Secretaria de
Agricultura e Abastecimento
Diretoria de Assistência Técnica Integral - CATI

Hortas urbanas e rurais do litoral paulista adotam práticas agroecológicas

Hortas urbanas e rurais do litoral paulista adotam práticas agroecológicas


Com apoio da CATI, agricultores de Guarujá (SP) e Praia Grande (SP) aderem à Transição Agroecológica e já produzem bioinsumos, em trabalho que fortalece a conexão entre quem planta e quem consome

O dia a dia de quem aposta na transição agroecológica é marcado pelo cuidado com o solo, pelo aproveitamento dos recursos da natureza e pela busca de formas mais sustentáveis de produzir alimentos. Para apoiar os agricultores nesse caminho, a Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, oferece orientação técnica por meio do Protocolo de Transição Agroecológica (PTA). Além de nortear os agricultores na adoção de práticas agroambientais, esse trabalho contribui para a abertura de novas oportunidades de comercialização.

Na região de Santos (SP), a transição agroecológica ganha espaço tanto na agricultura rural quanto nas hortas urbanas e periurbanas. Com a proposta de apoiar quem produz na mudança gradual para sistemas de cultivo mais sustentáveis, a transição acontece respeitando a realidade de cada propriedade e valorizando os recursos que já estão disponíveis na própria natureza.

Uma ação realizada na Horta Sustentável Santa Cruz dos Navegantes, em Guarujá, em agosto passado, é um bom exemplo da sensibilização para o tema na prática. Agricultores e técnicos participaram de uma atividade de coleta e preparo de micro-organismos eficientes (EMs), utilizados na produção de bioinsumos. A iniciativa também marcou o aprendizado coletivo sobre práticas que podem contribuir para a transição.

No local, foi instalada uma unidade demonstrativa de bioinsumos, patrocinada pela Diocese de Santos, com recursos da Campanha da Fraternidade de 2025. A ação reúne organizações da sociedade civil, poder público e grupos de agricultores rurais, urbanos e periurbanos.

Para Zenaldi de Oliveira Duarte, integrante da Horta Santa Cruz dos Navegantes, o PTA traduz bem a lógica da agroecologia. “A serrapilheira vem da natureza e volta para a natureza na forma de bioinsumos”, celebra.

Os micro-organismos eficientes são uma das muitas ferramentas que podem auxiliar os agricultores durante a transição agroecológica. O engenheiro agrônomo Idelberto Esch Miranda Junior, da CATI Regional Santos e integrante do Grupo de Trabalho de Agroecologia da instituição, destaca o potencial da técnica.

“Os EMs são uma tecnologia social de baixo custo de produção e alta eficiência, fundamental para aqueles que estão no processo de transição agroecológica. São uma das técnicas e práticas que visam à diminuição do uso de adubos solúveis e agrotóxicos”, explica.

A produção de bioinsumos é uma alternativa para agricultores que buscam aperfeiçoar o manejo de suas áreas, fazendo proveito dos recursos naturais e reduzindo a dependência de insumos externos. Com orientação técnica, essas práticas podem ser incorporadas gradualmente à rotina produtiva. E é nesse processo que a extensão rural faz diferença. O extensionista acompanha o agricultor, orienta as mudanças e ajuda a identificar soluções adequadas às condições de cada cultivo.

O PTA também reconhece oficialmente os avanços de quem está em processo de transição agroecológica. No início de outubro, receberam o certificado do protocolo os agricultores Cristina Ramos Rosa e Joselito Marcelino dos Santos, responsáveis por uma horta urbana em Praia Grande.

O trabalho do casal se destaca pela dedicação à produção e pela busca constante de melhorias, tanto no cultivo quanto na relação com a comunidade e os parceiros. A horta conta com o apoio da Prefeitura de Praia Grande e da Transpetro, empresa que cede a área utilizada para o plantio, localizada em uma faixa de servidão.

A certificação representa o reconhecimento do caminho percorrido pelos agricultores na adoção de práticas agroambientais, mas vai além. Sua contribuição também se estende à ampliação das oportunidades de acesso a mercados.

Outro exemplo de agricultura urbana acompanhado pela equipe da CATI Regional Santos está na Zona Leste da capital paulista. Em área cedida pela Enel Brasil, em faixa de servidão da empresa, a agricultora Joelma Marcelino desenvolve seu trabalho com assistência técnica da Prefeitura de São Paulo. Técnicos da CATI Regional Santos também estiveram no local para conhecer a experiência e acompanhar a produção.

Além dos benefícios ambientais, a transição agroecológica pode aproximar agricultores e consumidores. Feiras, quitandas, restaurantes, mercados de bairro e cestas de produtos são algumas das possibilidades de comercialização. Compras públicas, grupos de consumo, Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSAs), entregas em domicílio e vendas pelas redes sociais também ajudam a escoar a produção.

Canais que favorecem os circuitos curtos de comercialização, nos quais o alimento percorre distâncias menores e a relação entre quem produz e quem consome fica mais próxima, as CSAs representam novas oportunidades de venda e maior valorização do produto para os agricultores.

Na CATI Regional Santos, o PTA integra um conjunto de projetos prioritários, ao lado das iniciativas Frutas Vermelhas SP e Cacau SP. A atuação considera as particularidades do litoral paulista e da região metropolitana de São Paulo, onde a produção rural convive com áreas urbanas e periurbanas e apresenta demandas específicas de assistência técnica e extensão rural.

Segundo Hemerson Calgaro, responsável pelo PTA na CATI Regional Santos, o trabalho busca consolidar o protocolo entre os agricultores dos municípios atendidos pela Regional, com a adoção de diferentes práticas agroecológicas.

O chefe de divisão substituto da Regional à época da atividade, Guilherme Zangerolimo Gonsales, também ressalta a importância de direcionar a produção local para sistemas mais ecológicos, contribuindo para a segurança e a soberania alimentar. “Alimento mais ecológico é mais saúde na mesa dos consumidores”, finaliza.

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