Secretaria de
Agricultura e Abastecimento
Diretoria de Assistência Técnica Integral - CATI

CATI Regional Santos desenvolve infográfico como estratégia de Ater e fortalece comunidades rurais, urbanas e pesqueiras no litoral paulista

Ferramenta desenvolvida pela CATI Regional Santos reúne dados estratégicos sobre produção, comercialização e acesso a políticas públicas, apoiando o planejamento das ações de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e impulsionando o desenvolvimento sustentável no campo e no mar

A diversidade produtiva e social do litoral paulista e da Grande São Paulo acaba de ganhar uma importante aliada: a informação organizada. Neste contexto, a CATI Regional Santos lançou o infográfico “Organizações Urbanas e Rurais – Produção e Comercialização”, uma ferramenta inovadora que transforma dados técnicos em um panorama visual acessível, capaz de orientar ações de Ater em um território marcado por contrastes e potencialidades.

Responsável por atender 38 municípios – que incluem desde áreas altamente urbanizadas até comunidades tradicionais e regiões de forte produção agropecuária e compõem um território que abrange a Baixada Santista –, a CATI Regional Santos enfrenta o desafio de adaptar suas estratégias a uma realidade complexa. Nesse cenário, o infográfico surge como uma ponte entre o conhecimento técnico e a prática no campo, facilitando a compreensão e a tomada de decisão. O material, que contém informações coletadas pelos técnicos das Casas da Agricultura ligadas à CATI Regional Santos e estarão em constante e permanente construção, já reúne informações de 16 municípios e mapeia 53 organizações, formais e informais, que atuam em diversas cadeias produtivas, como olericultura, fruticultura, pesca, aquicultura, produção de alimentos à base de plantas alimentícias não convencionais (PANC), produtos de origem animal, floricultura e artesanato. Também identifica como essas organizações se estruturam, quantas pessoas envolvem, de que forma comercializam e se acessam políticas públicas e serviços de Ater.

Segundo o engenheiro agrônomo Hemerson Calgaro, um dos responsáveis pela elaboração do material, o impacto da ferramenta vai além da organização de dados. “Ter informações sistematizadas e disponíveis é fundamental para balizar o trabalho da extensão rural. Isso permite que nossas ações sejam mais assertivas, facilita o acesso de produtores e pescadores às políticas públicas e contribui diretamente para o fortalecimento das comunidades rurais e tradicionais, especialmente no litoral, onde as dinâmicas são muito específicas.”

Um dos destaques do levantamento é a presença significativa de organizações produtivas na Grande São Paulo. “Mesmo em áreas urbanizadas, 17 iniciativas demonstram que a produção de alimentos segue ativa, apoiada por parcerias entre iniciativa privada, poder público e sociedade civil”, informa Lucas Volpato, chefe da Casa da Agricultura de São Paulo.

O infográfico também reflete a diversidade do público atendido pela CATI, que inclui agricultores, pescadores artesanais, aquicultores, comunidades quilombolas, indígenas, caiçaras, extrativistas e agricultores urbanos. “Para nós da extensão rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, todos são considerados peças-chave na construção de um sistema produtivo mais inclusivo e sustentável”, explica o agrônomo Hemerson Calgaro.

Com atualização contínua, o documento é dinâmico e acompanha as transformações do território, servindo como base para planejamento da Regional no alcance de demandas potenciais ou reprimidas, capacitação e estratégias de comercialização, incluindo o acesso a políticas públicas e iniciativas de economia local. “Qualificamos o Infográfico, o qual já está sendo utilizado, pois se trata de uma ferramenta norteadora dos projetos CATI entre os quais, no âmbito desta Regional, foram eleitos como objetos principais das ações o Cacau SP, Frutas Vermelhas SP e Protocolo de Transição Agroecológica, cujas caracterização e identificação dos agricultores são de suma importância, principalmente na Grande São Paulo, como no caso das áreas produtoras da Zona Leste, de Guarulhos e de Osasco, onde reúnem-se agricultores urbanos produzindo em áreas ociosas ou sob concessão de empresas como a Enel e Transpetro. Nosso trabalho se acentua tanto no auxílio da produção como na comercialização”, explica Calgaro.

Além disso, a CATI Regional Santos já trabalha na elaboração de um novo infográfico, desta vez voltado exclusivamente às comunidades pesqueiras, atividade essencial para a economia e a cultura do litoral paulista. “Respeitando outra particularidade da nossa região, estamos construindo outro infográfico que trará informações sobre as comunidades pesqueiras, que são diversas e têm suas particularidades nos litorais sul e norte, sendo uma atividade relevante na economia do estado de São Paulo”, informa Calgaro.

Diante da abrangência do projeto, é possível dizer que ele, ao integrar informação, planejamento e ação, se consolida como uma iniciativa que reforça o papel da extensão rural como agente de desenvolvimento, conectando conhecimento técnico às necessidades reais de quem vive e produz no campo e no mar.

Infográficos

A arte do infográfico (desenho) ficou a cargo da servidora da Casa da Agricultura de Ubatuba, Taís Forte Garms (no centro da foto abaixo, de óculos e blusa azul, ladeada por representantes de organizações rurais).
Clique na imagem do infográfico para abri-lo em alta resolução.

Os infográficos são quadros informativos que utilizam simultaneamente texto e elementos visuais, sendo visualmente explicativos e associados a elementos não verbais, tais como imagens, gráficos e links de internet. Trata-se, portanto, de uma representação gráfica e visual oriunda da informação textual, utilizada para facilitar e transmitir, com rapidez, qualidade e precisão, o máximo de conteúdo e auxiliar o trabalho de Ater. “Em resumo, os infográficos são uma ferramenta de comunicação crucial, funcionando como uma ‘ponte’, conectando dados técnicos e científicos à compreensão prática e rápida por parte de todos os envolvidos na cadeia produtiva”, informa Calgaro.

Galeria de imagens

Reuniões e encontros com agricultores(as) e pescadores(as) para organização de ações em prol do desenvolvimento de políticas públicas e para levantamento de dados para elaboração do infográfico.

Em Santos, lançamento da Campanha da Fraternidade 2026 celebra três anos de trabalho conjunto entre a CATI Regional e a Diocese, que apoia projetos comunitários e consolidou uma rede sociotécnica a serviço da vida e da emancipação social

O lançamento da Campanha da Fraternidade, que em 2026 tem como tema “Fraternidade e Moradia”, foi realizado em Santos e reuniu cerca de 250 pessoas no auditório do Liceu Santista em evento organizado pela Diocese de Santos. Mais do que um ato simbólico, o encontro foi a celebração de uma parceria que vem transformando realidades: a atuação conjunta entre a entidade e a CATI no fortalecimento da Economia Solidária – economia centrada na valorização do ser humano – na Baixada Santista.

Durante o evento, a Diocese fez um reconhecimento público à CATI em um vídeo institucional apresentado aos participantes. “O gesto simbolizou a importância da parceria técnica para que os recursos da Campanha da Fraternidade se transformem em resultados concretos”, explica Newton José Rodrigues da Silva, extensionista rural da CATI Regional Santos, que atua há mais de três décadas com as comunidades e também no desenvolvimento de ações de Economia Solidária em modelo de parceria em Redes Sociotécnicas.

Nos últimos três anos, essa parceria fortaleceu comunidades, gerou renda e promoveu dignidade por meio de 19 projetos apoiados pelo Fundo Diocesano de Solidariedade, totalizando R$ 169.377,34 investidos em iniciativas que envolvem aldeias indígenas, hortas comunitárias, grupos de mulheres, produção de bioinsumos, criação de peixes, captação de água de chuva, energia solar e ações voltadas à segurança alimentar e ao Turismo de Base Comunitária. “Além disso, foram adquiridas roupas de trabalho para jovens que se dedicam à coleta de óleo de cozinha para reciclagem; implantados sistemas de coleta de água de chuva e de energia solar; impulsionada a criação de galinhas e peixes em viveiros escavados; adquiridos equipamentos de audiovisual e formação de indígenas para produção de vídeos e outras peças de comunicação, bem como equipamentos para uma cozinha sob a gestão de mulheres que preparam alimentos com a utilização de plantas da Mata Atlântica”, informa Rodrigues.

No que se refere aos projetos desenvolvidos em parceria com a Diocese, Rodrigues destaca que a essência está na emancipação das comunidades envolvidas. “Os recursos da Campanha ganham potência quando encontram organização comunitária e acompanhamento técnico. Nosso papel é fortalecer competências locais, apoiar a gestão coletiva e garantir que os projetos se sustentem no tempo. É desenvolvimento com base na cooperação e na autogestão.”

E os beneficiários são unânimes em reconhecer a importância dos projetos realizados por meio dessa parceria. “O apoio a projetos de Economia Solidária promove vínculos sociais. O projeto que foi realizado para ampliação do refeitório da nossa aldeia representa mais que recursos, mas sobretudo confiança, parceria e compromisso com a vida comunitária, a dignidade e o bem-viver”, afirma Itamirim, liderança da aldeia indígena Tabaçu Reko Ypy de Peruíbe.

Outros integrantes de projetos realizados no âmbito dessa parceria, como Angélica Cruz, da Horta Sustentável Verde Vida de Guarujá; Maria da Penha Pedrosa, integrante da Horta Sustentável Santa Cruz dos Navegantes; Francisca Eliene da Silva, da Horta Entre Amigos de São Vicente; André Nascimento, da Horta Bons Frutos de Santos; Sergio Popygua, da aldeia Ara Pyau de Mongaguá; e Silvio Riju, da aldeia Nhanderekoá de Itanhaém, são unânimes em reconhecer a importância do financiamento feito pela Diocese de Santos, bem como o apoio técnico e organizacional que recebem da CATI e de parceiros, que têm possibilitado a concretização de ações que transformam vidas, com geração de renda e sustentabilidade ambiental. 

Desenvolvimento dos projetos e o papel da extensão rural

Por trás de cada projeto, há um trabalho permanente de extensão rural e a atuação da CATI que vai além da assistência técnica pontual. Extensionistas rurais da Regional Santos e parceiros – como o Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), universidades, pastorais e associações comunitárias – acompanham constantemente os grupos, desde a elaboração das propostas até a execução e consolidação das iniciativas, fortalecendo a autogestão, o associativismo e a cooperação, consolidando ações decisivas para os resultados alcançados.

Para Hemerson Calgaro, engenheiro agrônomo da CATI Regional Santos, o diferencial desse trabalho está na construção coletiva. “A experiência mostra que os projetos têm mais chances de sucesso quando são estruturados em rede. A CATI atua de forma permanente junto às comunidades, apoiando a produção de alimentos, o turismo comunitário e o fortalecimento do associativismo. Não se trata apenas de orientar tecnicamente, mas de caminhar junto, construindo soluções com as pessoas”.

Na Baixada Santista, a parceria entre CATI e Diocese segue semeando futuro, com técnica, compromisso e presença permanente ao lado de quem mais precisa. Dom Joaquim Mol, bispo da Diocese de Santos, em entrevista à TV Tribuna, no final do ano passado, esclareceu que a Igreja faz parcerias, pois não tem a pretensão de resolver o problema de todas as pessoas e que o papel da Igreja não é aquele de uma organização não governamental (ONG) ou de uma associação, mas o de alimentar a fé e a esperança das pessoas com a força dos ensinamentos de Jesus Cristo, bem como estimular iniciativas vindas de instituições e lugares diferentes em favor do povo em situação de vulnerabilidade.

Hemerson Calgaro avalia que “nesse sentido, a Diocese assumiu o papel de apoio à Economia Solidária inserida em uma rede de profissionais que atuam nas comunidades. E os resultados obtidos nos projetos desenvolvidos em parceria com a CATI têm sido muito bons e, mais uma vez, confirmam que projetos construídos e operacionalizados em rede têm maiores chances de obterem êxito”.

Fé, organização e transformação social

Criada em 1924, a Diocese de Santos abrange os nove municípios da Baixada Santista e integra a Campanha da Fraternidade, instituída nacionalmente, em 1964, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A cada ano, a campanha mobiliza comunidades em torno de temas sociais urgentes e promove a Coleta Nacional da Solidariedade, destinando 60% dos recursos ao Fundo Diocesano e 40% ao Fundo Nacional.

Na Baixada Santista, a opção tem sido investir em projetos estruturantes, com foco na Economia Solidária. A lógica vai além da assistência, pois “busca-se gerar autonomia, fortalecer vínculos e criar alternativas sustentáveis de geração de renda”, explica Helenice Queiroz, que, desde 1998, está à frente das Campanhas na entidade. Neste contexto, a parceria com a CATI, o Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista, universidades, pastorais e associações comunitárias consolidou uma rede sociotécnica que articula conhecimento, fé e compromisso social.

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