Moradora de Bragança Paulista, Celina é a terceira geração de uma família que tem a agricultura como vocação e paixão
Com o sol “a pino” e o relógio marcando 12h, o suor escorre abundante, mas nem mesmo o calor intenso é capaz de tirar o sorriso do rosto desta mulher de 46 anos, que, “desde que se conhece por gente”, tem a vida sustentada pelo fruto da terra, atualmente semeado e colhido junto com o marido Valdecir Marcondes e o filho Weslei Joaquim Marcondes, em uma pequena área arrendada no município de Bragança Paulista, no interior da Fazenda Caete.
“Quando me perguntam o que representa ser agricultora, só consigo responder que é uma missão abençoada e uma grande alegria, apesar de todas as dificuldades (as quais às vezes nos fazem pensar em desistir, mas que, graças a Deus, passam − risos) e todos os desafios, pois o nosso trabalho contribui para que as pessoas tenham alimento de qualidade na mesa e a minha família o sustento de cada dia”, relata Celina Vítor dos Santos Marcondes.
Na pequena área arrendada, Celina e a família cultivam mais de 30 itens em sistema orgânico, com certificação. “Temos praticamente todas as folhosas – alface, rúcula, couve, repolho, almeirão etc. –; legumes; tubérculos; milho; e feijão. E agora, após um árduo trabalho de anos, tivemos uma grande conquista: compramos um pequeno sítio em uma cidade próxima aqui de Bragança, onde ampliaremos a produção. E como acontece aqui nesta área arrendada há anos, queremos continuar caminhando com a CATI do nosso lado nessa nova área, nos ajudando, nos orientando, nos apoiando no acesso à políticas públicas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos – Cesta Verde) e o crédito rural, que contribuíram para aumentar a nossa renda e qualidade de vida”, explica Celina.

E o desejo da agricultora já é uma realidade, de acordo com Marcelo Batista, diretor da CATI Regional Bragança Paulista. “Nos 14 municípios em que atuamos, incluindo Pinhalzinho, onde a Celina e a família adquiriram o sítio, temos fortalecido o nosso trabalho de extensão rural junto às famílias de forma abrangente, tendo um olhar focado nas mulheres que, atualmente, participam de todas as etapas do trabalho, da gestão à produção e comercialização. E a Celina representa muito o perfil das agricultoras que atendemos, em sua maioria, nas pequenas propriedades: interessada, ávida em se capacitar, agregadora da família e de vizinhos, aberta à adoção de novas tecnologias e com interesse genuíno em uma agropecuária sustentável com preocupação ambiental, social e econômica”, comenta Batista, revelando que, além de participar de capacitações, a agricultora também já acessou crédito rural para compra de um carro utilitário, está interessada no Feap Mulher – linha especial no Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista, em financiamento para compra de um trator, participou do PAA e já fez adesão ao Projeto Feap PSA – Pagamento por Serviços Ambientais, para recuperação de áreas degradadas e conservação do solo e da água.
Marcelo Batista, diretor da CATI Regional Bragança Paulista, e a produtora Celina Marcondes celebram a parceria que tem gerado excelentes frutos.
Neste contexto, a agricultora destaca a importância do acompanhamento técnico da CATI em todas as áreas: produção, gestão e comercialização. “Ter o apoio dos técnicos da CATI faz toda diferença. Eu fui em busca de um financiamento para comprar um trator e eles me alertaram para conseguir o mais adequado e acessível financeiramente para mim, me livrando de uma operação que impactaria demais na nossa renda”.
Nicho de comercialização é ponto alto para a produção da família
Na parte da comercialização, além do apoio da CATI na produção e para participar de projetos, programas e políticas públicas, o espaço conquistado com a marca Orgânicos da Celina, na Feira do Produtor Rural, somado à comercialização de produtos com uma CSA – Comunidades que Sustentam a Agricultura, tem feito diferença na renda e nas conquistas da família.
Um dos momentos mais emocionantes da vida da agricultora
“Com certeza foi a formatura do meu filho, em Agronomia. Quando a gente podia imaginar que um neto de agricultores analfabetos, filho de pequenos agricultores que andavam mais de 3km para estudar e se esforçaram muito para concluir o ensino médio, iria se formar engenheiro agrônomo como fruto do nosso trabalho na terra, conquistar um bom emprego na área e ainda continuar trabalhando com a gente no sítio e na feira aos finais de semana? E mais, nos orientando tecnicamente, junto com o pessoal da CATI, para melhorar cada vez mais o nosso ofício. Era um sonho que a gente não acreditava ser possível”, exclama Celina.
Mas o tempo passou e o sonho se tornou realidade, em janeiro de 2024. Após quatro de anos de faculdade, o jovem de 24 anos se tornou um orgulho e a esperança da continuação da família Santos Marcondes como agricultores orgânicos.

Celina e o marido Valdecir celebram a formatura, como engenheiro agrônomo, do filho Weslei Joaquim Marcondes
Mensagem para outras mulheres agricultoras
Consciente de que as mulheres estão cada vez mais conquistando espaço no agro, Celina faz questão de deixar uma mensagem. “O segmento rural ainda é um espaço bem masculino mas, a cada dia, mostramos que nós mulheres podemos atuar em todas as frentes. É preciso cuidar da propriedade, da produção, das vendas e dos investimentos; mas é essencial cuidarmos de nós mesmas. Ter o nosso nome em todas as documentações e acompanhar a contabilidade, para que possamos ter nossos direitos assegurados, principalmente na aposentadoria e no direito à propriedade. Tenho um exemplo próximo, em que uma mulher trabalhava em todas as frentes junto com o marido, mas seu nome não constava em nenhum documento, não conseguiu nem se aposentar como produtora rural, profissão a que se dedicou a vida toda, junto com todos os cuidados do ‘lar’. Então, o que posso dizer para as mulheres agricultoras como eu é: cuidemos do nosso lar, da nossa família, do nosso sítio, da nossa produção, do nosso trabalho; cuidando de nós, da nossa saúde e dos nossos direitos!”.