A ação integra o Programa Cacau SP, iniciativa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo coordenada pela CATI
Como parte das ações do Programa Cacau SP, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) Regional Limeira promoveu, no dia 14 de abril, uma visita técnica à Fazenda Santa Terezinha, localizada em Palmares Paulista (SP). A atividade, que contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Limeira, teve como objetivo apresentar aos produtores rurais da região sistemas produtivos inovadores e sustentáveis, com foco na introdução da cultura do cacau.
A visita aconteceu na propriedade da produtora Mônica Munhoz, que é referência estadual no cultivo de cacau consorciado com banana e na produção de chocolates finos. Os participantes puderam conhecer, na prática, o sistema de produção adotado na fazenda e avaliar a viabilidade técnica e econômica de implementação em suas propriedades.
A ação integra o Programa Cacau SP, iniciativa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, coordenada pela CATI, que visa fortalecer a cadeia produtiva do cacau, fomentar a diversificação agrícola, estimular a geração de renda e promover a sustentabilidade nas propriedades rurais paulistas.
O diretor técnico da CATI Regional Limeira, médico-veterinário Fernando Tufanin Borboni, destacou a importância da atividade para o desenvolvimento do setor agrícola regional. “A CATI tem atuado de forma estratégica na identificação de alternativas produtivas viáveis para os agricultores. O cultivo do cacau representa uma oportunidade real de inovação, agregação de valor e sustentabilidade para os produtores da nossa região”, afirmou.
Também acompanharam a visita o engenheiro agrônomo Juliano Quarteroli Silva, assistente de planejamento da unidade, e a engenheira agrônoma Carla de Meo, chefe da Casa da Agricultura de Limeira. Para ambos, o contato direto com a propriedade modelo reforça o papel da assistência técnica na tomada de decisões no campo.

A comitiva contou ainda com a presença do diretor da CATI Regional Catanduva, Cláudio Giusti, e da secretária de Agricultura e Meio Ambiente de Limeira, Antonieta Polatto, que destacou a relevância da iniciativa para o fortalecimento do agronegócio local.
A visita técnica complementa um conjunto de ações desenvolvidas pela CATI Regional Limeira para fomentar o cultivo do cacau na região. Em março, cerca de 60 viveiristas participaram de uma capacitação específica voltada à produção de mudas de cacau, reforçando o compromisso da instituição com o desenvolvimento técnico e sustentável da agricultura paulista.
(Com informações da CATI Regional Limeira)
Cultura, que não é típica da região, foi implantada com sucesso na propriedade da família, com acompanhamento da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), por meio de sua Regional local
O apito da panela de pressão avisa que está no ponto, enquanto o aroma doce de milho verde invade o ambiente. Mas não se engane: são macios toletes de palmito pupunha, uma palmeira nativa da região amazônica, que saem da água fervente, escorridos, para o prato. Eles acabaram de ser colhidos no Sítio Carradas, em Pires de Cima, bairro rural de Limeira marcado pela colonização alemã, onde os irmãos Douglas e Cassiana Carradas sonharam, pouco mais de três anos atrás, em trabalhar com um produto sustentável.
Na propriedade, que pertence à família há mais de 100 anos, o terreno se divide entre uma parte arrendada para grãos e a nova cultura, que, apesar de não ser característica da área, foi a aposta dos proprietários e já dá sinais de sucesso. Ali, o palmito pupunha é produzido sob o Protocolo de Transição Agroecológica, processo gradual que prioriza o desenvolvimento de sistemas agroalimentares sustentáveis, com o apoio e acompanhamento da Casa da Agricultura de Limeira, que faz parte da Regional local da CATI, órgão de assistência técnica e extensão rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
“Historicamente, o cultivo em nossa propriedade sempre foi convencional, mas nós tínhamos a intenção de trabalhar algo mais voltado à questão ambiental”, diz Cassiana.
A engenheira agrônoma Carla de Meo, técnica da Casa da Agricultura de Limeira, acompanha os produtores desde o início. No começo, ela elencou tudo de que precisariam para implantação da ideia. “Fizemos um plano de negócios. Estudamos a cultura”, conta. “Fizemos vários exercícios de receita possível, preparo do solo, escolha das mudas – que vieram de Registro, no Vale do Ribeira –, e sobre os investimentos necessários, como a irrigação, um dos mais altos, já que a cultura, aqui, é irrigada por gotejo”, explica Carla. E deu certo.
Entre as políticas públicas acessadas na propriedade, além do acompanhamento no Protocolo de Transição Agroecológica, a produtora foi também beneficiada pela linha de crédito do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), Feap Mulher, para a construção de um poço.
Douglas encantou-se com o palmito pupunha por meio de pesquisas pela internet e com produtores de outras regiões, e este encantamento se reproduz na boa aceitação de seu produto pelo mercado. A produção dos irmãos Carradas é comercializada em feiras da região e, diretamente, para restaurantes e consumidores.
“Num primeiro momento, imaginei uma produção para a indústria. Como ainda temos aqui um projeto-piloto, colocamos à venda diretamente ao consumidor e tive um resultado melhor do que eu esperava”, finaliza o produtor.
Até os palmitos têm coração
No reino vegetal, não apenas as bananeiras e as alcachofras têm coração. Os palmitos também têm. Brincadeiras à parte, existe um crescente mercado desejoso de produtos agroecológicos e frescos, com proposta de valor de comercialização que varia de acordo com a parte mais ou menos desejada do palmito. O que se consome da planta é o “miolo” do caule. Há o momento certo do corte para obter um palmito macio, e o coração do pupunha é parte nobre, a mais cobiçada pela gastronomia.
A pupunheira (Bactris gasipaes) brota por perfilhamento da planta mãe. Pela abundância de brotos, é possível repetir cortes na mesma área, sem replantio, e realizar a colheita do produto ao longo de todo o ano. Entre as vantagens estão a precocidade da planta e a qualidade do palmito, macio e saboroso, mas talvez a principal delas seja a vantagem ecológica, já que a exploração comercial do pupunha não causa prejuízo às matas nativas.
Assista à reportagem aqui:
Sobre o bairro rural de Limeira
Sauerkraut, ou chucrute, eisben, ou joelho de porco: as delícias da gastronomia alemã podem ser encontradas no Bairro dos Pires, em Limeira. O bairro rural mantém a tradição alemã viva, tendo sido fundado pelos primeiros imigrantes de Holstein, sul da Alemanha, e leva o nome da família Pires, antiga proprietária das terras da região, vendidas aos alemães em 1856. Agora, o palmito pupunha faz parte dessa história.