Secretaria de
Agricultura e Abastecimento
Diretoria de Assistência Técnica Integral - CATI

Aveia-preta é opção de cultura de inverno adaptada às condições de cultivo de São Paulo


Cultivada principalmente no outono e inverno, a aveia-preta é uma alternativa para formação de palhada, cobertura do solo e alimentação animal

Cultura de ciclo relativamente curto, que vai muito além da produção de grãos, a aveia-preta é utilizada, na agricultura, como planta de cobertura, na formação de palhada e também como opção de forragem para os animais, especialmente durante o período de outono e inverno, quando outras pastagens apresentam menor desenvolvimento.

A CATI Sementes e Mudas, da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, produz e comercializa sementes de aveia-preta da cultivar Embrapa 29 (Garoa), oferecendo aos produtores uma alternativa adaptada às condições de cultivo do estado de São Paulo. A cultura pode integrar sistemas de produção que buscam proteger o solo, melhorar suas condições físicas e contribuir para o manejo das áreas agrícolas.

“Entre os principais objetivos do cultivo está a formação de cobertura vegetal sobre o solo. A palhada deixada pela aveia ajuda a protegê-lo contra o impacto direto das chuvas e a erosão, além de contribuir para a conservação da umidade. Quando utilizada em sistemas de plantio direto ou em rotação de culturas, também participa da ciclagem de nutrientes e da melhoria da qualidade do solo, além de controlar plantas invasoras e aumentar a produtividade das culturas subsequentes como milho e soja”, explica o engenheiro agrônomo Ricardo Manfredini Requejo, chefe da Divisão de Sementes de Taubaté.

Para o produtor que utiliza a aveia como forragem, a cultura representa ainda uma alternativa para ampliar a oferta de alimento aos animais durante o inverno. Seu desenvolvimento vegetativo permite o aproveitamento da massa produzida antes da formação das sementes, conforme o sistema de produção e o manejo adotado na propriedade.

No estado de São Paulo, a aveia-preta é tradicionalmente cultivada durante o período mais frio e seco do ano. A época de semeadura varia de acordo com a região, condições de solo, disponibilidade de água e objetivo do cultivo, mas, de maneira geral, o plantio ocorre no outono, aproveitando as condições de umidade do solo após o início das chuvas, de acordo com Ricardo.

O agrônomo recomenda ao produtor que, antes da implantação da cultura, considere as características da área, faça o preparo ou manejo adequado do solo e utilize sementes de boa qualidade e procedência. A definição da quantidade de sementes e do manejo deve levar em conta a finalidade da lavoura e as recomendações técnicas para a cultivar e a região. Mais orientações podem ser obtidas com os técnicos da CATI nas Casas da Agricultura, unidades regionais ou unidades da CATI Sementes e Mudas.

“A aveia-preta é uma cultura muito interessante para o produtor porque pode cumprir diferentes funções dentro da propriedade. Ela pode ser utilizada para cobertura e proteção do solo, produção de palhada e também como forragem. O importante é que o agricultor defina previamente qual é o objetivo do cultivo e faça o planejamento da implantação e do manejo de acordo com as condições da sua propriedade e da região”, enfatiza.

No município de Socorro, no interior paulista, o produtor Adriano Mossoró, do Sítio Mosso, no bairro Jaboticabal, cultiva quatro hectares de aveia-preta, com sementes adquiridas da CATI Sementes e Mudas. O desenvolvimento da lavoura tem chamado atenção do agricultor.

Plantação de aveia-preta em Socorro. Foto gentilmente cedida por Adriano Mossoró.

Adriano compartilha a evolução das plantas e comemora o resultado com o técnico da CATI, Rodrigo Binotti, chefe da Casa da Agricultura de Socorro, que acompanha a propriedade. “Que coisa linda! Está dando as flores dela agora, na altura do meu peito”, orgulha-se o agricultor.

Plantação de aveia-preta em Socorro. Foto gentilmente cedida por Adriano Mossoró.

A qualidade da aveia também agradou aos produtores Luiz Batista Bustos e Antônio Carlos Neli, do Sítio Ouro Verde, em Tremembé (SP). Assentados, eles cultivaram aveia-branca e aveia-preta para produção de silagem e obtiveram resultados considerados muito positivos, uma alternativa para a produção de volumoso de qualidade para a alimentação dos animais.

Os produtores Luiz Batista Bustos e Antônio Carlos Neli, do Sítio Ouro Verde, em Tremembé (SP). Foto gentilmente cedida.

Os relatos mostram, na prática, o potencial de desenvolvimento da cultura quando implantada e manejada de acordo com as condições da propriedade.

Para o agricultor paulista, a aveia-preta, mais do que uma cultura de inverno, é uma ferramenta de manejo e conservação do solo, produção de biomassa e diversificação do sistema produtivo. Com planejamento e orientação técnica, pode integrar diferentes estratégias de produção e contribuir para o aproveitamento das áreas agrícolas ao longo do ano.

Serviço
A CATI Sementes e Mudas produz e comercializa sementes de aveia-preta Embrapa 29 (Garoa). Produtores interessados podem buscar informações sobre disponibilidade, aquisição e recomendações de cultivo junto às unidades da CATI.


Evento reuniu produtores, técnicos e interessados para discutir pastagens apícolas, conservação ambiental e fortalecimento da cadeia produtiva das abelhas no município

A importância das abelhas para a produção de alimentos, a preservação ambiental e a geração de renda no campo esteve no centro das discussões do Encontro de Apicultores e Meliponicultores realizado no último dia 9 de junho na Estação Agroecológica Municipal de Socorro. Com o tema “Conhecendo Pastagens Apícolas”, o evento reuniu apicultores, meliponicultores, técnicos, produtores rurais e interessados de Socorro e de cidades da região em uma iniciativa que combinou conhecimento técnico, conscientização ambiental e integração social.

Promovido por meio da parceria entre a Casa da Agricultura de Socorro (ligada à CATI Regional Bragança Paulista), Defesa Agropecuária, Associação Rural da Microbacia do Ribeirão dos Cubas – Casa do Mel e Secretaria Municipal de Agronegócio, o encontro foi marcado pela ampla participação do público, que acompanhou atentamente as palestras e contribuiu ativamente para o debate.

Para o engenheiro agrônomo Rodrigo da Silva Binoti, chefe de Seção da Casa da Agricultura de Socorro, o encontro reforça o potencial da atividade na região e a importância da união entre instituições públicas, produtores e entidades parceiras. “A apicultura e a meliponicultura representam atividades que geram renda, promovem a conservação ambiental e fortalecem a agricultura familiar. A Casa da Agricultura tem orgulho de participar dessa construção, seja por meio do apoio histórico à implantação da Casa do Mel, seja pela assistência técnica aos produtores. Ficamos muito satisfeitos com o interesse e o engajamento dos participantes, que contribuíram para tornar o evento extremamente produtivo”, salientou, ressaltando que a CATI continua disponibilizando sementes e mudas de espécies de interesse apícola por meio da Casa da Agricultura, ampliando as possibilidades para produtores interessados em diversificar suas propriedades.

Já o secretário municipal de Agronegócio, Marcelo José de Faria, ressaltou que o encontro faz parte de uma série de iniciativas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva da apicultura e da meliponicultura em Socorro. “Estamos trabalhando para criar um ambiente cada vez mais favorável ao desenvolvimento dessas atividades, que têm enorme importância econômica, ambiental e social. Recentemente, o município aprovou a Lei Municipal n.º 5.027/2026, que institui a Política Municipal de Incentivo ao Desenvolvimento da Apicultura e da Meliponicultura. Além disso, implantamos um meliponário na Estação Agroecológica Municipal com finalidade educativa, para conscientizar a população sobre a importância da preservação das abelhas nativas sem ferrão, fundamentais para a biodiversidade e para a produção de alimentos”.

Programação

Em sua palestra, o engenheiro agrônomo Luís Fernando de Aguiar, chefe de Seção da Casa da Agricultura de Monte Alegre do Sul, apresentou um panorama detalhado sobre as espécies vegetais que compõem as pastagens apícolas e sua importância para o desenvolvimento sustentável da apicultura e da meliponicultura.

Durante a apresentação, Aguiar destacou a necessidade de os produtores conhecerem profundamente a flora disponível nas áreas onde pretendem instalar apiários e meliponários, identificando as espécies fornecedoras de néctar, pólen e resinas ao longo do ano. “O conhecimento da flora apícola é uma ferramenta estratégica para o produtor. Ao conhecer os períodos de florescimento e o potencial de cada espécie, ele consegue planejar melhor sua atividade, aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, contribuir para a conservação ambiental. Construímos junto com os participantes o Calendário da Flora Apícola de Socorro, que poderá servir de referência para futuras ações de recuperação ambiental e implantação de sistemas produtivos mais sustentáveis”.

Segundo o agrônomo, o atual momento de implementação das ações relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) abre novas oportunidades para que os produtores integrem espécies de interesse apícola nos projetos de recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Legais e sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), conciliando benefícios econômicos e ambientais.

Outro tema abordado durante o encontro foi a necessidade de regularização dos criatórios junto aos órgãos oficiais. O médico-veterinário César Krügger, da Defesa Agropecuária, orientou os participantes sobre a importância do cadastramento dos apiários e meliponários no sistema Gedave, reforçando os aspectos sanitários e de rastreabilidade da atividade.

A programação também contou com a participação da empresa Da Serra Ambiental, de Joanópolis, representada por Samuel Cortez Domingues, que apresentou ações ligadas à recuperação ambiental e distribuiu mudas de espécies nativas aos participantes, fortalecendo o vínculo entre produção rural e conservação dos recursos naturais.

Além do conteúdo técnico apresentado, o clima de troca de experiências e aprendizado foi um dos pontos mais elogiados pelos participantes. Ao final do encontro, produtores e técnicos destacaram a qualidade das informações compartilhadas e a relevância prática dos temas abordados para o dia a dia da atividade.

A avaliação dos organizadores foi extremamente positiva, reforçando a importância de promover eventos que aproximem conhecimento científico, produção rural e preservação ambiental. “Novas ações voltadas à apicultura e à meliponicultura já estão sendo planejadas para os próximos meses”, afirmaram os organizadores.

Sobre este tema, mais informações podem ser obtidas na Casa da Agricultura de Socorro, pelo telefone (19) 3855-3178, ou na Secretaria Municipal de Agronegócio, pelo telefone (19) 3895-6430.

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