Secretaria de
Agricultura e Abastecimento
Diretoria de Assistência Técnica Integral - CATI

CATI organiza encontro sobre Cadastro de Agricultor Familiar – CAF para indígenas

CATI organiza encontro sobre Cadastro de Agricultor Familiar – CAF para indígenas

O extensionista Newton Rodrigues da CATI Regional Santos em projeto na Aldeia Nhanderekoá em Itanhaém, com o cacique Silvio e Miqueias, da etnia Guarani M’Bya


Evento realizado em Santos, reuniu equipes técnicas da CATI, da Funai e do Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) que atualizaram informações para facilitar a emissão do documento para comunidades indígenas

 

Reafirmando seu compromisso como órgão de extensão rural, a CATI organizou o encontro “Atuação conjunta entre CATI e Funai para emissão de CAF aos povos indígenas do estado de São Paulo”, que aconteceu no espaço APTA-HUB – Santos/Secretaria de Agricultura e Abastecimento, e contou com a presença de 30 técnicos, incluindo extensionistas das Regionais da CATI que atuam em áreas onde se tem presença de comunidades indígenas, além de servidores da Funai – Coordenação Regional Litoral Sudeste de Itanhaém e do MDA.

O encontro promoveu integração, troca de experiência e informações, ao mesmo tempo em que se tornou um espaço para esclarecimento de dúvidas, demonstração das ações das instituições nas comunidades, bem como padronização e ajuste de procedimentos para otimização da emissão do CAF. “A finalidade do encontro foi alinhar procedimentos, estreitar relações institucionais e oferecer apoio mútuo, para que CATI e Funai possam prestar um serviço cada vez mais qualificado para o público indígena, no âmbito da produção rural e da valorização cultural e social”, explicam os extensionistas Marcia Moraes, Alexandre Mendes, Felipe Augusto Nascimento Alves e Sara Lima Santos – integrantes da equipe técnica da sede da CATI, em Campinas -, que conduziram o evento e elaboraram a pauta.


Cacique Silvio e Elisa da Aldeia Nhanderekoá- Etnia Guarani M’Bya. Despesca para consumo.
Extensionistas da CATI Regional Santos, Claudimir Jorge e Osmani Ferreira, orientam e ajudam na montagem dos tanques.

Programação

A equipe técnica da coordenadoria da CATI mostrou o olhar e apresentou as ações que a instituição tem para este público, que conta com uma população estimada em 7.026 indígenas, divididos em 89 aldeias presentes em 25 municípios, de sete Regionais da CATI (Avaré, Araçatuba, Bauru, Registro, Santos, Sorocaba e Tupã). Também apresentou dados sobre as comunidades quilombolas e os assentamentos rurais no estado de São Paulo.

“A nossa Regional se destaca neste universo, pois abrange a maior parte dessa população, contando atualmente com 5.113 indígenas, estabelecidos em 59 aldeias, em 11 municípios. Com o Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado, executado pela CATI entre 2011 e 2018, algumas comunidades indígenas foram beneficiadas em caráter de salvaguarda, sendo o recurso direcionado para implementação de infraestrutura para recepção de visitantes e insumos para produção agrícola em sistema agroflorestal”, explica Edna Ferreira Maddarena Lopez, diretora da CATI Regional Santos.

Durante o encontro, os extensionistas Erica Oliveira, da CATI Regional Registro, Silas Barsotti e Newton José Rodrigues da Silva, ambos da Regional Santos, apresentaram projetos desenvolvidos e acompanhados nesses territórios.

Erica Oliveira apresentou o projeto que está sendo realizado, visando à construção de um banheiro comunitário na aldeia indígena Itapuã, em Iguape. “A demanda veio da própria comunidade, onde a liderança é feminina. O projeto está sendo construído em parceria pela Paróquia da Igreja Episcopal de Registro (que já faz um trabalho social na aldeia e conseguiu o recurso inicial para essa construção), pela CATI, pelo Instituto Federal de São Paulo – IFSP Campus Registro e pelo Instituto Trata Brasil, que está fazendo a articulação com as outras entidades, como a Funai e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai)”, informa Erica.

Barsotti relatou o trabalho das Casas da Agricultura de São Sebastião e Ilhabela realizado na Aldeia Guarani do Ribeirão Silveiras. “As ações realizadas nesta comunidade são focadas na ampliação dos roçados e das agroflorestas, bem como no aumento da diversidade de plantas cultivadas nos sistemas agroalimentares, para melhorar a soberania, segurança alimentar e nutricional dos indígenas, além de promover ações como a de facilitar a implementação de tecnologias socioambientais como saneamento ecológico, compostagem e viveiros de produção de mudas”.

Já o extensonista Newton José Rodrigues fez um relato das ações que desempenha há mais de 10 anos em aldeias do litoral centro sul paulista, com apoio à organização do turismo de base comunitária e implantação de tanques de criação de peixes em sistema de recirculação de água. “Atualmente existem 21 tanques em funcionamento em seis aldeias, com 12 famílias indígenas atendidas e 50 beneficiados diretamente. Cada tanque produz entre 20kg e 35kg por ciclo de seis meses, dependendo da espécie criada, que pode ser a tilápia rendalli (Coptodon rendalli) ou a tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus)”, informa Rodrigues, destacando que o projeto objetiva a construção de uma tecnologia social para que os indígenas não dependam de fatores de produção externos com a utilização de uma espécie de peixe herbívora, o que reduz o custo de produção. “No projeto existem aqueles que optaram pela criação da tilápia do Nilo pelo fato de terem um nível de renda mais elevado, por conta dos visitantes do Turismo de Base Comunitária. E tambén há articulação com parceiros que aportam recursos para financiar os equipamentos, como a Diocese de Santos por meio da Campanha da Fraternidade, a Funai e o Comitê Interaldeias”.

Para o extensionista Leandro Biral dos Santos, da Casa da Agricultura de São Sebastião, o evento “foi excelente para traçar estratégias conjuntas para o melhor atendimento a essas comunidades, principalmente àquelas com dificuldade de reunir documentações para emissão do CAF e acesso à políticas públicas.”


Mulheres da aldeia Aguapeú preparam o pescado. Etnia Guarani M’Bya
Weramoru – Aldeia Tabaçu Reko Ypy – Peruíbe. Etnia Tupi-guarani

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