Confraternização reuniu educadores, aprendizes e representantes dos povos indígenas Tukano em uma tarde marcada por troca de conhecimentos, respeito à diversidade e valorização da agroecologia
O encerramento das atividades de 2025 do Projeto Fazendinha Feliz – unidade de Educação Ambiental reconhecida pela Prefeitura Municipal de Campinas -, realizado no último dia 15 de dezembro, na CATI, foi marcado por muito mais do que uma confraternização. O encontro reuniu cerca de 30 integrantes da Rede “Escola na Horta”, que se reúnem no âmbito do Projeto, em uma tarde de diálogo intercultural, reflexão e aprendizado, com a participação especial de representantes de povos indígenas das etnias Tukano e Dessana, do estado do Amazonas, atualmente acadêmicos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Durante a roda de conversa, os convidados indígenas compartilharam aspectos de sua cultura, língua nativa, modos de vida, hábitos e costumes, além de relatarem as dificuldadesenfrentadas ao viver longe de suas aldeias para buscar formação acadêmica em Campinas. Os depoimentos, especialmente do casal Marinaldo Almeida Costa e Marilda Dias de Souza, emocionaram os participantes e ampliaram o entendimento sobre a importância da preservação cultural e do respeito à diversidade. “Os indígenas trouxeram seu artesanato e os participantes puderam adquirir artigos para presentear as pessoas, nesse encontro que contou também com a presença do médico da Prefeitura de Campinas, Paulo Abati, que é apoiador dos povos indígenas na Unicamp e membro da ONG Expedicionários da Saúde, que leva assistência à saúde até aldeias longínquas do norte do Brasil. E também é grande parceiro do Projeto Fazendinha Feliz”, explica Osmar Mosca Diz, extensionista da CATI e coordenador do Projeto Fazendinha Feliz, destacando também a presença de outra parceira do Projeto, Adriana Tiba, estudiosa das abelhas do Brasil.




Segundo Osmar, a presença dos povos indígenas na instituição tem um significado profundo. “É muito importante nos unirmos e somarmos forças com nossos irmãos indígenas, que precisam do nosso respeito e apoio. A presença deles aqui reforça a resistência diante de tantas dificuldades e a reafirmação de sua identidade e cultura”, destacou.
Essa foi a segunda visita dos indígenas à CATI. A primeira ocorreu durante a celebração do Dia Nacional da Abelha e da Agroecologia, realizado nos dias 2 e 3 de outubro, quando participaram da abertura oficial do evento, além de atuarem como feirantes e expositores, fortalecendo a integração entre saberes tradicionais e técnicos.
A Rede “Escola na Horta”, formada por educadores e aprendizes, tem como princípio comum conhecer, respeitar e apoiar diferentes formas de relação com a terra. Para Osmar, a visão indígena oferece ensinamentos essenciais para o desenvolvimento rural sustentável. “A relação que os povos indígenas estabelecem com a terra e com os bens naturais, considerados sagrados e dons de Deus, é um exemplo para todos nós. Trata-se de uma relação de respeito, reverência e conservação”, afirmou.
Do ponto de vista técnico, o encontro reforçou que muitos dos princípios da agricultura conservacionista, da Agroecologia e dos sistemas agroflorestais têm origem no conhecimento tradicional indígena, inspirado em uma relação integrada com a natureza, “muito antes de esses conceitos serem sistematizados pela ciência moderna”, avalia Osmar, enfatizando que “o encerramento das atividades de 2025 do Projeto Fazendinha Feliz reafirma o compromisso da CATI com a educação, a sustentabilidade, a valorização dos saberes tradicionais e o diálogo intercultural, mostrando que o futuro da agricultura passa, necessariamente, pelo respeito às raízes e à diversidade de conhecimentos que constroem o campo brasileiro”. Na oportunidade, também houve plantio de mudas nativas no Parque da CATI.
População indígena em Campinas
Segundo dados do Censo de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), a população indígena de Campinas cresceu 50% em 12 anos, passando de 1.043 pessoas, em 2010, para 1.568. Além do crescimento, o levantamento revela que Campinas conta com 96 etnias e 26 línguas indígenas diferentes.
Visita aconteceu no dia 26 de março e contou também com a presença de autoridades locais
O Núcleo de Mudas de Itaberá, sob a direção do engenheiro agrônomo Ricardo Cintra Rieckmann, recebeu, no dia 26 de março, a visita dos técnicos da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) Regional Itapeva, secretários municipais de agricultura e meio ambiente e representantes de diversas prefeituras da região, os quais tiveram a oportunidade conhecer de perto os métodos de produção de plântulas de espécies nativas e uma variedade de mudas, incluindo mandioca, batata-doce, banana, cacau, mirtilo, framboesa, atemoia, uva e espécies florestais nativas, exóticas e ornamentais. Além disso, foi apresentado o matrizeiro de frutíferas silvestres e comerciais, onde se destacaram variedades como caqui, pêssego, ameixa, pitaya, atemoia e uva.

Um dos pontos altos da visita foi a apresentação de um método inovador na produção de mudas sustentáveis, utilizando embalagens biodegradáveis.
A diretora da CATI Regional Itapeva, Sandra Maria Ramos, informou que diversos municípios já demonstraram interesse em testar novas variedades de batata-doce e mandioca junto aos produtores locais. “Municípios como Barra do Chapéu, Buri, Nova Campina, Itapeva, Itararé e Ribeirão Branco já demonstraram interesse em testar junto aos produtores locais as batatas-doces IAC 134 (alaranjada), IAC Ametista (Roxa), IAC Prudentina, IAC Clara, IAC Santa Elisa, IAC Lavínia e também as mandiocas IAC 90, IAC 118, IAC 576, IAC 601 vitaminada e a IAC 28 bruta; e eles serão acompanhados pelos técnicos municipais e da CATI, com supervisão de Ricardo Cintra”, enfatizou.

O diretor do Núcleo de Mudas explanou sobre a importância da troca de conhecimentos e experiências entre os presentes: “O Encontro proporcionou uma importante troca de conhecimento e experiências sobre a produção e manejo de mudas, fortalecendo a parceria entre os municípios e incentivando o desenvolvimento da agricultura e da sustentabilidade regional”.
Vale ressaltar que as mudas produzidas no Núcleo de Itaberá possuem caráter econômico, podendo ser adquiridas por produtores rurais para cultivo comercial e também contribuem para a recuperação ambiental, o sombreamento, a melhoria da qualidade do ar e o aumento da biodiversidade nas cidades.

Educação Ambiental:
O Núcleo de Mudas de Itaberá também desenvolve um importante projeto de educação ambiental para crianças e jovens, disseminando informações sobre a importância da preservação ambiental, da vida animal e das espécies frutíferas silvestres.
(Com informações da CATI Regional Itapeva)