Conservação do solo e proteção dos recursos naturais foi o tema de Seminário realizado pela CATI, pelo IAC e por parceiros
Em sua 14.ª edição, o tema central do Seminário foi a revitalização da conservação do solo e da água, com foco no redesenho do uso e manejo do solo em áreas urbanas e rurais. O evento, que aconteceu no dia 14 de abril (em celebração do Dia Nacional da Conservação do Solo – 15 de abril), teve a participação de cerca de 250 pessoas de todas as regiões paulistas, em um público formado por extensionistas, pesquisadores, produtores rurais, estudantes, representantes do segmento e interessados.
“A conservação do solo está no DNA da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo”. Assim, Alexandre Manzoni Grassi, coordenador da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) − na ocasião representando o secretário de Agricultura e Abastecimento, Antonio Junqueira −, abriu a sua palavra sobre a conservação do solo e da água como política de estado, no XIV Seminário de Conservação do Solo e Proteção dos Recursos Naturais, realizado no auditório do Instituto Agronômico (IAC), em Campinas.

“Como órgão responsável pelas ações de extensão rural na SAA, podemos afirmar que, desde a sua criação há 55 anos, a CATI tem na conservação do solo a base para a promoção de um desenvolvimento rural sustentável, equilibrado no tripé ambiental, social e econômico. É preciso ressaltar que terra degradada não gera renda e nem promoção social, pelo contrário, gera perda da capacidade produtiva do solo e assoreamento dos cursos d’água. Nesse contexto, a Secretaria de Agricultura tem trabalho com políticas públicas, crédito rural, projetos e programas de pesquisa e extensão para valorizar o produtor, mantendo-o no campo, desenvolvendo uma produção em harmonia com o meio ambiente, produzindo ‘água’ e solo conservado; colocando a agropecuária como parte importante da paisagem e da beleza cênica rural, e apoiando a verdadeira face do agricultor paulista: consciente e responsável pela produção sustentável de alimentos, energia e afins, que garantem qualidade de vida para as populações rurais e urbanas”, pondera Grassi.
Para a pesquisadora Isabella Clerici De Maria, pesquisadora do IAC e uma das organizadoras do evento, a segurança alimentar e os serviços ecossistêmicos são fundamentais para o desenvolvimento e dependem diretamente da conservação do solo e da água. “Este tema vem sendo estudado, avaliado e debatido, aprimorando o conhecimento de técnicas para redução da erosão, bem como para manutenção da saúde do solo. E isso ficou explicitado em todas as falas e palestras desse Seminário, que reuniu interessados de diversas áreas, para dialogar sobre este assunto urgente e tão necessário em nosso estado e nosso país”.
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Segundo Antoniane Arantes de Oliveira Roque, líder do Grupo Técnico de Conservação do Solo e da Água da CATI e um dos organizadores do evento, muitos esforços para divulgar e implementar projetos têm sido feitos pelo poder público, pelos produtores e por entidades públicas e privadas. “No entanto ainda há uma grande extensão de solos mal-conservados e degradados no Estado de São Paulo”.
Nesse contexto, Antoniane ressalta que o objetivo do evento foi divulgar soluções, projetos com bons resultados e conceitos que não podem ser esquecidos, os quais devem estar no cotidiano da ocupação territorial rural. “Além disso, no Seminário foi possível proporcionar uma reciclagem de conhecimento para pesquisadores, técnicos, produtores rurais, estudantes e demais interessados; divulgar as políticas públicas oferecidas pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento voltadas à recuperação e conservação do solo, como o Programa Solo+Fértil e o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais, que engloba os projetos Águas Rurais e Berços d’Água – Recuperação de Áreas Degradadas por Grandes Erosões (Radge), além de sensibilizar a sociedade em geral quanto à necessidade de conscientização sobre essa temática”.
Parcerias
Integrando as comemorações do Dia Nacional da Conservação do Solo, celebrado em 15 de abril e instituído por lei federal, em 1989, a SAA organizou o Seminário, por meio da CATI e do IAC/Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), ao lado de parceiros – Defesa Agropecuária (CDA)/SAA, Instituto de Geociências (IG) e Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri)/Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag).

Programação
Na parte da manhã, diversos temas foram apresentados por técnicos da CATI e pesquisadores do IAC/APTA e do Instituto de Geociências da Unicamp. “Revitalização da Conservação do Solo e da Água” foi o tema abordado pelos pesquisadores do IAC/APTA, Isabella Clerici De Maria e Afonso Peche Filho. “A coleção de monólitos e a conservação do solo: interpretando o perfil do solo” foi o tema desenvolvido por Diego Machado, do IG/Unicamp. Já Daniel Malheiro do Nascimento, da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, trouxe para o debate o tema “Sistemas Integrados de Produção na conservação do solo”. A palestra “Técnicas agronômicas regenerativas para produção de hortaliças” ficou a cargo do pesquisador do IAC/APTA/SAA, Roberto Botelho Ferraz Branco.

Apresentando a produção de sementes (como as para adubação verde) e mudas como instrumento de extensão rural e conservação do solo, Gerson Cazentini Filho, diretor da CATI Sementes e Mudas, detalhou o Programa Solo+Fértil lançado pela Secretaria de Agricultura, para elevar a produtividade das atividades agropecuárias do Estado de São Paulo, promovendo a melhoria da eficiência dos recursos econômicos, sociais e ambientais utilizados na atividade produtiva, cujo objetivo é promover a utilização das práticas de análise do solo, calagem e adubação mineral em todas as unidades paulistas de produção agropecuária, disponibilizando, de forma inclusiva, aos pequenos e médios produtores, práticas fundamentais para uma produção econômica e sustentável.
Falar de práticas conservacionistas e não enfatizar o tema estradas rurais é impossível. Por isso, o engenheiro agrônomo Cláudio Giusti, diretor da CATI Regional Catanduva, trouxe para o Seminário a experiência da instituição sobre o assunto, apresentando exemplos práticos de projetos concluídos em diversas regiões paulistas, os quais trouxeram melhor qualidade de vida para a população rural, com grande impacto ambiental, social e econômico.
Transferidos para o auditório do IAC, por conta das chuvas, os minicursos, que seriam realizados no Centro Experimental do Instituto Agronômico ─ Fazenda Santa Elisa, mantiveram seu amplo alcance com uma palestra dinâmica e com grande participação do público. O minicurso “Propriedade rural como um berço d´água” foi conduzido pelos extensionistas da CATI Regional General Salgado, Marcelo Takashi Onoe e Denilson Perpétuo de Godoy. Já o minicurso “Bases científicas para a Transição Agroecológica”, foi ministrado pelo pesquisador Afonso Peche.

Ambos os minicursos motivaram os participantes a se tornarem multiplicadores das práticas e dos exemplos apresentados. “Para nós, é uma dádiva ver o resultado das pesquisas e do nosso trabalho de extensão rural em levar conhecimento, novas tecnologias e políticas públicas que possibilitam a transformação de vidas, a recuperação da capacidade produtiva do solo, a permanências das famílias no campo e na atividade agropecuária, incentivando as futuras gerações a permanecer neste caminho, inibindo, inclusive, a venda de propriedades rurais, mantendo a geração de renda e emprego no campo”, destacou Marcelo Onoe, diretor da CATI Regional General Salgado.
Exposição atraiu a atenção dos presentes
Pela primeira vez, o Seminário contou com uma exposição de amostras de solo (monolítos) de todo o país, organizada pelo Instituto de Geociências da Unicamp, universidade que também foi representada por alunos e professores da Feagri.

“Como aluno da Engenharia Agrícola, foi uma oportunidade ímpar de poder trocar experiências com extensionistas e pesquisadores que trabalham diretamente com os produtores no campo. Além disso, poder aprender na prática o que vemos em sala de aula nos traz um ganho incrível como futuros profissionais, principalmente em uma área tão fundamental como a conservação do solo”, avalia João Victor Pereira, aluno da Feagri.