Ferramenta desenvolvida pela CATI Regional Santos reúne dados estratégicos sobre produção, comercialização e acesso a políticas públicas, apoiando o planejamento das ações de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e impulsionando o desenvolvimento sustentável no campo e no mar
A diversidade produtiva e social do litoral paulista e da Grande São Paulo acaba de ganhar uma importante aliada: a informação organizada. Neste contexto, a CATI Regional Santos lançou o infográfico “Organizações Urbanas e Rurais – Produção e Comercialização”, uma ferramenta inovadora que transforma dados técnicos em um panorama visual acessível, capaz de orientar ações de Ater em um território marcado por contrastes e potencialidades.
Responsável por atender 38 municípios – que incluem desde áreas altamente urbanizadas até comunidades tradicionais e regiões de forte produção agropecuária e compõem um território que abrange a Baixada Santista –, a CATI Regional Santos enfrenta o desafio de adaptar suas estratégias a uma realidade complexa. Nesse cenário, o infográfico surge como uma ponte entre o conhecimento técnico e a prática no campo, facilitando a compreensão e a tomada de decisão. O material, que contém informações coletadas pelos técnicos das Casas da Agricultura ligadas à CATI Regional Santos e estarão em constante e permanente construção, já reúne informações de 16 municípios e mapeia 53 organizações, formais e informais, que atuam em diversas cadeias produtivas, como olericultura, fruticultura, pesca, aquicultura, produção de alimentos à base de plantas alimentícias não convencionais (PANC), produtos de origem animal, floricultura e artesanato. Também identifica como essas organizações se estruturam, quantas pessoas envolvem, de que forma comercializam e se acessam políticas públicas e serviços de Ater.
Segundo o engenheiro agrônomo Hemerson Calgaro, um dos responsáveis pela elaboração do material, o impacto da ferramenta vai além da organização de dados. “Ter informações sistematizadas e disponíveis é fundamental para balizar o trabalho da extensão rural. Isso permite que nossas ações sejam mais assertivas, facilita o acesso de produtores e pescadores às políticas públicas e contribui diretamente para o fortalecimento das comunidades rurais e tradicionais, especialmente no litoral, onde as dinâmicas são muito específicas.”
Um dos destaques do levantamento é a presença significativa de organizações produtivas na Grande São Paulo. “Mesmo em áreas urbanizadas, 17 iniciativas demonstram que a produção de alimentos segue ativa, apoiada por parcerias entre iniciativa privada, poder público e sociedade civil”, informa Lucas Volpato, chefe da Casa da Agricultura de São Paulo.
O infográfico também reflete a diversidade do público atendido pela CATI, que inclui agricultores, pescadores artesanais, aquicultores, comunidades quilombolas, indígenas, caiçaras, extrativistas e agricultores urbanos. “Para nós da extensão rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, todos são considerados peças-chave na construção de um sistema produtivo mais inclusivo e sustentável”, explica o agrônomo Hemerson Calgaro.
Com atualização contínua, o documento é dinâmico e acompanha as transformações do território, servindo como base para planejamento da Regional no alcance de demandas potenciais ou reprimidas, capacitação e estratégias de comercialização, incluindo o acesso a políticas públicas e iniciativas de economia local. “Qualificamos o Infográfico, o qual já está sendo utilizado, pois se trata de uma ferramenta norteadora dos projetos CATI entre os quais, no âmbito desta Regional, foram eleitos como objetos principais das ações o Cacau SP, Frutas Vermelhas SP e Protocolo de Transição Agroecológica, cujas caracterização e identificação dos agricultores são de suma importância, principalmente na Grande São Paulo, como no caso das áreas produtoras da Zona Leste, de Guarulhos e de Osasco, onde reúnem-se agricultores urbanos produzindo em áreas ociosas ou sob concessão de empresas como a Enel e Transpetro. Nosso trabalho se acentua tanto no auxílio da produção como na comercialização”, explica Calgaro.
Além disso, a CATI Regional Santos já trabalha na elaboração de um novo infográfico, desta vez voltado exclusivamente às comunidades pesqueiras, atividade essencial para a economia e a cultura do litoral paulista. “Respeitando outra particularidade da nossa região, estamos construindo outro infográfico que trará informações sobre as comunidades pesqueiras, que são diversas e têm suas particularidades nos litorais sul e norte, sendo uma atividade relevante na economia do estado de São Paulo”, informa Calgaro.
Diante da abrangência do projeto, é possível dizer que ele, ao integrar informação, planejamento e ação, se consolida como uma iniciativa que reforça o papel da extensão rural como agente de desenvolvimento, conectando conhecimento técnico às necessidades reais de quem vive e produz no campo e no mar.
Infográficos

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Os infográficos são quadros informativos que utilizam simultaneamente texto e elementos visuais, sendo visualmente explicativos e associados a elementos não verbais, tais como imagens, gráficos e links de internet. Trata-se, portanto, de uma representação gráfica e visual oriunda da informação textual, utilizada para facilitar e transmitir, com rapidez, qualidade e precisão, o máximo de conteúdo e auxiliar o trabalho de Ater. “Em resumo, os infográficos são uma ferramenta de comunicação crucial, funcionando como uma ‘ponte’, conectando dados técnicos e científicos à compreensão prática e rápida por parte de todos os envolvidos na cadeia produtiva”, informa Calgaro.
Galeria de imagens
Reuniões e encontros com agricultores(as) e pescadores(as) para organização de ações em prol do desenvolvimento de políticas públicas e para levantamento de dados para elaboração do infográfico.






Integração, inovação e compromisso com o futuro do campo marcaram o 3.º Encontro Interestadual de Agricultura Orgânica e Turismo Rural
O município de Franca foi palco, no último dia 15 de abril, de um evento que reafirma o avanço da agricultura orgânica, da agroecologia e do turismo rural. Realizado nas dependências do Sesc – Franca, o 3.º Encontro Interestadual de Agricultura Orgânica e Turismo Rural reuniu cerca de 200 participantes, entre produtores, técnicos, pesquisadores e representantes de instituições públicas e privadas de São Paulo e Minas Gerais.
Organizado pela Cooperativa das Agricultoras e Agricultores Familiares Orgânicos de Claraval e Região (Coorgânica) – em parceria com a CATI Regional Franca, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) – Regional de Franca, a Emater Regional de Passos (MG), contando com apoio da Prefeitura Municipal de Claraval (MG) e diversos apoiadores –, o evento teve como foco principal integrar práticas de agricultura orgânica com o turismo rural, fortalecendo práticas sustentáveis e promovendo novas oportunidades de renda às famílias rurais e valorização do campo.
“A CATI, que participa ativamente desde a primeira edição, vem consolidando seu papel no fortalecimento da produção orgânica e sustentável, bem como do turismo rural em São Paulo”, explica Idelberto Miranda, extensionista da CATI Regional Franca e membro do Grupo Técnico (GT) de Agroecologia e Produção Orgânica e Agroecologia da instituição.
Um dos pontos altos do encontro foi a troca de experiências entre os participantes, que puderam conhecer casos práticos de sucesso e discutir desafios comuns, como acesso a novos mercados, certificação e produção em Sistemas Agroflorestais (SAFs).
Segundo o extensionista da CATI e também membro do GT, Leandro Biral, responsável pela Casa da Agricultura de São Sebastião, ligada à CATI Regional Santos, o encontro foi essencial para fortalecer redes sociotécnicas e o aprendizado mútuo. “O Encontro proporcionou um ambiente de integração muito rico. A troca de experiências, especialmente na feira de sementes, reforça a importância da preservação das sementes crioulas e valorização da biodiversidade”.
Programação contribuiu para troca de experiências e apresentação de inovação no campo
A programação contou com palestras e painéis sobre políticas públicas, comercialização, certificação, pecuária orgânica e Sistemas Agroflorestais, além de relatos inspiradores de propriedades que já integram agricultura e turismo rural com sucesso.
A participação da CATI foi marcada pela apresentação de iniciativas concretas de apoio aos produtores, especialmente por meio do Protocolo de Transição Agroecológica, que orienta agricultores no processo de mudança para sistemas mais sustentáveis. “Além disso, a CATI tem atuado diretamente no acompanhamento técnico e na capacitação de produtores orgânicos, incentivando práticas como Sistemas Agroflorestais, certificação e acesso a mercados diferenciados”, explica Leandro Biral.
O turismo rural, aliás, ganhou destaque como estratégia para agregar valor à produção agrícola. De acordo com Biral, durante a programação, foram apresentadas as experiências do “Chalés da Serra”, propriedade destaque na recepção de turistas em Claraval (MG), e o Turismo de Base Comunitária (TBC) da Baía de Castelhanos, em Ilhabela (SP), desenvolvido como ferramenta estratégica para agregar valor à propriedade rural, promovendo vivências no campo, educação ambiental e aproximação entre produtores, pescadores artesanais e turistas. “As apresentações foram bastante relevantes e trocamos muitas experiências de como oferecer um serviço de melhor qualidade aos hóspedes” declarou Angélica dos Santos, atual gestora responsável pelo TBC de Castelhanos.
Já na área de produção orgânica, teve destaque a produção de cafés especiais e orgânicos na região, que tradicionalmente já produz cafés de alta qualidade. Durante as apresentações, os participantes puderam aprender mais sobre produção de microlotes de cafés orgânicos consorciados a outras culturas, como frutíferas e árvores nativas. “Nesse momento, foi aberto um espaço para homenagear a produtora Marina Limonta Prior, pioneira na certificação orgânica de café e leite na região de Franca, símbolo de uma trajetória que inspira novos produtores a adotarem práticas sustentáveis”, informa Miranda, extensionista da CATI Regional Franca.
Evento consolida espaço estratégico para o setor
Para Miranda, a realização do encontro reafirma a importância da articulação entre instituições e produtores. “A CATI tem orgulho de participar desde a primeira edição desse evento, que hoje se consolida como um espaço estratégico de diálogo, inovação e fortalecimento da agroecologia, da produção orgânica e do turismo rural. Esta edição foi um sucesso e já estamos trabalhando para tornar a próxima edição ainda mais abrangente”, ressaltou, enfatizando que, com forte presença institucional na maioria dos municípios, por meio das Casas da Agricultura, e resultados concretos no campo, a atuação da CATI segue sendo fundamental para impulsionar a transição agroecológica e fortalecer o desenvolvimento rural sustentável no estado de São Paulo.







A execução do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), em Ilhabela, segue avançando. Nas etapas mais recentes do programa, foram montadas e distribuídas, inicialmente, 170 cestas de alimentos destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade social, devidamente cadastradas no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Ilhabela.
As primeiras cestas foram compostas por 10 quilos de alimentos frescos cada, adquiridos diretamente de produtores da região, incentivando, assim, a economia do município. Dando continuidade às ações, uma segunda entrega contemplou outras 170 cestas e, desta vez, cada cesta teve 11 quilos de produtos. Elas foram destinadas às comunidades tradicionais localizadas em ilhas pertencentes ao município de Ilhabela. A iniciativa beneficiou moradores das comunidades Porto de Meio e Guanxuma, ambas pertencentes às ilhas de Búzios e também a comunidades localizadas na ilha da Vitória, localizadas a aproximadamente 40 quilômetros da região central do município, com acesso exclusivamente marítimo.
“A operação logística exigiu planejamento e integração entre as diversas áreas e equipes, já que o trajeto até as comunidades leva cerca de 1h30 em mar aberto. A quantidade de alimentos levados também foi outro desafio, mas, mesmo diante dos desafios naturais e da distância, as entregas foram realizadas com sucesso, garantindo que os alimentos chegassem em perfeitas condições às famílias atendidas”, declara Leandro Biral, técnico da CATI Regional Santos e responsável pela execução do projeto em Ilhabela.
As entregas do programa do Governo Federal – Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) – são possíveis graças à parceria entre a Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), e a Prefeitura de Ilhabela, por meio da Secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social.
“Para a próxima entrega, planejamos atender cerca de 70 famílias das comunidades tradicionais localizadas na baía dos Castelhanos, que se apresenta como outro desafio pela logística de entrega. O acesso somente ocorre através de estrada de terra, dentro do Parque Estadual, usando apenas veículos 4×4. Mas chegaremos até lá para garantir os alimentos às famílias”, afirma Biral. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social, a ação reforça o compromisso da administração municipal com a equidade no acesso às políticas públicas. “Nosso objetivo é assegurar que todas as famílias, independentemente da sua localização, tenham acesso a uma alimentação digna e de qualidade. O PAA é uma política essencial que une inclusão social e fortalecimento da produção local por intermédio da parceria com o MDS e com a SAA”, destaca Alessandro Carvalho Vieira, secretário da pasta.





No litoral norte paulista, a terra voltou a respirar melhor junto com a história de um povo. No Quilombo da Caçandoca, em Ubatuba, práticas ancestrais de cultivo estão sendo retomadas, aliando sustentabilidade ambiental, segurança alimentar e geração de renda. Neste processo, a Casa da Agricultura de Ubatuba, ligada à CATI Regional Santos, tem desempenhado um papel essencial ao oferecer assessoria técnica e apoio institucional à comunidade.
“Como extensionistas, temos apoiado esta comunidade quilombola no manejo da vegetação nativa, na implantação de roças tradicionais e de sistemas agroflorestais (SAFs), pois, com uma visão integrada da agricultura, é possível trabalhar diversos aspectos da sustentabilidade para essas comunidades, bem como gerar renda de forma coerente com o uso do território e da vegetação nativa, muito presente nesta área”, explica Maíra Formis, especialista ambiental da Casa da Agricultura de Ubatuba.



E todas as ações técnicas têm sido desenvolvidas em parceria e com base em uma iniciativa que reúne diferentes frentes que se fortalecem mutuamente. De um lado, o projeto “Sementes Quilombolas”, idealizado pela própria comunidade e pela Associação dos Remanescentes da Comunidade do Quilombo da Caçandoca; de outro, o projeto “Plantando Agrofloresta”, executado pela organização não governamental (ONG) – Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (Ipesa) e financiado pelo Comitê de Bacias do Litoral Norte. Juntos, eles viabilizaram a implantação de 1,5 hectare de sistemas agroflorestais integrados às tradicionais roças quilombolas.



Mais do que plantar alimentos, os projetos cultivam cultura, identidade e futuro. “As agroflorestas priorizam espécies nativas frutíferas, que impulsionam a culinária local e fortalecem o Turismo de Base Comunitária. Nos SAFs implementados pela comunidade, um dos destaques é a palmeira juçara (Euterpe edulis), espécie ameaçada de extinção, cuja polpa pode ser extraída e aproveitada de forma sustentável, gerando renda e contribuindo para a conservação da Mata Atlântica”, comenta Maíra.

Para o sucesso das ações, ela ressalta que as crianças também estão envolvidas, tanto por meio da alimentação e do resgate da cultura como pela merenda escolar adquirida diretamente dos quilombolas, via Projeto Catrapovos, de forma integrada a programas institucionais de Compras Públicas, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que poderá incluir a polpa de juçara. “Esse círculo virtuoso conecta alimentação saudável para as crianças, geração de renda para os agricultores, educação e valorização cultural”.
As crianças e jovens, aliás, são o coração do projeto. Participam ativamente das hortas escolares e vivenciam o aprendizado que ultrapassa os muros da escola. A orientação técnica conta com o apoio do técnico agrícola José Carlos dos Santos, da CATI, especialista em produção orgânica, que deu as diretrizes para o início das atividades da horta escolar e tem trabalhado com a comunidade há alguns anos, prestando apoio para a construção de estufas e hortas orgânicas.
Para os moradores, o impacto vai além do campo produtivo, sendo também uma reconexão com o território e com a própria história. “Alcançar as crianças e os jovens é a finalidade principal de todo o trabalho realizado. Passamos a história e a cultura do quilombo para eles, para não deixar morrer”, afirma emocionado o quilombola Marcílio Gaspar, observando a área – antigamente utilizada para a roçada da família – ganhar nova vida com a implantação de uma agrofloresta.

Dona Maria, uma das matriarcas da comunidade, reforça o valor simbólico desse movimento: “O processo de reconhecimento do quilombo foi sofrido, e a luta pelo território continua. Voltar a trabalhar na terra com as pessoas queridas e ver os jovens retornando é plantar nossas raízes para os nossos netos”.
A atuação da CATI vai além do suporte técnico agrícola. Segundo Maíra, o trabalho exige sensibilidade e respeito ao conhecimento tradicional. “A maior preocupação é que os projetos sejam implantados considerando as áreas ancestralmente utilizadas como roçados, resgatando o uso agrícola e a cultura associada a esses espaços. Fazemos um trabalho minucioso de identificação das árvores existentes – muitas delas com potencial para agricultura que gere renda – e diferenciamos áreas de vegetação nativa daquelas historicamente manejadas, tanto em campo quanto nos mapas do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Além disso, a articulação institucional promovida pela CATI com órgãos ambientais e fundiários é fundamental para garantir segurança às comunidades, evitando a criminalização de práticas tradicionais de manejo”.
Essa integração entre saber técnico e saber tradicional é o que torna o projeto um exemplo de desenvolvimento sustentável na prática. Em Caçandoca, a agrofloresta não é apenas um modelo produtivo, é um caminho de resistência, autonomia e cuidado com o meio ambiente, pois, ao cultivar a terra, a comunidade cultiva também o futuro, com raízes firmes na ancestralidade e olhos voltados para as próximas gerações.
Conheça mais um pouco do trabalho realizado nos projetos com a comunidade: https://www.instagram.com/reel/DQK234kEeKF/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==
Foto da capa: Maíra Formis
Fotos desta matéria: Ramon Soares dos Santos
Em uma ação de orientação técnica realizada em parceria com a Colônia de Pescadores Z10 “Ministro Fernando Costa”, a Casa da Agricultura de Ubatuba – ligada à CATI Regional Santos – promoveu, no dia 26 de março, um encontro estratégico para esclarecer dúvidas sobre a obrigatoriedade da Nota Fiscal do Produtor Eletrônica (NF-e) que, desde janeiro, foi estendida aos pescadores artesanais profissionais, em uma medida que impactou diretamente a rotina da categoria. A iniciativa reafirma o papel da CATI como órgão responsável pelas ações de assistência técnica e extensão rural na Secretaria de Agricultura e Abastecimento e agente de prestação de serviço público voltado à regularização e ao fortalecimento das atividades produtivas no campo e no mar.
Cerca de 40 pescadores e pescadoras participaram da roda de conversa, que, segundo Maíra Formis, especialista ambiental da Casa da Agricultura de Ubatuba, teve caráter técnico, com explicações detalhadas sobre cadastro, emissão e uso correto da nota fiscal eletrônica, agora obrigatória também para pescadores profissionais artesanais desde 5 de janeiro de 2026.
“A nota fiscal é uma novidade e traz custos, por isso nós precisamos de informação para entender melhor. Mas sabemos também que, sem a documentação correta, nós podemos perder o produto na fiscalização e, como o pescado é perecível, isso significa um grande prejuízo, pois ele precisa ser vendido fresco”, avaliou um dos diretores da Colônia, Rosildo de Paula.
A capacitação foi conduzida pelo contador João Batista Bueno de Aguiar, que apresentou o passo a passo para adesão ao sistema, além de esclarecer pontos críticos levantados pelos participantes, como exigências fiscais, tipos de embarcação, licenciamento, declaração de espécies e integração com meios de pagamento.
As dúvidas evidenciaram o impacto prático da nova legislação no cotidiano da pesca artesanal, especialmente diante da necessidade de adaptação tecnológica e dos custos envolvidos. Ainda assim, a regularização foi destacada como essencial para garantir segurança jurídica e evitar prejuízos, sobretudo em um setor marcado pela comercialização de produtos altamente perecíveis.
Durante o evento, o médico-veterinário Carlos Kawatani, responsável pela Casa da Agricultura de Ubatuba, destacou o caráter público e orientador da iniciativa: “Nosso papel, enquanto CATI, é estar ao lado do produtor e do pescador neste momento de transição, oferecendo informação qualificada e apoio técnico para que ninguém fique para trás diante das novas exigências legais.”
Esta ação em Ubatuba evidencia como a assistência técnica pública vai além da produção, atuando também na inclusão fiscal e na sustentabilidade econômica não apenas das comunidades rurais do interior de São Paulo, mas também da área litorânea.


Sobre a obrigatoriedade da NF-e
A obrigatoriedade da NF-e decorre do Ajuste Sinief 27/2024, da Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz), que substituiu a antiga Nota Fiscal – modelo 4 pelos formatos eletrônicos.
Como alternativa prática, a Sefaz indica o uso do aplicativo Nota Fiscal Fácil, que permite a emissão digital por produtores rurais, microempreendedores individuais (MEIs) e transportadores autônomos de carga (TACs), ampliando o acesso à formalização.
Nota Fiscal Fácil – NFF (https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/noticias/2026/gestao-normativa-da-secretaria-da-fazenda-torna-obrigatorio-o-uso-da-nota-fiscal-eletronica-pelo-produtor-rural,2383.html.
Para saber mais sobre sobre a Nota Fiscal Fácil, acesse: https://portal.fazenda.sp.gov.br/servicos/nff.
Em Santos, lançamento da Campanha da Fraternidade 2026 celebra três anos de trabalho conjunto entre a CATI Regional e a Diocese, que apoia projetos comunitários e consolidou uma rede sociotécnica a serviço da vida e da emancipação social
O lançamento da Campanha da Fraternidade, que em 2026 tem como tema “Fraternidade e Moradia”, foi realizado em Santos e reuniu cerca de 250 pessoas no auditório do Liceu Santista em evento organizado pela Diocese de Santos. Mais do que um ato simbólico, o encontro foi a celebração de uma parceria que vem transformando realidades: a atuação conjunta entre a entidade e a CATI no fortalecimento da Economia Solidária – economia centrada na valorização do ser humano – na Baixada Santista.

Durante o evento, a Diocese fez um reconhecimento público à CATI em um vídeo institucional apresentado aos participantes. “O gesto simbolizou a importância da parceria técnica para que os recursos da Campanha da Fraternidade se transformem em resultados concretos”, explica Newton José Rodrigues da Silva, extensionista rural da CATI Regional Santos, que atua há mais de três décadas com as comunidades e também no desenvolvimento de ações de Economia Solidária em modelo de parceria em Redes Sociotécnicas.
Nos últimos três anos, essa parceria fortaleceu comunidades, gerou renda e promoveu dignidade por meio de 19 projetos apoiados pelo Fundo Diocesano de Solidariedade, totalizando R$ 169.377,34 investidos em iniciativas que envolvem aldeias indígenas, hortas comunitárias, grupos de mulheres, produção de bioinsumos, criação de peixes, captação de água de chuva, energia solar e ações voltadas à segurança alimentar e ao Turismo de Base Comunitária. “Além disso, foram adquiridas roupas de trabalho para jovens que se dedicam à coleta de óleo de cozinha para reciclagem; implantados sistemas de coleta de água de chuva e de energia solar; impulsionada a criação de galinhas e peixes em viveiros escavados; adquiridos equipamentos de audiovisual e formação de indígenas para produção de vídeos e outras peças de comunicação, bem como equipamentos para uma cozinha sob a gestão de mulheres que preparam alimentos com a utilização de plantas da Mata Atlântica”, informa Rodrigues.
No que se refere aos projetos desenvolvidos em parceria com a Diocese, Rodrigues destaca que a essência está na emancipação das comunidades envolvidas. “Os recursos da Campanha ganham potência quando encontram organização comunitária e acompanhamento técnico. Nosso papel é fortalecer competências locais, apoiar a gestão coletiva e garantir que os projetos se sustentem no tempo. É desenvolvimento com base na cooperação e na autogestão.”
E os beneficiários são unânimes em reconhecer a importância dos projetos realizados por meio dessa parceria. “O apoio a projetos de Economia Solidária promove vínculos sociais. O projeto que foi realizado para ampliação do refeitório da nossa aldeia representa mais que recursos, mas sobretudo confiança, parceria e compromisso com a vida comunitária, a dignidade e o bem-viver”, afirma Itamirim, liderança da aldeia indígena Tabaçu Reko Ypy de Peruíbe.
Outros integrantes de projetos realizados no âmbito dessa parceria, como Angélica Cruz, da Horta Sustentável Verde Vida de Guarujá; Maria da Penha Pedrosa, integrante da Horta Sustentável Santa Cruz dos Navegantes; Francisca Eliene da Silva, da Horta Entre Amigos de São Vicente; André Nascimento, da Horta Bons Frutos de Santos; Sergio Popygua, da aldeia Ara Pyau de Mongaguá; e Silvio Riju, da aldeia Nhanderekoá de Itanhaém, são unânimes em reconhecer a importância do financiamento feito pela Diocese de Santos, bem como o apoio técnico e organizacional que recebem da CATI e de parceiros, que têm possibilitado a concretização de ações que transformam vidas, com geração de renda e sustentabilidade ambiental.


Desenvolvimento dos projetos e o papel da extensão rural
Por trás de cada projeto, há um trabalho permanente de extensão rural e a atuação da CATI que vai além da assistência técnica pontual. Extensionistas rurais da Regional Santos e parceiros – como o Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), universidades, pastorais e associações comunitárias – acompanham constantemente os grupos, desde a elaboração das propostas até a execução e consolidação das iniciativas, fortalecendo a autogestão, o associativismo e a cooperação, consolidando ações decisivas para os resultados alcançados.



Para Hemerson Calgaro, engenheiro agrônomo da CATI Regional Santos, o diferencial desse trabalho está na construção coletiva. “A experiência mostra que os projetos têm mais chances de sucesso quando são estruturados em rede. A CATI atua de forma permanente junto às comunidades, apoiando a produção de alimentos, o turismo comunitário e o fortalecimento do associativismo. Não se trata apenas de orientar tecnicamente, mas de caminhar junto, construindo soluções com as pessoas”.
Na Baixada Santista, a parceria entre CATI e Diocese segue semeando futuro, com técnica, compromisso e presença permanente ao lado de quem mais precisa. Dom Joaquim Mol, bispo da Diocese de Santos, em entrevista à TV Tribuna, no final do ano passado, esclareceu que a Igreja faz parcerias, pois não tem a pretensão de resolver o problema de todas as pessoas e que o papel da Igreja não é aquele de uma organização não governamental (ONG) ou de uma associação, mas o de alimentar a fé e a esperança das pessoas com a força dos ensinamentos de Jesus Cristo, bem como estimular iniciativas vindas de instituições e lugares diferentes em favor do povo em situação de vulnerabilidade.




Hemerson Calgaro avalia que “nesse sentido, a Diocese assumiu o papel de apoio à Economia Solidária inserida em uma rede de profissionais que atuam nas comunidades. E os resultados obtidos nos projetos desenvolvidos em parceria com a CATI têm sido muito bons e, mais uma vez, confirmam que projetos construídos e operacionalizados em rede têm maiores chances de obterem êxito”.


Fé, organização e transformação social
Criada em 1924, a Diocese de Santos abrange os nove municípios da Baixada Santista e integra a Campanha da Fraternidade, instituída nacionalmente, em 1964, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A cada ano, a campanha mobiliza comunidades em torno de temas sociais urgentes e promove a Coleta Nacional da Solidariedade, destinando 60% dos recursos ao Fundo Diocesano e 40% ao Fundo Nacional.
Na Baixada Santista, a opção tem sido investir em projetos estruturantes, com foco na Economia Solidária. A lógica vai além da assistência, pois “busca-se gerar autonomia, fortalecer vínculos e criar alternativas sustentáveis de geração de renda”, explica Helenice Queiroz, que, desde 1998, está à frente das Campanhas na entidade. Neste contexto, a parceria com a CATI, o Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista, universidades, pastorais e associações comunitárias consolidou uma rede sociotécnica que articula conhecimento, fé e compromisso social.
Nesta etapa do Programa de Aquisição de Alimentos, 48 mil famílias paulistas receberão hortifrútis cultivados por produtores rurais assistidos pela CATI; desde 2021, cerca de 640 mil cestas foram entregues no Estado de São Paulo
A Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo, executa, desde 2021, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no território paulista. Por meio dessa iniciativa, pessoas em situação de vulnerabilidade social recebem gratuitamente cestas de 10kg com hortifrútis, que são cultivados por agricultores familiares e adquiridos por prefeituras. Em 2026, uma das primeiras entregas foi feita em Mongaguá, por meio da CATI Regional Santos.
No âmbito paulista, o PAA é realizado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em parceria com o Governo de São Paulo. Os municípios contemplados estão no CADInsans, um Indicador de Risco de Insegurança Alimentar Grave Municipal, a partir do Cadastro Único (CadÚnico), que é elaborado pelo MDS.
Neste ano, 63 prefeituras foram selecionadas para as compras de cestas, que contêm folhosas, frutas, legumes, raízes e tubérculos cultivados de modo convencional ou orgânico por produtores locais. O diretor da CATI, Ricardo Pereira, explica que, nesta etapa, estão sendo destinados R$ 4,2 milhões para aquisição de hortifrútis de produtores paulistas e distribuição às famílias que mais precisam. “Com a execução do PAA, a CATI apoia o agricultor familiar desde a produção, com assistência técnica e extensão rural, até a comercialização de seus produtos”, comenta Pereira.


640 mil cestas entregues
Em Mongaguá, a primeira entrega do Programa de Aquisição de Alimentos de 2026 foi realizada na última quarta-feira (18). Segundo a chefe de divisão da CATI Regional Santos, Edna Ferreira Maddarena Lopez, foram distribuídas quase duas toneladas de hortifrútis. “Teremos mais quatro entregas de cestas às famílias mongaguaenses”, informa ela.
A coordenadora do PAA no Estado de São Paulo, Fabiana Gouvêa, afirma que o programa já entregou aproximadamente 640 mil cestas desde a sua implantação. “No território paulista, esse trabalho é executado pela CATI, com o propósito de unir famílias: as que plantam e as que necessitam dos alimentos. Nesta fase, entregaremos mais 48 mil cestas para pessoas em situação de vulnerabilidade social”, destaca a coordenadora.
Vale ressaltar que, no ciclo 2024/2025, a SAA beneficiou 417 agricultores familiares paulistas, produtores de mais de 50 tipos de hortifrútis elegíveis ao programa.
“A forma como o mundo tem protegido seus oceanos e territórios costeiros precisa mudar e essa mudança passa por ouvir quem vive nesses espaços”. Com essa proposta, pesquisadores, extensionistas e comunidades tradicionais se reuniram, no último dia 6 de março, no Câmpus Litoral Paulista, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), para discutir os impactos sociais das chamadas áreas marinhas protegidas e os desafios de conciliar conservação ambiental com justiça territorial.
Promovida pelo Laboratório de Planejamento Ambiental e Gerenciamento Costeiro (Laplan), em parceria com a CATI Regional Santos e o Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista, a palestra “Áreas Marinhas Protegidas e Colonização Verde” foi coordenada pelo professor Dr. Davis Gruber Sansolo, do Laplan, e contou com a participação do professor francês Dr. Jean-Eudes Beuret, especialista internacional em governança territorial e cooperação internacional. Realizado no Salão Nobre do Instituto de Biociências da Unesp, em São Vicente, o evento contou com 25 participantes presencialmente e foi acompanhado por 90 pessoas durante a transmissão ao vivo pelo canal da universidade no YouTube (https://www.youtube.com/@unesp.saovicente/streams), onde a palestra se encontra disponível para acesso remoto.
Segundo o extensionista Newton José Rodrigues da Silva, da CATI Regional Santos, que atuou na parceria para viabilizar a presença do professor Beuret, essa atividade reforçou a integração entre universidade, poder público e organizações da sociedade civil na busca por soluções mais justas para a gestão ambiental.
“Eventos como esse ajudam a trazer novas perspectivas para o nosso trabalho de extensão rural e pesqueira. Ao compreender melhor os impactos das políticas de conservação sobre os territórios, conseguimos desenvolver projetos mais inclusivos, que valorizem os modos de vida locais e fortaleçam a sustentabilidade econômica e ambiental das comunidades”, afirma, destacando que o professor convidado, Jean-Eudes Beuret, possui ampla trajetória acadêmica e internacional e contribuiu muito com o debate e indicações de ações possíveis para os territórios no litoral. “Desde 1997, ele atua como docente e pesquisador no L’Linstitut Agro Rennes, instituição francesa, onde foi meu orientador no meu doutorado, acumulando experiência na coordenação de projetos de cooperação na América Latina e na África, tendo atuado também como especialista junto à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Com este currículo, aliado à sua experiência humanitária, é uma importante voz no cenário para orientação da extensão rural desenvolvida no tripé da sustentabilidade, trazendo os agricultores e as comunidades para o centro do debate sobre produção e conservação ambiental”.
A respeito da parceria com a universidade, Hemerson Calgaro, extensionista da CATI Regional Santos, destaca: “A parceria é estratégica para fortalecer os projetos desenvolvidos junto às comunidades da região. E a presença da CATI nesse debate é fundamental porque trabalhamos diretamente com produtores rurais, pescadores artesanais e comunidades tradicionais, incluindo povos indígenas e quilombolas. Discutir modelos de conservação nas Áreas de Preservação, Reservas e Parques Estaduais, que respeitem essas populações, é essencial para garantir políticas públicas mais equilibradas e eficazes”, salienta, enfatizando que reflexões como as apresentadas na palestra contribuem para ampliar o diálogo entre ciência, gestão pública e conhecimento tradicional.
Durante a palestra, o professor Beuret trouxe para a mesa de debates o fato de que há um modelo de proteção ambiental aplicado globalmente que parte de uma concepção universal de conservação que nem sempre considera as especificidades culturais e sociais dos territórios. Esta afirmação se baseia em estudo que realizou, entre 2017 e 2019, em 13 áreas marinhas protegidas de cinco continentes, que pode ser acessado em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0308597X25002684).




Sobre este ponto, o extensionista Newton Rodrigues ressaltou: “A ausência desse olhar pode gerar conflitos com comunidades locais, sobretudo quando seus conhecimentos e formas próprias de relação com a natureza são ignorados”. Segundo os organizadores, nesse sentido, a proposta do evento foi justamente ampliar esse debate, buscando caminhos para políticas ambientais que conciliem preservação da biodiversidade com respeito aos povos e comunidades que historicamente cuidam desses territórios. E, segundo os participantes, cumpriu o objetivo com louvor!
Nesta etapa do Programa de Aquisição de Alimentos, 48 mil famílias paulistas receberão hortifrútis cultivados por produtores rurais assistidos pela CATI; desde 2021, cerca de 640 mil cestas foram entregues no Estado de São Paulo
A Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo, executa, desde 2021, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no território paulista. Por meio dessa iniciativa, pessoas em situação de vulnerabilidade social recebem gratuitamente cestas de 10kg com hortifrútis, que são cultivados por agricultores familiares e adquiridos por prefeituras. Em 2026, uma das primeiras entregas foi feita em Ilhabela, por meio da CATI Regional Santos.
No território paulista, o PAA é realizado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em parceria com o Governo de São Paulo. Os municípios contemplados estão no CADInsans, um Indicador de Risco de Insegurança Alimentar Grave Municipal, a partir do Cadastro Único (CadÚnico), que é elaborado pelo MDS.
Neste ano, 63 prefeituras foram selecionadas para as compras de cestas, que contêm folhosas, frutas, legumes, raízes e tubérculos, cultivados de modo convencional ou orgânico por produtores locais. O diretor da CATI, Ricardo Pereira, explica que, nesta etapa, estão sendo destinados R$ 4,2 milhões para aquisição de hortifrútis de produtores paulistas e distribuição às famílias que mais precisam. “Com a execução do PAA, a CATI apoia o agricultor familiar desde a produção, com assistência técnica e extensão rural, até a comercialização de seus produtos”, comenta Pereira.



640 mil cestas entregues
Em Ilhabela, a primeira entrega do Programa de Aquisição de Alimentos de 2026 foi realizada nesta terça-feira (10) no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Vera Lucia Alvarenga Freire. Segundo o técnico da Casa da Agricultura local, Leandro Biral, foram distribuídas 165 cestas. “Estão programadas mais quatro entregas na cidade, sendo uma por mês. Na próxima, distribuiremos alimentos para 75 famílias de comunidades tradicionais, que estão localizadas na Ilha dos Búzios e na Ilha da Vitória”, informa Biral.
A coordenadora do PAA no Estado de São Paulo, Fabiana Gouvêa, afirma que o programa já entregou aproximadamente 640 mil cestas desde a sua implantação. “No território paulista, esse trabalho é executado pela CATI, com o propósito de unir famílias: as que plantam e as que necessitam dos alimentos. Nesta fase, entregaremos mais 48 mil cestas para pessoas em situação de vulnerabilidade social”, destaca a coordenadora. Vale ressaltar que, no ciclo 2024/2025, a SAA beneficiou 417 agricultores familiares paulistas, produtores de mais de 50 tipos de hortifrútis elegíveis ao programa.
Organizado pela CATI Regional Santos, por meio das Casas da Agricultura de São Sebastião e Ubatuba, pelo Gerenciamento Costeiro (Gerco) e pelo Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN), por meio da sua Câmara Técnica de Agroecologia, o “Encontro sobre Agroecologia” reuniu mais de 100 interessados na tema. O objetivo segundo os organizadores foi promover um debate para responder as questões: Quais ações são necessárias para fortalecer a Agroecologia? e “Quais agriculturas queremos para o Litoral Norte?

Realizado em formato de uma mesa de diálogo sobre Agroecologia, o evento aconteceu na Fazenda Santana em São Sebastião. O público, formado por produtores rurais, técnicos, representantes de comunidades tradicionais, Organizações não Governamentais (ONGs) e membros de instituições ligadas ao setor agropecuário e ambiental, se mostrou engajado em ir além da reflexão e traçou metas para as ações a serem realizadas.
“No litoral norte, a produção agroecológica está presente principalmente nas roças e nos bananais tradicionais, nos quintais produtivos, nos Sistemas Agroflorestais (SAFs), nas hortas urbanas e comunitárias, sendo conduzida em meio a uma relação de respeito, compromisso e cuidado com o meio ambiente, valorizando os saberes tradicionais”, explica Leandro Biral, extensionista da Casa da Agricultura de São Sebastião.
“A Mesa de Diálogo reforçou a importância da cooperação entre instituições e produtores, apontando caminhos para a ampliação de uma agricultura mais justa, saudável e conectada à realidade do litoral norte. E a CATI tem um papel central nessa questão, dando o direcionamento de políticas públicas adaptadas ao nosso território”, destacou Leandro Biral, chefe da Casa da Agricultura de São Sebastião, informando que, em breve, a organização pretende lançar e divulgar o relatório síntese com os resultados desta construção coletiva.

Ao longo do dia e durante toda a programação, os participantes puderam trocar experiências e ouvir entidades atuantes no território, e principalmente puderam apresentar desafios e construíram propostas coletivas que irão compor um plano de ação territorial, voltado ao fortalecimento da produção local sustentável, à valorização das comunidades tradicionais e à conservação ambiental.
Além das atividades e discussões técnicas, ocorreram inúmeras apresentações artísticas e comercialização de produtos da agrobiodiversidade em uma feira de produtos orgânicos. As apresentações culturais reforçaram as características de diversidade existentes no território e também foi possível dar maior visibilidade a essas iniciativas. “A parceria entre a CATI, o Gerco e o CBH-LN deve se estender em 2026, com novas atividades, dando base para o incremento da produção agroecológica”, finalizou Silas Barsotti, engenheiro florestal da Casa da Agricultura de São Sebastião e um dos organizadores do evento.
