Evento, que foi realizado na sede da CATI, celebrou os 20 anos da PNPMF em sua 23.ª edição
A 23.ª Semana de Fitoterapia Prof. Walter Radamés Accorsi foi encerrada, na última quinta-feira (16), com participação de aproximadamente 1.250 pessoas. Realizado na sede da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), em Campinas (SP), o evento reuniu profissionais da área da saúde, extensionistas rurais, agricultores, professores, estudantes e cidadãos interessados em buscar conhecimentos sobre o cultivo e o uso de plantas medicinais.
A edição de 2026 celebrou os 20 anos da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) e contou com a reabertura do Horto Didático de Plantas Medicinais da CATI. “Neste ano, a Semana de Fitoterapia de Campinas recebeu um público bastante atuante, que interagiu nas palestras e oficinas com muitas perguntas, compartilhando experiências e colaborando com as exposições de trabalhos. O evento superou expectativas ao receber mais de 130 pessoas em nossa sede desde o dia 14 de abril”, afirmou o engenheiro agrônomo da CATI, Osmar Mosca Diz, integrante a comissão organizadora, que contabilizou mais 1.113 participantes on-line, de diversas regiões do Brasil.
Além da Diretoria de Assistência Técnica Integral, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a Semana de Fitoterapia é promovida pela Prefeitura de Campinas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, e pelo grupo Saberes à Luz do Sol. Durante a mesa-redonda “Experiências da Agricultura Urbana e Periurbana (AUP) nos serviços de saúde e assistência social”, a técnica do Núcleo de Saúde Integrativo de Campinas, Tatiana Cargnelutti, apresentou o hotsite – lançado pela prefeitura no evento – que segue diretrizes da PNPMF para valorizar a utilização segura, racional e sustentável das plantas medicinais e dos medicamentos fitoterápicos.
A mesa de abertura da 23.ª Semana de Fitoterapia contou com as presenças de Osmar; do diretor substituto da CATI, Jairo Tcatchenco; do neto do patrono do evento, Walter Radamés Accorsi de Souza Sobrinho; da diretora do Departamento de Saúde campineiro, Mônica Prado de Toledo; da pesquisadora da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) Regional de Pindamonhangaba, Sandra Maria Pereira; e da ex-delegada Teresinha de Carvalho, que foi vereadora por dois mandatos em Campinas e é autora da Lei Municipal n.º 11.385, que instituiu a Semana de Fitoterapia.
Palestras
A primeira palestra foi do professor e presidente da Sustentec Produtores Associados, Euclides Lara Cardozo Junior, sobre os “Caminhos e atalhos percorridos nestes 20 anos da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos”. Segundo o palestrante, é preciso refletir sobre estas duas décadas de PNPMF, identificando os atores sociais (agricultores familiares, profissionais da saúde, indústria e universidade), em que cada um execute a sua especialidade e seja organizada uma cadeia produtiva sustentável, usando o poder de compra do Estado e o Sistema Único de Saúde (SUS) como motor para desenvolvimento dessa política pública.
No segundo dia, o engenheiro agrônomo Ilio Montanari Junior, do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), palestrou sobre a “Importância do horto medicinal para a saúde, educação e meio ambiente”. De acordo com Ilio, fazer um fitoterápico de uma planta brasileira é mais difícil por sua característica selvagem, embora ela seja mais agriculturável. “A variação genética mais importante está na natureza, daí a necessidade de mantermos coleções de plantas medicinais, como o Horto da CATI”, disse o representante do CPQBA.
Na sequência, o professor Nelson Filici de Barros, coordenador do Laboratório de Práticas Alternativas, Complementares e Integrativas em Saúde (Lapacis) da Unicamp, conduziu a palestra: 20 anos da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) em Saúde e sua Importância para o SUS. Para Nelson, se houvesse mais incentivo à promoção de PNPIC na rede de saúde pública, profissionais do setor adoeceriam menos e, consequentemente, poderiam prestar melhores serviços à população. “É preciso criar um movimento social pela expansão das PNPIC no SUS”, enfatizou o coordenador do Lapacis.
Ainda em 15 de abril, a professora Regina Camargo Vieira abordou a “Técnica de Alexander – como se movimentar no dia a dia sem stress e sem dor”. Durante sua palestra, ela não só apresentou esse método de reeducação psicofísica, como ensinou alguns participantes a sentar e levantar de modo correto, destacando como movimentos errados nesses atos podem ocasionar lesões.
No último dia de evento, o “Estilo de vida e saúde, segundo Hildegarda de Bingen” foi tema de palestra de integrantes do Grupo Viriditas: a terapeuta Eloísa Pimentel de Magalhães, a farmacêutica Juliana Raymundo e a engenheira agrônoma Maria Cláudia Blanco. Eloísa falou sobre o uso de pedras medicinais no corpo para alívio de dores, Juliana informou os principais alimentos indicados por Hildegarda no sentido da saúde preventiva e Maria Cláudia apresentou temperos naturais recomendados pela Santa, além de receitas.
Atividades em grupo
Ao longo do evento, também foram realizadas oficinas e prática de vivência. Osmar, Sandra e Maria Cláudia conduziram a “Oficina de identificação, cultivo e uso das plantas medicinais e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no horto”. As integrantes da Cozinha Medicinal, de Santa Bárbara d’Oeste (SP), promoveram a “Oficina de cultivo, uso medicinal e culinária dos hibiscos”. E voluntárias do grupo Saberes à Luz do Sol executaram a “Vivência com Práticas Integrativas e Complementares em Saúde”, que contou com as seguintes atividades: Reiki, auriculoterapia e ensinamento de automassagem nas mãos.
A mesa-redonda sobre Agricultura Urbana e Periurbana foi conduzida por Kelliane Fuscaldi, coordenadora-geral de Agricultura Urbana e Periurbana do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS); Mariana Souza Maia, do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional (DSAN) de Campinas; Agnaldo Bartho, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social; e dos servidores do Departamento de Saúde da prefeitura: Idilio Candido Neto, Rafael Souza Santos e Tatiana. Em sua fala, Kelliane revelou que 87,7% da população brasileira vivem em áreas urbanas, por isso que a AUP deve ser tratada como uma política pública para oferta de alimentos mais saudáveis, especialmente em regiões periféricas.
A coordenadora-geral do MDS destacou Campinas por trabalhos desenvolvidos nesse sentido e abriu espaço para as apresentações envolvendo a Nossa Horta Comunitária/Farmácia Viva Tancredão, a Horta Piloto Cultivando no Florence e a Horta Comunitária Bem-Viver, situada no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Adriana Schwarz. Esses três projetos foram expostos, respectivamente, por Idilio, Mariana e Agnaldo. Na sequência, Tatiana informou os medicamentos fitoterápicos ofertados na rede pública de saúde municipal e Rafael fez uma dinâmica com o público presente, mostrando e doando algumas plantas medicinais.
“Além das palestras e atividades em grupo, gostaria de destacar os 23 expositores que estiveram na feira da 23.ª Semana de Fitoterapia. Esse espaço foi importante nos momentos de pausa, assim como a oportunidade de visita ao Horto Didático de Plantas Medicinais e PANC da CATI”, ressaltou Osmar.
Opinião dos participantes
A antropóloga e educadora social, Janaína Alves da Silva Hallais, saiu de Paulínia (SP) para prestigiar o evento. “A Semana demonstrou a importância da integração das políticas, de pensarmos no cuidado não como uma prática restrita à saúde, mas, também, como uma ação cultural cotidiana”, resumiu Janaína. No evento, a paulinense ainda apresentou seu trabalho de “Oficinas de farmácia viva no CRAS: cuidado, cultura e convivência na proteção social básica”.
O agricultor Thiago Tenório veio de longe buscar conhecimentos sobre o cultivo e o uso de plantas medicinais. “Sou de Juquitiba – município paulista que fica a 152km da sede da CATI – e aprendi muito aqui. No horto, conheci vários tipos de boldo e as propriedades de cada um. Por meio da Técnica de Alexander, foi demonstrada a postura ideal da nossa coluna. A representante da APTA também ensinou muitas coisas interessantes envolvendo farmácia viva. Na oficina de hibiscos, provamos suco, chá, geleia, vinho e até niguiri feito com esse vegetal. Como tenho mais familiaridade com o ato de plantar, foi importante adquirir novos conhecimentos – vou tentar replicá-los em minha cidade”, comentou Thiago.
Confira as transmissões ao vivo da 23.ª Semana de Fitoterapia Prof. Walter Radamés Accorsi nos links abaixo:
- 14 de abril – https://www.youtube.com/watch?v=vFA8uoCJg9w
- 15 de abril – https://www.youtube.com/watch?v=FOOty2XTU-8
- 16 de abril – https://www.youtube.com/watch?v=Irq0j2zjGyc
A seguir, a galeria de imagens do evento:

































Evento, que chega à sua 23.ª edição em 2026, celebrará os 20 anos da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos
A sede da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) receberá, entre 14 e 16 de abril, mais uma edição da Semana de Fitoterapia de Campinas. Criado pela Lei Municipal n.º 11.385, o evento é realizado, desde 2002, pelo grupo Saberes à Luz do Sol, que conta com representantes da CATI e da prefeitura da cidade, com o objetivo de informar, sensibilizar e mobilizar a opinião pública sobre o cultivo e o uso de plantas medicinais.
Em 2026, seu tema celebra os 20 anos da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF). De acordo com os organizadores, a Semana também visa ampliar os conhecimentos técnicos dos profissionais da rede municipal de saúde, proporcionando a divulgação de saberes tradicionais e científicos sobre fitoterapia, etnobotânica e produção de plantas medicinais. A participação é gratuita e aberta ao público.
Além das tradicionais palestras, oficinas, exposições e mesa-redonda a respeito da temática da fitoterapia, a 23.ª edição do evento contará com a reabertura do Horto Didático de Plantas Medicinais da CATI. “A Semana de Fitoterapia de Campinas é considerada um dos principais eventos do calendário municipal. Para a nossa instituição, é motivo de muita alegria sediá-la e disponibilizar nossos técnicos nesse trabalho de conscientização em favor da saúde e do bem-estar humano”, afirma o diretor da CATI, Ricardo Pereira.
Walter Radamés Accorsi
Desde 2007, a Semana de Fitoterapia de Campinas leva o nome de seu patrono, o engenheiro agrônomo e professor Walter Radamés Accorsi, considerado um dos maiores especialistas em plantas medicinais do mundo.
Prática milenar
De origem grega, a palavra fitoterapia resulta da combinação dos termos Phito = plantas e Therapia = tratamento. Segundo dicionários de língua portuguesa, o termo é definido como “tratamento de doenças mediante o uso de plantas”. Uma das mais antigas práticas terapêuticas usadas pelo Homem, sua origem remonta ao ano 8.500 a.C. Outrora considerada uma medicina popular e alternativa, a fitoterapia tem sido cada vez mais usada e reconhecida nos meios médicos e científicos, sobretudo devido a produtos com ação terapêutica comprovada cientificamente.
Sobre a PNPMF
Aprovada por meio do Decreto n.º 5.813, de 22 de junho de 2006, a PNPMF tem como objetivo geral garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional.
Serviço
XXIII Semana de Fitoterapia Prof. Walter Radamés Accorsi
Quando: de 14 a 16 de abril de 2026
Onde: sede da CATI – Avenida Brasil, 2340 – Jardim Chapadão – Campinas (SP)
Entrada: gratuita
Programação: https://encurtador.com.br/DNSX

Ação conjunta entre CATI, IAC, Prefeitura de Campinas e Associação Mata Ciliar reforça a biodiversidade local e utiliza tecnologia hídrica para garantir o estabelecimento das espécies
A Avenida Brasil, na região do Parque Chapadão, em Campinas, ganhou um novo fôlego verde nos últimos dias. A sede da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) finalizou uma etapa crucial em seu projeto de revitalização ambiental, com o plantio de 165 mudas de espécies nativas. A iniciativa, que visa ao enriquecimento arbóreo do Parque da CATI, é fruto de uma rede de colaboração interinstitucional que une preservação do bioma local e recuperação de áreas verdes urbanas.
O projeto foi viabilizado por meio de uma articulação estratégica entre a CATI, o Instituto Agronômico (IAC-Apta), a Associação Mata Ciliar e a Prefeitura Municipal de Campinas. Mais do que uma ação estética, o plantio seguiu rigorosos protocolos agronômicos para assegurar que as mudas prosperem no ambiente urbano.



Tecnologia e manejo do solo
Para garantir o sucesso do projeto, foram aplicadas técnicas modernas de manejo. Os “berços” para plantio foram preparados com maquinário e suporte técnico da Fazenda Santa Elisa (IAC-Apta). O solo recebeu correção de acidez e adubação com composto orgânico fornecido pela Usina Verde Sustentável da prefeitura.
Um diferencial técnico da ação foi o uso de gel para plantio, tecnologia que retém a água junto às raízes, garantindo a umidade necessária durante a fase crítica de adaptação das mudas ao solo.
Visão de futuro
Para o diretor da CATI, Ricardo Pereira, a ação simboliza a missão da instituição de ser um modelo de boas práticas ambientais.
“Este enriquecimento arbóreo não é apenas um ganho para a nossa sede, mas um presente para a cidade de Campinas e um exemplo do que a união entre instituições públicas e o terceiro setor pode realizar”, afirma.
“Ao transformarmos o Parque da CATI com espécies nativas e tecnologia de manejo, queremos enfatizar que a assistência técnica e a preservação ambiental caminham juntas. Nosso objetivo é que este espaço sirva de inspiração para outras áreas urbanas e lembre que é possível aliar o desenvolvimento institucional à sustentabilidade prática e efetiva”, complementa.
As mudas plantadas foram doadas pela Associação Mata Ciliar de Jundiaí, pelo Viveiro Municipal de Campinas e pela CATI Sementes e Mudas. O apoio operacional contou com o esforço conjunto de servidores das instituições envolvidas.
A execução direta do plantio foi acompanhada por uma equipe técnica dedicada, reforçando o papel das instituições ligadas à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA-SP) na vanguarda da recuperação ambiental no território paulista.


Expressamos nosso reconhecimento aos servidores que atuaram diretamente na execução:
Ricardo Domingos Luiz Pereira (CATI), Jairo Tcatchenco (CATI), Silvana Cristina Cuchi (CATI), Daniel Paulo Menegatti (CATI), Raimundo Gonçalves Monteiro (CATI), Roberto Maximiniano (CATI), Francisco de Assis Leitão de Moraes (IAC-Apta), Lucicleide Maria de Souza Barbosa (Associação Mata Ciliar) e Marco Brito (Viveiro Municipal Engenheiro Otávio Tisseli Filho).
Apoio Estratégico:
Gerson Cazentini Filho (CATI Sementes e Mudas) e Vinicius Roberto da Silva (Fazenda Santa Elisa/IAC-Apta).
Oficina sobre abelhas nativas sem ferrão reuniu agricultores urbanos, técnicos e instituições parceiras, reafirmando o papel extensionista da instituição na educação ambiental
E a porteira já está aberta! Com a realização de uma oficina sobre meliponicultura – a criação de abelhas nativas sem ferrão –, tiveram início as atividades do Projeto Fazendinha Feliz, centro de educação ambiental da CATI, reconhecido oficialmente pela Prefeitura de Campinas, onde está localizado. Realizada no espaço educativo do projeto, a atividade contou com a participação de mais de 30 pessoas, entre agricultores agroecológicos urbanos, técnicos da Prefeitura Municipal de Campinas e facilitadoras do Instituto Pé de Feijão.
Segundo o engenheiro agrônomo Osmar Mosca Diz, do Centro de Extensão Rural (Cextru/CATI) e responsável pelo projeto, o encontro simbolizou o compromisso permanente da CATI com a educação, a sustentabilidade ambiental e a alimentação saudável. “Iniciar o ano com uma atividade como essa reafirma o papel da Fazendinha Feliz como um espaço de encontro, de aprendizado e de construção conjunta do conhecimento, especialmente em temas como a meliponicultura, que é tão importante para a vida de toda a sociedade”.

Para o agrônomo, o interesse demonstrado pelos participantes evidencia o avanço da atividade no estado. “A meliponicultura (área na qual a CATI vem atuando há anos, contribuindo para a formação, organização e apoio no cadastramento e na regularização de meliponicultores junto aos órgãos competentes) vem crescendo de forma consistente em São Paulo, com cada vez mais produtores formados, atuantes e regularizados. Isso mostra que o conhecimento, quando compartilhado com responsabilidade, gera frutos duradouros”.
Representando a diretoria da CATI, o extensionista rural Antoniane Arantes enalteceu o projeto, que, em 2026, completa 15 anos. “A Fazendinha Feliz é um projeto de muito orgulho para a CATI, possibilitando que o comportamento correto e ético em relação ao meio ambiente seja vivido e aprendido por todas as pessoas que vivenciam atividades neste espaço tão bem desenvolvido e cuidado pelo engenheiro agrônomo Osmar Mosca, uma referência da instituição em conceitos de sustentabilidade, ecologia e desenvolvimento humano, especialmente no trato com as crianças, um dos maiores públicos das ações do projeto. Sobre esta primeira atividade do ano, podemos dizer que ela permitiu aos participantes aprender, na prática, a importância das abelhas nativas sem ferrão para a manutenção da vida no planeta, bem como sua integração a todos os ambientes produtivos agrários e ecológicos”.

Programação
As abelhas nativas sem ferrão fazem parte da história da Fazendinha Feliz, desde fevereiro de 2016, com a instalação das primeiras colônias no meliponário didático, um espaço de aprendizado permanente aberto para visitas guiadas ou espontâneas. “O meliponário é uma ferramenta pedagógica poderosa. Ele permite que as pessoas conheçam de perto esses seres tão valiosos e compreendam sua importância para a manutenção da vida e para a produção de alimentos”, explica Osmar.




Durante a oficina, foram abordadas técnicas e princípios relacionados à importância ecológica das abelhas nativas, ao respeito à biodiversidade e à criação responsável desses insetos, fundamentais para a polinização e o equilíbrio dos agroecossistemas.
A oficina reafirmou o papel da CATI na promoção de uma extensão rural baseada no diálogo, na cooperação e na educação, contribuindo para o desenvolvimento coletivo e sustentável. “A extensão rural é, acima de tudo, um processo educativo construído entre pessoas que desejam aprender, se unir e transformar a realidade de forma conjunta”, conclui o agrônomo.



Parcerias alimentam o Projeto Fazendinha Feliz
Em todo o desenvolvimento do projeto, Osmar reforça que as parcerias são fundamentais para o sucesso das atividades. Nesta oficina, em especial, segundo ele, o agradecimento é para o Instituto Pé de Feijão, parceiro na organização da atividade e na mobilização dos participantes, bem como às agricultoras das hortas comunitárias da cidade, que contribuíram com o preparo do lanche, seguindo a proposta de sempre oferecer uma alimentação saudável, natural e saborosa, com uso de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) e plantas medicinais. “Nada disso seria possível sem as parcerias. Trabalhar em conjunto com instituições, produtores e a comunidade fortalece nossa missão e amplia o alcance das ações, tanto na cidade quanto no campo”, destacou.


Fazendinha Feliz: 15 anos de atividades educativas que transformam vidas
Em 2026, o Projeto Fazendinha Feliz completa 15 anos de atuação na área de educação ambiental e alimentar, consolidando-se como referência na valorização das práticas agroecológicas e na aproximação entre o campo e a cidade. “Em junho, completaremos 15 anos de serviços prestados à sociedade, especialmente às crianças e aos educandos, que encontram aqui um espaço de encantamento, aprendizado e valorização da vida e das coisas da terra”, celebra Osmar, enfatizando que o espaço tem sido reconhecido como um ambiente educativo voltado à convivência entre agricultores, extensionistas, crianças, educandos, educadores e a sociedade em geral. “A missão da extensão rural é educar por meio do encontro. Quando agricultores, técnicos e instituições se reúnem com esse propósito, criamos uma rede sociotécnica viva, que ultrapassa as cercas dos agroecossistemas”.
Confraternização reuniu educadores, aprendizes e representantes dos povos indígenas Tukano em uma tarde marcada por troca de conhecimentos, respeito à diversidade e valorização da agroecologia
O encerramento das atividades de 2025 do Projeto Fazendinha Feliz – unidade de Educação Ambiental reconhecida pela Prefeitura Municipal de Campinas -, realizado no último dia 15 de dezembro, na CATI, foi marcado por muito mais do que uma confraternização. O encontro reuniu cerca de 30 integrantes da Rede “Escola na Horta”, que se reúnem no âmbito do Projeto, em uma tarde de diálogo intercultural, reflexão e aprendizado, com a participação especial de representantes de povos indígenas das etnias Tukano e Dessana, do estado do Amazonas, atualmente acadêmicos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Durante a roda de conversa, os convidados indígenas compartilharam aspectos de sua cultura, língua nativa, modos de vida, hábitos e costumes, além de relatarem as dificuldadesenfrentadas ao viver longe de suas aldeias para buscar formação acadêmica em Campinas. Os depoimentos, especialmente do casal Marinaldo Almeida Costa e Marilda Dias de Souza, emocionaram os participantes e ampliaram o entendimento sobre a importância da preservação cultural e do respeito à diversidade. “Os indígenas trouxeram seu artesanato e os participantes puderam adquirir artigos para presentear as pessoas, nesse encontro que contou também com a presença do médico da Prefeitura de Campinas, Paulo Abati, que é apoiador dos povos indígenas na Unicamp e membro da ONG Expedicionários da Saúde, que leva assistência à saúde até aldeias longínquas do norte do Brasil. E também é grande parceiro do Projeto Fazendinha Feliz”, explica Osmar Mosca Diz, extensionista da CATI e coordenador do Projeto Fazendinha Feliz, destacando também a presença de outra parceira do Projeto, Adriana Tiba, estudiosa das abelhas do Brasil.




Segundo Osmar, a presença dos povos indígenas na instituição tem um significado profundo. “É muito importante nos unirmos e somarmos forças com nossos irmãos indígenas, que precisam do nosso respeito e apoio. A presença deles aqui reforça a resistência diante de tantas dificuldades e a reafirmação de sua identidade e cultura”, destacou.
Essa foi a segunda visita dos indígenas à CATI. A primeira ocorreu durante a celebração do Dia Nacional da Abelha e da Agroecologia, realizado nos dias 2 e 3 de outubro, quando participaram da abertura oficial do evento, além de atuarem como feirantes e expositores, fortalecendo a integração entre saberes tradicionais e técnicos.
A Rede “Escola na Horta”, formada por educadores e aprendizes, tem como princípio comum conhecer, respeitar e apoiar diferentes formas de relação com a terra. Para Osmar, a visão indígena oferece ensinamentos essenciais para o desenvolvimento rural sustentável. “A relação que os povos indígenas estabelecem com a terra e com os bens naturais, considerados sagrados e dons de Deus, é um exemplo para todos nós. Trata-se de uma relação de respeito, reverência e conservação”, afirmou.
Do ponto de vista técnico, o encontro reforçou que muitos dos princípios da agricultura conservacionista, da Agroecologia e dos sistemas agroflorestais têm origem no conhecimento tradicional indígena, inspirado em uma relação integrada com a natureza, “muito antes de esses conceitos serem sistematizados pela ciência moderna”, avalia Osmar, enfatizando que “o encerramento das atividades de 2025 do Projeto Fazendinha Feliz reafirma o compromisso da CATI com a educação, a sustentabilidade, a valorização dos saberes tradicionais e o diálogo intercultural, mostrando que o futuro da agricultura passa, necessariamente, pelo respeito às raízes e à diversidade de conhecimentos que constroem o campo brasileiro”. Na oportunidade, também houve plantio de mudas nativas no Parque da CATI.
População indígena em Campinas
Segundo dados do Censo de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), a população indígena de Campinas cresceu 50% em 12 anos, passando de 1.043 pessoas, em 2010, para 1.568. Além do crescimento, o levantamento revela que Campinas conta com 96 etnias e 26 línguas indígenas diferentes.