acompanhamento técnico. Nosso papel é fortalecer competências locais, apoiar a gestão coletiva e garantir que os projetos se sustentem no tempo. É desenvolvimento com base na cooperação e na autogestão.”
E os beneficiários são unânimes em reconhecer a importância dos projetos realizados por meio dessa parceria. “O apoio a projetos de Economia Solidária promove vínculos sociais. O projeto que foi realizado para ampliação do refeitório da nossa aldeia representa mais que recursos, mas sobretudo confiança, parceria e compromisso com a vida comunitária, a dignidade e o bem-viver”, afirma Itamirim, liderança da aldeia indígena Tabaçu Reko Ypy de Peruíbe.
Outros integrantes de projetos realizados no âmbito dessa parceria, como Angélica Cruz, da Horta Sustentável Verde Vida de Guarujá; Maria da Penha Pedrosa, integrante da Horta Sustentável Santa Cruz dos Navegantes; Francisca Eliene da Silva, da Horta Entre Amigos de São Vicente; André Nascimento, da Horta Bons Frutos de Santos; Sergio Popygua, da aldeia Ara Pyau de Mongaguá; e Silvio Riju, da aldeia Nhanderekoá de Itanhaém, são unânimes em reconhecer a importância do financiamento feito pela Diocese de Santos, bem como o apoio técnico e organizacional que recebem da CATI e de parceiros, que têm possibilitado a concretização de ações que transformam vidas, com geração de renda e sustentabilidade ambiental.


Desenvolvimento dos projetos e o papel da extensão rural
Por trás de cada projeto, há um trabalho permanente de extensão rural e a atuação da CATI que vai além da assistência técnica pontual. Extensionistas rurais da Regional Santos e parceiros – como o Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), universidades, pastorais e associações comunitárias – acompanham constantemente os grupos, desde a elaboração das propostas até a execução e consolidação das iniciativas, fortalecendo a autogestão, o associativismo e a cooperação, consolidando ações decisivas para os resultados alcançados.



Para Hemerson Calgaro, engenheiro agrônomo da CATI Regional Santos, o diferencial desse trabalho está na construção coletiva. “A experiência mostra que os projetos têm mais chances de sucesso quando são estruturados em rede. A CATI atua de forma permanente junto às comunidades, apoiando a produção de alimentos, o turismo comunitário e o fortalecimento do associativismo. Não se trata apenas de orientar tecnicamente, mas de caminhar junto, construindo soluções com as pessoas”.
Na Baixada Santista, a parceria entre CATI e Diocese segue semeando futuro, com técnica, compromisso e presença permanente ao lado de quem mais precisa. Dom Joaquim Mol, bispo da Diocese de Santos, em entrevista à TV Tribuna, no final do ano passado, esclareceu que a Igreja faz parcerias, pois não tem a pretensão de resolver o problema de todas as pessoas e que o papel da Igreja não é aquele de uma organização não governamental (ONG) ou de uma associação, mas o de alimentar a fé e a esperança das pessoas com a força dos ensinamentos de Jesus Cristo, bem como estimular iniciativas vindas de instituições e lugares diferentes em favor do povo em situação de vulnerabilidade.




Hemerson Calgaro avalia que “nesse sentido, a Diocese assumiu o papel de apoio à Economia Solidária inserida em uma rede de profissionais que atuam nas comunidades. E os resultados obtidos nos projetos desenvolvidos em parceria com a CATI têm sido muito bons e, mais uma vez, confirmam que projetos construídos e operacionalizados em rede têm maiores chances de obterem êxito”.


Fé, organização e transformação social
Criada em 1924, a Diocese de Santos abrange os nove municípios da Baixada Santista e integra a Campanha da Fraternidade, instituída nacionalmente, em 1964, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A cada ano, a campanha mobiliza comunidades em torno de temas sociais urgentes e promove a Coleta Nacional da Solidariedade, destinando 60% dos recursos ao Fundo Diocesano e 40% ao Fundo Nacional.
Na Baixada Santista, a opção tem sido investir em projetos estruturantes, com foco na Economia Solidária. A lógica vai além da assistência, pois “busca-se gerar autonomia, fortalecer vínculos e criar alternativas sustentáveis de geração de renda”, explica Helenice Queiroz, que, desde 1998, está à frente das Campanhas na entidade. Neste contexto, a parceria com a CATI, o Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista, universidades, pastorais e associações comunitárias consolidou uma rede sociotécnica que articula conhecimento, fé e compromisso social.