SAA inaugura novo estúdio de imagem e som do Centro de Comunicação Rural da CATI
Em um espaço amplo e totalmente remodelado, com equipamentos de gravação de imagem e áudio, o estúdio foi inaugurado no dia 21 de março, com a presença do secretário de Agricultura e Abastecimento Itamar Borges, servidores da Pasta e convidados.
Revestimento acústico total, fundo infinito para Chroma Key, refletores, microfones, câmeras e cabine de gravação fazem parte da estrutura. Com atenção nos detalhes, o novo estúdio de imagem e som é um espaço moderno para gravação de vídeos, entrevistas, locuções de áudio, entre outros.
Nomeado em homenagem ao servidor aposentado Daniel Moreira Vieira, que por mais de 30 anos atuou nas áreas de vídeo e radiodifusão da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e integrou o grupo que montou a primeira estrutura de gravação e edição de som e imagem, na década de 1970 (e nos conta um pouco dessa história, a seguir), o novo estúdio “nasce” com o propósito de aprimorar a comunicação com os produtores.
“A Secretaria de Agricultura de São Paulo, por meio da CATI, é pioneira no Brasil na área de comunicação rural, a qual entendemos como instrumento de extensão rural, para apoiar o desenvolvimento do trabalho realizado pelos extensionistas em campo, tanto na divulgação de projetos, ações e programas como na elaboração de materiais técnicos didáticos, agregando os recursos audiovisuais para geração de informação de qualidade e conhecimento aos produtores e à comunidade rural, com clareza e simplicidade de linguagem”, destaca Alexandre Manzoni Grassi, coordenador da CATI, durante a inauguração das novas instalações do estúdio, localizado em um dos prédios históricos do complexo da SAA, em Campinas.
Complementando, Rodrigo Di Carlo Baudussi Ferreira, diretor do Núcleo Técnico de Imagem, informa que a construção do novo estúdio é fruto de um trabalho elaborado e pensado em detalhes para ampliar a produção de materiais audiovisuais técnicos e promocionais, bem como reportagens para divulgação dos trabalhos e eventos da extensão rural paulista. “A CATI tem tradição na elaboração de vídeos e spots para rádio desde o início da sua criação. Por isso, é gratificante ter um novo estúdio como um espaço de geração de conteúdo de qualidade, em uma linguagem que abrange todos os públicos”, salienta, agradecendo ao cinegrafista e editor Adriano Hermini, integrante do Núcleo, e à equipe do Cecor, pela parceria na elaboração e execução do projeto do estúdio, externando a alegria de poder homenagear o servidor Daniel, que tanto contribuiu para o avanço da área.
“Para mim, é uma honra e uma imensa alegria fazer parte da história da CATI e da comunicação rural paulista, que desbravou um caminho importante junto aos produtores. Poder ter contribuído, ao lado de tantos colegas do Cecor, do Dextru, das unidades regionais e das Casas da Agricultura, a gerar e levar conhecimento e novas tecnologias às famílias rurais, melhorando a sua qualidade de vida, a produção agropecuária e o campo em geral, representa a minha vida profissional, que tanto impactou a minha trajetória pessoal”, disse emocionado Daniel, que participou da inauguração do estúdio com sua família.

Um pouco de história do pioneirismo da CATI na área de Comunicação Rural no Brasil
Como base para a utilização dos veículos de comunicação de massa como instrumentos de difusão de tecnologia e conhecimento pela CATI, relatos históricos escritos sob a coordenação da jornalista Maria Evanilda Martins, que trabalhou no Cecor por quase 30 anos, apontam a produção do programa semanal de rádio “Informação Rural”, transmitido em cadeia pelas rádios Brasil e Cultura, produzido e apresentado durante seis meses, ao vivo, pelos engenheiros agrônomos da CATI Carlos Nogueira e Heli Corrêa, na década de 1960. O programa constava de duas partes: entrevista com pessoas de destaque ligadas à agricultura e outra com informações técnicas, segundo nota do documento.
Em 1972, a coordenação da CATI, sob direção do engenheiro agrônomo Nilo Borges Figueiredo, que tinha ampla experiência de campo, investiu na comunicação como instrumento de extensão rural. Sendo assim, foram feitos investimentos na área de rádio e televisão, cujos equipamentos foram adquiridos por meio de convênio de colaboração técnica entre o Instituto Brasileiro de Café – Grupo Executivo de Racionalização da Cafeicultura (IBC-Gerca) e a CATI. A partir desse momento, a CATI passou a utilizar intensamente meios de comunicação diversos, com uma estrutura arrojada, para a qual foram adquiridos equipamentos e veículos de ponta disponíveis na época.
A seguir, um breve relato de trabalhos e projetos de comunicação que auxiliaram na desmistificação de tecnologias complexas, facilitando o entendimento pelo público beneficiário da CATI.
Radiodifusão
O homenageado Daniel Vieira relembra um pouco da história. “Antes de montar sua estrutura para rádio e televisão, a CATI utilizava os equipamentos do Centro Audiovisual Evangélico (Cave), que tinha equipamentos modernos de audiovisual, no qual eu trabalhava como técnico de áudio. Em 1972, a instituição decidiu investir em uma estrutura própria, então o jornalista Fábio Vidal Ramos, que era o elo entre as duas instituições, me convidou para vir trabalhar na CATI e montar a estrutura do estúdio de rádio”.
No dia 1.° de agosto de 1972, foi levada ao ar a primeira produção radiofônica da CATI, o programa Atualidades Agrícolas, pela rádio Tupi de São Paulo e suas coligadas, com uma mensagem do então governador Laudo Natel. Segundo Dylia Robles Scolastico, jornalista que foi responsável pela produção do programa durante muitos anos, em 1973, após pesquisa de audiência que confirmou o rádio como veículo de maior abrangência na comunicação com o meio rural, o programa foi reestruturado. “Ele passou a ter um novo enfoque metodológico, visando conscientizar o público rural, com informações de caráter socioeducativo, propondo-se a auxiliar no desenvolvimento do meio rural e a elevar as condições de vida do produtor e sua família”. A partir de então, o programa de 10 minutos, produzidos pela equipe do então Serviço de Comunicação Rural (atual Cecor), passou a ser veiculado de segunda-feira a sábado, em emissoras de grande audiência, em todas as regiões paulistas. Na década de 1980, o programa recebeu um troféu da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) por sua utilidade pública.

Televisão
Sobre a televisão, Daniel, que passou a atuar nessa área após a implementação do estúdio de rádio, conta que, em 1973, foi construído um estúdio e adquiridos outros equipamentos. “Foram adquiridas câmeras, comprado um ‘caminhão de externa’, equipado como um estúdio móvel para captação de imagens e reportagens no campo, bem como veículos modelo ‘kombi’, os quais foram equipados para projeção de filmes e slides em eventos realizados em todo o Estado de São Paulo”.
Com essa estrutura, a CATI levou ao ar o primeiro programa da TV brasileira voltado ao meio rural, intitulado Novos Horizontes, cuja transmissão inicial aconteceu em 1973, pela retransmissora da Globo de Bauru e, posteriormente, pela TV Tupi. “É importante registrar que a produção desse programa serviu para ‘quebrar’ a resistência das emissoras de TV, que na época não tinham nenhum interesse na programação agrícola”, explica a jornalista Evanilda, enfatizando que esse programa foi precursor do Globo Rural.
Na década de 1980, a CATI implementou o Telecurso Rural, transmitido pela TV Cultura, em uma parceria com a Fundação Padre Anchieta e fez um projeto-piloto de telescola, usando o material didático do programa em reuniões com os agricultores nos municípios. Paralelo a esses trabalhos, o Cecor investiu na produção de filmes e vídeos técnicos sobre diversos temas.
Um pouco mais sobre o homenageado
Daniel Moreira Vieira nasceu em 20 de junho de 1949, em São Paulo. Hoje, aos 72 anos de idade, está aposentado desde 2012. Após atuar como contratado por dois anos, em 1974, depois de prestar concurso, ingressou na CATI como servidor público no laboratório de sementes, onde atuou até 1976, quando se transferiu para o Centro de Comunicação Rural, como cinegrafista e editor. Iniciando como oficial administrativo, após alguns anos, assumiu o cargo de chefe de Seção, tendo chegado a diretor substituto do Núcleo de Som e Imagem (nome anterior do atual Núcleo Técnico de Imagem).
