O município de Urupês, tradicionalmente reconhecido pela produção agropecuária, especialmente de limão Taiti, ganhou um novo motivo para orgulho em 2025: uma queijaria local conquistou duas premiações nacionais e colocou a cidade no mapa da produção artesanal de excelência. À frente dessa história, estão Éder Augusto Duarte e Eliete Roman Duarte, casal que transformou uma pequena produção de leite em um empreendimento sólido e premiado – sempre acompanhado de perto pela CATI Regional Catanduva (que abrange o município de Urupês em sua área de atuação) e adoção das orientações técnicas do Projeto CATI Leite.
Do emprego urbano ao sonho no campo
A trajetória na pecuária leiteira começou em 2017. Éder trabalhava na indústria, Eliete era professora. O vínculo com a terra sempre existiu, mas a vida ainda não havia permitido a mudança. Isso durou até o momento em que o casal decidiu investir na recém-adquirida propriedade rural.
Com pouca experiência, mas muita vontade de aprender, buscaram auxílio na Casa da Agricultura de Urupês, onde foram apresentados ao Projeto CATI Leite – iniciativa de assistência técnica e extensão rural alierçada no modelo do Programa Balde Cheio, da Embrapa Pecuária Sudeste.
“Foi ali que tudo começou a mudar”, lembra Éder. “Entramos com 57 litros de leite por dia, seis vacas em lactação e mais dúvidas do que certezas.”


O papel do CATI Leite: gestão, técnica e parceria
A adesão imediata do casal ao projeto abriu caminho para um acompanhamento próximo. Os técnicos iniciaram o controle econômico e zootécnico da produção, ajustaram práticas de manejo, recomendaram análises de solo, correção das pastagens, melhorias nutricionais e orientações sanitárias.
Para o médico-veterinário Ricardo Santos da Silva, da CATI Regional Catanduva e integrante do Grupo Técnico de Bovinocultura de Leite da CATI, que faz o acompanhamento técnico da propriedade, o envolvimento da família foi decisivo: “Traçamos juntos as metas desde o início. A dedicação e o capricho do Éder e da Eliete são os pilares do sucesso da propriedade e da queijaria. Eles são um exemplo de que a pecuária de leite pode ser rentável com gestão e foco.”
Com o tempo, a relação técnica evoluiu para uma parceria constante. “O extensionista caminha de mãos dadas com o produtor, tanto nas dificuldades quanto nas conquistas”, explica Ricardo.



Resultados: da ordenha à queijaria premiada
Oito anos após os primeiros passos, os números impressionam. A produção saltou de 57 para 250 litros de leite diários, agora com 15 vacas em lactação. Já a transformação do leite em queijo tomou proporções inesperadas.
A Elied Queijaria, criada pelo casal, começou processando cerca de 300 litros por mês. Hoje, chega a 2.800 litros mensais, produzindo, de forma 100% artesanal, minas frescal, coalhada e o queijo curado, que se tornaria um dos carros-chefe: o queijo “Bambu”, premiado em eventos nacionais em 2024 e 2025.
“Não havíamos pensado em inscrever nossos queijos em premiações, até pelo pouco tempo de produção, mas com apoio recebido e as orientações e incentivos da CATI, especialmente do Ricardo, que nos ajuda inclusive na parte de inseminação, inscrevemos o queijo Bambu em uma premiação nacional e logo veio a surpresa boa: conquistamos a Medalha de Ouro no Concurso Queijo Brasil, em 2024, e o 3. º lugar no Prêmio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA Brasil Artesanal -, na categoria Queijo Tradicional (Maturado), agora em 2025”, celebram Eder e Eliete.
Ainda em 2025, outra premiação, agora do queijo “Nevoeiro”, coroou ainda mais o trabalho realizado dia a dia. “Foi uma surpresa maravilhosa a conquista da Medalha de Ouro no Concurso Queijo Brasil, para o nosso queijo Nevoeiro– artesanal de casca natural e branca, com maturação de mais de 40 dias -, em um concurso nacional com mais de 2.200 participantes”, conta emocionada Eliete
O reconhecimento obtido impulsionou a regulamentação da queijaria no SISP Artesanal e a abertura de novos mercados. “Para nós, como agricultores familiares, é um orgulho e também uma grande responsabilidade, pois ser produtor de leite e queijo é uma paixão, mas sabemos a importância e os desafios para se ter um produto de qualidade em sabor e sanidade, que seja seguro para aqueles que o consomem. Mas poder contar com o apoio da CATI na adoção das metodologias do CATI Leite, as quais fizeram com que pudéssemos nos estabelecer como produtores rurais (Eliete ainda exerce o magistério por amor à educação e à formação de cidadãos), tem sido determinante para o nosso sucesso e manutenção da propriedade.



Uma história que inspira
Hoje, a Chácara Vó Emília e a Elied Queijaria são referência regional em organização, produtividade e qualidade. Mas, para o casal Duarte, a maior conquista é outra: a transformação de vida proporcionada pelo conhecimento, dedicação e muita paixão pela agropecuária.
“Quando olhamos para trás e vemos de onde começamos, percebemos o quanto valeu a pena acreditar”, diz Eliete, que celebra, junto com Eder e o extensionista Ricardo, a inclusão da propriedade no Programa Rota do Queijo Paulista, uma iniciativa do Governo de São Paulo que visa promover o turismo rural e fortalecer os produtores de queijos artesanais em todo o território paulista, integrando diversas queijarias em circuitos de visitação e gastronomia.
E assim, entre pastagens bem manejadas, planilhas preenchidas e muito queijo curado, Urupês segue revelando que a força da agricultura familiar – quando aliada à assistência técnica e extensão rural – é capaz de construir histórias premiadas.
Balde Cheio, Feap e nova fase do CATI Leite
Nos últimos anos, o CATI Leite passou por reestruturação, que culminou em seu relançamento em 2025. Hoje, cada região conta com um monitor conectado diretamente à equipe do Programa Balde Cheio da Embrapa Pecuária Sudeste. “A integração aumenta a rede de apoio técnico e oferece soluções mais precisas aos produtores paulistas”, explica.
Além disso, produtores acompanhados pelo projeto têm acesso facilitado ao crédito orientado do Feap-Leite Agro SP, que financia até R$ 120 mil para investimentos estruturais, com juros entre 3% e 5% ao ano e prazos de até sete anos. Outras linhas – como Feap-DRS (Desenvolvimento Rural Sustentável) e Feap-PSA (Pagamento por Serviços Ambientais) – também apoiam energia solar, manejo sustentável da água, Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) e conservação de solo.
“O crédito, quando aplicado numa propriedade já acompanhada pelo CATI Leite, se transforma em ferramenta estratégica. O técnico conhece a realidade do produtor e orienta exatamente para onde os recursos devem ir”, destaca Ricardo.
Em um passo decisivo para elevar a precisão das informações que orientam políticas públicas e o planejamento agrícola regional, a CATI Regional Ourinhos reuniu técnicos municipais em um treinamento estratégico conduzido por especialistas do Instituto de Economia Agrícola (IEA), ambos órgãos da Secreatria de Agricultura e Abastecimento
A CATI Regional Ourinhos realizou um treinamento especializado com o Instituto de Economia Agrícola para aprimorar os levantamentos de safra, subjetivo e preços correntes realizados nos municípios da região. A capacitação reuniu técnicos das Casas da Agricultura e marcou mais um avanço na qualificação dos dados que servem de base para decisões públicas e privadas no setor agropecuário paulista.
Conduzido pelos pesquisadores do IEA, Celso Vegro e Celma da Silva Lago Baptistella, o treinamento abordou metodologias e orientações essenciais para melhorar a coleta e interpretação das informações agrícolas. Na ocasião, Vegro destacou o protagonismo da CATI nesse processo. “A confiabilidade dos dados depende do trabalho dos técnicos da CATI. Nós confiamos apenas nos dados levantados pela instituição”, afirmou.
Sérgio Tambara, chefe da CATI Regional Ourinhos, reforçou o impacto direto dos levantamentos no cotidiano dos municípios. “Essas informações são fundamentais para subsidiar políticas públicas, definir impostos e orientar decisões de gestão”, comentou.
Para Alfredo Ferrari, especialista agropecuário da CATI Regional Ourinhos, o papel dos técnicos municipais é decisivo na qualidade das informações geradas. “Dependemos muito do trabalho dos técnicos nos municípios, especialmente porque nem todas as Casas da Agricultura contam com servidores próprios. Além disso, o momento é favorável, com novas equipes nas Secretarias Municipais de Agricultura”, ressaltou.
O encontro encerrou o ciclo de treinamentos de 2025 da CATI Regional Ourinhos, ano em que temas como Projetos CATI, Município Agro, Combate a Incêndios, SISP Artesanal e Compras Públicas para Agricultura Familiar foram trabalhados junto aos municípios. Para 2026, o primeiro treinamento agendado abordará o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Com iniciativas contínuas de capacitação, a CATI Regional Ourinhos reafirma seu compromisso com a qualidade dos levantamentos agrícolas e o fortalecimento da gestão rural no estado de São Paulo.

Em um encontro que movimentou 42 municípios e reuniu profissionais de diversas áreas ligadas ao setor público, a CATI Regional Ourinhos promoveu um evento técnico para discutir os principais desafios e avanços das políticas públicas voltadas à agricultura familiar – área estratégica para o desenvolvimento rural e a segurança alimentar
A CATI Regional Ourinhos realizou, no mês de novembro, um evento técnico voltado ao debate e aprimoramento das políticas públicas destinadas à agricultura familiar. O encontro reuniu 160 participantes, incluindo nutricionistas, secretários municipais de agricultura, técnicos e servidores responsáveis pelos setores de compras das prefeituras, representando 42 municípios da região.
O objetivo do evento foi promover a troca de experiências e ampliar o entendimento sobre a implantação e a melhoria dos programas de compras públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e as Políticas Públicas de Aquisição Institucional (PPAIs).
Durante as palestras, especialistas abordaram temas essenciais para a execução dessas políticas, como o enquadramento do agricultor familiar, as atualizações da legislação do PNAE, os procedimentos para implantação do programa e o potencial de comercialização de produtos de origem animal por meio do SISP Artesanal. Um dos momentos mais aguardados foi a apresentação do técnico Maurício da Conceição Barbosa, da CATI Regional Ourinhos, que detalhou o passo a passo para a elaboração de um edital de Chamada Pública, ferramenta fundamental para a compra direta de produtos da agricultura familiar pelos municípios.
Encerrando o encontro, uma mesa-redonda reuniu diferentes perspectivas do setor: um produtor rural, uma nutricionista, um representante municipal e um técnico da CATI. O grupo debateu oportunidades e dificuldades enfrentadas na execução dos programas de compras públicas, destacando a importância da integração entre poder público, agricultores e equipes técnicas. “O evento reforçou o nosso papel, como órgão de extensão rural, na transferência de conhecimento e organização de capacitações, contribuindo para o fortalecimento da agricultura familiar e para a melhoria da gestão pública nos municípios da região”, avalia Sérgio Tambara, chefe da CATI Regional Ourinhos.
Em uma ação conjunta, técnicos da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) Regional Ourinhos e servidores da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) têm trabalhado com produtores rurais da região para legalização de suas atividades e agregar valor aos produtos por meio da obtenção do SISP Artesanal. Técnicos da CATI − o médico-veterinário Alfredo Ferrari e o zootecnista Mauricio Barbosa −, junto do técnico da CDA − o médicoveterinário Matheus Millo Hoppe −, atuam em campo promovendo o SISP, que é o serviço de registro de estabelecimento artesanal.

A metodologia de trabalho − implementada pela CATI e Defesa Agropecuária da Regional Ourinhos − consiste, primeiramente, em uma reunião com produtores nos municípios, com intuito de sensibilizá-los sobre a importância da regularização da produção de produtos de origem animal, como pescado, queijo, mel, ovos, entre outros. Em um segundo momento, a convite do próprio produtor interessado na regularização, CATI e Defesa, juntas, por intermédio de seus técnicos, fazem uma visita até a propriedade, onde há orientação sobre a escolha do local no qual será implantado o empreendimento ou adequação de construção já existente.
Com uma visão voltada ao mercado, os técnicos da CATI dão ênfase nas oportunidades de agregação de valor aos produtos com selo SISP. “Por meio da obtenção do SISP Artesanal, o produtor consegue vender seus produtos em diversos mercados, prefeituras e até mesmo divulgá-los nas redes sociais, aumentando seus ganhos”, diz Alfredo Ferrari.
Paralelamente, a CDA, com foco na saúde pública e nas questões sanitárias, alerta os produtores sobre os perigos de comercializar produtos sem inspeção ou origem, colocando em risco a saúde da população. “Esta já é a oitava rodada da atividade, que percorreu alguns dos municípios que compõem a área de atuação da Regional de Ourinhos da Defesa Agropecuária, cujo resultado tem sido a regularização da produção artesanal dos pequenos produtores da região”, comenta Matheus.

Visitas técnicas aos produtores
As reuniões com produtores têm sido um verdadeiro sucesso, com público médio de 50 participantes. “As prefeituras abraçaram essa causa e têm sido grandes parceiras nesse projeto”, comenta Alfredo.
Atualmente, na Regional Ourinhos, seis projetos de regularização estão em andamento, com três plantas pré-aprovadas e em processo de obtenção da aprovação final. Ainda, para adequações ou aquisição de equipamentos, alguns produtores utilizarão recursos do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap).
(Com informações de CATI Regional Ourinhos)