Projeto da CATI, que nasceu como horta escolar para crianças do Centro de Convivência Infantil, tornou-se oficialmente um Centro de Educação Ambiental de Campinas, reconhecido por promover sustentabilidade, saúde, incentivo à alimentação saudável, cidadania, conexão com a natureza e respeito à vida
Em um dia marcado por emoção, reencontros e celebração da vida, o Centro de Educação Ambiental (CEA) Fazendinha Feliz, da CATI, comemorou seus 15 anos de existência reunindo crianças, jovens, servidores, parceiros, educadores e representantes de diversas instituições que ajudaram a construir a trajetória de um projeto que ultrapassou os limites de uma horta para se tornar uma referência em educação ambiental e alimentação saudável.
A programação contou com palestras, apresentações musicais, visita de alunos da Educação Infantil de Campinas, Feira Agroecológica, plantio de mudas e homenagens. “O aniversário da Fazendinha foi um momento de congraçamento, de recordar histórias e homenagear os jovens que, em 2011, na época em que eram crianças vinculadas ao Centro de Convivência Infantil (CCI), os quais foram a razão da criação do projeto e se tornaram seus cofundadores. Foi uma alegria celebrar essa trajetória com todos que contribuíram e contribuem para transformar, dia após dia, esse sonho em realidade”, destacou o engenheiro agrônomo da CATI, Osmar Mosca Diz, um dos idealizadores e responsável pelo projeto.




Presente na abertura do evento, o subsecretário de Agricultura de São Paulo, Luiz Henrique Barrochelo, destacou a relevância do projeto e o apoio ao seu desenvolvimento, enaltecendo a trajetória do espaço que começou como um projeto de horta escolar voltada às crianças do CCI e que, ao longo dos anos, transformou-se nesse importante espaço de educação ambiental da cidade de Campinas.
Também participaram da abertura, Antoniane Arantes, representando a diretora da CATI, Fabiana Gouvêa, e a diretora da Defesa Agropecuária, Érica Melo, que, na ocasião, mostrou grande alegria, por receber a notícia de que serão acrescentadas ações ligadas às questões sanitárias e de fitossanidade às atividades cotidianas.
Em sua fala, Arantes destacou a importância da iniciativa para a instituição e para a sociedade. “Em nome da direção da CATI, parabenizamos esse projeto que é uma referência, valorizando o rural e sua conexão com o meio ambiente, e demonstrando que a educação ambiental pode transformar vidas, promover hábitos saudáveis e fortalecer valores humanos essenciais. Que a comemoração desses 15 anos seja um marco de felicidade distribuído a muitos outros espaços paulistas. Parabéns Osmar e equipe, pela perseverança, esforço e competência na condução desse projeto de sucesso”.
De horta escolar a Centro de Educação Ambiental
Criada com o objetivo de aproximar as crianças do CCI da terra, dos alimentos e dos ciclos da natureza, a Fazendinha Feliz nasceu como uma horta escolar voltada à promoção da educação alimentar e ambiental por meio do cultivo de hortaliças, frutas e plantas orgânicas.
Ao longo dos anos, o espaço ampliou sua atuação e passou a desenvolver atividades relacionadas à educação ambiental, Agroecologia, compostagem, conservação da biodiversidade, promoção da alimentação saudável e formação de educadores e multiplicadores dos saberes compartilhados. Entre os destaques está o meliponário educacional, consolidado no Parque das Abelhas, que contribui para sensibilizar visitantes ˗ crianças, jovens e adultos ˗ sobre a importância dos polinizadores para os ecossistemas, a produção de alimentos e a biodiversidade.
Outro destaque, segundo Osmar, foi a implantação da coleção de PANC no projeto. “Nestes 15 anos, a Fazendinha Feliz consolidou importantes iniciativas voltadas à educação ambiental e à valorização da biodiversidade. Um dos marcos desse trabalho foi a implantação, em 2012, da primeira coleção de Plantas Alimentícias Não Convencionais, as PANC, da CATI. Essa coleção pioneira não apenas ampliou o conhecimento sobre essas espécies, mas também serviu de base para a criação do Horto de Plantas Medicinais e PANC da CATI, que hoje funciona como uma extensão do Projeto Fazendinha Feliz, fortalecendo as ações de pesquisa, educação e difusão de práticas sustentáveis para produtores, estudantes e toda a comunidade.”




Segundo Osmar, atualmente, a Fazendinha Feliz representa uma importante conquista institucional e um espaço permanente de aprendizagem. “Ter este ambiente educativo dentro da CATI é uma grande conquista, mas também uma grande responsabilidade. E nos dá muito orgulho em ver que o projeto tem sido reconhecido como um local de referência, de encontros, de trocas de conhecimento e de construção de valores”, ressalta, informando que o objetivo é continuar proporcionando experiências capazes de despertar o encantamento pela natureza, o respeito à vida e a compreensão dos processos envolvidos na produção de alimentos saudáveis.
E, falando em reconhecimento, em 2025, o Projeto Fazendinha Feliz conquistou a terceira colocação na Categoria Poder Público e foi homenageado na 18.ª edição do Prêmio RAC-Sanasa de Responsabilidade Ambiental, que reconhece os melhores projetos em gestão ambiental da região.
As sementes que floresceram nos corações

A comemoração teve um significado especial ao reunir jovens que participaram da criação do projeto quando ainda eram crianças vinculadas ao Centro de Convivência Infantil da CATI. Homenageados como cofundadores da iniciativa, eles retornaram aos canteiros onde plantaram suas primeiras mudas, revivendo memórias e experiências que contribuíram para sua formação pessoal e cidadã.
Guilherme Latorre Diz, 17, relembrou a infância vivida nos canteiros da Fazendinha. “A comemoração de 15 anos do projeto da Fazendinha Feliz foi emocionante, lembrar de quando plantávamos a mudinhas de verduras ali nos canteiros no início de tudo e reproduzir novamente agora depois de bastante tempo. Reencontrar os amigos da época e, conversando, lembrar dos encontros e aprendizados que tivemos lá, foi tudo muito bom. Fico muito orgulhoso e grato de ter sido homenageado e também por fazer parte de um pouco disso, desse projeto incrível que a Fazendinha Feliz é.”
Outra homenageada, Maria Anita Magrinho de Medeiros, 17, relembrou a importância do projeto na sua vida. “Foi muito especial participar desse evento de comemoração dos 15 anos da Fazendinha. Foi uma surpresa muito boa para mim quando o Osmar ligou para minha mãe me convidando. Reencontrei amigos, as ‘tias’ e o Osmar. A Fazendinha e a CATI fizeram parte da minha infância e, com certeza, de quem eu sou hoje. Minha gratidão a todos! Que esse projeto da Fazendinha Feliz continue fazendo parte da vida de muitas crianças!
Outro que expressou seus sentimentos foi João Gabriel Pinheiro de Souza Confortin, conhecido como “João Beldroega”, apelido carinhoso recebido do Osmar pelo entusiasmo com que consumia essa PANC cultivada nos canteiros da Fazendinha. “A comemoração foi emocionante, pois reencontramos amigos de infância (e foi possível trocar telefone para nos aproximarmos de novo), as ‘tias’ do CCI e ouvir do ‘tio Osmar’ que eu até cavava buracos na horta procurando mais para comer, quando as folhas de cima sumiam (risos), me fez ter a certeza do motivo de eu gostar tanto de verduras hoje. Participar da Fazendinha foi uma experiência muito especial, porque aprendi, desde cedo, que os alimentos vêm da terra, das mãos de pessoas que dedicam sua vida e que precisamos cuidar da natureza para que ela continue nos oferecendo tudo isso. É uma experiência que levo para a vida inteira”.
Para Osmar, esse reencontro evidenciou o verdadeiro legado do projeto. “Não há princípio, virtude ou valor humano que não possa ser compreendido pelas crianças por meio da horta, uma verdadeira sala de aula ao ar livre, cuja mestra é a natureza. Esses jovens lançaram sementes à terra quando eram crianças. Hoje, retornam ao mesmo lugar para plantar novas mudas. É emocionante perceber que aquelas sementes germinaram também em seus corações.”

Educação alimentar que transforma hábitos
A nutricionista Denise Baldan, uma das idealizadoras do Projeto e responsável pela alimentação das crianças do CCI, na época de sua criação, também foi homenageada durante a celebração. Segundo ela, os resultados da Fazendinha Feliz demonstram o potencial da educação alimentar vivenciada na prática.
“Desde o início, percebemos que as crianças criavam uma relação diferente com os alimentos quando participavam de todo o processo, do plantio à colheita. Muitas passaram a experimentar verduras e hortaliças antes rejeitadas. A educação alimentar acontece de forma prazerosa, afetiva e integrada à natureza, contribuindo para hábitos saudáveis que podem acompanhar essas crianças por toda a vida.”

Homenageada durante a comemoração, Denise destacou emocionada: “Celebrar os 15 anos da Fazendinha é celebrar dedicação, inclusão, aprendizado e transformação social. É também reconhecer o trabalho coletivo de muitas pessoas que acreditaram nesse sonho e contribuíram para torná-lo realidade.”
Educação ambiental para além dos muros da CATI
O crescimento da Fazendinha Feliz foi construído coletivamente ao longo de sua trajetória, envolvendo servidores da CATI, voluntários, pesquisadores, extensionistas rurais, profissionais da saúde, educadores, nutricionistas, famílias e instituições parceiras.
Essa rede de colaboração transformou a antiga horta escolar em um espaço de convivência, aprendizagem e bem-viver, capaz de conectar diferentes gerações em torno da sustentabilidade, da cidadania e do cuidado com a vida.
Ao longo dos últimos 15 anos, ela ampliou significativamente seu alcance e hoje recebe regularmente estudantes (crianças, adolescentes e estudantes da educação especial), educadores, profissionais da saúde, representantes de instituições públicas e privadas e visitantes interessados em conhecer práticas de educação ambiental e alimentação saudável.
Educadores que participam regularmente das atividades destacam o valor pedagógico das experiências oferecidas pelo espaço. “Aqui, as crianças observam a natureza de perto, compreendem a origem dos alimentos e aprendem sobre biodiversidade, sustentabilidade e cidadania. São vivências que dificilmente seriam alcançadas apenas em sala de aula” é a fala comum de centenas de professores das redes públicas e privadas que já passaram e passam pelo projeto.
Mas as ações da Fazendinha Feliz também beneficiam grupos comunitários atendidos por serviços socioassistenciais e de saúde. A assistente social Pâmela Ferreira da Costa, do Distrito de Assistência Social Sudoeste da Prefeitura de Campinas, que acompanha grupos de idosos vinculados aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), destaca os impactos positivos das atividades.
“A Fazendinha Feliz é um espaço de resistência porque podemos ter vivência rural no meio urbano e por ser um espaço de educação ambiental. Tive a oportunidade de implantar dois projetos de horta comunitária em unidades de CRAS, no município de Campinas, com o apoio e a assistência técnica da CATI. As hortas no âmbito da Assistência Social são espaços de convivência e fortalecimento de vínculos, os participantes são, em sua maioria, pessoas idosas, por isso as vivências na Fazendinha, bem como o acompanhamento técnico do Osmar, foram fundamentais para a boa evolução dos nossos projetos, promovendo convivência, bem-estar e integração social, fortalecendo a educação alimentar e a produção local de alimentos. Além disso, a Fazendinha Feliz também é especial por ser um espaço que possibilita, principalmente aos idosos, uma reconexão com a natureza e o resgate de memórias com o meio rural que tiveram na infância ou juventude, pois oferece um ambiente de desaceleração, reconexão e bem-estar físico e mental”, avalia Pâmela.
Compromisso com as futuras gerações
Ao celebrar seus 15 anos, a Fazendinha Feliz reafirma seu compromisso de continuar semeando conhecimento, saúde, cidadania, sustentabilidade e amor à terra. “O trabalho seguirá fortalecendo a atuação como Centro de Educação Ambiental e, agora, com o ânimo renovado pelo apoio ainda maior dos nossos dirigentes, para ampliar parcerias no desenvolvimento das ações voltadas à biodiversidade, à produção sustentável de alimentos e à formação de cidadãos conscientes; e com o mesmo propósito que nos norteia desde o primeiro dia: semear conhecimento, valores e esperança para as futuras gerações”, conclui Osmar.
A seguir, a galeria de imagens do evento.
















Parceria entre CATI e Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente promove capacitação técnica, resgate cultural e alimentação saudável por meio das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC)
Piracicaba viveu uma experiência marcada por aprendizado, troca de saberes e valorização da biodiversidade alimentar. Em uma ação conjunta entre a Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e a prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente, foi realizada uma ampla programação dedicada às Plantas Alimentícias Não Convencionais, reunindo servidores públicos, educadores e participantes de programas municipais voltados à agricultura urbana e educação ambiental.
As atividades aconteceram na Cozinha Experimental da Secretaria – integrante do Programa Cozinhalimento da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, espaço estruturado para cursos e oficinas culinárias – e foram conduzidas pelo engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Extensão Rural da CATI, Osmar Mosca Diz, responsável por ações de fortalecimento das ações desenvolvidas pelo Horto de PANC e Plantas Medicinais e o Projeto de educação ambiental Fazendinha Feliz, da CATI.
Conhecimento técnico e sabores que surpreendem
Pela manhã, foi realizada a oficina “Explorando a Riqueza Medicinal das PANC”, voltada ao fortalecimento do Grupo de Trabalho de Plantas Medicinais do município. Durante a atividade, os participantes aprenderam sobre identificação, propriedades nutricionais e possibilidades culinárias de diversas espécies comestíveis pouco conhecidas, muitas vezes presentes em quintais, hortas e áreas urbanas.
Além do conteúdo técnico, a oficina proporcionou uma verdadeira vivência gastronômica, onde os próprios participantes prepararam receitas utilizando PANC, como galinhada com ora-pro-nóbis, polenta com taioba, peixinho-da-horta empanado e suco de inhame com gengibre e limão.
Segundo o engenheiro agrônomo Osmar, iniciativas como essa aproximam a população de uma alimentação mais saudável e sustentável. “As PANC representam uma riqueza alimentar e cultural imensa. Muitas dessas plantas são resistentes, nutritivas e adaptadas ao nosso território. Quando ensinamos as pessoas a reconhecê-las e utilizá-las, estamos fortalecendo a segurança alimentar, valorizando o conhecimento tradicional e incentivando práticas sustentáveis.”
Já o secretário de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente de Piracicaba, Maurício Perissinoto, ressaltou a importância da parceria com a CATI para ampliar ações de educação ambiental e agricultura urbana no município. “Essa integração entre a prefeitura e a CATI fortalece políticas públicas fundamentais para Piracicaba. O trabalho com as PANC dialoga diretamente com saúde, educação, sustentabilidade e agricultura familiar. É uma iniciativa que gera conhecimento e transforma hábitos”.
Formação para escolas destaca potencial pedagógico das PANC
No período da tarde, a programação teve continuidade com o 3.º Encontro Formativo do Programa Horta nas Escolas, com o tema “Uso Pedagógico e Social das PANC”. A atividade evidenciou como essas plantas podem ser utilizadas no ambiente escolar como ferramenta de educação alimentar, ambiental e cultural.
Entre as preparações realizadas ganharam destaque o chá de feijão-borboleta – que chamou atenção pela mudança de cor –, bolo de ora-pro-nóbis, peixinho-da-horta frito e antepastos criativos, despertando o interesse dos educadores para aplicação prática junto aos alunos.
Para Daniel Prezotto Longatto, servidor da secretaria que auxiliou na organização do evento, o encontro demonstrou o potencial transformador das ações intersetoriais. “Quando unimos agricultura, educação e meio ambiente, conseguimos levar conhecimento de forma prática e acessível. As PANC despertam curiosidade e ajudam a construir uma relação mais consciente com a alimentação e com o território, comentou.
Paola Mandetta Tokumoto, servidora da secretaria que também integrou a organização, destacou o envolvimento dos participantes e a receptividade das atividades. “Foi muito gratificante acompanhar o interesse das pessoas durante as oficinas. Além do aprendizado técnico, houve um verdadeiro resgate cultural, mostrando que muitos alimentos considerados ‘mato’ podem ser extremamente nutritivos e saborosos”.




Educação infantil e transformação de hábitos
Um dos relatos mais marcantes do encontro foi o da supervisora de Educação Infantil Ana Paula Castilha Bergamin Martinelli, que participou da formação e destacou o impacto das PANC nos ambientes escolar e familiar. “A oportunidade de conhecer as PANC e poder remeter este aprendizado à comunidade escolar na Educação Infantil é a porta que se abre para instigar a conscientização com a saúde e conservação do meio ambiente”, afirmou.
Segundo Ana Paula, inserir o tema no cotidiano das escolas amplia horizontes e desperta a curiosidade das crianças. “É de extrema importância levar contextos como este para o hábito de vida das crianças e famílias que atendemos. Dentro dos projetos que as escolas já realizam, a prática alimentar com as PANC desperta curiosidade e aproxima as crianças da natureza e da alimentação saudável”.
Ela também relatou a receptividade positiva das receitas apresentadas durante a oficina. “O preparo do bolo, que foi tão gostoso, e do ‘peixinho’; assim como os sucos que agradam os gostos infantis, nos trouxeram oportunidades enriquecedoras de trabalho e produção de cultura na infância. Aqui, na Secretaria de Educação, muitas pessoas já comeram o bolo de ora-pro-nóbis, porque fiz em casa e trouxe para experimentarem. Foi aprovado!”, contou.
PANC como ferramenta de sustentabilidade e valorização cultural
Mais do que receitas culinárias, as ações reforçaram a importância das PANC para a segurança alimentar, preservação ambiental, fortalecimento da agricultura familiar, bem como valorização da cultura local.
Em Piracicaba, a iniciativa integra programas como o Municipal de Agricultura Urbana e a Cozinha Experimental, além de fortalecer os trabalhos desenvolvidos pela CATI. Ao final do encontro, ficou evidente que o conhecimento sobre as Plantas Alimentícias Não Convencionais vai além da alimentação: representa um resgate de saberes tradicionais, incentivo à sustentabilidade e construção de novos hábitos para as futuras gerações.










Atividade promovida pela CATI mostrou, na prática, como a compostagem e a vermicompostagem ajudam a reduzir o lixo e fortalecer a conexão com a natureza
O que muita gente chama de lixo pode, na verdade, ser o começo de um novo ciclo de vida. Foi com essa proposta de transformação, educação ambiental e cuidado com a terra que o Centro de Educação Ambiental Fazendinha Feliz, da CATI, realizou, no dia 27 de abril, uma oficina especial sobre criação de minhocas e produção de húmus, reunindo cerca de 30 participantes interessados em aprender formas sustentáveis de reaproveitar resíduos orgânicos domésticos e transformá-los em húmus para as suas plantas, para suas hortas e seus pomares.
A atividade contou com a participação do minhocultor Luis Fernando Fregolon, referência no tema há mais de 25 anos em Campinas e integrante do grupo de estudos “Escola na Horta”, da própria Fazendinha Feliz. Durante a oficina, os participantes puderam conhecer técnicas simples e acessíveis de vermicompostagem, processo em que as minhocas transformam restos de frutas, verduras e outros resíduos orgânicos em húmus, um adubo natural rico em nutrientes. “As minhocas são nossas aliadas nessa importante atribuição humana”, destaca Osmar Mosca Diz, engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Extensão Rural (Cextru) da CATI e responsável pelo Projeto Fazendinha Feliz.

Mais do que ensinar técnicas, a oficina despertou encantamento e mostrou a simplicidade da implantação do sistema. Os participantes acompanharam, de perto, o trabalho silencioso das minhocas e compreenderam como pequenas atitudes dentro de casa podem gerar impactos positivos para o meio ambiente. “A vermicompostagem pode ser implantada tanto nos quintais das casas como em escolas, propriedades rurais e até mesmo em apartamentos, pois o espaço exigido e ocupado com as minhocas é bastante reduzido. As pessoas, sobretudo as crianças, ficam encantadas com a transformação das cascas de frutas e das verduras descartadas em um valioso adubo orgânico para a terra”, explica Fregolon.
A ação integra o trabalho permanente de educação ambiental desenvolvido pela CATI, por meio da do Projeto Fazendinha Feliz, que promove atividades práticas voltadas à sustentabilidade, alimentação saudável e valorização da vida e biodiversidade.
Segundo Osmar, iniciativas como essa ajudam as pessoas a enxergar os resíduos orgânicos de outra maneira. “O lixo orgânico só será tido como lixo se não tivermos competência de lidar com ele. Mas, se o utilizarmos como se deve, ele se transforma em um resíduo extremamente valioso, com potência para voltar a ser terra e, depois, alimento novamente”, avalia.
Ele ressalta, ainda, que a compostagem e a atuação das minhocas são fundamentais para a saúde do solo e para a construção de uma consciência ambiental mais prática e cotidiana. “As minhocas exercem um papel extraordinário nesse processo. Elas aceleram a decomposição da matéria orgânica, produzem um húmus riquíssimo para o solo e ajudam a devolver vida à terra. Além do benefício ambiental, a vermicompostagem também tem um forte caráter educativo, porque faz as pessoas compreenderem os ciclos da natureza e a responsabilidade que cada um tem sobre os resíduos que produz”. Ao incentivar práticas sustentáveis e aproximar a população dos processos naturais, a Fazendinha Feliz reafirma seu papel como espaço de formação, sensibilização e construção coletiva de uma relação mais consciente com o meio ambiente. “A CATI, por meio da Cextru e do Projeto Fazendinha Feliz, cumpre assim o seu papel de contribuir para a expansão da educação ambiental”.






Oficina sobre abelhas nativas sem ferrão reuniu agricultores urbanos, técnicos e instituições parceiras, reafirmando o papel extensionista da instituição na educação ambiental
E a porteira já está aberta! Com a realização de uma oficina sobre meliponicultura – a criação de abelhas nativas sem ferrão –, tiveram início as atividades do Projeto Fazendinha Feliz, centro de educação ambiental da CATI, reconhecido oficialmente pela Prefeitura de Campinas, onde está localizado. Realizada no espaço educativo do projeto, a atividade contou com a participação de mais de 30 pessoas, entre agricultores agroecológicos urbanos, técnicos da Prefeitura Municipal de Campinas e facilitadoras do Instituto Pé de Feijão.
Segundo o engenheiro agrônomo Osmar Mosca Diz, do Centro de Extensão Rural (Cextru/CATI) e responsável pelo projeto, o encontro simbolizou o compromisso permanente da CATI com a educação, a sustentabilidade ambiental e a alimentação saudável. “Iniciar o ano com uma atividade como essa reafirma o papel da Fazendinha Feliz como um espaço de encontro, de aprendizado e de construção conjunta do conhecimento, especialmente em temas como a meliponicultura, que é tão importante para a vida de toda a sociedade”.

Para o agrônomo, o interesse demonstrado pelos participantes evidencia o avanço da atividade no estado. “A meliponicultura (área na qual a CATI vem atuando há anos, contribuindo para a formação, organização e apoio no cadastramento e na regularização de meliponicultores junto aos órgãos competentes) vem crescendo de forma consistente em São Paulo, com cada vez mais produtores formados, atuantes e regularizados. Isso mostra que o conhecimento, quando compartilhado com responsabilidade, gera frutos duradouros”.
Representando a diretoria da CATI, o extensionista rural Antoniane Arantes enalteceu o projeto, que, em 2026, completa 15 anos. “A Fazendinha Feliz é um projeto de muito orgulho para a CATI, possibilitando que o comportamento correto e ético em relação ao meio ambiente seja vivido e aprendido por todas as pessoas que vivenciam atividades neste espaço tão bem desenvolvido e cuidado pelo engenheiro agrônomo Osmar Mosca, uma referência da instituição em conceitos de sustentabilidade, ecologia e desenvolvimento humano, especialmente no trato com as crianças, um dos maiores públicos das ações do projeto. Sobre esta primeira atividade do ano, podemos dizer que ela permitiu aos participantes aprender, na prática, a importância das abelhas nativas sem ferrão para a manutenção da vida no planeta, bem como sua integração a todos os ambientes produtivos agrários e ecológicos”.

Programação
As abelhas nativas sem ferrão fazem parte da história da Fazendinha Feliz, desde fevereiro de 2016, com a instalação das primeiras colônias no meliponário didático, um espaço de aprendizado permanente aberto para visitas guiadas ou espontâneas. “O meliponário é uma ferramenta pedagógica poderosa. Ele permite que as pessoas conheçam de perto esses seres tão valiosos e compreendam sua importância para a manutenção da vida e para a produção de alimentos”, explica Osmar.




Durante a oficina, foram abordadas técnicas e princípios relacionados à importância ecológica das abelhas nativas, ao respeito à biodiversidade e à criação responsável desses insetos, fundamentais para a polinização e o equilíbrio dos agroecossistemas.
A oficina reafirmou o papel da CATI na promoção de uma extensão rural baseada no diálogo, na cooperação e na educação, contribuindo para o desenvolvimento coletivo e sustentável. “A extensão rural é, acima de tudo, um processo educativo construído entre pessoas que desejam aprender, se unir e transformar a realidade de forma conjunta”, conclui o agrônomo.



Parcerias alimentam o Projeto Fazendinha Feliz
Em todo o desenvolvimento do projeto, Osmar reforça que as parcerias são fundamentais para o sucesso das atividades. Nesta oficina, em especial, segundo ele, o agradecimento é para o Instituto Pé de Feijão, parceiro na organização da atividade e na mobilização dos participantes, bem como às agricultoras das hortas comunitárias da cidade, que contribuíram com o preparo do lanche, seguindo a proposta de sempre oferecer uma alimentação saudável, natural e saborosa, com uso de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) e plantas medicinais. “Nada disso seria possível sem as parcerias. Trabalhar em conjunto com instituições, produtores e a comunidade fortalece nossa missão e amplia o alcance das ações, tanto na cidade quanto no campo”, destacou.


Fazendinha Feliz: 15 anos de atividades educativas que transformam vidas
Em 2026, o Projeto Fazendinha Feliz completa 15 anos de atuação na área de educação ambiental e alimentar, consolidando-se como referência na valorização das práticas agroecológicas e na aproximação entre o campo e a cidade. “Em junho, completaremos 15 anos de serviços prestados à sociedade, especialmente às crianças e aos educandos, que encontram aqui um espaço de encantamento, aprendizado e valorização da vida e das coisas da terra”, celebra Osmar, enfatizando que o espaço tem sido reconhecido como um ambiente educativo voltado à convivência entre agricultores, extensionistas, crianças, educandos, educadores e a sociedade em geral. “A missão da extensão rural é educar por meio do encontro. Quando agricultores, técnicos e instituições se reúnem com esse propósito, criamos uma rede sociotécnica viva, que ultrapassa as cercas dos agroecossistemas”.
Confraternização reuniu educadores, aprendizes e representantes dos povos indígenas Tukano em uma tarde marcada por troca de conhecimentos, respeito à diversidade e valorização da agroecologia
O encerramento das atividades de 2025 do Projeto Fazendinha Feliz – unidade de Educação Ambiental reconhecida pela Prefeitura Municipal de Campinas -, realizado no último dia 15 de dezembro, na CATI, foi marcado por muito mais do que uma confraternização. O encontro reuniu cerca de 30 integrantes da Rede “Escola na Horta”, que se reúnem no âmbito do Projeto, em uma tarde de diálogo intercultural, reflexão e aprendizado, com a participação especial de representantes de povos indígenas das etnias Tukano e Dessana, do estado do Amazonas, atualmente acadêmicos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Durante a roda de conversa, os convidados indígenas compartilharam aspectos de sua cultura, língua nativa, modos de vida, hábitos e costumes, além de relatarem as dificuldadesenfrentadas ao viver longe de suas aldeias para buscar formação acadêmica em Campinas. Os depoimentos, especialmente do casal Marinaldo Almeida Costa e Marilda Dias de Souza, emocionaram os participantes e ampliaram o entendimento sobre a importância da preservação cultural e do respeito à diversidade. “Os indígenas trouxeram seu artesanato e os participantes puderam adquirir artigos para presentear as pessoas, nesse encontro que contou também com a presença do médico da Prefeitura de Campinas, Paulo Abati, que é apoiador dos povos indígenas na Unicamp e membro da ONG Expedicionários da Saúde, que leva assistência à saúde até aldeias longínquas do norte do Brasil. E também é grande parceiro do Projeto Fazendinha Feliz”, explica Osmar Mosca Diz, extensionista da CATI e coordenador do Projeto Fazendinha Feliz, destacando também a presença de outra parceira do Projeto, Adriana Tiba, estudiosa das abelhas do Brasil.




Segundo Osmar, a presença dos povos indígenas na instituição tem um significado profundo. “É muito importante nos unirmos e somarmos forças com nossos irmãos indígenas, que precisam do nosso respeito e apoio. A presença deles aqui reforça a resistência diante de tantas dificuldades e a reafirmação de sua identidade e cultura”, destacou.
Essa foi a segunda visita dos indígenas à CATI. A primeira ocorreu durante a celebração do Dia Nacional da Abelha e da Agroecologia, realizado nos dias 2 e 3 de outubro, quando participaram da abertura oficial do evento, além de atuarem como feirantes e expositores, fortalecendo a integração entre saberes tradicionais e técnicos.
A Rede “Escola na Horta”, formada por educadores e aprendizes, tem como princípio comum conhecer, respeitar e apoiar diferentes formas de relação com a terra. Para Osmar, a visão indígena oferece ensinamentos essenciais para o desenvolvimento rural sustentável. “A relação que os povos indígenas estabelecem com a terra e com os bens naturais, considerados sagrados e dons de Deus, é um exemplo para todos nós. Trata-se de uma relação de respeito, reverência e conservação”, afirmou.
Do ponto de vista técnico, o encontro reforçou que muitos dos princípios da agricultura conservacionista, da Agroecologia e dos sistemas agroflorestais têm origem no conhecimento tradicional indígena, inspirado em uma relação integrada com a natureza, “muito antes de esses conceitos serem sistematizados pela ciência moderna”, avalia Osmar, enfatizando que “o encerramento das atividades de 2025 do Projeto Fazendinha Feliz reafirma o compromisso da CATI com a educação, a sustentabilidade, a valorização dos saberes tradicionais e o diálogo intercultural, mostrando que o futuro da agricultura passa, necessariamente, pelo respeito às raízes e à diversidade de conhecimentos que constroem o campo brasileiro”. Na oportunidade, também houve plantio de mudas nativas no Parque da CATI.
População indígena em Campinas
Segundo dados do Censo de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), a população indígena de Campinas cresceu 50% em 12 anos, passando de 1.043 pessoas, em 2010, para 1.568. Além do crescimento, o levantamento revela que Campinas conta com 96 etnias e 26 línguas indígenas diferentes.
Uma visita técnica ao meliponário do Projeto Fazendinha Feliz, da Coordenadoria de Assistência Técnica integral (CATI), se transformou em uma parceria transnacional, unindo a Colômbia e o Brasil, por meio do trabalho de extensão rural realizado pela CATI no desenvolvimento sustentável da meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) no Estado de São Paulo.
Em um intercâmbio organizado no âmbito de projetos e parceria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidad Nacional da Colombia, professores e pesquisadores das duas universidades realizam visitas técnicas às principais ações e aos principais projetos realizados em cada país para o desenvolvimento da meliponicultura.
“A visita dos pesquisadores da Colômbia, acompanhados do Prof. Roberto Greco, da Unicamp, foi uma honra e uma oportunidade para apresentarmos um pouco do trabalho realizado pela rede de extensionistas da CATI junto aos produtores rurais e na área da meliponicultura. Eles mostraram grande interesse no Parque das Abelhas (meliponário) e no espaço da Fazendinha Feliz, onde acontecem as atividades de educação ambiental com professores e alunos, e local onde puderam visitar a nossa horta de PANC – Plantas Alimentícias não Convencionais”, salienta o engenheiro agrônomo do Departamento de Extensão Rural (Dextru)/CATI, Osmar Mosca Diz, responsável pelo Projeto Fazendinha Feliz e pelo Meliponário, ressaltando que um dos visitantes colombianos, o Prof. Rodulfo Ospina, é um importante pesquisador de abelhas nativas no país, desenvolvendo, junto à Universidad Nacional, inúmeros trabalhos de estudo, pesquisa e educação em relação às abelhas. “O Prof. Ospina mostrou grande interesse no trabalho de assistência técnica e extensão rural da CATI, realizado junto aos projetos de meliponicultura e apicultura no estado, por um grupo técnico muito dedicado”.

Acompanhando o grupo, como responsável por esse projeto de intercâmbio na Unicamp, o Prof. Roberto Greco, do Instituto de Geociências da Unicamp, no Departamento de Políticas Científicas e Tecnológicas, relatou a importância da visita técnica à CATI. “Eu conheci o trabalho da CATI junto aos meliponicultores e apicultores, quando, há dois anos, participei do Seminário do Dia da Abelha, organizado pelo engenheiro agrônomo Osmar Diz. Ali, soube da importância e do grande trabalho realizado pela equipe de técnicos da CATI em todo o estado, tanto na parte de assistência técnica aos criadores quanto no incentivo à preservação das abelhas, principalmente das espécies nativas. Por isso, ao idealizarmos esta visita técnica de 15 dias, com o objetivo de promover um intercâmbio de conhecimento e trocas de experiências − visando ao desenvolvimento da meliponicultura, incluindo informações sobre polinização, comercialização de produtos das abelhas, legislação, bem como ações de educação ambiental −, agendamos esta visita pelo fato de a CATI ter muito a contribuir nesse segmento, com seu excelente trabalho de anos”.

Vivenciando o contato com as abelhas sem ferrão no meliponário, o Prof. Ospina (coordenador do Laboratório de Abelhas da Universidad Nacional) se encantou com espécies nativas como mandaçaia e jataí, que não existem na Colômbia, e falou sobre a experiência. “Podemos dizer que o trabalho com as abelhas na Colômbia tem uma estreita ligação com o Brasil, pois foi por meio dos livros, estudos e pesquisas do professor Nogueira Neto que iniciamos trabalhos, pesquisas e projetos na Universidad”, comenta o professor.
Sobre a visita à CATI, o Prof. Ospina relata que teve excelente impressão do trabalho de extensão rural. “Essa nos mostrou a importância do trabalho de assistência técnica para o pleno desenvolvimento da meliponicultura e também da apicultura, de forma ampla e sustentável. Na Colômbia, ainda estamos com poucos projetos e ações em temas como identificação de espécies, comercialização, produção, legislação e controle sanitário. Mas, com certeza, essa parceria que nasceu com este intercâmbio com a Unicamp, que nos proporcionou uma imersão em tantas entidades, como a CATI, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade de São Paulo (USP), bem como a troca de experiências com meliponicultores, se tornará ainda mais estreita”.

Osmar Mosca Diz, engenheiro agrônomo do Dextru/CATI; Rodulfo Ospina, Prof. da Universidad Nacional da Colombia; Roberto Greco, Prof. do Instituto de Geociências da Unicamp; Alejandra Cano, doutoranda da Universidade da Califórnia em Davis (atua com abelhas nativas nos trópicos e aldeias indígenas na Colômbia); Patricia Jaime, pesquisadora da Universidad Nacional da Colombia.