Participação em rede internacional e em simpósio científico reforça ações da CATI voltadas à conservação do solo e da água e ao fortalecimento da agricultura paulista frente às mudanças climáticas
A CATI (Diretoria de Assistência Técnica Integral), órgão responsável pelas ações de assistência técnica e extensão rural na Secretaria de Agricultura e Abastecimento, amplia sua atuação internacional ao integrar a Rede Ibero-Americana sobre o Uso de Silício na Mitigação de Múltiplos Estresses (SiAgro-Red), iniciativa vinculada ao Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento (Cyted), criado por governos ibero-americanos (como Brasil, Portugal e Chile) para promover a cooperação em ciência, tecnologia e inovação entre eles.
Segundo o engenheiro agrícola Antoniane Arantes, líder do Grupo Técnico de Conservação do Solo e da Água da CATI e integrante da Rede SiAgro-Red, a participação da instituição fortalece as ações desenvolvidas junto aos agricultores paulistas, especialmente em projetos como Solo + Fértil e naqueles voltados à conservação do solo e da água, sustentabilidade produtiva e adaptação da agricultura às mudanças climáticas.
“O principal objetivo da rede SiAgro é reunir e difundir conhecimentos científicos já existentes e em desenvolvimento sobre o uso do silício na agricultura, levando essas informações aos produtores rurais de forma acessível e aplicada. Trata-se de uma iniciativa voltada à disseminação de Boas Práticas, fortalecendo diretamente as ações que a CATI já realiza junto aos agricultores paulistas”, destaca.

E no dia 13 de maio, o tema ganhou destaque durante o XXIII Simpósio de Ciências Aplicadas do Fait (Centro Universitário Unigrupo – Faef), realizado em Itapeva, município ligado à área de atuação da CATI Regional sediada no município. Na ocasião, Arantes ministrou a palestra “Produção agrícola frente às mudanças climáticas”, abordando os impactos climáticos na agricultura, estratégias de adaptação e práticas de manejo conservacionista do solo e da água.
Sobre o uso de sílicio na agricultura, Arantes destacou: “O silício é um elemento benéfico que ajuda as plantas a resistirem melhor aos diversos estresses do ambiente, como altas ou baixas temperaturas, déficit hídrico, toxicidade por metais pesados, salinidade e o desbalanço nutricional, por exemplo. Os produtores rurais podem utilizá-lo de duas formas práticas, seja aplicando-o no solo, para absorção pelas raízes, ou pulverizando-o diretamente nas folhas. Uma vez absorvido, o silício melhora a eficiência da fotossíntese, regula o uso da água e otimiza o aproveitamento de nutrientes, além de proteger as células contra danos internos. Na prática, essa aplicação mantém o potencial de crescimento e incremento da biomassa das culturas agrícolas, devendo ser utilizado sempre de forma preventiva para fortalecer a cultura agrícola, antes que ocorram eventos de estresse intenso”.

Sobre o Cyted e a Rede SiAgro
Criado em 1984, o Cyted reúne países ibero-americanos em ações colaborativas de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. Ao longo de sua trajetória, o programa já mobilizou mais de 28 mil pesquisadores, empreendedores e especialistas em áreas estratégicas do conhecimento, promovendo a integração científica e tecnológica da região.
Na área agroalimentar, o programa atua no desenvolvimento de tecnologias voltadas à segurança alimentar, sustentabilidade produtiva e agregação de valor aos sistemas agrícolas. Atualmente, o Cyted conta com oito redes ativas no setor, entre elas a SiAgro-Red, da qual a CATI faz parte.
A Rede SiAgro reúne 17 instituições de nove países ibero-americanos e tem como objetivo fortalecer o conhecimento sobre o uso do silício na mitigação de múltiplos estresses agrícolas, promovendo maior sustentabilidade nos sistemas agroalimentares, bem como nas interações com o setor agropecuário e na difusão de seu uso no meio rural. Na CATI, os trabalhos relacionados ao tema são conduzidos pelo engenheiro agrônomo Guilherme Felisberto, responsável pela Casa da Agricultura de São Miguel Arcanjo, ligada à CATI Regional Itapetininga, e responsável pelo grupo da instituição na rede SiAgro. Recentemente, Felisberto publicou artigo científico na revista BMC Plant Biology, demonstrando o potencial do silício na mitigação do estresse oxidativo causado pela deficiência de zinco em culturas de soja e arroz, disponível clicando aqui. Felisberto destaca ainda que “a participação em redes internacionais amplia as oportunidades de desenvolvimento de soluções adaptadas à realidade nacional e fortalece projetos estratégicos da CATI. A pandemia de covid-19 e os conflitos internacionais evidenciaram a vulnerabilidade do Brasil em relação à dependência de insumos importados; por isso, precisamos valorizar mais os recursos e o conhecimento que temos aqui. Além disso, fazer parte do SiAgro fortalece iniciativas da CATI e pode abrir novas perspectivas para políticas públicas voltadas à sustentabilidade e à segurança alimentar”.

As ações da CATI em conservação do solo e da água vêm sendo ampliadas em todo o estado de São Paulo, por meio de assistência técnica, capacitação de produtores e de incentivo à adoção de práticas conservacionistas, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade do solo, aumento da produtividade agrícola, redução da erosão e uso mais eficiente dos recursos hídricos, promovendo maior resiliência das propriedades rurais frente aos desafios climáticos.
“Com a integração entre pesquisa, inovação e extensão rural, a CATI reafirma seu papel estratégico no apoio aos agricultores paulistas e no desenvolvimento de uma agricultura mais sustentável, produtiva e preparada para os desafios do futuro”, declara Arantes.
Para conhecer o SiAgro-Red, acesse: Cyted
Com os olhos voltados para os desafios reais do produtor rural e para o futuro da agricultura, a
CATI (Diretoria de Assistência Técnica Integral) protagonizou, entre os dias 9 e 11 de abril, uma
ação inédita que reforça seu papel estratégico na construção de soluções concretas para a segurança
hídrica e alimentar no estado de São Paulo. Em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e
o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, a iniciativa marca a primeira visita técnica conjunta do
Centro para Segurança Hídrica e Alimentar em Zonas Críticas (CCD) diretamente no campo.
O projeto, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), reúne
ciência, extensão rural e experiência prática para enfrentar desafios cada vez mais urgentes
relacionados à água, ao clima e à produção de alimentos. Desde 2022, a CATI e o IAC integram
oficialmente o CCD, um centro vinculado à USP que atua em sete macrorregiões paulistas,
conectando conhecimento científico às realidades locais.
Durante as visitas, produtores dos municípios de Mogi das Cruzes (ligado à area de atuação da
CATI Regional Mogi das Cruzes) e São Miguel Arcanjo (ligado da mesma forma à CATI Regional
Itapetininga) abriram suas propriedades e compartilharam práticas, desafios e soluções no uso da
água na produção agropecuária. O contato direto com o campo permitiu alinhar pesquisas e
tecnologias às necessidades concretas do dia a dia rural. “O sociólogo David Rodrigues, da CATI
Regional Mogi das Cruzes, e o especialista agropecuário Guilherme Felisberto, da Casa da
Agricultura de São Miguel Arcanjo, com a ajuda de seus parceiros produtores rurais, organizaram
essa série de visitas que possibilitaram a prospecção de novas vertentes de pesquisa, bem como a
orientação prática de eixos multidisciplinares de ações pelo CCD”, informa Antoniane Arantes, líder
do Grupo Técnico de Conservação do Solo e da Água da CATI e representante da instituição no
CCD.

Para Arantes, a experiência reforçou o valor da aproximação entre ciência e produtor. “Essa
primeira visita técnica conjunta foi essencial para compreendermos, na prática, como pequenos e
médios produtores utilizam a água. A partir disso, conseguimos direcionar melhor as ferramentas
técnicas e metodológicas, garantindo soluções mais eficientes, aplicáveis e adaptadas à realidade do
campo”, informando que o CCD estrutura suas ações em áreas como hidroclimatologia,
hidrogeologia e agrometeorologia, desenvolvendo desde sistemas de monitoramento e previsão
climática até estratégias para gestão hídrica e aumento da produtividade agrícola. “No componente
agrícola, o foco está em aprimorar decisões sobre plantio, irrigação e colheita; já no hídrico, busca-se
ampliar a previsibilidade e melhorar a gestão de recursos, incluindo reservatórios e outorgas”,
explica.

Para as pesquisadoras Jane Silveira e Angélica Prela Pantano, do IAC, esta primeira visita mostrou
o impacto da integração entre pesquisa e prática. “A diversidade de sistemas produtivos observada
nas propriedades é extremamente ampla. Isso nos permite desenvolver pesquisas mais direcionadas,
com impacto direto na produtividade e no uso sustentável da água na agricultura”, destacando a
riqueza de detalhes das técnicas e culturas adotadas nas propriedades visitadas, assim como a
possibilidade de desdobramentos de novas pesquisas alinhadas aos objetivos do centro e conectadas
aos anseios e necessidades dos produtores rurais.
Já o pesquisador Humberto Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas
da Universidade de São Paulo (IAG/USP) e coordenador do CCD, ressaltou o caráter inovador da
iniciativa: “Essa aproximação com o campo, desde o início, fortalece o desenvolvimento de
soluções mais assertivas. Estamos construindo conhecimento junto com os produtores, o que
aumenta significativamente a efetividade das ações”.

Nesse contexto, o papel da CATI se mostra decisivo. Além de participar da construção científica do
projeto, a instituição é responsável por validar as tecnologias no campo e promover sua difusão
entre os produtores. O protagonismo do Grupo Técnico de Conservação do Solo e da Água,
liderado por Antoniane Arantes, tem sido fundamental para garantir que as soluções propostas sejam
viáveis e sustentáveis.
A iniciativa já conta com pesquisas em andamento, incluindo estudos de mestrado e doutorado, e
até experimentos instalados em propriedades rurais participantes – sinal claro de que a integração
entre instituições e produtores está gerando resultados concretos.

Ao unir ciência, extensão rural e prática agrícola, a parceria entre a CATI, a USP e o IAC inaugura
uma nova etapa na construção de uma agricultura mais resiliente, sustentável e preparada para os
desafios climáticos. Mais do que um projeto, o CCD se consolida como um modelo de cooperação
capaz de transformar o presente e garantir o futuro da segurança hídrica e alimentar no estado de
São Paulo.