Secretaria de
Agricultura e Abastecimento
Diretoria de Assistência Técnica Integral - CATI

CATI, USP e IAC estreitam parceria e unem forças em iniciativa para transformar a segurança hídrica e alimentar no campo paulista

Com os olhos voltados para os desafios reais do produtor rural e para o futuro da agricultura, a
CATI (Diretoria de Assistência Técnica Integral) protagonizou, entre os dias 9 e 11 de abril, uma
ação inédita que reforça seu papel estratégico na construção de soluções concretas para a segurança
hídrica e alimentar no estado de São Paulo. Em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e
o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, a iniciativa marca a primeira visita técnica conjunta do
Centro para Segurança Hídrica e Alimentar em Zonas Críticas (CCD) diretamente no campo.
O projeto, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), reúne
ciência, extensão rural e experiência prática para enfrentar desafios cada vez mais urgentes
relacionados à água, ao clima e à produção de alimentos. Desde 2022, a CATI e o IAC integram
oficialmente o CCD, um centro vinculado à USP que atua em sete macrorregiões paulistas,
conectando conhecimento científico às realidades locais.
Durante as visitas, produtores dos municípios de Mogi das Cruzes (ligado à area de atuação da
CATI Regional Mogi das Cruzes) e São Miguel Arcanjo (ligado da mesma forma à CATI Regional
Itapetininga) abriram suas propriedades e compartilharam práticas, desafios e soluções no uso da
água na produção agropecuária. O contato direto com o campo permitiu alinhar pesquisas e
tecnologias às necessidades concretas do dia a dia rural. “O sociólogo David Rodrigues, da CATI
Regional Mogi das Cruzes, e o especialista agropecuário Guilherme Felisberto, da Casa da
Agricultura de São Miguel Arcanjo, com a ajuda de seus parceiros produtores rurais, organizaram
essa série de visitas que possibilitaram a prospecção de novas vertentes de pesquisa, bem como a
orientação prática de eixos multidisciplinares de ações pelo CCD”, informa Antoniane Arantes, líder
do Grupo Técnico de Conservação do Solo e da Água da CATI e representante da instituição no
CCD.

Visita a produtor rural assentado em Mogi das Cruzes

Para Arantes, a experiência reforçou o valor da aproximação entre ciência e produtor. “Essa
primeira visita técnica conjunta foi essencial para compreendermos, na prática, como pequenos e
médios produtores utilizam a água. A partir disso, conseguimos direcionar melhor as ferramentas
técnicas e metodológicas, garantindo soluções mais eficientes, aplicáveis e adaptadas à realidade do
campo”, informando que o CCD estrutura suas ações em áreas como hidroclimatologia,
hidrogeologia e agrometeorologia, desenvolvendo desde sistemas de monitoramento e previsão
climática até estratégias para gestão hídrica e aumento da produtividade agrícola. “No componente
agrícola, o foco está em aprimorar decisões sobre plantio, irrigação e colheita; já no hídrico, busca-se
ampliar a previsibilidade e melhorar a gestão de recursos, incluindo reservatórios e outorgas”,
explica.

Verificação das condições dos recursos hídricos de regiões produtoras

Para as pesquisadoras Jane Silveira e Angélica Prela Pantano, do IAC, esta primeira visita mostrou
o impacto da integração entre pesquisa e prática. “A diversidade de sistemas produtivos observada
nas propriedades é extremamente ampla. Isso nos permite desenvolver pesquisas mais direcionadas,
com impacto direto na produtividade e no uso sustentável da água na agricultura”, destacando a
riqueza de detalhes das técnicas e culturas adotadas nas propriedades visitadas, assim como a
possibilidade de desdobramentos de novas pesquisas alinhadas aos objetivos do centro e conectadas
aos anseios e necessidades dos produtores rurais.
Já o pesquisador Humberto Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas
da Universidade de São Paulo (IAG/USP) e coordenador do CCD, ressaltou o caráter inovador da
iniciativa: “Essa aproximação com o campo, desde o início, fortalece o desenvolvimento de
soluções mais assertivas. Estamos construindo conhecimento junto com os produtores, o que
aumenta significativamente a efetividade das ações”.

O coordenador do CCD, Humberto Rocha, dialoga com o produtor orgânico Alan Sadamitsu

Nesse contexto, o papel da CATI se mostra decisivo. Além de participar da construção científica do
projeto, a instituição é responsável por validar as tecnologias no campo e promover sua difusão
entre os produtores. O protagonismo do Grupo Técnico de Conservação do Solo e da Água,
liderado por Antoniane Arantes, tem sido fundamental para garantir que as soluções propostas sejam
viáveis e sustentáveis.
A iniciativa já conta com pesquisas em andamento, incluindo estudos de mestrado e doutorado, e
até experimentos instalados em propriedades rurais participantes – sinal claro de que a integração
entre instituições e produtores está gerando resultados concretos.

Uso da água e produção agropecuária em regiões críticas alvos das atividades

Ao unir ciência, extensão rural e prática agrícola, a parceria entre a CATI, a USP e o IAC inaugura
uma nova etapa na construção de uma agricultura mais resiliente, sustentável e preparada para os
desafios climáticos. Mais do que um projeto, o CCD se consolida como um modelo de cooperação
capaz de transformar o presente e garantir o futuro da segurança hídrica e alimentar no estado de
São Paulo.

Cerca de 80% dos atendimentos realizados pela CATI em 2025 envolveram a cadeia produtiva de olericultura nos 12 municípios ligados à Regional

A região de Mogi das Cruzes se destaca no agronegócio paulista por produzir hortaliças com o auxílio da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA-SP). Dos 4.549 atendimentos realizados pela CATI Regional Mogi das Cruzes no ano passado, cerca de 80% correspondem a essa cadeia produtiva.

Segundo o chefe de Divisão da Regional, João Paulo Nikolaus, as cadeias de fruticultura e floricultura também demandam muitos atendimentos da CATI a produtores rurais. “Além de Mogi das Cruzes, nossa Regional responde por Casas da Agricultura de mais 11 cidades paulistas. As três principais cadeias que prestamos serviços de assistência técnica e extensão rural são olericultura, fruticultura e floricultura”, informa Nikolaus.

 “Considerada parte do Cinturão Verde paulistano, nossa Regional é responsável por boa parte da produção de hortaliças que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo e o litoral, com destaque para as produções de alface, repolho, brócolis, couve e cebolinha.  A fruticultura se destaca pela produção de caqui (maior fornecedor da Ceagesp – Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), nêspera, atemoia e goiaba. E a floricultura se destaca pela produção de orquídeas, principalmente das espécies Cymbidium e Phalaenopsis”, comenta.

Ainda de acordo com o chefe de Divisão, essas três cadeias produtivas possuem grande relevância na Regional Mogi das Cruzes, apresentando a maior contribuição no produto interno bruto (PIB) agropecuário: R$ 1,6 bilhão. “Tais cadeias demandam serviços de assistência técnica para melhora da eficiência dos processos produtivos (análises de solo, orientações no controle de doenças e pragas, manejo hídrico, Protocolo de Transição Agroecológica); também são demandados serviços relacionados ao acesso a políticas públicas, como crédito rural, programas de aquisição de alimentos, regularização ambiental e organização rural (cooperativismo e associativismo)”, ressalta Nikolaus.

Menos tradicionais

Além das hortaliças citadas anteriormente, legado tradicional da colonização japonesa da região – importante para o desenvolvimento agrícola –, algumas novidades vêm se destacando para atender à demanda do mercado consumidor. “Atualmente, as ‘baby lief’ (pequenos vegetais ou brotos) estão sendo cultivadas para utilização em alta gastronomia, visando à ornamentação de pratos e propiciando sabores únicos. Outra cultura que vem ganhando escala, em decorrência da colonização japonesa e dos novos hábitos alimentares, é a soja verde, também conhecida como ‘edamame’, que é rica em proteína e atende consumidores com restrições à proteína animal. A região ainda possui destaque na produção de temperos e ervas, sendo responsável por cerca de 90% do volume comercializado na Ceagesp”, complementa Nikolaus.

Para o diretor da CATI, Ricardo Pereira, a SAA-SP atua como a ponte entre a tradição e o novo potencial da região. “Estamos atentos ao movimento dos produtores e às novas exigências do mercado. Nosso compromisso é fortalecer as culturas que já são o coração econômico da Regional Mogi das Cruzes, bem como dar o suporte técnico necessário para que as cadeias produtivas menos tradicionais se tornem realidades lucrativas”, destaca Pereira.

Os municípios atendidos pela Regional são: Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano.

A Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), por meio de sua equipe técnica do Protocolo de Transição Agroecológica (PTA), participou de uma atividade do Programa Sampa+Rural, na Prefeitura de São Paulo, com o objetivo de aperfeiçoar conhecimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) para ampliação da agroecologia na capital paulista.

Instituído pela Resolução Conjunta SAA/SIMA/SJC 01/2022, o PTA é um dos maiores instrumentos da Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica (Peapo), que foi firmada em 2016 e visa apoiar agricultores que se encontram no processo de transição agroecológica em suas produções.

As especialistas ambientais da CATI, Andrea Mayumi Chin Sendoda (Casa da Agricultura de Suzano/Regional Mogi das Cruzes) e Aline Bernardes Candido (Casa da Agricultura de São Paulo/Regional Santos), promoveram a capacitação no último dia 22 de agosto, em parceria com a equipe do Sampa+Rural.

Após a atividade, foi realizada uma visita técnica à “Horta da Cidade”, localizada na Câmara Municipal de São Paulo. O espaço, que foi inaugurado em dezembro de 2024, faz parte de uma linha de ação do Sampa+Rural que objetiva desenvolver hortas modelos na capital, reforçando o aspecto produtivo e a agricultura urbana. Com mais de 2.100m2, a área é utilizada para a capacitação sobre Agroecologia, além da conscientização da população sobre segurança alimentar e consumo de alimentos saudáveis.

A produção é 100% agroecológica e os alimentos cultivados são doados para entidades assistenciais com atuação na região, que fornecem refeições para a população em situação de vulnerabilidade social. A Horta da Cidade é um espaço de convivência, aberto à visitação, com mais de 120 culturas plantadas, dentre temperos, hortaliças, legumes, frutas, Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), ervas medicinais e aromáticas com diferentes técnicas de plantio e manejo.

A Horta recebeu o Certificado de Transição Agroecológica durante o painel da Transição Agroecológica, que ocorreu no dia 12 de junho de 2025, na Bio Brazil Fair, maior feira de produtos orgânicos da América Latina.

Conexão

Desde 2020, o Sampa+Rural conecta áreas rurais à cidade de São Paulo, agregando informações sobre desenvolvimento rural sustentável, turismo, meio ambiente e alimentação saudável. O programa é coordenado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, em conjunto com outras secretarias e órgãos paulistanos. Nessa plataforma, é possível encontrar dados sobre onde comprar produtos locais, quem são os agricultores do município e quem comercializa seus produtos.

Vale ressaltar que a Prefeitura de São Paulo é um dos maiores parceiros de aplicação do PTA desde o início da sua existência. No ano de 2021, em parceria com a Secretaria estadual de Agricultura, foi desenvolvido o Sistema de Assistência Técnica e Extensão Rural e Ambiental (SisRural), objetivando o apoio às políticas públicas de desenvolvimento rural sustentável e de preservação ambiental, com a função de ser um instrumento de trabalho e ferramenta de gestão para o recebimento de informações do Protocolo, além de um banco de dados.

(com informações de Aline Bernardes Candido, da Casa da Agricultura de São Paulo/CATI Regional Santos)

Com a presença de mais de 80 pessoas, entre extensionistas, produtores, pesquisadores e representantes do segmento, o Dia de Campo sobre o Cultivo da Uva de Mesa trouxe para o centro do debate as novas tecnologias e os desafios da cultura, a qual se apresenta como mais uma alternativa para os produtores da região conhecida como Cinturão Verde de São Paulo.

 

“Em 2019, em conjunto com o Núcleo de Mudas de São Bento do Sapucaí, da CATI Sementes e Mudas, e o Centro de Frutas do Instituto Agronômico (IAC), iniciamos um projeto de instalação de uma área de referência de uva Niágara no município de Biritiba Mirim. O objetivo dessa área é realizar um acompanhamento técnico para uma adequada implantação de parreirais no município. A área foi implantada utilizando mudas de “raiz nua” envoltas com espuma fenólica e mudas estaqueadas e enraizadas em sacos plásticos”, explica Fabiana Ribeiro Rossi, engenheira agrônoma da CATI Regional Mogi das Cruzes e uma das responsáveis pelo Projeto de Uva de Mesa, ressaltando que o produtor Claudio Hideo Gunji, proprietário do Sítio Gunji, onde foi instalada a área de referência, recebeu capacitações sobre o manejo das videiras deste a implantação.

 “Com os resultados positivos de desenvolvimento das mudas no campo e de produtividade obtidos nas últimas safras, verificou-se que a cultura tem boa adaptabilidade na região, podendo ser uma tecnologia passível de ser irradiada. Sendo assim, iniciou-se um processo para organizar ações coletivas, especialmente Dias de Campo como este, para demonstrar possibilidades de diversificação da fruticultura local aos produtores”, informa Fabiana.

 

Para João Paulo Nikolaus, diretor da CATI Regional Mogi das Cruzes, todas as etapas de instalação e condução dessa unidade demonstrativa foram acompanhadas pelos técnicos pertencentes aos órgãos envolvidos, evidenciando a importância do desenvolvimento de projetos em parceria. “Este Dia de Campo foi, além de um evento de difusão de conhecimento e tecnologia, um espaço para troca de experiências e estreitamento das parcerias entre as entidades participantes e as empresas do segmento, que disponibilizam diversas tecnologias para o desenvolvimento da cultura”.

 

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