Com apoio da CATI Regional Bauru, o casal Lucinda e Claudemir Flores acessou financiamento do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) para instalação de placas fotovoltaicas e reduziu os custos de produção; ontem, eles receberam a visita do secretário estadual de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho
A manhã de ontem, 21/5, foi marcada por emoção, reconhecimento e valorização da agricultura familiar no Distrito Tibiriçá em Bauru. O secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, visitou a Chácara Canaã, propriedade dos agricultores Lucinda Golin Flores e Claudemir Flores, exemplo de como o crédito rural pode transformar vidas no campo.
Em 2025, por meio da linha Feap Mulher, dona Lucinda acessou um financiamento de R$ 22 mil para a instalação de um sistema de energia fotovoltaica na propriedade. O recurso foi viabilizado com apoio técnico da CATI Regional Bauru e mudou a rotina produtiva da família, que vive da olericultura em uma área de apenas 2,4 hectares.
Antes do investimento, o custo mensal com energia elétrica para irrigação dos canteiros chegava a quase R$ 800,00, comprometendo significativamente a rentabilidade da produção. Hoje, após a instalação das placas solares, a conta caiu para cerca de R$ 100,00. A economia gerada permitiu mais tranquilidade financeira, melhoria na qualidade de vida da família e novas possibilidades de investimento na produção.
Segundo Marina Peres Cavalcante, chefe da CATI Regional Bauru, o caso demonstra o impacto social e econômico do Feap Mulher no fortalecimento da agricultura familiar e na valorização do trabalho feminino no campo. “Em 2025, os produtores nos procuraram na Regional para verificar a possibilidade de obtenção de crédito para instalação de placas fotovoltaicas na propriedade, com o objetivo de terem alguma redução de custo, pois estava muito difícil manter a atividade da olericultura, principal fonte de renda. Fizemos uma análise e identificamos que a dona Lucinda se encaixava na linha de financiamento do Feap Mulher. Elaboramos o projeto e eles acessaram R$ 22 mil. Hoje, a conta de energia se tornou mínima e a diferença pode ser investida em outras necessidades da família”.
A visita do secretário estadual foi recebida com entusiasmo pelos produtores, que se sentiram reconhecidos pelo trabalho desenvolvido na pequena propriedade rural. Para Marina, a presença do representante máximo da Agricultura paulista reforça o compromisso com os agricultores familiares. “A visita do secretário foi muito gratificante, porque os produtores se sentiram valorizados. Ele demonstrou satisfação ao ver que os recursos do Governo do Estado estão sendo bem aplicados, promovendo mais qualidade de vida e sustentabilidade para famílias agricultoras como a da dona Lucinda e do senhor Claudemir”, completou.
A agenda em Tibiriçá reforçou o papel estratégico da CATI no atendimento aos agricultores familiares, desde a orientação técnica até a elaboração dos projetos de financiamento, garantindo que políticas públicas como o FeapMulher cheguem a quem mais precisa no campo e transformem efetivamente vidas.







Cultura, que não é típica da região, foi implantada com sucesso na propriedade da família, com acompanhamento da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), por meio de sua Regional local
O apito da panela de pressão avisa que está no ponto, enquanto o aroma doce de milho verde invade o ambiente. Mas não se engane: são macios toletes de palmito pupunha, uma palmeira nativa da região amazônica, que saem da água fervente, escorridos, para o prato. Eles acabaram de ser colhidos no Sítio Carradas, em Pires de Cima, bairro rural de Limeira marcado pela colonização alemã, onde os irmãos Douglas e Cassiana Carradas sonharam, pouco mais de três anos atrás, em trabalhar com um produto sustentável.
Na propriedade, que pertence à família há mais de 100 anos, o terreno se divide entre uma parte arrendada para grãos e a nova cultura, que, apesar de não ser característica da área, foi a aposta dos proprietários e já dá sinais de sucesso. Ali, o palmito pupunha é produzido sob o Protocolo de Transição Agroecológica, processo gradual que prioriza o desenvolvimento de sistemas agroalimentares sustentáveis, com o apoio e acompanhamento da Casa da Agricultura de Limeira, que faz parte da Regional local da CATI, órgão de assistência técnica e extensão rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
“Historicamente, o cultivo em nossa propriedade sempre foi convencional, mas nós tínhamos a intenção de trabalhar algo mais voltado à questão ambiental”, diz Cassiana.
A engenheira agrônoma Carla de Meo, técnica da Casa da Agricultura de Limeira, acompanha os produtores desde o início. No começo, ela elencou tudo de que precisariam para implantação da ideia. “Fizemos um plano de negócios. Estudamos a cultura”, conta. “Fizemos vários exercícios de receita possível, preparo do solo, escolha das mudas – que vieram de Registro, no Vale do Ribeira –, e sobre os investimentos necessários, como a irrigação, um dos mais altos, já que a cultura, aqui, é irrigada por gotejo”, explica Carla. E deu certo.
Entre as políticas públicas acessadas na propriedade, além do acompanhamento no Protocolo de Transição Agroecológica, a produtora foi também beneficiada pela linha de crédito do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), Feap Mulher, para a construção de um poço.
Douglas encantou-se com o palmito pupunha por meio de pesquisas pela internet e com produtores de outras regiões, e este encantamento se reproduz na boa aceitação de seu produto pelo mercado. A produção dos irmãos Carradas é comercializada em feiras da região e, diretamente, para restaurantes e consumidores.
“Num primeiro momento, imaginei uma produção para a indústria. Como ainda temos aqui um projeto-piloto, colocamos à venda diretamente ao consumidor e tive um resultado melhor do que eu esperava”, finaliza o produtor.
Até os palmitos têm coração
No reino vegetal, não apenas as bananeiras e as alcachofras têm coração. Os palmitos também têm. Brincadeiras à parte, existe um crescente mercado desejoso de produtos agroecológicos e frescos, com proposta de valor de comercialização que varia de acordo com a parte mais ou menos desejada do palmito. O que se consome da planta é o “miolo” do caule. Há o momento certo do corte para obter um palmito macio, e o coração do pupunha é parte nobre, a mais cobiçada pela gastronomia.
A pupunheira (Bactris gasipaes) brota por perfilhamento da planta mãe. Pela abundância de brotos, é possível repetir cortes na mesma área, sem replantio, e realizar a colheita do produto ao longo de todo o ano. Entre as vantagens estão a precocidade da planta e a qualidade do palmito, macio e saboroso, mas talvez a principal delas seja a vantagem ecológica, já que a exploração comercial do pupunha não causa prejuízo às matas nativas.
Assista à reportagem aqui:
Sobre o bairro rural de Limeira
Sauerkraut, ou chucrute, eisben, ou joelho de porco: as delícias da gastronomia alemã podem ser encontradas no Bairro dos Pires, em Limeira. O bairro rural mantém a tradição alemã viva, tendo sido fundado pelos primeiros imigrantes de Holstein, sul da Alemanha, e leva o nome da família Pires, antiga proprietária das terras da região, vendidas aos alemães em 1856. Agora, o palmito pupunha faz parte dessa história.