Capacitação reuniu especialistas e extensionistas para alinhar metodologias de manejo, gestão e reprodução, visando ao aumento da rentabilidade dos pequenos produtores
Com o objetivo de impulsionar a assistência técnica e a extensão rural no sudoeste paulista, as Regionais da CATI de Avaré, Itapeva e Itapetininga realizaram, nos dias 6 e 7 de maio, em Avaré, um encontro de nivelamento técnico do Projeto CATI Leite. A atividade reuniu 15 técnicos (do próprio quadro e conveniados) para uma imersão em metodologias voltadas à retomada estratégica das ações junto aos produtores da região.
O treinamento focou na padronização do atendimento em campo, garantindo que as ferramentas de gestão e as práticas produtivas cheguem de forma eficiente às propriedades, especialmente aquelas inseridas na agricultura familiar.
A zootecnista Ana Paula Roque, da CATI Regional Itapetininga, conduziu os painéis sobre manejo de pastagens e gestão de custos. Durante a capacitação, ela reforçou que o CATI Leite é uma iniciativa vital para elevar a rentabilidade da atividade. “O encontro foi essencial para atualizar as equipes e apresentar ferramentas que aprimoram nossa atuação. O foco é transformar a prática produtiva em um negócio sustentável”, destacou.
No âmbito da eficiência biológica, o manejo reprodutivo foi o tema central da palestra ministrada pelo médico-veterinário Francisco César de Moura e Silva, da CATI Regional Itapeva. O especialista enfatizou que o planejamento reprodutivo é essencial para a produtividade constante nas propriedades leiteiras. A integração entre as três Regionais foi apontada como um dos pontos altos do evento. O chefe de divisão da CATI Regional Avaré, Euvaldo Neves Pereira Junior, ressaltou que o nivelamento das ações é o que garante a qualidade do serviço prestado pela instituição. “Nosso foco principal são os pequenos produtores. Por meio do gerenciamento da atividade, buscamos a redução de custos e o aumento real da produtividade para garantir a viabilidade econômica dessas famílias”, afirmou.









Com dieta de “puro grão”, experimento da CATI Regional Jales demonstra como transformar o bezerro leiteiro em um produto de alto valor agregado e rentabilidade
Um desafio histórico para o produtor de leite é o baixo valor de mercado dos bezerros machos de origem europeia, muitas vezes desvalorizados no momento da venda. Para mudar esse cenário, a CATI Regional Jales, em parceria com a Prefeitura de Urânia e a iniciativa privada, realizou um Dia de Campo focado na terminação desses animais utilizando a dieta de “puro grão”. O evento reuniu técnicos e produtores de 18 municípios da região.
A técnica apresentada foca na intensificação do ganho de peso, permitindo que o bezerro leiteiro atinja precocemente o padrão de “Boi China” (animal jovem, com excelente acabamento de gordura e dente de leite), alcançando preços competitivos no mercado de carne.
Os resultados apresentados foram colhidos em uma vitrine tecnológica conduzida pelo médico-veterinário Ivan Soubhia Garcia, chefe da Casa da Agricultura de Urânia, no Sítio São Paulo. O lote experimental passou por um período de adaptação de 16 dias e, em seguida, recebeu uma dieta composta exclusivamente por 85% de milho grão inteiro e 15% de núcleo peletizado.

Os números da vitrine tecnológica, realizada entre setembro de 2025 e abril de 2026, impressionaram pela eficiência em ganho de peso, conversão alimentar e qualidade da carcaça. Os animais entraram no sistema com 120,6kg e, após 216 dias, atingiram a média de 421,8kg. O ganho médio diário foi de quase 1,4kg por animal. Foram necessários apenas 4,79kg de ração para produzir 1kg de peso vivo. No abate, o rendimento médio foi de 51%, com acabamento de gordura considerado ideal para a exportação.
A viabilidade econômica foi o ponto alto do debate. O experimento demonstrou um lucro bruto expressivo, que variou entre R$ 982,52 e R$ 1.444,95 por animal, dependendo das oscilações do preço da arroba no período.
Segundo Ivan Soubhia Garcia, o sucesso da atividade depende de um tripé fundamental com atenção total ao protocolo sanitário, à adaptação rigorosa dos animais e ao bem-estar. “Além disso, o produtor precisa de planejamento estratégico para a compra do milho no momento certo”, pontuou. Para a CATI Regional Jales, a técnica é uma ferramenta de fortalecimento para as famílias atendidas, especialmente pelo Projeto CATI Leite. Luciano Martines, chefe de divisão da Regional, reforçou que o objetivo é levar essa assistência técnica a mais propriedades. “A terminação em ‘puro grão’ não é apenas uma técnica de manejo, é uma alternativa real para agregar valor ao que antes era um subproduto, garantindo mais dinheiro no bolso do produtor”, finalizou.









Com parcerias estratégicas, tecnologia e extensão rural, a CATI, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, mostrou na Agrishow como políticas públicas e projetos sustentáveis estão gerando renda, oportunidades e dignidade no campo paulista
Balanço da participação da CATI na Agrishow 2026
Mais que um dever; a sensação é de missão cumprida! A presença da CATI na 31.ª Agrishow reafirmou um compromisso que vai muito além da difusão tecnológica, pois se trata de levar conhecimento, oportunidades e transformação real para quem vive e produz no campo. Em um dos maiores palcos do agronegócio no mundo, a instituição apresentou um conjunto robusto de políticas públicas, projetos e ações que impulsionam cadeias produtivas, promovem sustentabilidade e, sobretudo, impactam diretamente a vida de milhares de produtores rurais.
Ao longo da feira, realizada entre os dias 27 de abril e 1.° de maio, extensionistas e especialistas demonstraram como a atuação integrada da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, em parceria com diversas instituições, tem fortalecido o desenvolvimento rural sustentável. Iniciativas como os Projetos CATI Leite, Solo + Fértil, Integra SP Agro, Cacau SP, Frutas Vermelhas SP e Programa de Aquisição de Alimentos – PAA Cesta Verde mostraram, na prática, que é possível produzir mais, com qualidade e respeito ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que se amplia a geração de renda e emprego no campo.
Com este cenário, o estande da CATI se transformou em um verdadeiro ponto de encontro entre conhecimento técnico e histórias de vida. Produtores e técnicos compartilharam experiências, visitantes se emocionaram com resultados e gestores públicos conheceram modelos que podem ser replicados em diferentes regiões do país.
“Vivemos um momento histórico nessa edição, com recorde de público e um interesse impressionante nos nossos projetos. Projetos como o Cacau SP, Frutas Vermelhas e CATI Leite despertaram mais que curiosidade, levaram esperança de que é possível promover desenvolvimento com sustentabilidade ambiental e econômica, transformando vidas com dignidade, renda e qualidade. O mais gratificante foi ouvir depoimentos de produtores e visitantes, muitos emocionados ao perceber que essas iniciativas estão, de fato, mudando realiddes e abrindo novos caminhos no campo”, comenta o diretor da CATI, Ricardo Domingos Luiz Pereira.
E são justamente esses relatos que dão sentido ao trabalho desenvolvido. Produtores destacaram o aumento da produtividade, a diversificação das atividades e a melhoria na qualidade de vida de suas famílias. Visitantes se surpreenderam com o alcance das ações e com a proximidade da assistência técnica oferecida pelas Casas da Agricultura, presentes na maioria dos municípios paulistas.
Sendo assim, a Agrishow 2026 consolidou a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da CATI, como protagonista na construção de um agro mais inclusivo, inovador e sustentável, pois, mais do que apresentar projetos, a instituição mostrou resultados concretos: vidas transformadas, cadeias produtivas fortalecidas e um futuro mais promissor para o campo paulista.
Projetos, programas e ações chamam atenção de todas as faixas etárias
A CATI marcou presença com um time de extensionistas e especialistas parceiros da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e do Governo de SP, apresentando e esclarecendo dúvidas sobre políticas públicas e projetos que impactam a geração de emprego e renda no campo, aliada ao desenvolvimento sustentável, destacando informações e orientações sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR); linhas de financiamento do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap); projetos e programas como o Cacau SP; CATI Leite; Integra SP, com ILPF – Integração, Lavoura, Pecuária e Floresta e Solo + Fértil; Frutas Vermelhas SP, PAA Cesta Verde, bem como comercialização de sementes e mudas com garantia de qualidade e apresentação de projetos da CATI Sementes e Mudas.
Na Agrishow, produtores rurais tiram dúvidas sobre o seu Cadastro Ambiental Rural (CAR)
“É um orgulho que CATI esteja presente na Agrishow, desde o seu início, há três décadas. Para nós da extensão rural, é uma oportunidade ímpar de apresentar nossas ações, bem como nossos programas e projetos executados não apenas para o público-alvo da instituição, os produtores rurais, como para todos os visitantes, incluindo gestores públicos que, muitas vezes, vêm de outros estados e até de outros países conhecer o trabalho de Ater (Assistência Técnica e Extensão Rural) realizado como missão em todo o estado, pela capilariedade da nossa atuação, que tem nas Casas da Agricultura, instaladas na maioria dos municípios paulistas, a porta de acesso para que os agricultores acessem políticas públicas, projetos, capacitações e crédito rural; bem como o Governo de SP formalize parcerias público-privada para execução de ações e projetos com impacto nas áreas rural e urbana”, ressalta Ricardo Pereira, diretor da CATI.
Na Agrishow, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta com o Integra SP Agro e a Rede ILPF
Projeto Cacau SP
A CATI mostra o Projeto Cacau SP na Agrishow
No espaço do projeto, os visitantes foram recebidos pelo mascote “Cacauzinho” e puderam participar de oficinas que mostraram o processo desde a amêndoa até a produção do chocolate (saboreando este que é conhecido como o “alimento dos deuses”) e esclarecer dúvidas sobre o projeto com especialistas do Grupo Técnico de Cacau da CATI.




Durante a Feira, também foi lançado o Documento Técnico 137 “Cenário atual da cacauicultura paulista e estratégias para expansão sustentável”, publicação que passa a integrar o portfólio da instituição, que mantém mais de mil títulos, e que já está disponível para download gratuito no site da CATI.

Projeto Frutas Vermelhas SP
A CATI apresenta para os produtores, na Agrishow, o Projeto Frutas Vermelhas SP
Já no espaço do Projeto Frutas Vermelhas SP, os especialistas técnicos da CATI Regional Campinas, responsável pela execução e desenvolvimento em todo o território paulista, apresentaram as principais ações técnicas realizadas até o momento e esclareceram dúvidas de produtores e interessados em iniciar nas culturas de amora, mirtilo e framboesa, englobadas pelo projeto.
Por meio desse projeto, que está sendo desenvolvido para aprimorar a cadeia produtiva das frutas vermelhas, ampliando a área cultivada e a qualidade das frutas, a CATI tem difundido inovação, com tecnologia e variedades adaptadas para climas mais quentes, abrindo novas fronteiras para o cultivo dessas frutas de clima temperado em diversas regiões do estado, ao mesmo tempo em que disponibiliza mais uma opção rentável para os produtores rurais paulistas.




Atualmente, o projeto conta com o envolvimento de 10 Regionais da CATI e 47 produtores, incluindo a instalação de Unidades de Adaptação de Tecnologia e Unidades Demonstrativas. Além disso, já ultrapassou as fronteiras paulistas, por meio de termo de cooperação técnica assinado entre a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e a Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal.
Outro ponto alto para os visitantes foi o lançamento da Instrução Prática 281 “Frutas Vermelhas – Cor, Sabor e Saúde”, que já está disponível para download gratuito, no site da CATI.

Projeto CATI Leite
Os produtores e visitantes do estande da CATI tiveram uma surpresa nesta edição. No espaço dedicado ao Projeto CATI Leite, foram recebidos pela mascote do projeto: a Catiana!
E todos foram unânimes: a Catiana, uma réplica fiel de uma vaca de leite, conquistou os corações e motivou muitos a obterem mais informações junto a especialistas do Grupo Técnico de Bovinocultura de Leite sobre o projeto que, mais que levar tecnologia para aumentar a qualidade, a produtividade, a rentabilidade e a gestão nas propriedades leiteiras paulistas, além de melhoramento genético e conforto animal, principalmente em pequenas áreas, tem transformado vidas no campo.
De solicitações para levá-la para “passear” em outros eventos, levar a metodologia do Projeto CATI Leite para pastagens além das fronteiras do território paulista e encantar crianças e adultos, com lembranças emotivas, a Catiana também incentivou estudantes a querer aprofundar conhecimentos sobre os trabalhos da extensão rural paulista na cadeia produtiva do leite.




Uma dessas estudantes foi Giovana Denadai, aluna da graduação em Zootecnia na universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Ilha Solteira, que foi ao estande atraída pela mascote. “Eu tenho uma paixão pela área de bovinocultura de leite e não conhecia muito sobre projetos de extensão rural na área em São Paulo. E o CATI Leite me encantou, pois muda a vida de pessoas. Já vou entrar em contato com a responsável pelo Grupo Técnico de Bovinocultura de Leite da CATI, e quem sabe consigo um estágio ou visita técnica?”, comentou enquanto tirava fotos com os colegas da Universidade.
CATI Sementes e Mudas

Outro destaque desta edição foi a atuação da CATI Sementes e Mudas, que evidenciou como a base produtiva começa com qualidade genética, inovação e acesso. Com tecnologias como a Ecopot – que substitui embalagens plásticas por soluções biodegradáveis – e projetos voltados à sanidade e produtividade de culturas como mandioca e batata-doce, a unidade reforça seu papel estratégico no fortalecimento das cadeias produtivas.
A CATI Sementes e Mudas apresenta vitrine tecnológica com materiais produzidos pela CATI
Para o coordenador da CATI Sementes e Mudas, Gerson Cazentini Filho, o impacto da participação na feira foi marcante. “Mais do que falar em números, e eles foram muito expressivos, é preciso destacar a importância do trabalho de extensão rural promovido junto a produtores de diversas partes do país e até de outros países, que puderam conhecer as sementes e mudas produzidas em núcleos de excelência instalados em diversas regiões paulistas”.
CATI Sementes e Mudas levando suas variedades na Agrishow 2026
Durante os cinco dias da Agrishow, foram comercializadas cerca de 4.000 mudas, sendo as mais vendidas de banana, frutas vermelhas (mirtilo, amora e framboesa), cacau e outras frutíferas comerciais, como manga, abacate e atemoia. “Entre vendas e orientação técnica, nossa equipe fez mais de mil atendimentos no estande. E muitos contatos foram feitos, os quais resultarão em atendimentos e vendas futuras”, celebra Cazentini.
CATI apresenta o AL Vassoura, o Sorgo-vassoura, que propicia aquelas vassouras naturais que usamos em casa
Balanço do Governo de SP na Agrishow
Acesse https://agricultura.sp.gov.br/arquivos/15588 e veja: SP fecha Agrishow com recorde de aporte a produtores rurais e 250 mil hectares regularizados
Sobre a Agrishow 2026
- A Feira tem alcance internacional, pois reúne mais de 800 marcas expositoras, incluindo grandes potências agrícolas do mundo, e atrai visitantes de dezenas de países.
- Mobiliza um volume bilionário de negócios, movimentando mais 11 bilhões de reais em intenções de negócios nesta 31.ª edição, consolidando-se como um termômetro econômico do setor.
- É uma vitrine de tecnologia, por ser um dos principais palcos mundiais para o lançamento de máquinas agrícolas, agricultura de precisão, drones, IA (Inteligência Artificial) e soluções de automação no campo.
- Tem uma dimensão física que ocupa uma área de mais de 520.000m², sendo frequentemente citada como a maior feira agrícola a céu aberto da América Latina e uma das maiores do mundo.
A seguir, a galeria de imagens:




























Premiada em concursos nacionais em 2024 e 2025, a Queijaria Elied integra o CATI Leite desde 2017, mostrando a força da agricultura familiar
No coração do noroeste paulista, em Uurupês – município ligado à CATI Regional Catanduva –, uma pequena propriedade familiar prova que dedicação, assistência técnica e compromisso com a qualidade transformam sonhos em conquistas. A Elied Queijaria, dos produtores Éder e Eliete Duarte, celebrou, no final de fevereiro, mais um marco em sua trajetória: a conquista do selo Agro SP, concedido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio da Diretoria de Defesa Agropecuária e da Diretoria de Desenvolvimento dos Agronegócios, a propriedades certificadamente livres de brucelose e tuberculose.
Mais do que um certificado, o selo representa anos de investimento em sanidade, manejo responsável e aprimoramento contínuo do rebanho. Para os consumidores, é a garantia de que os queijos produzidos na propriedade não são apenas saborosos, mas também seguros. Para outros produtores, abre portas: a certificação assegura que a comercialização de animais do plantel seja feita sem o risco de disseminação dessas doenças de grande impacto na bovinocultura.


Desde 2017, quando passou a integrar o Projeto CATI Leite, com acompanhamento da equipe da CATI Regional Catanduva, sob a responsabilidade do médico-veterinário Ricardo Santos Silva, a propriedade construiu uma trajetória marcada por evolução constante. “Ao longo desses anos, o casal Éder e Eliete transformou a realidade da produção: ampliaram a produtividade leiteira, aprimoraram a gestão financeira, estruturaram a queijaria artesanal registrada no Serviço Estadual de Inspeção Sanitária (SISP) e conquistaram prêmios nacionais pelo alto padrão de qualidade de seus queijos.
Projeto CATI Leite: base para a conquista do selo artesanal
A história da Elied Queijaria se confunde com a própria atuação do Projeto CATI Leite. Desde o início, a propriedade recebeu acompanhamento técnico sistemático, orientação sobre Boas Práticas Agropecuárias, controle sanitário rigoroso e suporte para estruturação da agroindústria artesanal.
Esse acompanhamento foi decisivo para que a propriedade alcançasse não somente o selo Agro SP, mas também o reconhecimento como queijaria artesanal regularizada, apta a competir em nível nacional.
O médico-veterinário Ricardo destaca o simbolismo da conquista dessa certificação, salientando que a queijaria Elied é a personificação do sonho de muitos produtores da pecuária leiteira de pequena escala. “Ficamos orgulhosos em participar desse projeto e ver os frutos do esforço do Éder e da Eliete. O selo Agro SP comprova que é possível produzir com excelência sanitária, organização e visão empreendedora de forma artesanal. Nesse contexto, o Projeto CATI Leite tem o papel de orientar, acompanhar e dar base técnica para que os produtores conquistem certificações como essa, agreguem valor ao leite e transformem sua realidade, com rentabilidade e sustentabilidade. Nosso objetivo, como extensionistas atuando no CATI Leite, é que cada dia mais tenhamos pequenas propriedades certificadas e mais queijos premiados”.
E para os produtores Éder e Eliete, a nova conquista reafirma o compromisso com a qualidade e aumenta a responsabilidade com os consumidores que, cada vez mais, tem buscado os produtos. “Para nós, como agricultores familiares, é um orgulho e também uma grande responsabilidade, pois ser produtor de leite e queijo é uma paixão, mas sabemos a importância e os desafios para se produzir um produto de qualidade em sabor e sanidade, que seja seguro para aqueles que o consomem. Mas poder contar com o apoio da CATI na adoção das metodologias do CATI Leite, as quais fizeram com que pudéssemos nos estabelecer como produtores rurais (Eliete ainda exerce o magistério por amor à educação e à formação de cidadãos), tem sido determinante para o nosso sucesso e manutenção da propriedade. E agora, o recebimento do selo Agro SP veio coroar ainda mais a nossa dedicação e esforço, nos impulsionando a abrir ainda mais mercados para o nosso queijo, que, acima de tudo, é feito com muito amor!”, avalia o casal.



Segurança para o consumidor e fortalecimento da pecuária paulista
Segundo Ricardo, a certificação de propriedade livre de brucelose e tuberculose é resultado de anos de seleção criteriosa do rebanho e rígido controle sanitário. “Essas doenças, além de comprometerem a produtividade, representam riscos sanitários importantes e podem causar grandes prejuízos econômicos”, explica, enfatizando que, ao receber o selo Agro SP, a Elied Queijaria “reforça a confiança do consumidor e contribui para o fortalecimento da pecuária leiteira paulista, mostrando que pequenas propriedades, quando bem-assistidas e comprometidas com a qualidade, podem alcançar padrões elevados de excelência”.
A conquista não é apenas da família produtora, é também um exemplo de como políticas públicas bem-estruturadas, assistência técnica contínua e dedicação no campo podem gerar resultados concretos, sustentáveis e inspiradores para todo o setor.
Em 2025, a cadeia produtiva da fruticultura correspondeu à metade dos atendimentos realizados pelas Casas da Agricultura e CATI Regional Jales
A região de Jales se destaca no agronegócio paulista pela produção de frutas, principalmente laranja, limão, tangerina e uva. No ano passado, por meio de suas Casas da Agricultura e Regional, a Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo, prestou aproximadamente 8.000 atendimentos, com cerca de 50% correspondentes à cadeia produtiva de fruticultura.
A estratificação geral das Unidades de Produção Agropecuária (UPAs) caracteriza-se por áreas menores que 50 hectares e predomínio da mão de obra familiar. Esse é um dos motivos da diversificação agrícola na região, de acordo com o chefe de Divisão da CATI Regional Jales, Luciano Martines. “A citricultura está presente em todos os 22 municípios da região. Atualmente, contabilizamos aproximadamente cinco milhões de plantas de citros, sendo 3,5 milhões de pés de laranja, o que demanda atendimento em várias frentes, seja para crédito, projetos de financiamento, regularização ambiental e políticas públicas, para os mais de 1.500 produtores envolvidos nessa cadeia produtiva. Essa produção abastece mercados regionais, grandes centros e outros estados”, informa.



Já as pastagens ocupam 56% da área total, com a atividade de bovinocultura de leite e de corte em 5.200 propriedades. Segundo Martines, a pecuária leiteira possui alta demanda de orientação técnica, pois envolve, em sua maioria, pequenos produtores, com desenvolvimento do Projeto CATI Leite em suas UPAs.



Na olericultura, há destaque para a produção de tomate e demais olerícolas em Paranapuã e Mesópolis, sendo observada expansão nos últimos anos em outros municípios da região. “A participação dos produtores em políticas públicas, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), estimula a atividade de olericultura. Isso nos permite oferecer diversos cursos na área”, ressalta o chefe de Divisão.



Menos tradicionais
“O açaí é uma novidade, com algumas pequenas áreas produtivas e outras em início de implantação, destacando as que são cultivadas em consórcio com cacau. Também aumentou o interesse pelas frutas vermelhas, em especial o mirtilo. Como nossa região possui produtores com o perfil para a fruticultura, existe uma perspectiva positiva para a introdução dessa cultura”, complementa Martines.
Para o diretor da CATI, Ricardo Pereira, a SAA atua como a ponte entre a tradição e o novo potencial da região. “Estamos atentos ao movimento dos produtores e às novas exigências do mercado. Nosso compromisso é fortalecer as culturas que já são o coração econômico da Regional Jales, bem como dar o suporte técnico necessário para que o mirtilo, o cacau e o açaí deixem de ser promessas e se tornem realidades lucrativas”, destaca Pereira.
Os municípios atendidos pela Regional são: Aparecida d’Oeste, Aspásia, Dirce Reis, Dolcinópolis, Jales, Marinópolis, Mesópolis, Nova Canaã Paulista, Palmeira d’Oeste, Paranapuã, Pontalinda, Rubinéia, Santa Albertina, Santa Clara d’Oeste, Santa Fé do Sul, Santa Rita d’Oeste, Santa Salete, Santana da Ponte Pensa, São Francisco, Três Fronteiras, Urânia e Vitória Brasil.


Iniciativa da CATI com a Embrapa, RedeTecAgro capacita técnicas e extensionistas para transferência de conhecimento a produtores rurais
Uma rede composta por mulheres de diferentes regiões paulistas está se capacitando sobre temas relacionados à bovinocultura para fortalecer o agro paulista. Fruto de uma parceria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com a Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) – órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo, a formação ocorre em formato híbrido e será concluída em junho de 2027.
Das 40 vagas disponibilizadas pela RedeTecAgro, 17 foram ocupadas por servidoras da CATI; 15 por técnicas de outras instituições, professoras ou pós-graduandas; e oito por estudantes de graduação. “A troca de experiências entre técnicas de diferentes regiões paulistas amplia repertórios, fortalece a liderança e reduz o isolamento profissional. Isso se reflete em maior segurança técnica, melhor comunicação com os produtores e maior protagonismo das mulheres no setor, sejam as técnicas ou as demais que terão modelos de referência para trilharem novos caminhos”, aponta a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste e coordenadora da RedeTecAgro, Claudia de Mori.
Desenvolvida por 18 meses, a capacitação integra temas estruturados da pecuária com conteúdos emergentes como sustentabilidade, mudanças climáticas e agricultura digital. Durante as aulas, também estão sendo apresentados estudos de caso sobre os problemas da bovinocultura de corte e leite nas diferentes regiões paulistas, com discussão de alternativas tecnológicas para cada uma delas.
De acordo com a gestora estadual do Projeto CATI Leite, Ana Paula Roque, todos os estudos de caso serão apresentados pelas extensionistas rurais da CATI, mostrando a importância da experiência prática de campo nas tomadas de decisão dos pecuaristas. “A mulher, de maneira geral, tende a abordar os problemas de forma mais integrada e empática. Ao chegar a uma propriedade, não observa apenas os índices produtivos, a sanidade do rebanho ou a qualidade do solo; ela percebe as relações familiares, identifica quem participa das decisões, quem executa as atividades e quais são os desafios emocionais e organizacionais que impactam diretamente os resultados da produção. Essa visão sistêmica permite intervenções mais eficazes e sustentáveis. E, na pecuária leiteira, isso é de grande importância, pois, na maioria das propriedades atendidas pela CATI, a atividade é conduzida prioritariamente pela família”, ressalta Ana.
“Ao investir na qualificação técnica das extensionistas, a RedeTecAgro fortalece a transferência de conhecimento aos(às) produtores(as) e amplia a participação feminina em espaços estratégicos de decisão em um setor historicamente marcado por desigualdades. Mulheres capacitadas geram inovação, promovem sustentabilidade e contribuem para uma assistência técnica mais sensível às realidades regionais e aos desafios contemporâneos. Mais do que formar profissionais, essa iniciativa consolida lideranças e reafirma que o futuro do agro paulista será construído com conhecimento, competência e protagonismo feminino”, complementa Nádia Ferreira Dibiasi, do Grupo Técnico de Pecuária de Corte da CATI.



Estudantes de diferentes regiões
“O Estado de São Paulo possui uma agropecuária altamente tecnificada, diversificada e inserida em mercados exigentes, e isso exige que as técnicas estejam permanentemente atualizadas. Quando essas profissionais ampliam suas competências, elas aumentam sua capacidade de orientar decisões produtivas, reduzir riscos, melhorar eficiência e promover inovação no campo”, afirma Claudia.
Dados da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer) revelam que as mulheres compõem cerca de 20% da força de trabalho no setor em nível nacional. Embora o levantamento date de 2018, a estatística ainda espelha a realidade atual. No Estado de São Paulo, o cenário é similar. Das especialistas agropecuárias da CATI, 93 são mulheres, mantendo o índice de 20% de representatividade feminina na extensão rural paulista. Atualmente, a CATI conta com 249 mulheres e 553 homens em seu quadro de servidores gerais, o que representa cerca de 30% de participação feminina no total da força de trabalho.
As técnicas da CATI que participam da RedeTecAgro atuam nas seguintes regiões: Araraquara, Avaré, Botucatu, Campinas, Catanduva, General Salgado, Guaratinguetá, Itapetininga, Itapeva, Jales, Limeira, Marília, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.
“A assistência técnica é o principal elo entre a geração de conhecimento e a aplicação prática nas propriedades rurais. Investir na capacitação técnica de mulheres extensionistas não é apenas uma ação formativa, é uma estratégia de desenvolvimento, pois qualifica a transferência de tecnologias às propriedades e promove um agro mais sustentável, inclusivo e preparado para os desafios contemporâneos”, conclui a coordenadora da RedeTecAgro.

O sol acabou de nascer e no sítio São João, em Potirendaba, município ligado à área de atuação da CATI Regional São José do Rio Preto, o cuidado com o rebanho já está a todo vapor. Na “sala” de ordenha – adaptada para garantir o bem-estar animal e otimizar a coleta do leite com equipamento mecânico -, uma a uma, as vacas em lactação são preparadas, respeitando as regras sanitárias para manter a qualidade do leite. Assim começa o dia da família Ferrari, que, desde 2013, integra o Projeto CATI Leite.
Mas para chegar ao status de propriedade-modelo para centenas de produtores, especialmente os familiares, que se reúnem em vivências práticas e Dias de Campo organizados pela CATI, por meio da Casa da Agricultura local, um longo caminho foi percorrido.
“Quando eu conheci o Projeto, estávamos passando por um momento difícil e doloroso, com a perda do meu pai, que era nosso esteio e da nossa propriedade. Com 20 e poucos anos, me vi com uma pequena área, muitas dúvidas e pouca rentabilidade; em alguns momentos, tivemos dúvidas se seria possível continuar. Hoje, posso dizer que o CATI Leite proporcionou à nossa família a esperança de progressão, condições e estrutura para entender a atividade leiteira, aprendendo e aprimorando as técnicas que nos são transmitidas. Nesse meio-tempo, tivemos a benção de gerar um filho e a esperança de continuidade; estamos sustentáveis no sítio, com renda e qualidade de vida. Foi um divisor de águas”, declara emocionado o produtor Luis Fernando Ferrari, ao lado da esposa Daiane e do pequeno Artur, de cinco anos, que não vai para a escola sem antes abraçar o pai na sala de ordenha e dar “bom dia” para as vacas, as quais conhece cada uma pelo nome.
E para os produtores que visitam a propriedade (como aconteceu em setembro, quando 150 pessoas, de diversas regiões paulistas, participaram do Dia de Campo de relançamento do CATI Leite), o produtor enfatiza sua experiência e incentiva: “Eu sempre digo, tanto para os vizinhos como para os que nos visitam, que acreditem no Projeto e tenham confiança no trabalho do técnico da CATI, como temos aqui no Junior da Casa da Agricultura, que para nós foi um anjo que Deus enviou na nossa vida e hoje se tornou um irmão e um exemplo para o meu filho, que ama tudo na propriedade e adora ouvir os ensinamentos do ‘tio Junior’”, comenta emocionado.






E o “tio Junior”, Clodoveu Nicola Junior Colombo, médico-veterinário responsável pela Casa da Agricultura, também se emociona ao falar do projeto, em que atua como missão e não apenas trabalho, e da proximidade com as famílias envolvidas, como a de Luis Fernando.
“Não tem preço ver o fruto do nosso trabalho refletido na transformação de vida das famílias que integram o Projeto. Quando iniciamos aqui, falei para o Fernando o que repito para os outros produtores interessados em ingressar: as ações só serão positivas, se eles confiarem no trabalho que a gente direciona, acreditando em si mesmos e executando as metodologias propostas. E isso se concretizou aqui no sítio São João; saímos de uma produção de 146 litros/dia, em 2013, para os atuais 750 litros/dia. Mas, por si só, esse dado não é o mais importante, pois o que tem trazido qualidade de vida e a possibilidade de eles continuarem na atividade, com real perspectiva da sucessão familiar, foi a evolução e sustentabilidade econômica, saindo de uma renda bruta e um fluxo de caixa iniciais de R$ 59 mil para os atuais R$ 334 mil, ou seja, de quase R$ 28 mil mensais. Diante desse fato, não é preciso falar mais nada”, relata Junior, complementando: “Este é o valor da extensão rural, que faz a gente acordar de manhã, apesar de todos os desafios, e seguir!”.


Resultados do Projeto CATI Leite no Sítio São João
Em 2013, o cenário encontrado na propriedade era de uma produção de 146 litros/dia, com um rebanho de 17 vacas – sendo 15 em lactação, com uma média de 9,7L/v/dia na lactação; e 8,5L/v/dia no rebanho. A situação atual, impressa nas planilhas de gestão da propriedade, é de uma produção de 750L/dia, com um rebanho de 38 vacas, sendo 37 em lactação, com uma média de 20,2L/v/dia na lactação; e 19,7L/v/dia no rebanho.
Hoje, na área de pouco mais de 17 hectares, o rebanho tem alimento de qualidade e farto a pasto, em pleno inverno, cultivado em piquetes rotacionados com irrigação; silagem de qualidade, cujo excedente pode até ser comercializado; modelo de gestão integral, com anotação dos mínimos detalhes do custo de produção. Além disso, a família Ferrari segue à risca os compromissos assumidos diante da adoção da metodologia, entre os quais: preenchimento de planilhas de controle econômico e zootécnico; realização das vacinações obrigatórias e exames sanitários, bem como de análise de solo; e receber técnicos e outros produtores em ações de extensão rural.
O ganho ambiental também tem sido enorme. Após o cercamento da Área de Preservação Permanente (APP), acabou-se o trilheiro do gado, a mata nativa se regenerou e o curso d’água deixou de ser assoreado. A erosão também deixou de ter lugar no Sítio São João.
O município de Urupês, tradicionalmente reconhecido pela produção agropecuária, especialmente de limão Taiti, ganhou um novo motivo para orgulho em 2025: uma queijaria local conquistou duas premiações nacionais e colocou a cidade no mapa da produção artesanal de excelência. À frente dessa história, estão Éder Augusto Duarte e Eliete Roman Duarte, casal que transformou uma pequena produção de leite em um empreendimento sólido e premiado – sempre acompanhado de perto pela CATI Regional Catanduva (que abrange o município de Urupês em sua área de atuação) e adoção das orientações técnicas do Projeto CATI Leite.
Do emprego urbano ao sonho no campo
A trajetória na pecuária leiteira começou em 2017. Éder trabalhava na indústria, Eliete era professora. O vínculo com a terra sempre existiu, mas a vida ainda não havia permitido a mudança. Isso durou até o momento em que o casal decidiu investir na recém-adquirida propriedade rural.
Com pouca experiência, mas muita vontade de aprender, buscaram auxílio na Casa da Agricultura de Urupês, onde foram apresentados ao Projeto CATI Leite – iniciativa de assistência técnica e extensão rural alierçada no modelo do Programa Balde Cheio, da Embrapa Pecuária Sudeste.
“Foi ali que tudo começou a mudar”, lembra Éder. “Entramos com 57 litros de leite por dia, seis vacas em lactação e mais dúvidas do que certezas.”


O papel do CATI Leite: gestão, técnica e parceria
A adesão imediata do casal ao projeto abriu caminho para um acompanhamento próximo. Os técnicos iniciaram o controle econômico e zootécnico da produção, ajustaram práticas de manejo, recomendaram análises de solo, correção das pastagens, melhorias nutricionais e orientações sanitárias.
Para o médico-veterinário Ricardo Santos da Silva, da CATI Regional Catanduva e integrante do Grupo Técnico de Bovinocultura de Leite da CATI, que faz o acompanhamento técnico da propriedade, o envolvimento da família foi decisivo: “Traçamos juntos as metas desde o início. A dedicação e o capricho do Éder e da Eliete são os pilares do sucesso da propriedade e da queijaria. Eles são um exemplo de que a pecuária de leite pode ser rentável com gestão e foco.”
Com o tempo, a relação técnica evoluiu para uma parceria constante. “O extensionista caminha de mãos dadas com o produtor, tanto nas dificuldades quanto nas conquistas”, explica Ricardo.



Resultados: da ordenha à queijaria premiada
Oito anos após os primeiros passos, os números impressionam. A produção saltou de 57 para 250 litros de leite diários, agora com 15 vacas em lactação. Já a transformação do leite em queijo tomou proporções inesperadas.
A Elied Queijaria, criada pelo casal, começou processando cerca de 300 litros por mês. Hoje, chega a 2.800 litros mensais, produzindo, de forma 100% artesanal, minas frescal, coalhada e o queijo curado, que se tornaria um dos carros-chefe: o queijo “Bambu”, premiado em eventos nacionais em 2024 e 2025.
“Não havíamos pensado em inscrever nossos queijos em premiações, até pelo pouco tempo de produção, mas com apoio recebido e as orientações e incentivos da CATI, especialmente do Ricardo, que nos ajuda inclusive na parte de inseminação, inscrevemos o queijo Bambu em uma premiação nacional e logo veio a surpresa boa: conquistamos a Medalha de Ouro no Concurso Queijo Brasil, em 2024, e o 3. º lugar no Prêmio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA Brasil Artesanal -, na categoria Queijo Tradicional (Maturado), agora em 2025”, celebram Eder e Eliete.
Ainda em 2025, outra premiação, agora do queijo “Nevoeiro”, coroou ainda mais o trabalho realizado dia a dia. “Foi uma surpresa maravilhosa a conquista da Medalha de Ouro no Concurso Queijo Brasil, para o nosso queijo Nevoeiro– artesanal de casca natural e branca, com maturação de mais de 40 dias -, em um concurso nacional com mais de 2.200 participantes”, conta emocionada Eliete
O reconhecimento obtido impulsionou a regulamentação da queijaria no SISP Artesanal e a abertura de novos mercados. “Para nós, como agricultores familiares, é um orgulho e também uma grande responsabilidade, pois ser produtor de leite e queijo é uma paixão, mas sabemos a importância e os desafios para se ter um produto de qualidade em sabor e sanidade, que seja seguro para aqueles que o consomem. Mas poder contar com o apoio da CATI na adoção das metodologias do CATI Leite, as quais fizeram com que pudéssemos nos estabelecer como produtores rurais (Eliete ainda exerce o magistério por amor à educação e à formação de cidadãos), tem sido determinante para o nosso sucesso e manutenção da propriedade.



Uma história que inspira
Hoje, a Chácara Vó Emília e a Elied Queijaria são referência regional em organização, produtividade e qualidade. Mas, para o casal Duarte, a maior conquista é outra: a transformação de vida proporcionada pelo conhecimento, dedicação e muita paixão pela agropecuária.
“Quando olhamos para trás e vemos de onde começamos, percebemos o quanto valeu a pena acreditar”, diz Eliete, que celebra, junto com Eder e o extensionista Ricardo, a inclusão da propriedade no Programa Rota do Queijo Paulista, uma iniciativa do Governo de São Paulo que visa promover o turismo rural e fortalecer os produtores de queijos artesanais em todo o território paulista, integrando diversas queijarias em circuitos de visitação e gastronomia.
E assim, entre pastagens bem manejadas, planilhas preenchidas e muito queijo curado, Urupês segue revelando que a força da agricultura familiar – quando aliada à assistência técnica e extensão rural – é capaz de construir histórias premiadas.
Balde Cheio, Feap e nova fase do CATI Leite
Nos últimos anos, o CATI Leite passou por reestruturação, que culminou em seu relançamento em 2025. Hoje, cada região conta com um monitor conectado diretamente à equipe do Programa Balde Cheio da Embrapa Pecuária Sudeste. “A integração aumenta a rede de apoio técnico e oferece soluções mais precisas aos produtores paulistas”, explica.
Além disso, produtores acompanhados pelo projeto têm acesso facilitado ao crédito orientado do Feap-Leite Agro SP, que financia até R$ 120 mil para investimentos estruturais, com juros entre 3% e 5% ao ano e prazos de até sete anos. Outras linhas – como Feap-DRS (Desenvolvimento Rural Sustentável) e Feap-PSA (Pagamento por Serviços Ambientais) – também apoiam energia solar, manejo sustentável da água, Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) e conservação de solo.
“O crédito, quando aplicado numa propriedade já acompanhada pelo CATI Leite, se transforma em ferramenta estratégica. O técnico conhece a realidade do produtor e orienta exatamente para onde os recursos devem ir”, destaca Ricardo.
Atividade leiteira tem grande importância econômica na região e o evento realizado anualmente tem se consolidado como espaço de atualização de tecnologias e conhecimento
O município de Mococa, ligado à área de atuação da CATI Regional São João da Boa Vista, sediou o “Encontro de Produtores de Leite de Mococa e Região 2025”, com a presença de cerca de 80 pessoas, entre produtores, técnicos das redes pública e privada, lideranças regionais, representantes de empresas atuantes na região, estudantes, bem como de extensionistas de outras Regionais da CATI, como Mogi das Cruzes e Jaboticabal, que viabilizaram a participação de produtores de suas regiões.
Com uma programação interativa realizada no Sítio Indaiá, que contou com palestras e demonstrações práticas, o evento foi coordenado pelos engenheiros agrônomos Valdo Prado Nunes e Daniel Bruno Belutti, sendo este último chefe da CATI Regional São João da Boa Vista. “Os participantes tiveram a oportunidade de interagir com os especialistas, bem como trocar experiências. Na visita à propriedade, se mostraram muito impressionados com a qualidade do pasto neste período de inverno, onde são adotadas técnicas preconizadas pelo Projeto CATI Leite. Além disso, destacaram a importância das informações sobre nutrição de vacas leiteiras e os ajustes necessários para alimentação concentrada, dependendo do alimento volumoso utilizado na dieta delas”, explicam os coordenadores da atividade.
Outro ponto que ganhou destaque na programação foi a apresentação feita pelo médico-veterinário José Ricardo Lobo a respeito da planilha de custo de produção da matriz leiteira, do nascimento ao primeiro parto, a qual foi muito debatida entre os participantes, que observaram na prática a relevância do uso dessa ferramenta. “Podemos afirmar que as expectativas da comissão organizadora, para a transferência das tecnologias, foram superadas”, avalia Valdo.

Ciclo de palestras
A programação teve início com um café da manhã oferecido pelos Laticínios Coqueiros e Leite Fazenda Bela Vista, durante o qual os produtores puderam entregar amostras de leite e volumosos para análise no trailer da Caravana do Giro do Leite, que contou com acompanhamento do pesquisador doutor Luiz Carlos Roma Júnior, do Instituto de Zootecnia, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
A abertura do evento foi realizada pelos extensionistas Daniel e Valdo, que deram as boas-vindas aos presentes, ressaltando a importância da participação dos produtores rurais como protagonistas da atividade e agradecendo aos proprietários do Sítio Indaiá, Silvandir Ribeiro da Silva e Juliano Gaspar da Silva, pela disponibilização da infraestrutura e do local, bem como pelo cuidado com zelo profissional para a produção de leite com qualidade e segurança sanitária.

O Ciclo de Palestras teve início com uma apresentação do Sítio Indaiá, como Unidade Demonstrativa dos Projetos CATI Leite e Integra SP/Rede ILPF, ministrada pelo engenheiro agrônomo Valdo, que destacou o trabalho realizado na propriedade, nos últimos cinco anos, que elevou a produtividade de leite de 15.642 litros/hectare/ano, em 2020, para 26.072 litros/hectare/ano, em 2025, impactando positivamente o aumento da renda mensal obtida. “Nesse período, foi implantado na propriedade um sistema de pasto rotacionado irrigado com integração lavoura e pecuária, tendo acompanhamento técnico da CATI, o que vem possibilitando a agregação de um volume maior de renda na atividade leiteira”, explica Valdo.
O agrônomo ressaltou ainda que, em pequenas propriedades, há uma maior dificuldade de implantação do componente floresta no sistema, mas destacou que existe um planejamento de plantio de cerca de 1.000 árvores de eucalipto ao longo das valetas de drenagem dessa propriedade, visando proporcionar conforto térmico às vacas leiteiras, cujas árvores irão contribuir para a drenagem da área de pastejo rotacionado e terão utilização futura da madeira produzida, no processo produtivo da propriedade.
Ainda em sua apresentação, o agrônomo apresentou métodos e procedimentos para realizar o processo de sobressemeadura de aveia em área de pastejo rotacionado de tifton, descrevendo os materiais necessários e detalhando os custos do procedimento. “Para implementação dessa tecnologia, é indispensável o uso de um sistema de irrigação eficiente, o que permitirá produzir alimento volumoso de alta qualidade para 6UA/ha, com um custo diário de R$ 3,30 vaca/dia, valor muito menor quando comparado aos R$ 12,25 vaca/dia, para alimentação com silagem de milho. A economia é muito grande”.
No decorrer da apresentação, ele também detalhou o procedimento de plantio e o manejo do Sistema, destacando que 1ha do sistema produzirá alimento volumoso para 6UA, por um período de 100 dias, ou seja , de junho a setembro, gerando um incremento de R$ 5.370,00 na renda mensal da propriedade. Após a descrição do método, os participantes se dirigiram para os pastos rotacionados da propriedade − onde observaram a semeadura de aveia e azevém, implantados sobre a pastagem de tifton e grama-estrela da propriedade, 40 dias antes do evento.

A segunda palestra teve o tema “Manejo nutricional de vacas leiteiras em sistema de produção de pastejo rotacionado”, e foi ministrada pelo zootecnista Bruno Henrique Araújo, responsável técnico do setor de agropecuária da Coopercitrus. Em sua apresentação, ele explicou a dinâmica do sistema digestivo de vacas leiteiras e as diferenças entre alimentos volumosos e concentrados utilizados na dieta desses animais, desvendando vários mitos inerentes ao manejo nutricional. Durante sua palestra, o zootecnista elogiou a qualidade dos alimentos volumosos produzidos nas propriedades assistidas pelo Projeto CATI Leite, destacando que o pasto rotacionado é um alimento de excelência para alimentar vacas leiteiras, sendo a base do sucesso econômico dos produtores de leite que tem visitado na região.
A terceira palestra enfocou o “Sistema de criação da matriz leiteira do nascimento ao primeiro parto – planilha de custo de criação da matriz leiteira”, e foi ministrada pelo médico-veterinário José Ricardo Lobo − da Casa da Agricultura de Santo Antônio do Jardim (ligada à área de atuação da CATI Regional São João da Boa Vista) −, que detalhou todo o Sistema Recria de fêmeas leiteiras no Sítio Indaiá, desde o nascimento até o primeiro parto.
Durante sua palestra, José Ricardo apresentou a planilha de cálculo do custo para a produção da matriz leiteira e realizou uma dinâmica para o seu preenchimento, com apoio do criador Juliano Gaspar da Silva. Os participantes interagiram de forma muito interessada para aprendizagem do uso desta ferramenta, que influencia na redução de custos.
O evento foi encerrado por Valdo Nunes, responsável técnico pela atividade, com agradecimento especial aos parceiros, aos participantes e às autoridades presentes, já anunciando a edição do próximo ano e de outras atividades que ainda serão realizadas na cadeia produtiva.


Evento teve como objetivo atualizar e qualificar o corpo técnico da CATI
A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), por meio do Grupo Técnico (GT) de Pecuária Leiteira, realizou, entre 22 e 24 de abril de 2025, o treinamento “Importância dos controles econômicos e zootécnicos para a tomada de decisão nas propriedades CATI Leite”. O evento ocorreu na CATI Regional Catanduva e reuniu profissionais para capacitação em gestão eficiente da atividade leiteira.

Ministrado pelo médico-veterinário da CATI, Ricardo dos Santos da Silva, e pelo chefe adjunto da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pecuária Sudeste, André Monteiro Novo, o curso combinou análise técnica − como apresentação das planilhas de controle das propriedades atendidas pela Regional de Catanduva − com prática em campo, incluindo visitas a unidades produtivas para aplicação dos conceitos discutidos.

Os participantes exploraram indicadores zootécnicos, ferramentas gerenciais e estratégias para otimização de resultados, com ênfase em: manejo de pastagens e produção de volumosos suplementares; nutrição animal no período de seca e criação de bezerros; e demais temas prioritários para a cadeia leiteira.

A iniciativa buscou atualizar e qualificar o corpo técnico da CATI, fortalecendo sua atuação no Projeto CATI Leite. A abordagem teórico-prática permitiu a troca de experiências e consolidação de conhecimentos para orientação mais assertiva aos produtores rurais.
(Com informações do GT de Pecuária Leiteira)