O que antes parecia improvável virou exemplo de inovação, confiança e desenvolvimento sustentável. Uma reportagem da Revista Globo Rural revelou como o cacau está transformando paisagens e histórias de produtores no interior paulista e em outras regiões não tradicionais. E o texto ganhou reconhecimento nacional ao conquistar o Prêmio ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio) de Jornalismo.

Produzida pelos jornalistas Cleyton Vilarino e Marcos Fantin, a reportagem premiada mostrou a expansão da cultura do cacau em áreas não tradicionais, especialmente no estado de São Paulo, a partir do Programa Cacau SP, desenvolvido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e parceiros, com forte atuação no Noroeste paulista.
A matéria deu voz a produtores rurais que decidiram apostar em uma cultura pouco comum na região, como é o caso do produtor Diego Francisco Ferreira da Silva, do município de Mendonça, que estampou a capa da Revista e integra o Programa Cacau SP desde o início das ações. “Com acompanhamento técnico e cursos promovidos pela CATI em parceria com o Instituto de Tecnologia dos Alimentos (ITAL)/APTA/SAA, o Diego tem colhido excelentes frutos com a verticalização da produção, tendo consolidado uma marca própria de chocolate e diversificado ainda mais a propriedade, investindo em Turismo Rural”, informa Andrey Vetorelli, membro do Grupo Técnico de Cacau e da CATI Regional São José do Rio Preto.





Neste contexto, pode-se dizer que, mais do que diversificar a produção, os produtores paulistas têm confiado em um trabalho técnico contínuo, baseado em orientação, pesquisa e acompanhamento de campo realizados pelos extensionistas do Grupo Técnico de Cacau e das Casas da Agricultura. Ao longo da reportagem, os técnicos também foram entrevistados e explicaram como a adaptação do cacau ao clima e aos sistemas produtivos paulistas vem sendo construída de forma planejada e sustentável.
Para o diretor da CATI, Ricardo Pereira, essa premiação simboliza mais do que o reconhecimento jornalístico. “Esse prêmio valoriza o elo de confiança entre os produtores paulistas e os técnicos da CATI, que tem este trabalho como uma missão de mais que transformar paisagens, transformar vidas. E a reportagem evidenciou o resultado de um trabalho coletivo, que promove o desenvolvimento sustentável da cacauicultura em São Paulo”, afirmou, salientando que, além do Noroeste paulista, a cultura também vem se mostrando uma excelente alternativa em outras regiões do estado, como o Vale do Ribeira.
Diante da repercussão da reportagem, pode-se afirmar que, ao unir emoção, histórias reais e informação técnica qualificada, a reportagem evidenciou que inovação no campo nasce do diálogo, da assistência técnica, extensão rural e pesquisa, e da coragem de produtores que acreditam em novos caminhos. “Essa premiação recebida pelos jornalistas da Revista Globo Rural, reforça o potencial do cacau como símbolo de uma agricultura paulista cada vez mais diversificada, rentável e sustentável”, destaca Pereira.





Programa Cacau SP
O Programa Cacau SP tem como foco a implantação da cultura em sistemas de produção integrada, conciliando rentabilidade, conservação ambiental, diversificação e segurança para o produtor. Os resultados apresentados na reportagem mostram que o cacau já se consolida como uma alternativa economicamente viável para pequenas e médias propriedades, especialmente em regiões que buscavam novas opções produtivas.
Autor: Cleusa Pinheiro – Jornalista (MTb 28.487) – Serviço de Comunicação Rural/CATI – cleusa.pinheiro@sp.gov.br
São Paulo tem cacau e com amêndoas de qualidade! E para que a área plantada com a cultura – que está se tornando uma opção viável para diversificação e aumento de rentabilidade nas propriedades – cresça a cada dia, a irrigação tem papel fundamental na região noroeste paulista, onde o Programa Cacau SP teve início e vem se expandindo em sistema de produção integrada, com as culturas da seringueira (uma das atividades econômicas mais importantes da região), da banana e, recentemente, com a de açaí, bem como nas áreas a pleno sol. E uma necessidade para o sucesso dos sistemas integrados citados é a irrigação, em função das características do clima local.

Cumprindo seu compromisso de levar novas tecnologias e conhecimento para os produtores, por meio de ações de assistência técnica, extensão e pesquisa voltadas para o desenvolvimento rural sustentável nos âmbitos social, econômico e ambiental, a CATI Regional São José do Rio Preto, por meio do grupo executor do Programa, realizou, nos dias 25 e 26/11, um treinamento para mais de 20 técnicos das Regionais com maior potencial para expansão da cultura.

“A cultura do cacau em São Paulo, que não é uma zona tradicional de cultivo, vem crescendo de forma surpreendente e sustentável, pois tem sido baseada em um trabalho de extensão rural e pesquisa, caminhando lado a lado com os produtores rurais, com a implantação de Unidades de Adaptação de Tecnologia (UAT), capacitações, Dias de Campo e eventos unindo todos os elos da cadeia produtiva até a fabricação de chocolate. Com essa visibilidade que tem chamado atenção em todo país, fomos procurados pela empresa Rivulis – uma das maiores do mundo em tecnologia de irrigação –, para apoiar a nossa equipe executora, com uma ampla capacitação, com a finalidade de os técnicos poderem orientar os produtores sobre os projetos de irrigação mais adequados para a cultura do cacau”, explica Fernando Miqueletti, chefe da CATI Regional São José do Rio Preto.

Ainda segundo Miqueletti, a capacitação contou com uma programação teórica realizada na sede da Regional, em São José do Rio Preto, e outra prática, na UAT Fazenda Fartura, localizada no município de Adolfo, sendo conduzida pelo engenheiro agrônomo Carlos Barth, da referida empresa. “Com a carga horária dos dois dias e a relevância das informações, foi possível proporcionar aos nossos técnicos um amplo conhecimento do que há de mais recente em irrigação de cacau, desde aspectos ligados à elaboração de projetos técnicos até a implantação dos sistemas em campo, inclusive passando por temas como fertirrigação; monitoramento; automação; métodos de irrigação: aspersão, microaspersão e gotejamento”.