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Agricultura e Abastecimento
Diretoria de Assistência Técnica Integral - CATI

Especialista ambiental da CATI/CDRS é homenageada na Semana da Agroecologia de Piracicaba

Especialista ambiental da CATI/CDRS é homenageada na Semana da Agroecologia de Piracicaba

O município de Piracicaba, terra de formação de profissionais que lidam com a agricultura, tem como parte das atividades municipais a comemoração da Semana Municipal de Agroecologia. E no dia 3 de outubro, Dia Nacional da Agroecologia e também Dia Municipal da Agroecologia, instituído pela Câmara de Vereadores de Piracicaba, várias atividades foram programadas, como visitas e palestras na Casa do HipHop, espaço onde estão acontecendo as programações da Semana.

É também nesta semana que acontecem as homenagens àqueles que colaboram ou colaboraram para a difusão de conhecimentos e ações voltadas ao incremento da agroecologia. E, este ano, uma das homenageadas, por seus mais de 20 anos voltados a esse trabalho, foi a engenheira agrônoma e especialista ambiental Araci Kamiyama, do Departamento de Desenvolvimento Sustentável (DDS), antiga unidade da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente que passou a fazer parte da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CATI/CDRS), em 2019.

Araci é conhecida e reconhecida em todo o Estado de São Paulo por sua atuação à frente de várias ações, entre elas a implantação do Protocolo de Transição Agroecológica aplicado entre os produtores rurais interessados em mudar o seu modo de produção em prol de uma agricultura mais sustentável. Muito feliz, orgulhosa e se sentindo recompensada pela sua contribuição, Araci lembrou de Anna Maria Primavesi, engenheira agrônoma austríaca radicada no Brasil, que deixou sua marca como importante pesquisadora da agroecologia e da agricultura orgânica. “Um orgulho enorme por seguir os preceitos dessa mestra e ser homenageada pelo meu trabalho na área em que ela tanto contribuiu”, afirmou Araci.

Araci também foi uma das convidadas a ministrar uma palestra sobre o Protocolo durante a Semana Municipal de Agroecologia de Piracicaba, quando enfatizou o importante papel do extensionista rural, que está à frente e mais próximo dos produtores, sendo responsável por encaminhar as ações previstas no Protocolo de Transição Agroecológica, que tem a duração de cinco anos de implantação, tornando o produtor apto a vender seus produtos já com esse diferencial e podendo, em seguida, tornar-se um produtor orgânico certificado, por exemplo. “Temos 29 equipes de extensionistas, sendo 16 da CATI/CDRS atuando em todo o Estado, oito equipes de instituições não-públicas e quatro equipes municipais, compondo quase uma área de quase oito mil hectares em no processo de Transição Agroecológica. E eu sempre digo e reforço que o extensionista tem papel central; sem ele, não há como implantar a Transição Agroecológica. São eles e os produtores e/ou produtoras rurais os principais atores e atrizes desse processo”, e complementa: “E as mulheres arrasam, são elas, geralmente, a tomarem a frente em questões ambientais como ter qualidade de vida, preocupação com o meio ambiente e com as futuras gerações”, afirma Araci, com muita propriedade.

O diretor da CATI/CDRS Regional Piracicaba, Maurício Perissinotto também prestigiou a série de eventos participando como palestrante da Semana da Agroecologia de Piracicaba.Além da palestra da especialista ambiental, a CATI/CDRS também contribuiu com a referida apresentação do diretor da CATI/CDRS Regional Piracicaba, Maurício Perissinoto, abordando a Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP), e, ainda, com a apresentação da extensionista Tatiana Marsola Piovezani sobre o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) – Cesta Verde. “Foi uma grande oportunidade de conhecer e debater o trabalho que vem sendo realizado pelas entidades governamentais, tanto municipais como estaduais, e também pelas entidades não governamentais em prol da Agroecologia. Na minha opinião, um dos pontos positivos do evento foi o estímulo à integração entre as entidades e à união de esforços para difundir esse tema que vem ganhando cada vez mais importância quando se fala em qualidade de vida”, destacou Perissinoto.

 

Saiba mais em: https://www.cdrs.sp.gov.br/portal/imprensa/noticia/profissionais-da-secretaria-de-agricultura-e-abastecimento-participam-de-evento-online-sobre-transicao-agroecologica

https://www.cdrs.sp.gov.br/portal/imprensa/noticia/transio-agroecolgica-extensionistas-apoiam-produtores-no-processo-que-harmoniza-produo-e-meio-ambiente-em-itapetininga

 

Produtores que optaram por aderir ao Protocolo de Transição Agroecológica

São atendidos agricultores de produção familiar, urbana e periurbana, aqueles que produzem em assentamentos rurais, Povos e Comunidades Tradicionais, dentre outros grupos em situação de vulnerabilidade social. Desde o início de implementação do Protocolo em campo, 418 agricultores já foram atendidos por 26 equipes de extensão rural, sendo 14 vinculadas aos Escritórios Regionais da CDRS, oito às instituições de assistência técnica e extensão rural não públicas, três àse equipes municipais próprias e uma à Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

O reconhecimento oficial do período de transição agroecológica é uma política inovadora e as ações do Protocolo vão além das práticas de produção, pois estimula o trabalho mais colaborativo, as parcerias, a organização, o cooperativismo, a diversificação dos canais de comercialização e a melhor gestão da propriedade como um todo. A adesão ao protocolo é gratuita e voluntária, sendo concluída após o envio dos documentos necessários. O certificado de transição agroecológica é fornecido pelo Grupo Executivo já no primeiro ano e tem duração máxima de cinco anos. Após esse período, o produtor − ou grupo de produtores − pode obter a Certificação Orgânica junto aos órgãos competentes.

O extensionista rural tem papel fundamental durante todo o processo, fornecendo apoio e orientação em importantes pontos do trabalho, como: foco na visão sistêmica e redesenho da propriedade de forma agroecológica, reconhecendo que é um processo gradual; contínua capacitação de técnicos e produtores; incentivo para que agricultores se tornem orgânicos, com maior segurança para consumidores e possibilidade desses apoiarem o processo de transição; possibilidade de acessar novos mercados, com valor agregado, e obter certificado/declaração de forma gratuita.

Exemplo de sucesso em Nazaré Paulista

Eloísa Pinheiro e Israel Junior são jovens agricultores, filhos e netos de agricultores que eram convencionais, assumiram o desafio da sucessão rural apoiada na agroecologia, optando por fazer a transição agroecológica pelo Protocolo.

Há pouco mais de dois anos, eles começaram a eliminar o uso de defensivos e adubos químicos em sua produção de flores e olerícolas e iniciaram uma série de práticas para restaurar a fertilidade natural dos solos e diminuir a dependência dos insumos externos. Para isso, vêm contando com o apoio do extensionista César Bagatini, da Casa dae Agricultura de Nazaré Paulista.

Por coincidência – ou não –, o casal vem de  famílias que tiveram suas vidas na agricultura. “Nossos avós produziam alimentos e grãos nesse mesmo bairro há mais de 70 anos. Curioso o fato de que, já naquela época, a produção era escoada para São Paulo – levada em animais de carga”, destaca Eloísa, contando que se dedica ao sítio desde 2012, utilizando, até 2018, o modo de produção convencional.

A produtora de flores de corte conta que o desequilíbrio biológico chegou a tal ponto de não conseguir controlar o ataque de pragas e doenças, além de custos altos com produtos químicos. “Começamos a estudar sobre agricultura orgânica e a buscar informações sobre como iniciar essa mudança. Foi na CATI/CRDS que conseguimos a maior parte dessas informações e orientação técnica. Nessa mesma época, já em 2019, nos apresentaram a Transição Agroecológica e todos os benefícios que ela traz ao produtor rural”, relembra Eloísa, frisando que o desafio de quebrar paradigmas foi grande.

“Não se trata de somente trocar produtos químicos por biológicos e alguns ajustes na plantação, nós buscamos a origem de todo o desequilíbrio e entender que o objetivo maior é ter a natureza como nossa aliada no trabalho. As pragas que tanto nos causavam problemas eram um grito de socorro do nosso solo avisando que nada estava indo bem”, diz. Nessa época, o casal iniciou também a produção de alimentos.

Hoje, já há mais dois anos no Protocolo, Eloísa diz que o sítio é um grande laboratório vivo. “Ainda estamos testando e avaliando os mais diversos tipos de culturas, sentindo as plantas se desenvolverem livres e se autoprotegendo. É um longo caminho até chegarmos ao sítio ideal que planejamos, mas hoje já colhemos bons frutos do nosso trabalho”, conta.

Durante a pandemia, em especial no início, os produtores tiveram a renda reduzida em quase 90% e a única forma de se manterem na atividade foi por meio da produção de alimentos. “A transição agroecológica foi a grande responsável por nos dar suporte nesse momento, sendo possível comercializar nossos produtos com valor agregado e poder de mercado”, diz a produtora. Agora, Eloísa e Israel planejam, no pós-pandemia, realizar o plantio consorciado de flores e alimentos e a produção de frutas nativas em sistemas agroflorestais, além de buscar a certificação do sítio. O trabalho no Sítio Primavera pode ser conferido pelo Instagram@primaveraeco (Fonte: trechos de reportagem publicada em 2020, no site da CATI/CDRS).

 

Graça Moreira D’Auria – Jornalista – Centro de Comunicação Rural (Cecor/CATI/C DRS/SAA) – mgdauria@sp.gov.br

 

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