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Agricultura e Abastecimento
Diretoria de Assistência Técnica Integral - CATI

CATI Regional São João da Boa Vista e parceiros realizam encontro de produtores de leite em Mococa

CATI Regional São João da Boa Vista e parceiros realizam encontro de produtores de leite em Mococa

Atividade leiteira tem grande importância econômica na região e o evento realizado anualmente tem se consolidado como espaço de atualização de tecnologias e conhecimento

O município de Mococa, ligado à área de atuação da CATI Regional São João da Boa Vista, sediou o “Encontro de Produtores de Leite de Mococa e Região 2025”, com a presença de cerca de 80 pessoas, entre produtores, técnicos das redes pública e privada, lideranças regionais, representantes de empresas atuantes na região, estudantes, bem como de extensionistas de outras Regionais da CATI, como Mogi das Cruzes e Jaboticabal, que viabilizaram a participação de produtores de suas regiões.

Com uma programação interativa realizada no Sítio Indaiá, que contou com palestras e demonstrações práticas, o evento foi coordenado pelos engenheiros agrônomos Valdo Prado Nunes e Daniel Bruno Belutti, sendo este último chefe da CATI Regional São João da Boa Vista. “Os participantes tiveram a oportunidade de interagir com os especialistas, bem como trocar experiências. Na visita à propriedade, se mostraram muito impressionados com a qualidade do pasto neste período de inverno, onde são adotadas técnicas preconizadas pelo Projeto CATI Leite. Além disso, destacaram a importância das informações sobre nutrição de vacas leiteiras e os ajustes necessários para alimentação concentrada, dependendo do alimento volumoso utilizado na dieta delas”, explicam os coordenadores da atividade.

Outro ponto que ganhou destaque na programação foi a apresentação feita pelo médico-veterinário José Ricardo Lobo a respeito da planilha de custo de produção da matriz leiteira, do nascimento ao primeiro parto, a qual foi muito debatida entre os participantes, que observaram na prática a relevância do uso dessa ferramenta. “Podemos afirmar que as expectativas da comissão organizadora, para a transferência das tecnologias, foram superadas”, avalia Valdo.

Ciclo de palestras

A programação teve início com um café da manhã oferecido pelos Laticínios Coqueiros e Leite Fazenda Bela Vista, durante o qual os produtores puderam entregar amostras de leite e volumosos para análise no trailer da Caravana do Giro do Leite, que contou com acompanhamento do pesquisador doutor Luiz Carlos Roma Júnior, do Instituto de Zootecnia, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

A abertura do evento foi realizada pelos extensionistas Daniel e Valdo, que deram as boas-vindas aos presentes, ressaltando a importância da participação dos produtores rurais como protagonistas da atividade e agradecendo aos proprietários do Sítio Indaiá, Silvandir Ribeiro da Silva e Juliano Gaspar da Silva, pela disponibilização da infraestrutura e do local, bem como pelo cuidado com zelo profissional para a produção de leite com qualidade e segurança sanitária.

O Ciclo de Palestras teve início com uma apresentação do Sítio Indaiá, como Unidade Demonstrativa dos Projetos CATI Leite e Integra SP/Rede ILPF, ministrada pelo engenheiro agrônomo Valdo, que destacou o trabalho realizado na propriedade, nos últimos cinco anos, que elevou a produtividade de leite de 15.642 litros/hectare/ano, em 2020, para 26.072 litros/hectare/ano, em 2025, impactando positivamente o aumento da renda mensal obtida. “Nesse período, foi implantado na propriedade um sistema de pasto rotacionado irrigado com integração lavoura e pecuária, tendo acompanhamento técnico da CATI, o que vem possibilitando a agregação de um volume maior de renda na atividade leiteira”, explica Valdo.

O agrônomo ressaltou ainda que, em pequenas propriedades, há uma maior dificuldade de implantação do componente floresta no sistema, mas destacou que existe um planejamento de plantio de cerca de 1.000 árvores de eucalipto ao longo das valetas de drenagem dessa propriedade, visando proporcionar conforto térmico às vacas leiteiras, cujas árvores irão contribuir para a drenagem da área de pastejo rotacionado e terão utilização futura da madeira produzida, no processo produtivo da propriedade.

Ainda em sua apresentação, o agrônomo apresentou métodos e procedimentos para realizar o processo de sobressemeadura de aveia em área de pastejo rotacionado de tifton, descrevendo os materiais necessários e detalhando os custos do procedimento. “Para implementação dessa tecnologia, é indispensável o uso de um sistema de irrigação eficiente, o que permitirá produzir alimento volumoso de alta qualidade para 6UA/ha, com um custo diário de R$ 3,30 vaca/dia, valor muito menor quando comparado aos R$ 12,25 vaca/dia, para alimentação com silagem de milho. A economia é muito grande”.

No decorrer da apresentação, ele também detalhou o procedimento de plantio e o manejo do Sistema, destacando que 1ha do sistema produzirá alimento volumoso para 6UA, por um período de 100 dias, ou seja , de junho a setembro, gerando um incremento de R$ 5.370,00 na renda mensal da propriedade. Após a descrição do método, os participantes se dirigiram para os pastos rotacionados da propriedade − onde observaram a semeadura de aveia e azevém, implantados sobre a pastagem de tifton e grama-estrela da propriedade, 40 dias antes do evento.

A segunda palestra teve o tema “Manejo nutricional de vacas leiteiras em sistema de produção de pastejo rotacionado”, e foi ministrada pelo zootecnista Bruno Henrique Araújo, responsável técnico do setor de agropecuária da Coopercitrus. Em sua apresentação, ele explicou a dinâmica do sistema digestivo de vacas leiteiras e as diferenças entre alimentos volumosos e concentrados utilizados na dieta desses animais, desvendando vários mitos inerentes ao manejo nutricional. Durante sua palestra, o zootecnista elogiou a qualidade dos alimentos volumosos produzidos nas propriedades assistidas pelo Projeto CATI Leite, destacando que o pasto rotacionado é um alimento de excelência para alimentar vacas leiteiras, sendo a base do sucesso econômico dos produtores de leite que tem visitado na região.

A terceira palestra enfocou o “Sistema de criação da matriz leiteira do nascimento ao primeiro parto – planilha de custo de criação da matriz leiteira”, e foi ministrada pelo médico-veterinário José Ricardo Lobo − da Casa da Agricultura de Santo Antônio do Jardim (ligada à área de atuação da CATI Regional São João da Boa Vista) −, que detalhou todo o Sistema Recria de fêmeas leiteiras no Sítio Indaiá, desde o nascimento até o primeiro parto.

Durante sua palestra, José Ricardo apresentou a planilha de cálculo do custo para a produção da matriz leiteira e realizou uma dinâmica para o seu preenchimento, com apoio do criador Juliano Gaspar da Silva. Os participantes interagiram de forma muito interessada para aprendizagem do uso desta ferramenta, que influencia na redução de custos.

O evento foi encerrado por Valdo Nunes, responsável técnico pela atividade, com agradecimento especial aos parceiros, aos participantes e às autoridades presentes, já anunciando a edição do próximo ano e de outras atividades que ainda serão realizadas na cadeia produtiva.

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