Secretaria de
Agricultura e Abastecimento
Diretoria de Assistência Técnica Integral - CATI

Fabiana Ferreira da Costa Gouvêa é nomeada diretora da CATI

A zootecnista Fabiana Ferreira da Costa Gouvêa assume o cargo de diretora da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA-SP) responsável pela extensão rural junto a pequenos e médios produtores agropecuários paulistas. Sua nomeação foi publicada na edição desta quinta-feira (25/06) do Diário Oficial do Estado (DOE).

Fabiana nasceu em 27 de setembro de 1979, em Jaboticabal, onde cresceu, constituiu família e iniciou uma trajetória marcada pelo compromisso com o desenvolvimento do setor agropecuário paulista. É graduada em zootecnia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde também concluiu um mestrado, visando fortalecer sua formação técnica e científica voltada à produção animal, ao desenvolvimento sustentável e à extensão rural. Casada e mãe de três filhas, sempre conciliou a dedicação à família com uma sólida carreira no serviço público estadual.

Sua trajetória profissional teve início na Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro), em Ribeirão Preto, como servidora concursada. Pouco tempo depois, ingressou na CATI para atuar diretamente junto a produtores rurais da região de Jaboticabal. Por meio desse trabalho de assistência técnica agropecuária, começou a se destacar pelo diálogo, pela liderança e pelo fortalecimento das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural sustentável.

Ao longo de sua carreira, exerceu funções técnicas e de gestão, destacando-se como chefe de Divisão da CATI Regional Jaboticabal, cargo em que liderou equipes, coordenou projetos estratégicos e fortaleceu a parceria entre Estado e municípios. Também teve atuação em iniciativas estaduais, como as coordenações do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Município Agro – Ranking Paulista, além da participação em câmaras temáticas e grupos técnicos relacionados à sustentabilidade no campo, segurança alimentar e ao fortalecimento da agricultura paulista. Em 2025, foi convidada para integrar a Assessoria de Relações Institucionais, Câmaras Setoriais e Temáticas da SAA-SP, ampliando seu trabalho na formulação e articulação de políticas públicas para o setor agropecuário.

Em seu novo cargo, Fabiana colaborará com o fortalecimento da agricultura paulista, pela valorização dos servidores, pelo desenvolvimento dos municípios e apoio aos produtores rurais.

“Minha trajetória é marcada pela convicção de que a assistência técnica e a extensão rural são instrumentos essenciais para transformar a realidade do campo e melhorar a qualidade de vida das famílias rurais paulistas”, resume a nova diretora da CATI, que pautará seu trabalho pelo compromisso, ética, diálogo, inovação e busca constante por resultados que promovam o desenvolvimento agropecuário sustentável do Estado de São Paulo.

Em Santos, lançamento da Campanha da Fraternidade 2026 celebra três anos de trabalho conjunto entre a CATI Regional e a Diocese, que apoia projetos comunitários e consolidou uma rede sociotécnica a serviço da vida e da emancipação social

O lançamento da Campanha da Fraternidade, que em 2026 tem como tema “Fraternidade e Moradia”, foi realizado em Santos e reuniu cerca de 250 pessoas no auditório do Liceu Santista em evento organizado pela Diocese de Santos. Mais do que um ato simbólico, o encontro foi a celebração de uma parceria que vem transformando realidades: a atuação conjunta entre a entidade e a CATI no fortalecimento da Economia Solidária – economia centrada na valorização do ser humano – na Baixada Santista.

Durante o evento, a Diocese fez um reconhecimento público à CATI em um vídeo institucional apresentado aos participantes. “O gesto simbolizou a importância da parceria técnica para que os recursos da Campanha da Fraternidade se transformem em resultados concretos”, explica Newton José Rodrigues da Silva, extensionista rural da CATI Regional Santos, que atua há mais de três décadas com as comunidades e também no desenvolvimento de ações de Economia Solidária em modelo de parceria em Redes Sociotécnicas.

Nos últimos três anos, essa parceria fortaleceu comunidades, gerou renda e promoveu dignidade por meio de 19 projetos apoiados pelo Fundo Diocesano de Solidariedade, totalizando R$ 169.377,34 investidos em iniciativas que envolvem aldeias indígenas, hortas comunitárias, grupos de mulheres, produção de bioinsumos, criação de peixes, captação de água de chuva, energia solar e ações voltadas à segurança alimentar e ao Turismo de Base Comunitária. “Além disso, foram adquiridas roupas de trabalho para jovens que se dedicam à coleta de óleo de cozinha para reciclagem; implantados sistemas de coleta de água de chuva e de energia solar; impulsionada a criação de galinhas e peixes em viveiros escavados; adquiridos equipamentos de audiovisual e formação de indígenas para produção de vídeos e outras peças de comunicação, bem como equipamentos para uma cozinha sob a gestão de mulheres que preparam alimentos com a utilização de plantas da Mata Atlântica”, informa Rodrigues.

No que se refere aos projetos desenvolvidos em parceria com a Diocese, Rodrigues destaca que a essência está na emancipação das comunidades envolvidas. “Os recursos da Campanha ganham potência quando encontram organização comunitária e acompanhamento técnico. Nosso papel é fortalecer competências locais, apoiar a gestão coletiva e garantir que os projetos se sustentem no tempo. É desenvolvimento com base na cooperação e na autogestão.”

E os beneficiários são unânimes em reconhecer a importância dos projetos realizados por meio dessa parceria. “O apoio a projetos de Economia Solidária promove vínculos sociais. O projeto que foi realizado para ampliação do refeitório da nossa aldeia representa mais que recursos, mas sobretudo confiança, parceria e compromisso com a vida comunitária, a dignidade e o bem-viver”, afirma Itamirim, liderança da aldeia indígena Tabaçu Reko Ypy de Peruíbe.

Outros integrantes de projetos realizados no âmbito dessa parceria, como Angélica Cruz, da Horta Sustentável Verde Vida de Guarujá; Maria da Penha Pedrosa, integrante da Horta Sustentável Santa Cruz dos Navegantes; Francisca Eliene da Silva, da Horta Entre Amigos de São Vicente; André Nascimento, da Horta Bons Frutos de Santos; Sergio Popygua, da aldeia Ara Pyau de Mongaguá; e Silvio Riju, da aldeia Nhanderekoá de Itanhaém, são unânimes em reconhecer a importância do financiamento feito pela Diocese de Santos, bem como o apoio técnico e organizacional que recebem da CATI e de parceiros, que têm possibilitado a concretização de ações que transformam vidas, com geração de renda e sustentabilidade ambiental. 

Desenvolvimento dos projetos e o papel da extensão rural

Por trás de cada projeto, há um trabalho permanente de extensão rural e a atuação da CATI que vai além da assistência técnica pontual. Extensionistas rurais da Regional Santos e parceiros – como o Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), universidades, pastorais e associações comunitárias – acompanham constantemente os grupos, desde a elaboração das propostas até a execução e consolidação das iniciativas, fortalecendo a autogestão, o associativismo e a cooperação, consolidando ações decisivas para os resultados alcançados.

Para Hemerson Calgaro, engenheiro agrônomo da CATI Regional Santos, o diferencial desse trabalho está na construção coletiva. “A experiência mostra que os projetos têm mais chances de sucesso quando são estruturados em rede. A CATI atua de forma permanente junto às comunidades, apoiando a produção de alimentos, o turismo comunitário e o fortalecimento do associativismo. Não se trata apenas de orientar tecnicamente, mas de caminhar junto, construindo soluções com as pessoas”.

Na Baixada Santista, a parceria entre CATI e Diocese segue semeando futuro, com técnica, compromisso e presença permanente ao lado de quem mais precisa. Dom Joaquim Mol, bispo da Diocese de Santos, em entrevista à TV Tribuna, no final do ano passado, esclareceu que a Igreja faz parcerias, pois não tem a pretensão de resolver o problema de todas as pessoas e que o papel da Igreja não é aquele de uma organização não governamental (ONG) ou de uma associação, mas o de alimentar a fé e a esperança das pessoas com a força dos ensinamentos de Jesus Cristo, bem como estimular iniciativas vindas de instituições e lugares diferentes em favor do povo em situação de vulnerabilidade.

Hemerson Calgaro avalia que “nesse sentido, a Diocese assumiu o papel de apoio à Economia Solidária inserida em uma rede de profissionais que atuam nas comunidades. E os resultados obtidos nos projetos desenvolvidos em parceria com a CATI têm sido muito bons e, mais uma vez, confirmam que projetos construídos e operacionalizados em rede têm maiores chances de obterem êxito”.

Fé, organização e transformação social

Criada em 1924, a Diocese de Santos abrange os nove municípios da Baixada Santista e integra a Campanha da Fraternidade, instituída nacionalmente, em 1964, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A cada ano, a campanha mobiliza comunidades em torno de temas sociais urgentes e promove a Coleta Nacional da Solidariedade, destinando 60% dos recursos ao Fundo Diocesano e 40% ao Fundo Nacional.

Na Baixada Santista, a opção tem sido investir em projetos estruturantes, com foco na Economia Solidária. A lógica vai além da assistência, pois “busca-se gerar autonomia, fortalecer vínculos e criar alternativas sustentáveis de geração de renda”, explica Helenice Queiroz, que, desde 1998, está à frente das Campanhas na entidade. Neste contexto, a parceria com a CATI, o Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista, universidades, pastorais e associações comunitárias consolidou uma rede sociotécnica que articula conhecimento, fé e compromisso social.

Celebrado em todo o Brasil, o Dia do Extensionista Rural é comemorado em 6 de dezembro, tendo como marco a criação da primeira instituição de Extensão Rural do País em 1948

“Ser extensionista é vestir a camisa do produtor, compartilhar e ter empatia com as dificuldades por ele enfrentadas na labuta diária do campo. É aprender com ele e não só ensinar. É ter sensibilidade para transferir conhecimentos sofisticados e torná-los rotineiros, bem como traduzir soluções complexas de problemas em execuções simples. Ser extensionista é deixar de lado muitas vezes a Veterinária, a Agronomia, a Zootecnia etc. e ser administrador de empresas, psicólogo, assistente social, professor; sabendo ouvir e aconselhar. É deixar muitas vezes de ser técnico para ser amigo. E ir além, pois a extensão rural é um serviço para quem ama o próximo e quer vê-lo crescer, melhorar e se desenvolver em harmonia com o ambiente em que está inserido. Enfim, é ser parceiro dos homens e mulheres do campo, compromissado com a transformação de vidas!”

Assim pode ser definido o que é ser extensionista rural, que, mais que uma profissão, é um serviço que agrega profissionais de diversas áreas, como engenheiros agrônomos e agrícolas, médicos-veterinários, zootecnistas, entre outros, para atuar junto aos produtores − principalmente os pequenos, os pescadores artesanais e os de comunidades tradicionais − na promoção do desenvolvimento rural sustentável. E essa declaração ecoa o que os quase mil extensionsionistas (áreas técnica e administrativa) da CATI – dos quais, grande parte atua diretamente no campo e nas Casas da Agricultura – consolidam em ações diárias junto a aproximadamente 360 mil propriedades rurais paulistas de agricultores familiares e de pequeno e médio portes.

Para Ricardo Domingos Luiz Pereira,diretor da CATI, o serviço de extensão rural tem como premissa ser um agente de transformação. “Como extensionistas, temos uma missão que vai muito além dos números e dados superlativos do agro paulista. Como extensionistas da CATI, temos a missão de ser esteio de homens e mulheres que há gerações dedicam suas vidas e o suor dos seus rostos para que o alimento chegue a nossa mesa, colocando-os como protagonistas da sua história, que impulsiona a economia com sustentabilidade social e ambiental, bem como gera frutos para toda a sociedade, com a produção de energia, conservação do solo e da água e produtos que são base para todo um complexo industrial essencial”.

Há alguns anos, o profissional de extensão rural vem passando por mudanças que pediram novas habilidades e metodologias de intervenção, necessidade de ações interinstitucionais e parcerias público-privadas, abordagens transdisciplinares, novo enfoque de comunicação, criatividade, gestão, inserção no mercado, entre outras. No âmbito da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, têm sido agregadas ferramentas que permitem aos extensionistas estar em sintonia com essas transformações, podendo atender às demandas dos produtores, especialmente dos familiares, e de toda cadeia do agronegócio. “Nesse contexto, é essencial destacar a importância da equipe administrativa para o sucesso do trabalho extensionista no campo”, afirma Ricardo, salientando que este cenário promoveu um resgate do verdadeiro papel do extensionista que, muito mais que difusor de tecnologia, é um articulador de mudanças na comunidade rural as quais se refletem no meio urbano. Diante desta nova realidade, é possível afirmar que o profissional de extensão rural consolidou sua relação de confiabilidade com os produtores de forma criativa, visando ajudá-los a alcançar um melhor nível econômico e social, com mais qualidade de vida. “Como resultado desse trabalho, pode-se dizer que, em São Paulo, hoje, há mais sustentabilidade, inclusão social, agregação de valor, cidadania, gestão, emprego, renda, qualidade de vida, segurança alimentar, Boas Práticas Agropecuárias e inserção da produção familiar no mercado, bem como conservação do solo e dos recursos naturais no campo”, celebra Pereira.

Conservar o solo é mais que uma prática agrícola, é um compromisso com a vida! Por isso, o Dia Mundial do Solo, celebrado em 5 de dezembro, desde 2013, pela Organização das Nações Unidas (ONU), nos lembra da importância vital de manter solos saudáveis e bem cuidados para garantir um futuro sustentável no campo e na cidade.

E em seus 58 anos, a CATI tem como missão a adoção de práticas conservacionistas integradas, que garantem o desenvolvimento rural sustentável, como um capítulo à parte em sua história, dada a transversalidade de atuação em todas as cadeias produtivas e segmentos rurais.  

E no momento em que as mudanças climáticas e a necessidade da produção agropecuária em harmonia com o meio ambiente são destaques no cenário mundial, a parceria entre a Extensão Rural e a Pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, com apoio da iniciativa privada, coloca em prática o Programa Solo + Fértil, que visa aumentar a fertilidade dos solos paulistas, promovendo a inclusão dos pequenos e médios produtores na moderna agricultura brasileira, incentivando a adoção da análise de solo, calagem e adubação mineral em todas as unidades de produção agropecuária.

O Dia de Campo “Frutas Vermelhas São Paulo”, realizado em 26 de novembro, na Agrofloresta Emilinha, em Cerqueira César (SP), reuniu cerca de 40 participantes — entre técnicos, produtores rurais, estudantes, indígenas e representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). 

Organizado pela CATI Regional Avaré, o encontro teve como objetivo apresentar tecnologias, resultados e práticas sustentáveis para o cultivo de amora, mirtilo e framboesa, reforçando o papel essencial da assistência técnica e extensão rural no desenvolvimento das propriedades agrícolas.

Durante o evento, foram abordadas as principais características das três culturas, com destaque para o mercado, os valores praticados e as possibilidades de agregação de valor à produção. O produtor anfitrião, Rodolfo Jubran Chapchap, compartilhou sua experiência na implantação do sistema, explicando desde o preparo do solo, aquisição de mudas, adubação e podas, até a condução das plantas, o manejo de pragas e doenças, a colheita e comercialização das frutas.

Os participantes também puderam conhecer as mudas produzidas pela CATI Sementes e Mudas, disponíveis para venda no local, além das frutas congeladas oferecidas pelo produtor. A iniciativa integra o Projeto Frutas Vermelhas SP, que vem se consolidando como uma alternativa viável e de alto valor agregado para pequenas áreas, especialmente para a agricultura familiar.

Além de apresentar práticas atualizadas de manejo, o Dia de Campo fortaleceu a relação entre a CATI e os produtores interessados em ingressar ou expandir sua atuação no segmento. O encontro também estimulou a criação de uma rede de produtores, facilitando a troca de informações e abrindo novas possibilidades comerciais para quem aposta nas frutas vermelhas como fonte de renda e diversificação produtiva. 

“Esse evento reafirma a importância da extensão rural e do acompanhamento técnico contínuo oferecido pela CATI, fundamentais para a adoção de tecnologias adequadas, o aumento da produtividade e o fortalecimento das cadeias agrícolas no estado de São Paulo”, encerra Euvaldo Pereira Junior, chefe da CATI Regional Avaré.

Desde 2022, a família de produtores rurais recebe acompanhamento da CATI, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, dentro do Programa CATI Leite

Em Itapetininga, no sudoeste do estado de São Paulo, o casal de produtores rurais José Geraldo Soares Júnior e Fátima de Medeiros Soares tem visto seu rebanho leiteiro prosperar e sua rentabilidade aumentar com o CATI Leite. A rotina na propriedade, onde vivem com seus dois filhos, é dividida entre o cuidado com a produção de leite e outros animais e tarefas.

Atendidos pela zootecnista Ana Paula Roque, da CATI Regional Itapetininga, José e Fátima acolhem as orientações técnicas e o acompanhamento do CATI Leite, desde 2022, quando se mudaram para a atual propriedade de seis hectares, menor do que a anterior, que tinha 20 hectares, e sentiram necessidade de otimizar seu trabalho e seus ganhos.

Abaixo, assista ao vídeo desta reportagem:

“Somos produtores de leite, mas não tecnificados. Procuramos acompanhamento para melhorar nossa condição de vida e de produção”, conta Geraldo. Ali, foram implantados controles zootécnicos e financeiros. O planejamento das atividades foi feito desde o início do atendimento na propriedade, de acordo com Ana Paula. “Fizemos amostragem de solo, correções de calagem e adubação, tanto nas áreas em que seriam implantados os pastos rotacionados quanto nas áreas de produção de milho para silagem”, comenta.

Ana frisa que, entre as vantagens do sistema rotacionado, está a facilidade do manejo pela própria família. “Isso libera mão de obra da família para outras atividades dentro da propriedade”, diz.

Se na atual área a produção leiteira chega a 320 litros ao dia, com 19 animais em ordenha, na propriedade anterior, a família produzia 120 litros; um aumento de mais de 150%, que se refletiu de forma positiva também financeiramente.

Com mais produtividade e retorno financeiro, a família já investiu na melhoria das instalações e em novos implementos, estruturando seu negócio e deixando um legado para as próximas gerações. “Eu queria que meus filhos continuassem. Se os dois não ficarem, pelo menos um. Porque nós já somos filhos de produtor. Eu já sou neta de produtor de leite e gosto do que faço”, encerra Fátima.

Sobre o CATI Leite

O programa fortalece a cadeia produtiva do leite em São Paulo, oferecendo orientação técnica, capacitação e incentivo à adoção de Boas Práticas de manejo, nutrição e sanidade animal. A iniciativa busca aumentar a produtividade, a qualidade do leite e a renda dos produtores, ao mesmo tempo em que promove sistemas de produção mais sustentáveis e competitivos. Técnicos e extensionistas rurais da Diretoria de Assistência Técnica Integral, a CATI, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, conduzem as orientações e o acompanhamento de forma gratuita para o produtor rural.

Para mais informações, o produtor deve procurar a Casa da Agricultura ou a Regional da CATI mais próxima.

A Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), por meio de sua equipe técnica do Protocolo de Transição Agroecológica (PTA), participou de uma atividade do Programa Sampa+Rural, na Prefeitura de São Paulo, com o objetivo de aperfeiçoar conhecimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) para ampliação da agroecologia na capital paulista.

Instituído pela Resolução Conjunta SAA/SIMA/SJC 01/2022, o PTA é um dos maiores instrumentos da Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica (Peapo), que foi firmada em 2016 e visa apoiar agricultores que se encontram no processo de transição agroecológica em suas produções.

As especialistas ambientais da CATI, Andrea Mayumi Chin Sendoda (Casa da Agricultura de Suzano/Regional Mogi das Cruzes) e Aline Bernardes Candido (Casa da Agricultura de São Paulo/Regional Santos), promoveram a capacitação no último dia 22 de agosto, em parceria com a equipe do Sampa+Rural.

Após a atividade, foi realizada uma visita técnica à “Horta da Cidade”, localizada na Câmara Municipal de São Paulo. O espaço, que foi inaugurado em dezembro de 2024, faz parte de uma linha de ação do Sampa+Rural que objetiva desenvolver hortas modelos na capital, reforçando o aspecto produtivo e a agricultura urbana. Com mais de 2.100m2, a área é utilizada para a capacitação sobre Agroecologia, além da conscientização da população sobre segurança alimentar e consumo de alimentos saudáveis.

A produção é 100% agroecológica e os alimentos cultivados são doados para entidades assistenciais com atuação na região, que fornecem refeições para a população em situação de vulnerabilidade social. A Horta da Cidade é um espaço de convivência, aberto à visitação, com mais de 120 culturas plantadas, dentre temperos, hortaliças, legumes, frutas, Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), ervas medicinais e aromáticas com diferentes técnicas de plantio e manejo.

A Horta recebeu o Certificado de Transição Agroecológica durante o painel da Transição Agroecológica, que ocorreu no dia 12 de junho de 2025, na Bio Brazil Fair, maior feira de produtos orgânicos da América Latina.

Conexão

Desde 2020, o Sampa+Rural conecta áreas rurais à cidade de São Paulo, agregando informações sobre desenvolvimento rural sustentável, turismo, meio ambiente e alimentação saudável. O programa é coordenado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, em conjunto com outras secretarias e órgãos paulistanos. Nessa plataforma, é possível encontrar dados sobre onde comprar produtos locais, quem são os agricultores do município e quem comercializa seus produtos.

Vale ressaltar que a Prefeitura de São Paulo é um dos maiores parceiros de aplicação do PTA desde o início da sua existência. No ano de 2021, em parceria com a Secretaria estadual de Agricultura, foi desenvolvido o Sistema de Assistência Técnica e Extensão Rural e Ambiental (SisRural), objetivando o apoio às políticas públicas de desenvolvimento rural sustentável e de preservação ambiental, com a função de ser um instrumento de trabalho e ferramenta de gestão para o recebimento de informações do Protocolo, além de um banco de dados.

(com informações de Aline Bernardes Candido, da Casa da Agricultura de São Paulo/CATI Regional Santos)

O extensionista Newton Rodrigues da CATI Regional Santos em projeto na Aldeia Nhanderekoá em Itanhaém, com o cacique Silvio e Miqueias, da etnia Guarani M’Bya


Evento realizado em Santos, reuniu equipes técnicas da CATI, da Funai e do Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) que atualizaram informações para facilitar a emissão do documento para comunidades indígenas

 

Reafirmando seu compromisso como órgão de extensão rural, a CATI organizou o encontro “Atuação conjunta entre CATI e Funai para emissão de CAF aos povos indígenas do estado de São Paulo”, que aconteceu no espaço APTA-HUB – Santos/Secretaria de Agricultura e Abastecimento, e contou com a presença de 30 técnicos, incluindo extensionistas das Regionais da CATI que atuam em áreas onde se tem presença de comunidades indígenas, além de servidores da Funai – Coordenação Regional Litoral Sudeste de Itanhaém e do MDA.

O encontro promoveu integração, troca de experiência e informações, ao mesmo tempo em que se tornou um espaço para esclarecimento de dúvidas, demonstração das ações das instituições nas comunidades, bem como padronização e ajuste de procedimentos para otimização da emissão do CAF. “A finalidade do encontro foi alinhar procedimentos, estreitar relações institucionais e oferecer apoio mútuo, para que CATI e Funai possam prestar um serviço cada vez mais qualificado para o público indígena, no âmbito da produção rural e da valorização cultural e social”, explicam os extensionistas Marcia Moraes, Alexandre Mendes, Felipe Augusto Nascimento Alves e Sara Lima Santos – integrantes da equipe técnica da sede da CATI, em Campinas -, que conduziram o evento e elaboraram a pauta.


Cacique Silvio e Elisa da Aldeia Nhanderekoá- Etnia Guarani M’Bya. Despesca para consumo.
Extensionistas da CATI Regional Santos, Claudimir Jorge e Osmani Ferreira, orientam e ajudam na montagem dos tanques.

Programação

A equipe técnica da coordenadoria da CATI mostrou o olhar e apresentou as ações que a instituição tem para este público, que conta com uma população estimada em 7.026 indígenas, divididos em 89 aldeias presentes em 25 municípios, de sete Regionais da CATI (Avaré, Araçatuba, Bauru, Registro, Santos, Sorocaba e Tupã). Também apresentou dados sobre as comunidades quilombolas e os assentamentos rurais no estado de São Paulo.

“A nossa Regional se destaca neste universo, pois abrange a maior parte dessa população, contando atualmente com 5.113 indígenas, estabelecidos em 59 aldeias, em 11 municípios. Com o Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado, executado pela CATI entre 2011 e 2018, algumas comunidades indígenas foram beneficiadas em caráter de salvaguarda, sendo o recurso direcionado para implementação de infraestrutura para recepção de visitantes e insumos para produção agrícola em sistema agroflorestal”, explica Edna Ferreira Maddarena Lopez, diretora da CATI Regional Santos.

Durante o encontro, os extensionistas Erica Oliveira, da CATI Regional Registro, Silas Barsotti e Newton José Rodrigues da Silva, ambos da Regional Santos, apresentaram projetos desenvolvidos e acompanhados nesses territórios.

Erica Oliveira apresentou o projeto que está sendo realizado, visando à construção de um banheiro comunitário na aldeia indígena Itapuã, em Iguape. “A demanda veio da própria comunidade, onde a liderança é feminina. O projeto está sendo construído em parceria pela Paróquia da Igreja Episcopal de Registro (que já faz um trabalho social na aldeia e conseguiu o recurso inicial para essa construção), pela CATI, pelo Instituto Federal de São Paulo – IFSP Campus Registro e pelo Instituto Trata Brasil, que está fazendo a articulação com as outras entidades, como a Funai e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai)”, informa Erica.

Barsotti relatou o trabalho das Casas da Agricultura de São Sebastião e Ilhabela realizado na Aldeia Guarani do Ribeirão Silveiras. “As ações realizadas nesta comunidade são focadas na ampliação dos roçados e das agroflorestas, bem como no aumento da diversidade de plantas cultivadas nos sistemas agroalimentares, para melhorar a soberania, segurança alimentar e nutricional dos indígenas, além de promover ações como a de facilitar a implementação de tecnologias socioambientais como saneamento ecológico, compostagem e viveiros de produção de mudas”.

Já o extensonista Newton José Rodrigues fez um relato das ações que desempenha há mais de 10 anos em aldeias do litoral centro sul paulista, com apoio à organização do turismo de base comunitária e implantação de tanques de criação de peixes em sistema de recirculação de água. “Atualmente existem 21 tanques em funcionamento em seis aldeias, com 12 famílias indígenas atendidas e 50 beneficiados diretamente. Cada tanque produz entre 20kg e 35kg por ciclo de seis meses, dependendo da espécie criada, que pode ser a tilápia rendalli (Coptodon rendalli) ou a tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus)”, informa Rodrigues, destacando que o projeto objetiva a construção de uma tecnologia social para que os indígenas não dependam de fatores de produção externos com a utilização de uma espécie de peixe herbívora, o que reduz o custo de produção. “No projeto existem aqueles que optaram pela criação da tilápia do Nilo pelo fato de terem um nível de renda mais elevado, por conta dos visitantes do Turismo de Base Comunitária. E tambén há articulação com parceiros que aportam recursos para financiar os equipamentos, como a Diocese de Santos por meio da Campanha da Fraternidade, a Funai e o Comitê Interaldeias”.

Para o extensionista Leandro Biral dos Santos, da Casa da Agricultura de São Sebastião, o evento “foi excelente para traçar estratégias conjuntas para o melhor atendimento a essas comunidades, principalmente àquelas com dificuldade de reunir documentações para emissão do CAF e acesso à políticas públicas.”


Mulheres da aldeia Aguapeú preparam o pescado. Etnia Guarani M’Bya
Weramoru – Aldeia Tabaçu Reko Ypy – Peruíbe. Etnia Tupi-guarani

Atividades de extensão universitária motivam alunos a compreender a realidade dos extensionistas em campo e os caminhos da comunicação digital com produtores rurais

Alunos de Engenharia de Biossistemas e Zootecnia, da Faculdade de Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), Campus Pirassununga, puderam conhecer um pouco mais da prática da vida do extensionista rural junto às famílias do campo e de projetos transformadores das realidades das comunidades do entorno, em palestra e roda de conversa no último dia 14 de março. Esta foi a primeira ação do projeto de cooperação em andamento entre a USP e a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, órgão que foi representado por uma equipe formada por Carolina Darcie, socióloga; Felipe Augusto Alves do Nascimento, zootecnista; Fernando Borboni, diretor da CATI Regional Limeira; Juliano Quarteroli Silva, engenheiro agrônomo, e Viviane Schons de Ávila, engenheira agrônoma (ambos da CATI Regional Limeira); e Gerson Alvim Neto, engenheiro agrônomo, chefe da Casa da Agricultura de Pirassununga. Eles apresentaram o trabalho realizado pela CATI aos estudantes do terceiro semestre, sob orientação do Prof. Dr. Luis Fernando Soares Zuin.

“A parceria com a Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP representa uma oportunidade estratégica para fortalecer nossas ações e modernizar nossos canais de comunicação. Os alunos envolvidos no projeto realizarão um trabalho estruturado de diagnóstico e proposição de soluções para aprimorar a comunicação da CATI com seus diversos públicos. A partir da análise dos nossos produtos e serviços, identificarão oportunidades e desenvolverão estratégias inovadoras para ampliar o alcance e a eficácia das nossas iniciativas”, comenta Ricardo Pereira, coordenador da CATI.

A Comunicação Digital para Produtores e a Extensão Rural foram temas abordados pela socióloga Carolina, em sua prolação, seguida pela caracterização do público atendido pela instituição, programas e projetos, na fala do zootecnista Felipe.

A parceria será realizada na disciplina “Gestão, Inovação e Empreendedorismo”, do curso de Engenharia de Biossistemas da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP. As atividades de extensão propostas nessa disciplina, as quais serão realizadas pelos alunos, resultarão em um projeto finalizado de comunicação digital, que será avaliado pela CATI. “Tenho certeza que a parceria realizada para as atividades de extensão com a CATI será muito importante para a formação dos alunos que irão cursar a disciplina ‘Gestão, Inovação e Empreendedorismo’”, frisou o professor orientador, Zuin.

“Nosso trabalho na CATI consiste em aproximar inovações das realidades do campo, garantindo que as informações cheguem de forma acessível, aplicável e transformadora. E para isso, a comunicação é essencial. Acredito que essa experiência será enriquecedora para todos os envolvidos. Os alunos terão contato direto com uma realidade complexa e dinâmica, aprendendo a pensar soluções práticas para desafios reais. E, para nós da CATI, será uma oportunidade de olhar para nossa forma de trabalhar com um novo olhar, aperfeiçoando nossa estratégia para fortalecer ainda mais o trabalho da extensão rural em São Paulo”, finaliza Carolina.

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