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Agricultura e Abastecimento
Diretoria de Assistência Técnica Integral - CATI

CATI Regional Santos e parceiros realizam Oficina de Bioinsumos

CATI Regional Santos e parceiros realizam Oficina de Bioinsumos

Recomendados para os diversos sistemas de produção orgânica e agroecológica, os bioinsumos são usados na proteção das plantas e na melhoria da fertilidade do solo

A Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica (Peapo), estabelecida pela Lei n.° 16.684/2018, define a transição agroecológica como “processo gradual orientado de transformação das bases produtivas e sociais para recuperar a fertilidade e o equilíbrio ecológico do agroecossistema, em acordo com os princípios da Agroecologia”. Além disso, reconhece como um fator determinante para a transição, a adoção pelos agricultores de práticas agroecológicas. Sendo assim, no cenário de implementação de transição agroecológica e produção orgânica, o uso de bioinsumos apresenta-se como importante e eficaz tecnologia social para viabilização técnica, econômica e ambiental da atividade agrícola.

Neste contexto, a CATI Regional Santos organizou a “Oficina de Elaboração e Aplicação de Bioinsumos”, no município de Itanhaém. A atividade contou com apoio de diferentes organizações, como: Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista; Movimento dos Pequenos Agricultores; Associação dos Produtores Rurais da Microbacia Hidrográfica do Rio Branco (Amibra); Unesp – câmpus de São Vicente e Prefeitura de São Paulo, por intermédio da Coodenadoria de Agricultura da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Trabalho. “A atividade foi realizada no Sítio Santo Antônio, de propriedade de Marcos Gonçalves Jesus, que, além de produtor de olerícolas e banana, ocupa a presidência da Amibra. Os 53 participantes vieram de diversos municípios como Guarujá, Peruíbe, Mongaguá, São Paulo, Santos, São Vicente e Embu Guaçu, sendo eles principalmente agricultores familiares, agricultores urbanos, pesquisadores, estudantes de Biologia e extensionistas rurais”, informa Edna Maddarena, chefe da CATI Regional Santos.

Segundo Hemerson Calgaro, extensionista da CATI Regional Santos, os bioinsumos são usados tanto na proteção das plantas como na melhoria da fertilidade do solo, em sistemas de produção orgânicos e agroecológicos e mesmo no sistema convencional em alguns aspectos e momentos específicos. “Assim, as formações relacionadas à elaboração e ao uso de bioinsumos estão contempladas no Pleapo”, explica, salientando que a CATI, a Fundação Itesp e outras instituições formam agricultores, cumprindo essa função no estado de São Paulo. “No contexto federal, recentemente foi aprovada a Lei n.° 15.070, de 23 de dezembro de 2024, que estabelece o marco regulatório para a produção, o uso e a comercialização de bioinsumos na agricultura brasileira, além dos setores pecuário, aquícola e florestal. O objetivo é promover e incentivar a produção sustentável e o desenvolvimento tecnológico no setor agropecuário, abrangendo produção, importação, exportação, registro, inspeção, fiscalização, pesquisa, experimentação, embalagem, rotulagem, propaganda, transporte, armazenamento, destinação de resíduos e incentivos à produção de bioinsumos”, complementa.

Programação

A programação que contou com palestras e atividades práticas foi bem abrangente e incentivou a produção agroecológica, por meio da utilização de produtos naturais, permitidos na produção orgânica, os quais, em alguns casos, podem ser encontrados e produzidos na propriedade, reduzindo o custo do bioinsumo e, consequentemente, da produção.

 Os engenheiros agrônomos Davi Ferreira Junior e Wilson Tavares dos Santos, ambos da Casa da Agricultura Ecológica (CAE) de Parelheiros, ligada à Prefeitura Municipal de São Paulo, conduziram os ensinamentos teóricos e a parte prática da formação. Na ocasião, elaboraram duas receitas: a “Água de Vidro”, utilizada para proteção de plantas e prevenção dos efeitos das geadas; e o biofertilizante “Nitrogênio 1”. “Durante a oficina, foi possível apresentar o ’mundo dos bioinsumos’ e contribuir para que extensionistas, pesquisadores e produtores rurais possam planejar e implementar ações que se fundamentarão de forma permanente na pesquisa-ação e extensão rural junto às organizações de produtores. Apesar da chuva ininterrupta e do frio, houve uma participação efetiva dos participantes com diversos questionamentos, mostrando grande interesse, inclusive para conhecer a Fábrica de Bioinsumos da CAE em Parelheiros”, explicaram os instrutores.

Segundo a chefe da CATI Regional Santos, a atividade contou com alguns aspectos importantes além da formação. “Essa oficina proporcionou aos participantes conhecerem a realidade e história da Amibra, uma associação que foi apoiada pelo Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado, executado pela CATI, entre 2011 e 2018, sendo, atualmente, uma grande fornecedora de alimentos para diversas prefeituras por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e, em alguns municípios, para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Trata-se de uma organização que faz uma gestão profissional, aproveitando com competência as políticas públicas quanto às compras governamentais, entregando alimentos de boa qualidade, oriundos da agricultura familiar, o que contribui para a melhoria de renda de seus associados e a economia do local. Houve também a oportunidade de conhecerem a política pública da Prefeitura de São Paulo, que fortalece a agricultura familiar urbana e periurbana e se articula com outra política pública de âmbito federal, a qual viabiliza o Programa Operação e Trabalho (POT), que concede remuneração ao trabalhador desempregado, com base em proximidades do território”.

Pausa para troca de conhecimentos e experiências

O café solidário e o almoço foram momentos de trocas de informações, onde os instrutores continuaram as conversas com os participantes e estes entre si. Dona Véva, mãe do produtor anfitrião, serviu almoço com parte dos ingredientes produzidos no próprio sítio, além de ofertar pães e doces de banana produzidos por ela. Segundo os participantes, o evento possibilitou a criação de vínculos, os quais foram fortalecidos por intermédio do tema que os uniu: a Agroecologia. “Vínculos de amizade, mas também para gerar renda, consolidar uma produção agrícola sustentável na região, na satisfação de pertencer a uma organização com objetivos comuns, contribuindo com mais qualidade de vida para as famílias rurais e os consumidores, bem como para um futuro melhor”, avaliam os organizadores.

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