Secretaria de
Agricultura e Abastecimento
Diretoria de Assistência Técnica Integral - CATI

Conhecimento técnico e preservação ambiental marcam Encontro de Apicultores e Meliponicultores realizado pela CATI e Prefeitura Municipal em Socorro


Evento reuniu produtores, técnicos e interessados para discutir pastagens apícolas, conservação ambiental e fortalecimento da cadeia produtiva das abelhas no município

A importância das abelhas para a produção de alimentos, a preservação ambiental e a geração de renda no campo esteve no centro das discussões do Encontro de Apicultores e Meliponicultores realizado no último dia 9 de junho na Estação Agroecológica Municipal de Socorro. Com o tema “Conhecendo Pastagens Apícolas”, o evento reuniu apicultores, meliponicultores, técnicos, produtores rurais e interessados de Socorro e de cidades da região em uma iniciativa que combinou conhecimento técnico, conscientização ambiental e integração social.

Promovido por meio da parceria entre a Casa da Agricultura de Socorro (ligada à CATI Regional Bragança Paulista), Defesa Agropecuária, Associação Rural da Microbacia do Ribeirão dos Cubas – Casa do Mel e Secretaria Municipal de Agronegócio, o encontro foi marcado pela ampla participação do público, que acompanhou atentamente as palestras e contribuiu ativamente para o debate.

Para o engenheiro agrônomo Rodrigo da Silva Binoti, chefe de Seção da Casa da Agricultura de Socorro, o encontro reforça o potencial da atividade na região e a importância da união entre instituições públicas, produtores e entidades parceiras. “A apicultura e a meliponicultura representam atividades que geram renda, promovem a conservação ambiental e fortalecem a agricultura familiar. A Casa da Agricultura tem orgulho de participar dessa construção, seja por meio do apoio histórico à implantação da Casa do Mel, seja pela assistência técnica aos produtores. Ficamos muito satisfeitos com o interesse e o engajamento dos participantes, que contribuíram para tornar o evento extremamente produtivo”, salientou, ressaltando que a CATI continua disponibilizando sementes e mudas de espécies de interesse apícola por meio da Casa da Agricultura, ampliando as possibilidades para produtores interessados em diversificar suas propriedades.

Já o secretário municipal de Agronegócio, Marcelo José de Faria, ressaltou que o encontro faz parte de uma série de iniciativas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva da apicultura e da meliponicultura em Socorro. “Estamos trabalhando para criar um ambiente cada vez mais favorável ao desenvolvimento dessas atividades, que têm enorme importância econômica, ambiental e social. Recentemente, o município aprovou a Lei Municipal n.º 5.027/2026, que institui a Política Municipal de Incentivo ao Desenvolvimento da Apicultura e da Meliponicultura. Além disso, implantamos um meliponário na Estação Agroecológica Municipal com finalidade educativa, para conscientizar a população sobre a importância da preservação das abelhas nativas sem ferrão, fundamentais para a biodiversidade e para a produção de alimentos”.

Programação

Em sua palestra, o engenheiro agrônomo Luís Fernando de Aguiar, chefe de Seção da Casa da Agricultura de Monte Alegre do Sul, apresentou um panorama detalhado sobre as espécies vegetais que compõem as pastagens apícolas e sua importância para o desenvolvimento sustentável da apicultura e da meliponicultura.

Durante a apresentação, Aguiar destacou a necessidade de os produtores conhecerem profundamente a flora disponível nas áreas onde pretendem instalar apiários e meliponários, identificando as espécies fornecedoras de néctar, pólen e resinas ao longo do ano. “O conhecimento da flora apícola é uma ferramenta estratégica para o produtor. Ao conhecer os períodos de florescimento e o potencial de cada espécie, ele consegue planejar melhor sua atividade, aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, contribuir para a conservação ambiental. Construímos junto com os participantes o Calendário da Flora Apícola de Socorro, que poderá servir de referência para futuras ações de recuperação ambiental e implantação de sistemas produtivos mais sustentáveis”.

Segundo o agrônomo, o atual momento de implementação das ações relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) abre novas oportunidades para que os produtores integrem espécies de interesse apícola nos projetos de recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Legais e sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), conciliando benefícios econômicos e ambientais.

Outro tema abordado durante o encontro foi a necessidade de regularização dos criatórios junto aos órgãos oficiais. O médico-veterinário César Krügger, da Defesa Agropecuária, orientou os participantes sobre a importância do cadastramento dos apiários e meliponários no sistema Gedave, reforçando os aspectos sanitários e de rastreabilidade da atividade.

A programação também contou com a participação da empresa Da Serra Ambiental, de Joanópolis, representada por Samuel Cortez Domingues, que apresentou ações ligadas à recuperação ambiental e distribuiu mudas de espécies nativas aos participantes, fortalecendo o vínculo entre produção rural e conservação dos recursos naturais.

Além do conteúdo técnico apresentado, o clima de troca de experiências e aprendizado foi um dos pontos mais elogiados pelos participantes. Ao final do encontro, produtores e técnicos destacaram a qualidade das informações compartilhadas e a relevância prática dos temas abordados para o dia a dia da atividade.

A avaliação dos organizadores foi extremamente positiva, reforçando a importância de promover eventos que aproximem conhecimento científico, produção rural e preservação ambiental. “Novas ações voltadas à apicultura e à meliponicultura já estão sendo planejadas para os próximos meses”, afirmaram os organizadores.

Sobre este tema, mais informações podem ser obtidas na Casa da Agricultura de Socorro, pelo telefone (19) 3855-3178, ou na Secretaria Municipal de Agronegócio, pelo telefone (19) 3895-6430.

Quando conhecimento técnico, cooperação institucional e saber popular se encontram, o resultado vai muito além de um evento: transforma realidades. Foi exatamente isso que aconteceu nos dias 12 e 13 de março, durante a V Famel – Feira dos Apicultores e Meliponicultores do Estado de São Paulo. Realizada no câmpus da Uneduvale, a feira reuniu centenas de pessoas em torno de um propósito comum: fortalecer a cadeia produtiva da apicultura e da meliponicultura, impulsionando desenvolvimento, sustentabilidade e oportunidades no campo.

Fruto de uma rede de cooperação sociotécnica, a V Famel mostrou, na prática, como a integração entre universidade, pesquisa, extensão rural, instituições públicas e produtores pode gerar impactos concretos. A iniciativa conectou entidades estratégicas como a Uneduvale, a CATI Regional Avaré, a Cadeia Produtiva Local (CPL) de Itatinga, Avaré e Botucatu, a Defesa Agropecuária e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), formando uma articulação comprometida com o avanço do setor no estado de São Paulo.

Mais do que uma vitrine de comercialização de produtos das abelhas, a feira teve como eixo central a capacitação e o fortalecimento técnico dos participantes. Ao todo, 27 expositores de diferentes municípios apresentaram produtos apícolas diversos, inovadores e nutritivos, demonstrando a força e a diversidade do setor. A presença expressiva de estudantes, técnicos, pesquisadores, produtores e público em geral interessado no tema evidenciou o papel estratégico do conhecimento na construção de uma cadeia produtiva mais eficiente e sustentável.

A CATI marcou presença com um estande voltado à orientação técnica e à difusão de políticas públicas. Produtores iniciantes e experientes puderam esclarecer dúvidas, conhecer Boas Práticas e acessar informações essenciais para melhorar sua produção. Outro ponto alto foi a atuação da CATI Sementes e Mudas, que apresentou mudas melitófilas – fundamentais para a alimentação das abelhas – e a tecnologia Ecopot, que alia produção agrícola à sustentabilidade por meio de embalagens biodegradáveis.

Para além dos números, o evento deixou um legado de conexão e inspiração. “Como membro da Comissão Organizadora, posso dizer que esta quinta edição foi um sucesso, atraindo produtores em quantidade superior à das demais edições. Além disso, um grande número de alunos participou das atividades, o que possibilitou uma ampla disseminação de conhecimento sobre abelhas para as gerações futuras”, destacou o engenheiro agrônomo Victor Periccin, da CATI Regional Avaré. Segundo ele, cerca de 500 pessoas circularam diariamente pela feira, com resultados expressivos também na comercialização dos expositores. A 5.ª edição da Famel reafirmou que o futuro da apicultura e da meliponicultura passa, necessariamente, pela parceria, pois, quando diferentes atores se unem em torno de um objetivo comum, o impacto ultrapassa o campo produtivo e alcança a educação, a economia local e a preservação ambiental.

Abaixo, a galeria de imagens do evento:

Uma visita técnica ao meliponário do Projeto Fazendinha Feliz, da Coordenadoria de Assistência Técnica integral (CATI), se transformou em uma parceria transnacional, unindo a Colômbia e o Brasil, por meio do trabalho de extensão rural realizado pela CATI no desenvolvimento sustentável da meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) no Estado de São Paulo.

Em um intercâmbio organizado no âmbito de projetos e parceria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidad Nacional da Colombia, professores e pesquisadores das duas universidades realizam visitas técnicas às principais ações e aos principais projetos realizados em cada país para o desenvolvimento da meliponicultura.

“A visita dos pesquisadores da Colômbia, acompanhados do Prof. Roberto Greco, da Unicamp, foi uma honra e uma oportunidade para apresentarmos um pouco do trabalho realizado pela rede de extensionistas da CATI junto aos produtores rurais e na área da meliponicultura. Eles mostraram grande interesse no Parque das Abelhas (meliponário) e no espaço da Fazendinha Feliz, onde acontecem as atividades de educação ambiental com professores e alunos, e local onde puderam visitar a nossa horta de PANC – Plantas Alimentícias não Convencionais”, salienta o engenheiro agrônomo do Departamento de Extensão Rural (Dextru)/CATI, Osmar Mosca Diz, responsável pelo Projeto Fazendinha Feliz e pelo Meliponário, ressaltando que um dos visitantes colombianos, o Prof. Rodulfo Ospina, é um importante pesquisador de abelhas nativas no país, desenvolvendo, junto à Universidad Nacional, inúmeros trabalhos de estudo, pesquisa e educação em relação às abelhas. “O Prof. Ospina mostrou grande interesse no trabalho de assistência técnica e extensão rural da CATI, realizado junto aos projetos de meliponicultura e apicultura no estado, por um grupo técnico muito dedicado”.

Acompanhando o grupo, como responsável por esse projeto de intercâmbio na Unicamp, o Prof. Roberto Greco, do Instituto de Geociências da Unicamp, no Departamento de Políticas Científicas e Tecnológicas, relatou a importância da visita técnica à CATI. “Eu conheci o trabalho da CATI junto aos meliponicultores e apicultores, quando, há dois anos, participei do Seminário do Dia da Abelha, organizado pelo engenheiro agrônomo Osmar Diz. Ali, soube da importância e do grande trabalho realizado pela equipe de técnicos da CATI em todo o estado, tanto na parte de assistência técnica aos criadores quanto no incentivo à preservação das abelhas, principalmente das espécies nativas. Por isso, ao idealizarmos esta visita técnica de 15 dias, com o objetivo de promover um intercâmbio de conhecimento e trocas de experiências − visando ao desenvolvimento da meliponicultura, incluindo informações sobre polinização, comercialização de produtos das abelhas, legislação, bem como ações de educação ambiental −, agendamos esta visita pelo fato de a CATI ter muito a contribuir nesse segmento, com seu excelente trabalho de anos”.

Vivenciando o contato com as abelhas sem ferrão no meliponário, o Prof. Ospina (coordenador do Laboratório de Abelhas da Universidad Nacional) se encantou com espécies nativas como mandaçaia e jataí, que não existem na Colômbia, e falou sobre a experiência. “Podemos dizer que o trabalho com as abelhas na Colômbia tem uma estreita ligação com o Brasil, pois foi por meio dos livros, estudos e pesquisas do professor Nogueira Neto que iniciamos trabalhos, pesquisas e projetos na Universidad”, comenta o professor.

Sobre a visita à CATI, o Prof. Ospina relata que teve excelente impressão do trabalho de extensão rural. “Essa nos mostrou a importância do trabalho de assistência técnica para o pleno desenvolvimento da meliponicultura e também da apicultura, de forma ampla e sustentável. Na Colômbia, ainda estamos com poucos projetos e ações em temas como identificação de espécies, comercialização, produção, legislação e controle sanitário. Mas, com certeza, essa parceria que nasceu com este intercâmbio com a Unicamp, que nos proporcionou uma imersão em tantas entidades, como a CATI, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade de São Paulo (USP), bem como a troca de experiências com meliponicultores, se tornará ainda mais estreita”.

Osmar Mosca Diz, engenheiro agrônomo do Dextru/CATI; Rodulfo Ospina, Prof. da Universidad Nacional da Colombia; Roberto Greco, Prof. do Instituto de Geociências da Unicamp; Alejandra Cano, doutoranda da Universidade da Califórnia em Davis (atua com abelhas nativas nos trópicos e aldeias indígenas na Colômbia); Patricia Jaime, pesquisadora da  Universidad Nacional da Colombia.

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